Arquivos QUByte - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/qubyte/ Um pouco de tudo na medida certa Fri, 30 Jan 2026 14:57:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.3 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Arquivos QUByte - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/qubyte/ 32 32 Street Racer Collection | Coletânea de clássicos de corrida retrô — Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/01/29/street-racer-collection-coletanea-de-classicos-de-corrida-retro-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/01/29/street-racer-collection-coletanea-de-classicos-de-corrida-retro-analise/#respond Thu, 29 Jan 2026 17:14:27 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=21521 Street Racer é um jogo que muita gente via sua caixinha pelas prateleiras das locadoras nos anos 90. Seu logotipo lembrava muito o de Street Fighter II, o que parece ser bem proposital, tentando dar destaque ao mote do jogo: uma espécie de Mario Kart, mas com leve combate, ao estilo Road Rash. Em 2025, […]

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Street Racer é um jogo que muita gente via sua caixinha pelas prateleiras das locadoras nos anos 90. Seu logotipo lembrava muito o de Street Fighter II, o que parece ser bem proposital, tentando dar destaque ao mote do jogo: uma espécie de Mario Kart, mas com leve combate, ao estilo Road Rash.

Em 2025, no finalzinho do ano, a QUByte — que já nos trouxe a coletânea de Top Gear — deu um tratamento similar à série de corrida feita pela Vivid e publicada pela Ubisoft na época para diversos consoles, sendo eles: Super Nintendo, Mega Drive, GameBoy, Saturn, Playstation e MS-DOS.

Vamos ver se essa coletânea vale a pena a seguir.

Do que se trata Street Racer?

O game é basicamente um Mario Kart. Temos diversos personagens coloridos e estilizados, que podem atacar para os lados como em Road Rash.

A versão de Super Nintendo usa a tecnologia do Mode 7 do console, enquanto que no Mega Drive e Game Boy, usa-se scaling, como em jogos tradicionais como Top Gear. Isso faz com que todas as versões do jogo sejam bem diferentes umas das outras, diferentemente do Top Gear 2, por exemplo, que apesar de algumas discrepâncias gráficas e sonoras, era basicamente o mesmo jogo em todas as plataformas.

Modos Extras

Além das corridas tradicionais, ainda temos alguns minigames:

  • Soccer: Basicamente Rocket League 16-Bits. Você anda com seu carrinho e tenta fazer a bola entrar no gol. Divertido, porém confuso.

  • Rumble: Basicamente o Battle do Mario Kart e funciona muito bem até mesmo na versão do Mega Drive.

    Reprodução: QuByte

Comparativo de Versões

Versão Tecnologia Visual O que o Horo Joga acha?
Super Nintendo Mode 7 Rotação clássica Bem difícil. IA agressiva; exige domínio na marra.
Mega Drive Scaling Sprites tradicionais A melhor jogabilidade. Mais divertida e responsiva.
MS-DOS Alta Resolução O mais bonito Tecnicamente superior e prazeroso de ver na tela.
Game Boy Scaling Portátil e limitado Encheção de linguiça. Só para preencher o vácuo.

Jogabilidade e Trilha Sonora

O game é bem mais difícil que Super Mario Kart, e não à toa ele vem por default na dificuldade Easy. A versão de SNES por algum motivo é bem mais complicada que a de Mega e Game Boy, de forma que chegar em primeiro vai ser bem difícil até que o jogador pegue o jeito do game.

As músicas de cada versão são diferentes e fazem bem seu papel de ilustrar sonoramente a bagunça das corridas, porém não são marcantes de forma alguma.

Dica: Se quer beleza, vá de MS-DOS. Se quer diversão e resposta rápida, vá de Mega Drive. Mas sério: fique longe da versão de Game Boy.

Reprodução: QuByte

A coletânea de Street Racer, ou quase…

O “quase” do texto acima se refere ao óbvio elefante na sala: a QUByte não colocou todas as versões de Street Racer nesse lançamento. Me parece estranho, mas eles simplesmente ignoraram que o game tinha uma versão de PlayStation e Sega Saturn, que apesar de bem parecidas entre si, são diferentes das outras que estão na coletânea.

Não sei se seria por questão de licenciamento, mas é uma bola fora que não faz muito sentido: por que sua empresa lançaria uma coletânea de um game ligeiramente desconhecido se não for pra fazer dela o pacote definitivo do jogo?

Evolução da QUByte

A apresentação está responsiva e bonita. Nota-se que a empresa evoluiu muito suas interfaces desde Top Racer Collection. Aqui temos menus menos estáticos, além de extras como manuais e pequenas trivias.

Também é possível trocar a paleta de cores da versão de GameBoy, algo que raramente se vê nessas coletâneas quando elas contêm jogos do portátil.

Reprodução: QuByte

Outra novidade é a adição de troféus, que devem ser obtido jogando todas as versões do game presente na coletânea, mesmo a do GameBoy, sendo assim um prato cheio para os que gostam de ir atrás de Platinas.

O manual do Mega Drive é o da TecToy em português, sendo o ÚNICO dessa versão na coletânea. Para nós brasileiros é legal, mas a gringaiada deve sentir falta do original em inglês.

Reprodução: QuByte

Críticas negativas…

A forma de escolher o jogo é problemática. Em vez de usarem as caixas dos jogos, temos um menu MINÚSCULO no centro da tela com SIGLAS que representam os consoles (provavelmente por questões de licença).

O resultado é isso aqui:

Reprodução: QuByte

Sinceramente, não sei como esse menu passou no teste de QA. Afinal, alguém realmente consegue saber de cara o que significa “NP8″, “N16” e “S16”? Eu mesmo me confundi abrindo o “S16” porque associei o S a Super Nintendo e não a Sega. Esses eufemismos são péssimos… e se o nome dos consoles aparecem nas caixas, mesmo na versão de PlayStation, qual o problema de citá-los nominalmente?

Não obstante, ao lado, o logotipo gigante muda de cor, como se o jogador soubesse diferenciar as versões só pela cor do logo. É uma falha de design que espero que corrijam em futuros updates, já que a QuByte costuma ouvir a comunidade.

Outra parada que deixou muita gente meio chateada e que é um assunto muito divisivo hoje em dia é o claro uso de IA para a capa da arte da coletânea.
Obviamente que ela foi inspirada na arte original do jogo, mas a imagem foi passada por uma IA para que fosse recriada com qualidade melhorada. Ainda que o resultado tenha ficado bacana, acho que o uso de IA para esse tipo de coisa deveria ser limitado à ajudar um artista – pago – a ter inspiração para desenhar sua propria versão moderna da capa.

Sei que é um tema duro mas falta empatia com quem trabalha com arte, e isso deveria ter sido colocado de forma mais aberta pela empresa, por mais que seja um jogo de menor alcance.


Veredito

Street Racer Collection é um lançamento interessante da brasileira QUByte. A evolução da emulação e da interface em relação ao lançamento anterior é gritante. Senti bastante falta das versões de Saturn e PS1, que fariam o pacote ser perfeito. Porém, as versões de Mega, SNES e DOS fazem valer o pacote.

Prós:

  • Versões de SNES, MEGA e DOS bem diferentes e divertidas;

  • Modo multiplayer local presente;

  • Interface ágil e responsiva;

  • Extras legais (manuais).

Contras:

  • Menu principal confuso e pouco claro;

  • Falta das versões de PS1 e Saturn.

Nota: 7.0/10

Reprodução: QuByte

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Accolade Sports Collection | Uma coleção quase pra mim https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/04/07/accolade-sports-collection-uma-colecao-quase-pra-mim/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/04/07/accolade-sports-collection-uma-colecao-quase-pra-mim/#respond Mon, 07 Apr 2025 00:02:11 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=19850 Coleções retrô, isso é algo que apesar de parecer relativamente recente, vem desde a época do Super NES, com compilações de jogos da Midway, Atari e Nichibutsu, e perdemos a conta de quantas vezes a Namco vem relançando os seus jogos desde o PS1. Capcom e Sega não ficam atrás. Desde portes diretos feitos do […]

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Coleções retrô, isso é algo que apesar de parecer relativamente recente, vem desde a época do Super NES, com compilações de jogos da Midway, Atari e Nichibutsu, e perdemos a conta de quantas vezes a Namco vem relançando os seus jogos desde o PS1. Capcom e Sega não ficam atrás. Desde portes diretos feitos do zero, como os que aconteciam em coletâneas como Sonic JAM no Saturn e a Capcom Generation no PS1, a emulações como o Sega Smash Pack do Dreamcast, Super Mario All-Stars no Wii (Essa foi uma das emulações mais safadas que a Nintendo colocou em um disco de Wii) e alguma coleção da Taito no PS2, e temos remasters, comuns na geração PS3 e adiante, como a Devil May Cry HD Collecti0n, .hack//G.U. Last Recode e a coletânea de Lunar que tá pra sair.

Eu mesmo tenho algumas coleções na minha “coleção”, tanto que comprei, quanto que recebi pra análise. Na minha opinião, independente do resultado ou maneira que foi produzido, é uma ótima maneira de colocar jogos de uma antiga geração de consoles e PC’s em hardware recente de maneira conveniente e legalizada. Sim, sabemos que a emulação existe e você pode aplicar filtros de firula, texturas e até mesmo cometer o crime de esticar um jogo 4:3 pra 16:9, mas ainda assim acho legal quando relançam jogos de outrora de maneira legal.

Se você jogava videogames nos anos 90, deve ter visto a Accolade em alguns jogos como Bubsy, Test Drive e Barkley Shut up and Jam. A empresa foi fundada por ex-funcionários da Activision (não a Activision que conhecemos hoje, mas a Activision fundada na era de ouro dos games). A empresa cometeu uma sucessão de erros no fim da década que levou a aquisição pela Infogrames e o fechamento da mesma em 2000. Durante anos, a marca ficou dormente, até que a Billionsoft adquiriu a marca Accolade e tivemos dois jogos bastante medianos de Bubsy. Algumas pessoas vão dizer que os dois últimos jogos do Bubsy são ruins, mas são só clones medianos de Giana Sisters (The Woolies Strike Back) e Bit.Trip Runner (Paws of Fire). Enfim, em 2023, a Atari (sempre ela) readquiriu a marca Accolade e suas ip’s da Billionsoft.

E no ano passado, no QUByte Connect, a QUByte anunciou a parceria com a Atari para o lançamento da Accolade Sports Collection, com o lançamento ocorrendo em Janeiro de 2025. Contendo cinco jogos esportivos da Accolade, essa compilação é uma viagem no tempo para aqueles que viveram os anos 90. Mas será que é uma boa viagem? Ou é aquela viagem onde você não pode ir pra praia porque o mar tá revolto, não tem internet e quando você vai nadar na lagoa, um anzol prende no seu pé? Essa analogia pode ou não ter relação com uma viagem de feriado pra Maricá que fiz com a família muitos anos atrás. LEIAM A ANÁLISE!

Cinco jogos, mas…

O jogo traz cinco jogos da Accolade, Hardball!, Hardball 2, Winter Challenge, Summer Challenge e Hoops Shut up and Jam. Infelizmente, com exceção de Hardball 2, todos os jogos são as versões de Mega Drive. Eu falo isso, porque com exceção de Hoops Shut up and Jam, todos os outros tiveram suas origens nos PC’s, seja o Commodore 64, MS-DOS ou Amiga.

O Hardball! é um clássico do Commodore 64 de 1985, que recebeu diversas versões, até chegar ao Mega em 1991, Hardball 2 saiu para MS-DOS, Mac e Amiga em 89 e 90 respectivamente. Winter Challenge saiu pra DOS em 1991, e pra Mega em 92, Summer Challenge saiu pra DOS em 92, com a versão de Mega em 1993 e por fim fechando a coleção, Hoops Shut up and Jam saiu em… 2021. E em 1994, pra Mega Drive, mas com outro nome. Se você não percebeu até agora, Hoops Shut up and Jam é uma reskin de Barkley Shut up and Jam. Esse reskin foi feito pela outra parceira de longa data da QUByte, a Piko Interactive, pro relançamento do jogo no Evercade.

Sim, como um entusiasta de outras plataformas que estão fora do espectro comum do jogador médio brasileiro (aka geração 16-bits pra frente), eu gostaria de ver mais jogos de outras plataformas relançados. Então, uma coletânea de jogos com versões pra outras plataformas, não ver versões de outras plataformas é um tanto decepcionante.

Recursos para a jogatina perfeita.

Como todo relançamento de jogo antigo, a Accolade Sports Collecion possui todas as firulas esperadas. Recursos de salvamento e recarregamento, além de rebobinamento, ideais para refazer uma jogada. Em especial considerando o input delay de emulação, que pode prejudicar a partida de Hardball por exemplo. Como a versão de Hardball é a de PC, não há rebobinamento, mas um load pode ajudar na hora de fazer aquela rebatida perfeita. Infelizmente eu não manjo nada de baseball, e aos 36 anos de idade, não tenho interesse em aprender, mesmo com o Brasil tendo se classificado pro campeonato mundial.

Winter Challenge e Summer Challenge são dois bons jogos de esportes. Apesar de que Summer Challenge o metralhamento de botões é inevitável, coisa menos evidente no jogo de inverno. Ainda sim admito, em relação a inverno, ainda prefiro o Winter Olympics do Master System. Quem diria, eu, elogiando um jogo da Tiertex. Não é a toa que choveu pra caralho na data em que escrevo esse texto.

Por fim, o melhor jogo da coletânea é Hoops Shut up and Jam, apesar da péssima edição que fizeram no sprite do Barkley que fizeram na tela título e menu do jogo. A PIKO simplesmente pegou uma stock photo de “Angry Black Man” e fez uma digitalização com o cu. De resto, ainda que não seja melhor que NBA JAM (tarefa impossível), é um jogo de Basquete de Rua bem competente, com regras mais relaxadas e ideal para partidas com os amigos. E é o jogo que melhor envelheceu da série.

Para os entusiastas de retrojogos, a QUByte preparou manuais em português, cheios de explicações, que fariam até um idiota como eu aprender a jogar beisebol.


Jogos em 16-bit envelhecem bem graficamente

Uma da coisas que é conversa típica de entusiastas retrô, jogos da era 16-bits envelhecem MUITO BEM graficamente. Enquanto que jogos do PS1 e do Saturn muitas vezes envelhecem mal graficamente, jogos da geração anterior permanecem bonitos ainda hoje, muitos jogos do Mega Drive, SNES, Turbografx-16 e até mesmo PC’s como o Amiga e o Atari-ST produziram jogos 2D belíssimos.

E essa é a sensação visual na maioria dos jogos, com exceção de Hardball 2 que destoa dos demais, pela plataforma diferente. Sprites bem feitos, e elogiar os climas de verão e inverno em Summer e Winter Challenge, é legal ter um ambiente de olimpíadas não oficial. A única coisa que se destaca negativamente, foi a digitalização da stock photo de Hoops, que mencionei no setor anterior.

Uma coletânea que merece existir

Essa coletânea foi quase feita pra mim. Eu tenho interesse em jogos de PC’s antigos, mas como 80% dos jogos dessa coleção são de Mega Drive, eu perdi meu interesse pessoal. Em questão de comprar, essa compilação vale pelo Hoops Shut up and Jam, e pelo valor histórico. Se tivéssemos versões de DOS dos outros jogos, talvez me apetecesse mais.

Nota final: 6,5/10

Accolade Sports Collection está disponível para PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One e Xbox Series. Essa análise foi feita com uma chave de PS4 cedida pela QUByte.

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Glover | O clássico do N64 está de volta https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/03/13/glover-o-classico-do-n64-esta-de-volta/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/03/13/glover-o-classico-do-n64-esta-de-volta/#respond Thu, 13 Mar 2025 17:32:30 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=19693 Eu sinto falta de quando os jogos tentavam ser experimentais. Era uma coisa que acontecia com frequência até a geração Playstation 2, onde jogos tentavam coisas para se destacar. Nem sempre conseguiam, mas era legal ver eles tentar. Sem Operation WinBack (Do Omega Force), não teríamos Gears of War, já que o “cover no murinho” […]

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Eu sinto falta de quando os jogos tentavam ser experimentais. Era uma coisa que acontecia com frequência até a geração Playstation 2, onde jogos tentavam coisas para se destacar. Nem sempre conseguiam, mas era legal ver eles tentar. Sem Operation WinBack (Do Omega Force), não teríamos Gears of War, já que o “cover no murinho” foi introduzido lá. Sem o escudo-iô-iô de Rygar do PS2, não teríamos as Blades of Chaos de God of War, sem o Reino Unido, não teríamos jogos que colocam um monte de minigames como jogabilidade e é medíocre em todos. Eu tinha outra analogia em mente quando comecei a planejar esse texto, mas eu esqueci.

Enfim, a partir da geração PS3, com os orçamentos subindo cada vez mais, experimentar ficou cada vez mais arriscado. Então, você só tinha duas opções, ou se apegava a IPs legado, ou copiava fórmulas de sucesso, as vezes as duas coisas no mesmo jogo, como Castlevania: Lords of Shadow que juntou o Hack’n Slash de God of War com a temática de Castlevania. Se foi um sucesso, é questionável, mas a desenvolvedora Mercury Steam ao menos sobreviveu o suficiente para fazer dois Metroids. O fato é que fora da esfera índie, experimentação se tornou algo mais raro na indústria dos jogos.

Agora… Você já parou pra perceber que a emulação de Nintendo 64, mesmo quase 20 anos após o console… Ainda é relativamente uma merda, se o jogo não é Super Mario 64? Existe uma boa razão para muitas leaderboards de speedruns de N64 serem altamente restritas com emuladores. Não é pelos caras serem cuzões (na maioria das vezes), mas sim pelo fato de mesmo hoje em dia, emuladores de Nintendo 64 ainda terem muita imprecisão em certos jogos.

O que isso tudo tem a ver com o jogo de hoje? Bem, acontece que um dos jogos experimentais do Nintendo 64 foi relançado recentemente para os consoles modernos, após um relançamento no PC alguns anos atrás. O clássico cult Glover está de volta, graças a parceria entre a QUByte e a Piko Interactive. Será que esse novo porte faz juz ao legado dos Gêmeos Oliver? Confira nossa análise.

Salve o mundo com uma mão só

O mundo pacífico do Reino foi destruído! O mago, enquanto misturava poções com suas luvas mágicas, causou uma enorme explosão, transformando-o instantaneamente em pedra e desalojando os sete cristais que dão energia ao Reino. Sem os cristais, o castelo e seu mundo desmoronarão e o mago estará perdido!

Cabe a Glover, uma das luvas mágicas, encontrar os cristais, agora disfarçados de bolas de borracha, e devolvê-los em segurança ao castelo. Guie Glover e as bolas por sete mundos mágicos cheios de quebra-cabeças e surpresas escondidas. Cuidado! A luva maligna está à espreita nas sombras, e ele não vai parar por nada para frustrar as tentativas de Glover de restaurar a paz.

É, a história de Glover não é das mais criativas, com exceção de você jogar com uma luva sentiente. Como fun fact, a história de Glover foi ligeiramente retrabalhada no porte de PS1 que o jogo recebeu em 1999, para ligar o jogo original a continuação que foi cancelada… Por burrice da Hasbro. SIM, BURRICE. Um ex-programador do estúdio original contou que um empregado da Hasbro dobrou a quantidade de cartuchos produzidos de Glover, deixando a publisher com um estoque de cerca de meio milhão de dólares que não teria como ser vendido, assim forçando o cancelamento de Glover 2 (que estava com cerca de 80 a 85% do jogo pronto), assim como o porte de Nintendo 64 de Frogger 2: Swampy’s Revenge, o que prova que não é de hoje que a Hasbro faz merda a torto e a direito.

Um platformer de sua era, para o bem e para o mal

Você sabe muito bem como no meio pro fim dos anos 90, as empresas estavam arriscando pra encontrar uma fórmula que funcionasse para Platformers 3D, ainda que muitos tenham dito que a Nintendo aperfeiçoou o gênero com Super Mario 64, eu nunca gostei desse jogo. Mas enfim, cada um fez seu take diferente, e não é diferente com Glover. Antes de começar a falar sobre o jogo em si, uma coisa engraçada/triste, por alguma razão, o gameplay de demonstração do jogo nesse porte moderno do jogo é cagado.

Enfim, Glover tem dois tipos de jogabilidade, um com e outro sem a bola. Sem a bola, Glover tem um arsenal de movimentos bem decente, que daria pra fazer um bom platformer 3D na época e mesmo hoje em dia. E com a bola (que possui quatro formas, mais uma super forma disponível com um cheat code), as coisas mudam, a física entra em jogo e vai levar tempo pra se acostumar com os controles.

Cada uma das bolas disponíveis funciona de maneira diferente. A forma de borracha dá a maior quantidade de habilidades para a bola. Ela pode ser facilmente quicada, batida, lançada e até mesmo flutuar na água. A forma de bola de boliche permite que a bola não quebre facilmente, afunde em águas profundas e mate inimigos batendo nela. A forma de bola de rolamento dá controle preciso sobre a bola, pode ser usada para lançar e bater na bola com mais cuidado e também é magnética. A forma de cristal flutua na água e é frágil, mas dá pontos em dobro para cada Garib (Garibs são os coletáveis do jogo) obtido. A bola de poder (a do Cheat Code) pode quicar mais alto e ser batida e lançada mais longe do que outras formas.

Há algumas melhorias modernas, como a câmera no segundo analógico, mas ela ainda se move como uma câmera de um jogo 3D dos anos 90.

Erros foram cometidos

Uma das coisas que podemos elogiar com relação a esse lançamento de Glover é que mantiveram a taxa de frames da versão de Nintendo 64. Sim, é esquisito elogiar algo rodando a 20 FPS, mas deixa eu explicar. Glover é um platformer com foco na física das bolas e a física é atrelada a taxa de quadros do jogo, tanto que na versão de PC da PIKO, se aumentarmos a taxa de quadros do jogo (naquele lançamento há opções de 20, 30 e 60 FPS), a física do jogo fica mais louca que um esquerdista do Bluesky. E a outra melhoria que se pode citar em relação a Glover, é que o jogo roda em Widescreen.

Graficamente, o jogo é inferior ao lançamento original, algo parece ter sido perdido quando a Piko realizou o porte de PC de 2022 (que é a base dessa versão). Se comparar lado a lado com o original, vai ver que muito do charme do original foi perdido. Além de alguns bugs e glitches visuais, como partes de inimigos permanecendo na tela quando os matamos. O que é uma pena num geral, porque Glover é um retrato do charme dos platformers 3D, quando nem ainda tudo era padrão no gênero, todos ainda estavam experimentando, acertando e errando.

Os cenários de Glover são criativos pra época e tem um charme próprio, juntando com a jogabilidade não convencional, deixa Glover quase como um filho de uma outra criação dos Gêmeos Oliver quando estes eram parte da Codemasters, a franquia Dizzy.

A trilha de Glover é um dos destaques do jogo, mesmo se a jogabilidade fosse ruim (coisa que não é), a trilha é decente. Ainda que não esteja no nível de composição do Grant Kirkhope por exemplo, possui músicas excelentes. Pena que novamente, aqui temos alguns erros no relançamento, como a música demorando pro loop recomeçar, e efeitos sonoros errados tocando. Nisso, eu posso criticar a QUByte que podia ao menos ter trabalhado pra corrigir as cagadas da versão de PC da Piko.


Não sei se vale a pena

A experiência de Glover nos consoles modernos é um pacote misto, por um lado, é bacana o jogo estar disponível em plataformas modernas, mas sendo um porte da versão inferior de PC lançada pela Piko em 2022 (que é diferente da versão de PC da Hasbro de 98), fica aquele gosto agridoce na boca. É legal ter o jogo em wide-screen, mas os visuais não são tão bons quanto o jogo original. Funciona, mas tem problemas. Me pergunto se não seria melhor refazer o jogo do zero num remake/reboot, como Kao the Kangaroo fez, mas não sei se a Piko ou a QUByte tem recursos para tal. No fim, vale a preservação, mas se você tem como jogar o original, fique com ele.

Nota Final: 6,5/10

Glover está disponível para Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series e Nintendo Switch (além das versões da Steam, Evercade, PC. PS1 e Nintendo 64). Essa análise foi feita com uma chave de PS4, fornecida pela QUByte.

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Death Elevator | Atire, Morra, Repita, Melhore, Sobreviva https://www.arquivosdowoo.com.br/2024/12/07/death-elevator-atire-morra-repita-melhore-sobreviva/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2024/12/07/death-elevator-atire-morra-repita-melhore-sobreviva/#respond Sat, 07 Dec 2024 21:31:55 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=18781 Fim de ano, coisas acontecendo e é claro, o grind de ano do Sancini continua. E chegou o calor de fim de ano que todo mundo, exceto pessoas de mal caráter gostam, e muitas coisas terminando, como os Campeonatos de Fórmula 1 e 2, o Campeonato Brasileiro e a minha paciência com gente emocionada. Você […]

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Fim de ano, coisas acontecendo e é claro, o grind de ano do Sancini continua. E chegou o calor de fim de ano que todo mundo, exceto pessoas de mal caráter gostam, e muitas coisas terminando, como os Campeonatos de Fórmula 1 e 2, o Campeonato Brasileiro e a minha paciência com gente emocionada. Você sabe a que tipo de gente me refiro, a turma do twitter (alguns migraram pro Blue Sky) e tudo o que fazem na internet é gritar.

Bicho, esse povo é insuportável, ao invés de ter uma discussão saudável, tratam quem discorda deles como o absoluto inimigo. Você não gostou do RPG AAA genérico com péssimos diálogos e combate medíocre? Certamente você é todo ista e fóbico sob o sol, que odeia representatividade. Tem uma personagem negra num beat’em up? É LACRE, DEI DETECTED, SE NÃO CONCORDA É GADO. Você reclama de censura desnecessária num jogo? PARA DE BATER PUNHETA PRA PIXEL NUMA TELA, SEU INCEL!

Porra mano, vai tomar no cu e querer mandar na vida dos outros, isso tá me dando dores de cabeça por meses já, pessoal dos dois lados da guerra cultural gritando feito sopranos. Isso porque não falamos dos boiolas que em pleno 2024 AINDA FICAM NAS CONSOLE WARS. Bicho, tu não tem mais 12 anos em 1995, gamer já é desprezado em geral, mesmo com a indústria de jogos tendo mais lucro que quadrinhos e hollywood, ainda quer ficar brigando entre si por empresa bilionária? VAI TOMAR NO SEU CU.

Sim, minha tangente inicial foi longa, e vai ser uma mudança brusca para falar do jogo, mas é algo que eu preciso tirar do peito. Anyway, no final do ano passado, o desenvolvedor solo Fernando Tittz lançou no Steam o jogo de tiro com elementos de roguelite Death Elevator. E agora, um ano depois, o jogo foi portado pela QUByte para todos os consoles do Mercado. Será que ele vale a pena, ou morre feito minhas tentativas com a cremosa?

A saída fica no topo

Você é um agente secreto, chamado Adalberto, que trabalha para o governo de NUMINTERESSA. Após uma missão na embaixada de NUMÉDASUACONTA, você roubou documentos importantes que provam que o governo de NUMÉDASUACONTA está fazendo experimentos sobre como produzir especiais de TV da Amy Schumer em massa, coisa que é considerada um crime de guerra. Sendo assim, Adalberto precisa subir o prédio da embaixada de NUMÉDASUACONTA e lá, um jetpack lhe espera para fugir.

Porém, para lhe impedir, muitos soldados estão postados na embaixada, para chegar ao topo, você precisa subir os elevadores… Sim, eu tirei o roteiro do cu, porque a história de Death Elevator é propositalmente vaga e cabe ao jogador interpretar os fragmentos de lore disponíveis em certos níveis do jogo. Então eu decidi chupinhar a base de Elevator Action pra fazer o meu roteiro satirizado…

Apesar de que eu acho que produção em massa dos especiais da Amy Schumer deve ser considerado crime de guerra no mundo real… Mas isso é assunto pra outro dia, entretando, Ah, Amy Schumer… Como você decaiu… No passado, você era uma gostosa que roubava piadas de outros comediantes, hoje você não passa de uma insuportável, sem graça e gorda.

Loop delicioso de morte e aprendizado

Não é preciso mutio para explicar como Death Loop funciona. Em termos de controle, tudo funciona como um FPS absolutamente normal, que estamos acostumados há uns 20 anos. Agora, o loop de gameplay… Você começa numa sala de cooldown, parecida com um escritório, onde pode coletar uma pistola (com munição infinita), mas se explorar um pouco a sala, outras armas podem ser encontradas nessa sala. E o jogo começa de vez quando você entra no elevador e sai no andar seguinte.

Nos andares seguintes, você precisa matar todos os inimigos que estão naquele andar, assim que você matar, ouvirá um sinal do elevador, permitindo o avanço para o próximo andar. Mas, dar uma de rambo não é a solução, posicionamento e precaução são essenciais, pois UM TIRO e você morre. Felizmente, você tem sentido aranha e o jogo desacelera quando você está em perigo, podendo desviar da bala, deixando assim o jogo mais justo (MAIS UMA VITÓRIA DO JOGO JUSTO). Não se engane, você vai morrer muito, aprendendo a cada partida, o jogo tem esse looping de tiroteio, morte e mais uma tentativa. Isso é o que torna Death Elevator tão fascinante. Uma tentativa pode durar 10 segundos ou 10 minutos.

Felizmente, o desenvolvedor de Death Elevator teve BOLAS DE AÇO, e não colocou muitas das coisas que ultimamente devs colocam em seus jogos só pra dizer que tem, então nada de árvores de habilidade, sistemas de progressão, esse tipo de coisa. Ainda que meu lado pereba de FPS implore por um sistema de checkpoints, não faz parte da proposta de Death Elevator, e eu aprecio o jogo por isso.

Gráficos e sons

A Trilha sonora do jogo é boa. Nem todas as músicas são bangers óbvios, minhas favoritas são “As The DoOr Opens”, “ReDive”, “Urban Guts” e “Tropical Polygonz”, as músicas tem uma pegada meio techno que contribuem para o frenesi da jogatina. Altamente aprovado.

Graficamente, ele é meio minimalista e limpo, com modelos simples e alguns dos objetos são em apenas uma cor. Novamente, para um jogo feito por uma pessoa, são bem satisfatórios.

Recomendo, e é claro…

Se recomendamos Death Elevator? Sim. É um jogo curto que tem um ótimo loop de gameplay, e tem um preço justo em QUASE todas as plataformas, exceto aquela que estamos manjados de falar que é a mais cara. O jogo sai por R$ 24,90 no Steam, R$ 29,95 no Xbox, R$ 29,99 no Nintendo Switch e R$ 53,90 no Playstation.

Nota final: 9/10

Death Elevator está disponível para PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One e Xbox Series X|S, e essa análise foi feita com uma chave de PS4 fornecida pela QUByte.

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Top Racer Collection | Análise da Coletânea de Top Gear https://www.arquivosdowoo.com.br/2024/03/30/top-racer-collection-analise-da-coletanea-de-top-gear/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2024/03/30/top-racer-collection-analise-da-coletanea-de-top-gear/#comments Sat, 30 Mar 2024 13:17:26 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=16694 Os três clássicos do Super Nintendo estão de volta nas plataformas modernas e finalmente pudemos botar as mãos na versão completa dessa coletânea feita pela brasileira QUByte. Lembrando que essa análise fala mais da coletânea como um todo. Caso você queira se aprofundar mais sobre a série de jogos Top Gear como um todo, também […]

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Os três clássicos do Super Nintendo estão de volta nas plataformas modernas e finalmente pudemos botar as mãos na versão completa dessa coletânea feita pela brasileira QUByte.

Lembrando que essa análise fala mais da coletânea como um todo. Caso você queira se aprofundar mais sobre a série de jogos Top Gear como um todo, também fizemos um texto gigantesco e bem desenvolvido pelo Geovane .

Lá, ele aborda toda a história de sua criação, desde a origem da série nos computadores Amiga, até seus ports para outros consoles e as continuações pós-SNES.

Top Racer Collection
Créditos: QUByte

Por que diabos “Top Racer”?

Antes de mais nada, precisamos deixar claro o que está presente nesse collection. Temos três jogos: Top Gear, Top Gear 2 e Top Gear 3000.

Os três games estão com o nome “alternativo” de Top Racer, que é o nome dado aos dois primeiros jogos no Japão. Em nível de curiosidade, Top Gear 3000 saiu no oriente com o horrível nome de “The Planet’s Champ: TG3000”, mas nessa versão foi produzido um novo logotipo para o game se chamar Top Racer 3000.

A razão da troca de nome é óbvia para aqueles que conhecem o universo de esporte a motor: “Top Gear” é um programa britânico, produzido pela BBC, que fala sobre carros deeeesde 1977 (!!).

LEIAM – O Futuro dos Consoles Xbox: Uma Nova Era de Possibilidades

De alguma forma, a Kemco — produtora original dos games — conseguiu passar batida nos anos 90 ao lançar games de carro com o mesmo nome do programa — mesmo na Europa — mas no mundo globalizado atual isso ficaria difícil de passar batido sem alguns entraves legais.

A Piko Interactive, detentora atual dos direitos da série, resolveu trabalhar os games com os nomes japoneses. Como as roms japonesas não possuem diferença alguma entre as americanas além do logo/nome, eles simplesmente usam essas versões em todo relançamento moderno, como no portátil Evercade.

É a primeira vez que Top Gear 3000 é relançado, e a QUByte deu uns pulos pra se livrar de mostrar o nome original do game, mas isso será abordado mais a frente.

Créditos: QUByte

Emulação e desempenho

Os três games da coletânea rodam perfeitamente em qualquer plataforma. Afinal, são três jogos de Super Nintendo, não é mesmo?

Porém, na demo lançada ainda em fevereiro, Top Gear 2 estava com um problema sério no áudio do motor dos carros, soando em nada parecido com o game original. Ainda bem que isso foi consertado.

Top Gear 3000, famoso por ser difícil de emular por anos graças ao seu chip DSP-4, funciona sem problemas também.

Temos algumas poucas opções de imagem:

  • Normal: onde o jogo fica bastante pixelado;
  • Suave: onde a tela dá uma amaciada e deixa mais palatável ao se jogar numa TV de LCD moderna e gigante;
  • CRT: uma aberração que deixa a imagem toda trêmula, simulando uma tv com mau-contato. Evite a todo custo. Não era pra isso EXISTIR.

Além disso temos algumas coisas comuns como papeis de parede e possibilidade de esticar a imagem pela tela inteira, caso você seja algum tipo de louco.

Os controles funcionam bem e não percebi atraso de input, ou se tem, é algo quase imperceptível. É possível remapear os controles e dou graças a Deus por isso, já que acelerar com o TRIÂNGULO é algo totalmente fora da casinha desde 1990.

Créditos: QUByte

Apresentação visual

Uma bola fora é que o jogador não tem acesso aos menus dos próprios jogos. Tudo é feito através da interface da coletânea, como escolha de nome, marcha, campeonato e carro (em TG1). Depois disso, o jogo abre já na tela da corrida.

Entendo que foi uma tentativa de modernizar e padronizar o produto, mas parte da experiência é navegar pelos menus e isso foi tirado do jogador.

LEIAM – South Park: A Fenda que Abunda Força | Uma continuação ainda mais polêmica?

Como exemplo disso em outra coletânea, podemos ver o caso do Street Fighter 30th Anniversary Collection, lançado pela Capcom em 2018. Lá tínhamos diversos jogos da série, emulados de diferentes máquinas de arcade.

A Digital Eclipse, desenvolvedora, optou por deixar todos os menus na interface “externa”, colocando o jogador já na tela de seleção de lutadores. Isso agiliza o gameplay, mas tira a experiência original dos jogos.

O mesmo acontece aqui em Top Racer Collection: temos as três roms dos jogos originais, mas não podemos usar seus menus ou mesmo o sistema de passwords dos games originais.

E aí que entra meu maior ponto de descontentamento com essa coletânea da QUByte. Os menus.

Créditos: QUByte

Menus feios

Como o h2 desse parágrafo já entrega, eu achei que a identidade visual da coletânea não condizem em nada com os jogos.

Esteticamente eles não casam com o que é apresentado nos jogos, pois usam menus estáticos, similares a algo visto em menus de DVD mais simples.

No fundo dessas telas temos carros renderizados em 3D que VAGAMENTE lembram o carro das capas do Top Gear 1 e 2, mas parecem algo tão genérico que eu ainda tenho minhas dúvidas se não foram feitos com IA.

E caso tenha sido isso, que pelo menos buscassem algo parecido com os jogos ou com a capa dos mesmos. Mas ao invés disso, temos menus com tons azuis predominantes que talvez pegam inspiração na estética dos menus do primeiro jogo, mas nossa… é tão vaga essa lembrança que considerar que isso foi algum template pronto da engine deles não seria tão fora da realidade.

Não só isso, mas as músicas usadas nessas telas antes de entrar nos jogos é genérica. Poderiam optar por rearranjos das canções dos jogos, já que são tão marcantes, ou mesmo usar as próprias músicas extraídas de cada um deles.

Mas não. O que temos são temas tocados em guitarra que não remetem a nenhuma trilha de nenhum dos três jogos. Uma escolha minimamente bizarra por parte da QUByte, que por ser brasileira, deveria entender o que esses jogos carregam de importante para quem gosta deles.

Créditos: QUByte

Outros detalhes negativos

Na página da comunidade de Top Racer Collection no Steam, os produtores pediram que déssemos feedback do que havia sido publicado na demo e eu consegui notar diversas coisas.

Algumas eles corrigiram antes do lançamento final, porém outras acredito que não terão solução. Seja por design ou por fugir do escopo/verba da QUByte. Algumas delas são:

  •  A falta de outros jogos antigos da série Top Gear. Temos alguns games no Nintendo 64 e no Game Boy. Isso sem falar da versão bizarra de Top Gear 2 para o Mega Drive, que apesar de ser péssima, faz parte da história da série.

Isso talvez – e é uma suposição minha – seja devido a falta de direitos sobre os jogos por parte da Piko, que provavelmente só possui os três games de SNES. Uma pena.

  •  Falta de tradução dos jogos em si. Isso é algo que eu acho BIZARRO para ser sincero. Eles fizeram todo um rom hack do primeiro game chamado “Top Gear Crossroads” que traz quatro skins novas para os carros, baseadas no Horizon Chase 1 da Acquiris –, mas não conseguiram traduzir os jogos?

Os jogos possuem meia dúzia de linhas de texto, e eu acho simplesmente inaceitável que eles não se deram o trabalho de traduzir oficialmente cada um deles.

E para quem achar que seria muito complicado, saiba que eles já fazem um processo de edição na hora das roms, podendo ser evidenciado pelo fato de você poder editar seu nome fora do jogo e ele aparecer na tela de jogo dentro da rom.

Isso indica que alguma edição no código em tempo real está sendo feita e com scripts de Lua isso é facilmente feito hoje em dia. Aliás, muitas coletâneas fazem isso com jogos antigos e com jogos mais complexos, diga-se de passagem. Bola fora total.

Top Racer Collection
Créditos: QUByte

Pontos positivos

Além da já citada emulação, que é perfeita nos três games — mais o Crossroads que é só o Top Gear 1 de novo –, temos algumas coisas que são interessantes.

  • Modo online, podendo ser jogado por dois jogadores nos dois primeiros jogos e em até quatro jogadores em Top Gear 3000;
  • Save State, extremamente necessário caso o jogador não queira se frustrar nas corridas mais difíceis;
  • Conquistas/Troféus, que são bem difíceis de se completar, exigindo que o jogador chegue em primeiro em TODAS as corridas de TODOS os jogos;
  • Galeria com manuais e caixa dos jogos — ainda que em japonês;
  • Tocador de música, que apesar de não tocar nos menus, pode ser acessado no menu principal em uma tela separada;
  • Recriação da abertura do Top Gear 3000, já que ela não pode ser acessada durante o jogo devido a já citada escolha de tirar todos os menus originais. Essa abertura está traduzida em todas as línguas disponíveis e foi refeita fora da engine do jogo. É um easter egg interessante até
  • O tão falado Top Gear Crossroads. Pode ser um fator legal para alguns mas depois de jogar, vi que é só um romhack do original que apenas troca os sprites dos carros. O desempenho deles não muda e as pistas são as mesmas. Acredito que o tempo investido nisso deveria ter sido gasto com a tradução do jogo ou fazendo menus mais bonitos, mas coloco aqui como ponto positivo porque tem gente que amou esse raio desse Uno com escada em cima.

    Top Racer Collection
    Essa tela de seleção de carros ainda era da versão beta, mas mudou pouco no lançamento final. – Créditos: QUByte

Conclusão

Apesar das minhas críticas acima, Top Racer Collection AINDA É uma boa forma de contemplar esses três games em plataformas modernas.

Evidentemente que você pode só baixar as três roms e jogar em um emulador, mas pelos troféus e para ter os games oficialmente da única forma que é possível hoje em dia sem ser comprando um cartucho velho, acho que é completamente aceitável, principalmente nos consoles.

Ainda temos alguns extras, como troféus. Alguns desses inclusive, fazem referência ao forró da banda Total Mix, que usou a primeira canção do Top Gear 1 como base para uma de suas músicas.

Se você quer matar saudade e tem um console aí na sua sala ou deseja ter tudo de forma oficial, Top Racer Collection é para você.

Nota Final: 6/10

___________________________________________________
Esta análise foi escrita usando uma cópia do jogo para PlayStation 5, gentilmente cedida pela produtora.
Top Racer Collection está disponível no PC (Steam), PlayStation 4, Playstation 5, Xbox e Switch.

 

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Com o lançamento da coletânea de Top Racer na semana passada, eu pensei… Por quê apenas escrever sobre a coletânea? Deus, o mundo e sua mãe já escreveram sobre ela, fizeram vídeos e fizeram a mesma referência ao Forró de Top Gear.

Com isso em mente, eu decidi cometer o erro de jogar toda a série e dar uma pincelada em seus jogos, incluindo seu antecessor espiritual e que deu origem a praticamente a trilha inteira de Top Gear 1. Sem mais delongas, vamos a história e os jogos, da série Top Gear.

Reprodução: Internet

Começo Magnético

Lotus Esprit Turbo Challenge (Amiga, Amstrad CPC, Commodore 64, ZX Spectrum, Atari ST, Amiga CD32)

Curiosamente, nossa história começa no mesmo lugar onde começamos a história de Zool Redimensioned, na desenvolvedora/publisher de Sheffield, Inglaterra, Gremlin Graphics ou Gremlin Interactive (Esse foi o nome que adotaram após 1994). Desenvolvido pela dupla Shaun Southern e Andrew Morris, Lotus Esprit era pra ser meio que “mais um” jogo de corrida da Magnetic Fields.

Quando você joga Lotus Esprit, entende de onde veio a grande inspiração pra Top Gear, a tela dividida, o estilo gráfico e principalmente a trilha sonora. Apesar dos controles meio obtusos para os padrões atuais (o controle do Amiga tinha somente UM BOTÃO, então é complicado ter aceleração, freio e marchas sem se embananar todo. Jogar com a marcha automática alivia um pouco o problema), a jogabilidade de Lotus é boa, e ao jogar, percebi o por quê da série ser considerada Top Tier entre os entusiastas do Amiga.

LEIAM – Splatterhouse | Um remake memorável

A trilha sonora é composta pelo escocês Barry Leitch, e contém alguns temas que são conhecidos pelo público brasileiro devido aos rearranjos dos mesmos utilizados no primeiro Top Gear.  Por exemplo, a Intro é o tema da terceira pista dos campeonatos, o tema do Stage 3 é o da última pista dos campeonatos e o Stage 4 é o tema da segunda pista. Claro, de primeira eles vão soar estranhos pra quem escutou as versões de Top Gear de trás pra frente, ver essas versões com tanto baixo que parecem ter saído do chip de Som do Mega, causa uma estranheza inicial.

Versão de Amstrad CPC – Reprodução: Internet

Em termos de outras versões: No Amiga CD32, é a mesma versão, com trilha sonora de CD, mas por algum motivo (preguiça, suponho), não há efeitos sonoros quando se joga com a trilha de CD. No Atari ST, bem… A trilha foi Atari STzada. No Commodore 64, o jogo é horroroso.

No Amstrad CPC e no ZX Spectrum é passável, apesar de algumas falhas. E a versão de Amstrad CPC é só um porte vagabundo do ZX Spectrum.

Reprodução: Internet

Um passo pra frente, um para trás

Lotus Turbo Challenge 2 (Amiga, Atari ST, Amiga CD32, Acorn Archimedes, Mega Drive)

O segundo jogo mudou a estrutura. Ao invés de ser um jogo em circuitos com voltas, como o anterior, passou a ser corrida contra o tempo com checkpoints, como OutRun. O jogo abandonou a tela dividida do single player, assim como aconteceu com Top Gear 2. O lado negativo disso, é que os outros pilotos não são seus concorrentes, mas meros obstáculos. E o jogo coloca MUITOS obstáculos na sua frente, nesse jogo tem mais obstáculos do que toda a trilogia de Top Gear do SNES combinada.

O jogo adiciona também turbos, mas eles não são como os de Top Gear, mas boosts de velocidade em algumas pistas. Em termos musicais, ele é mais fraco que seu antecessor, com as músicas das pistas sendo loopings extremamente curtos, mas a abertura e o encerramento são decentes. Assim como aconteceu com Lotus 1, o encerramento de Lotus 2 é extremamente familiar para nós brasileiros, já que ele é o icônico tema de introdução de Top Gear. Há um motivo para essas trilhas terem sido reaproveitadas em Top Gear, falaremos mais adiante disso.

Uma das coisas mais fascinantes de Lotus 2, é o fato de que ele possui crossplay entre o Amiga e o Atari ST, através da porta serial do PC, permitindo até quatro jogadores juntos. Em termos de portes, a versão de CD 32 é idêntica a do Amiga, a do Atari ST é levemente piorada (Como era de costume no mercado de computadores quando o Amiga passou a ser a plataforma high-end no mercado de jogos pra computador) e a versão de Mega, apesar do áudio de bosta, tem uma jogabilidade decente.

Reprodução: Internet

Agora tem Editor de Pistas (mais ou menos)

Lotus III: The Ultimate Challenge (Amiga, Amiga CD32, Atari ST, MS-DOS, Mega Drive)

Em 1992, o pessoal da Magnetic Fields lançou o terceiro e último jogo da série Lotus. Agindo como um híbrido entre os dois primeiros jogos (e reciclando os gráficos do segundo jogo). O grande chamariz de Lotus III era o Racing Enviroment Creation Set (RECS), um pseudo-sistema de criação de pistas. Ele não permitia criar as pistas em si, mas criar uma sequência de parâmetros para criar uma pista. Essas pistas poderiam ser corridas solo, ou com dois jogadores, e um campeonato com até nove pistas customizadas podia ser criado, meio que antecedendo o campeonato customizado presente na Top Racer Collection.

O jogador também podia escolher se prefere o estilo Time-Attack do segundo jogo, ou o modo de circuitos do primeiro jogo, dando uma variedade em como você aproveita o jogo, mas fora isso, ele não foi tão bem recebido pela imprensa quanto os outros dois jogos… O que parece ser algo comum pra terceiros jogos de franquia (Top Gear 3000, Uncharted 3, Mass Effect 3…). Uma pena, porque a jogabilidade é bem decente no Amiga.

LEIAM – Lista de desejos do Sancini do DOS para a QUByte

Originalmente, quem faria as composições pra Lotus III seria Barry Leitch, ele até chegou a compor uma das músicas, mas ele acabou sendo chamado para um trabalho na Ocean, e quem assumiu a batuta em Lotus III foi Patrick Phelan, que foi responsável pela trilha de Zoom, e comporia as músicas de Top Gear 2. E posso dizer que Pat fez um bom trabalho, já que as músicas de Lotus III são boas.

Em termos de porte, novamente, a versão de Amiga CD32 é idêntica, e a do Atari ST é levemente piorada e a do MS DOS, uma versão melhorada do Amiga. Já no Mega Drive, poderia ser considerada competente, se não fosse a versão original, já que tem muitos downgrades em relação ao Amiga.

Reprodução: Internet

Aquele Famosão no Brasil

Top Gear (SNES)

Enquanto os donos de Mega Drive tinham Super Mônaco GP e OutRun, NES tinham diversos jogos e várias outras plataformas sorriam a toa com seus jogos de corrida, o SNES tinha F-Zero e Super Mario Kart, dois jogos de corrida com seus méritos, mas nenhum sendo um jogo de corrida sem truques mirabolantes, até que a Gremlin Graphics lançou o primeiro Top Gear no SNES.

Podemos ligar o sucesso do primeiro Top Gear no Brasil a alguns fatores, todos ligados a pirataria, já que encontrar e comprar cartuchos originais de Super Nintendo no Brasil nos anos 90 era mais difícil que encontrar político honesto, ou mulher pouco exigente no Tinder. Então, cartuchos piratas em locais como a Feira de Acari, os camelôs de Madureira ou a Feira de Caxias era a solução, ou os multicarts, onde Top Gear era bastante frequente, junto com jogos como Goof Troop e o jogo cancelado do Soldado Universal (sim, outra coisa comum na pirataria, é que era possível encontrar dumps de jogos não lançados como Universal Soldier e The Shadow), e a outra solução eram máquinas de Fliperama que eram basicamente um SNES com o timer, onde fichas davam 10 ou 15 minutos de jogatina por ficha (rachas de Campeonato Brasileiro eram comuns, e foi numa máquina dessas que joguei Aladdin pela primeira vez).

Ajudou também o fato de que a jogabilidade era tão boa quanto a do primeiro Lotus, lá da Magnetic Fields, com a diferença de que o jogador poderia customizar a dificuldade, mesmo jogando no Amador, já que cada um dos quatro carros tinha status diferentes, como aceleração, consumo de gasolina, velocidade máxima e manobrabilidade (ou dirigibilidade). A alta quantidade de pistas em relação a série Lotus (aqui tínhamos 32 pistas, divididas em 8 torneios) também ajudou a longevidade. E claro, o modo para dois jogadores, que garantia corridas mais emocionantes do que jogar contra a CPU que não utiliza dos Nitros.

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A trilha sonora é uma boa surpresa acidental. Digo acidental, porque Barry Leitch foi chamado de última hora e a empresa que ele fazia parte (Imagitec Design) não tinha kits de desenvolvimento para o Super NES, então boa parte das músicas de Top Gear são rearranjos de músicas que Barry compôs pra Lotus e Lotus II (falamos disso mais acima), que foram convertidas pro chip de som do SNES por Hiroyuki Masuno. A exceção dos rearranjos é o icônico tema da primeira pista, que só de mencionar, vem a cabeça aquela versão forró… SAI DA MINHA CABEÇA!

O jogo teve uma recepção de mediana pra bom lá fora, mas como mencionei, a pirataria ajudou MUITO a popularizar Top Gear por aqui, a ponto de inúmeros hacks existirem, trocando os carros, as cores dos carros, e até mesmo colocando um seletor de pistas pro jogador jogar na ordem que quiser.

Fun Fact: Na písta de Sheffield, se encontra placas com o logotipo da Gremlin Graphics (desenvolvedora), porque é a cidade onde o estúdio se localizava, assim como nas pistas do Japão, se encontra placas com o logotipo da Kemco (publisher)

Reprodução: Internet

A continuação que também saiu pro Mega

Top Gear 2 (SNES, Mega Drive, Amiga/Amiga AGA, Amiga CD32)

Um ano depois, chegou a continuação de Top Gear. Dessa vez, assim como aconteceu com Lotus III, Barry Leitch foi substituído nas composições, e mais uma vez, por Patrick Phelan. E assim como aconteceu em Lotus II, saiu a tela dividida no single player, já que a Gremlin Graphics tinha mais experiência com o hardware do SNES. E o resultado foi levemente divisivo.

Por um lado, os gráficos tiveram uma melhora, apesar de serem aproveitados de Lotus II, e o número de pistas aumentou. Só que ele é menos “Amigável” que seu antecessor, tornando sua masterização algo mais complicado que no primeiro jogo. E voltando aos positivos, agora é possível fazer upgrades no carro, com o dinheiro obtido nas provas, o que é necessário para o gerenciamento de combustível nas provas mais longas, já que não há pitstops como no primeiro jogo.

Você tem um sistema de danos nos carros (não visível, mas indicado no diagrama do carro) e caso sofra muito dano, seu carro rodará com facilidade. Porém, em contrapartida, não há mais a escolha de carros com status diferentes, o que era uma pena.

Aqui a trilha sonora continua tão boa quanto a do primeiro jogo, apesar de não ser tão chiclete (ou talvez isso seja viés meu, já que da trilogia do SNES, ele é meu menos favorito).

Versão de Amiga AGA – Reprodução: Internet

Os Portes de Top Gear 2

Uma das razões pelas quais eu não curti tanto o Top Gear 2 foi devido ao desastroso porte de Mega Drive, cujo único ponto positivo é a taxa de frames, que é mais suave do que sua versão de SNES (Blast Processing YAY), e o fato de não ter o sistema de combustível, pois de resto é um jogo bem medíocre na melhor das hipóteses.

Felizmente as versões de Amiga e Amiga CD 32 são portes do SNES e são bem feitas, apesar de que jogar no Joystick de Amiga é meio furada porque você precisa apertar a barra de espaço do teclado pra usar o turbo. Existem duas versões do Amiga, a pro Amiga regular e a Amiga AGA que possui cores melhores. A versão de Amiga CD 32 tem a vantagem do controle, mas ela parece ligeiramente mais lenta do que a versão do Amiga, e os arranjos de CD são bem bunda mole.

No Mega Drive e no Amiga, infelizmente você precisa escolher entre música e efeitos sonoros, no CD 32, não. E eu vou dizer aqui… Eu me diverti jogando Top Gear 2 no Amiga, nunca pensei que fosse usar diversão e Top Gear 2 numa mesma frase. Quem diria.

Reprodução: Internet

Uma paradinha na Pirataria (Aka Omega Brazil 97)

Se você viveu nos anos 90, certamente deve ter ouvido falar do Twin Eagles Group, conhecido por suas bootleg hacks de International Super Star Soccer (E do Deluxe), como Campeonato Brasileiro, Futebol Brasileiro 96, Ronaldinho Soccer 97 e 98, Ligeirinho (Sonic 4) e ganharam fama internacional graças a redescoberta do Mundial Ronaldinho Soccer de N64 (HA HA HA HA RONALDINHO SAUCER).

E uma de suas criações, foi um hack de Top Gear 2, intitulado Omega Brazil ’97. Aqui, foram adicionadas duas telas de intro, e a dificuldade foi levemente aumentada. O Sprite do carro foi modificado pra lembrar o Chevrolet Ômega, possivelmente o modelo de 1997 (daí o título).

Os adversários, ao menos alguns deles, foram renomeados para pilotos brasileiros da stock car (acho). Vale a curiosidade, o dump da rom circula pela internet há anos.

Reprodução: Internet

De volta para o futuro

Top Gear 3000 (SNES)

Depois de flertar com outros consoles, Top Gear voltava a sua casa para o último jogo da franquia no SNES. E seria o primeiro a não ser chamado de Top Racer no Japão. Enquanto que Top Gear 1 e 2 foram Top Racer 1 e 2 na terra do Sol Nascente, Top Gear 3000 ganhou o fodástico título de “The Planet’s Champ: TG3000”.Um idiota faria pergunta: “Onde estão os títulos do 3 ao 2998?”. Mas enfim, a Gremlin resolveu refinar a fórmula de Top Gear 2, e deu um toque futurista a mesma. Ainda que os carros continuem com quatro rodas.

Os pitstops estão de volta… Mais ou menos, com o uso de esteiras para reabastecimento, lembrando o F-Zero, mas não somente isso, você pode reparar os danos ao seu carro em esteiras azuis, tornando a prova em alguns momentos, algo mais estratégico. O por quê eu citei estratégias? Simples, graças ao uso do chip DSP-4, que permitia o jogo dividir as pistas com múltiplos caminhos, algumas pistas possuem as esteiras de reparo num caminho e o reabastecimento em outra. Mas não é somente isso que temos de novidade e futurístico, já que há power-ups diferentes, como um sistema de pulos, teletransporte, e atração magnética.

O hilário de Top Gear 3000, é que o chip especial (DSP-4) não impediu o jogo de ser pirateado a rodo, mas meio que impediu a emulação do jogo a princípio, houve uma época que não dava pra emular, e depois, somente o Zsnes (sim, o infame Zsnes) era capaz de emular o jogo. Hoje em dia, até o celular da sua avó consegue rodar o jogo de boa.

Em termos de controles, apesar das adições, o 3000 é um híbrido com as melhorias de Top Gear 2 e a jogabilidade mais arcade do primeiro jogo. E a trilha é bem menos dependente de baixos, como no jogo anterior.

É um jogo que recomendo, apesar de que por alguma razão, fizeram gaslight nos jogadores brasileiros que preferem o 2 a ele. Vai entender, é tipo esse pessoal que jura que Marvel Super Heroes: War of the Gems de SNES é bom.

Depois do SNES

Após Top Gear 3000, a Gremlin e a Kemco seguiram caminhos separados, e outras desenvolvedoras assumiram a batuta da série Top Gear. Preparem-se, porque vamos falar rapidamente sobre cada título.

Reprodução: Internet

NINTENDO 64, OH MY GOD!

Top Gear Rally (N64, PC)

A estreia no N64 até foi elogiada pela imprensa. Desenvolvido pela Boss Game Studios, eu particularmente lembro de ter curtido um pouco o jogo, apesar de estar abaixo do padrão Top Gear de qualidade. Por alguma razão, entretanto, quando fui jogar no emulador, o jogo parecia menos… Impressionante. A dirigibilidade parece escorregadia.

Esse foi o segundo (e último) jogo com Barry Leitch nas composições… Bem, e até mesmo isso foi tirado dele, já que na versão de PC (intitulada Boss Rally), as músicas em sua maioria, são de uma banda chamada Dragline… Ótimo nome de banda, excelente pra procurar no Google.

Enfim, Boss Rally foi severamente criticado, especialmente comparado com outros títulos da época, e talvez a recepção positiva de Top Gear Rally tenha sido pela falta de títulos do gênero.

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Top Gear Overdrive (N64)

E dessa vez, a Kemco tirou os ralis e voltaram as provas de corrida normais, com Top Gear Overdrive. Saía de campo o Boss Game Studios, entrou em campo o Snowblind Studios. E o trabalho final… É comparável ao Road Rash 3D do PS1.

É competente, mas a sensação de velocidade não é das melhores. A trilha sonora foi a primeira licenciada no N64, com a banda Grindstone, e apesar de não conhecer a banda e continuar não querendo conhecer a banda, a compressão utilizada pra um cartucho de N64 é competente.

Curiosidade que ninguém pediu: A banda recebeu 4000 dólares pelo trabalho.

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Top Gear Rally 2 (N64)

A continuação de Top Gear Rally chegaria em 1999, com outro estúdio, o Saffire. E por incrível que pareça, o jogo é mais na pegada de rally real, ao invés da papagaiada que vemos em jogos mais arcade… É um jogo decente, mas não recomendo jogar em emulador, pelo menos não se você usa teclado, porque num teclado, o direcional do 64 é mais sensível que usuário do Tumblr e jornalista de jogos americano.

Reprodução: Internet

Top Gear Hyper Bike (N64)

Ok, dá pra entender Top Gear Rally, ainda são carros, mas… MOTOS? O que caralhos? Enfim, usando a engine de Overdrive, o Snowblind Studios se arrisca nesse joguinho de Motocross e Motos em geral. Como ponto positivo, o jogo tem um criador de pistas próprio. Eu queria ter jogado com mais afinco, mas a emulação gráfica deixa as pistas bizarras no Mupen64, como todo emulador de 64.

A Era de Top Gear que ninguém Liga

Em consoles, apenas mais dois jogos da série seriam lançados, um deles ainda pode ser comprado hoje em dia, o outro, está preso no PS2.

Reprodução: Internet

Top Gear: Dare Devil (PS2)

Dare Devil não deveria ser chamado de Top Gear. Desenvolvido pelo Papaya Studio, ele sequer é um jogo de corrida, é um jogo de missões em mundo semiaberto, com gráficos até decentes pra época que foi lançado (final de 2000), mas a dirigibilidade e a física são cagadas. E NÃO TEM CORRIDA! Como você não me coloca CORRIDA NA PORRA DE UM TOP GEAR!

Reprodução: Internet

Top Gear: RPM Tuning/Midnight Outlaw: Six Hours to Sun Up (PS2/Xbox/PC)

Tecnicamente, esse é o Top Gear mais recente que você pode adquirir, ainda que não sob o nome Top Gear. Desenvolvido pelo estúdio francês Babylon Software (boa sorte tentando encontrar ALGUMA COISA) deles, RPM Tuning é, sem cerimônias, o Need for Speed da Shopee. Se bem que temos jogos piores nessa categoria, mas me refiro a somente a esse artigo aqui.

Ele tem uma historinha que poderia ser muito bem um roteiro descartado de algum NFS, pelo amor de cristo. Se você não lembra desse jogo, tudo bem, a versão com a marca Top Gear só saiu pra Xbox, e a de PS2 ficou na europa sob o título RPM Tuning. Não que você tenha perdido algo de valor. Mas aceito essa bomba de presente no Steam porque eu não dou valor a minha vida.

E com essa triste nota, fechamos a parte de Top Gear em consoles, porque a série passou pelos portáteis também.

Reprodução: Internet

Portabilidade vantajosa

Top Gear Pocket (Game Boy Color)

Desenvolvido pela Vision Works (quem?), Top Gear Pocket é um competente jogo de corrida pro Game Boy Color, mas que poderia ser ótimo se não fosse a sensação de velocidade que é inexistente. Recomendo com ressalvas.

Reprodução: Internet

Top Gear Pocket 2 (Game Boy Color)

Nada como uma continuação para melhorar o que deu certo. Top Gear Pocket 2 corrige a velocidade do anterior, sendo um jogo de corrida excelente pra um portátil com hardware (na época) ancestral (lembre-se que o GBC não é muito mais avançado que o GB original, de 1989).

Altamente recomendado. Boa jogabilidade, bons gráficos, boa sensação de velocidade.

Reprodução: Internet

Top Gear: Especia (Game Boy Advance)

Esse aqui é um título que tecnicamente não seria um Top Gear, mas usa da marca no ocidente. No Japão ele é um título licenciado da categoria que hoje é a Super GT. Utilizando-se de circuitos japoneses, pra um título do início da vida do GBA, ele tem até bons gráficos, mas a jogabilidade é meh. E diabos, a písta de Suzuka parece levar 3 anos pra dar uma volta.

Sei que um carro de GT não é um F1, mas caramba. A Wikipédia diz que foi desenvolvido pela Kemco, mas no jogo tem também o logo da Vision Works, então dá pra dizer que é deles.

Reprodução: Internet

Top Gear Rally (Game Boy Advance)

Esse aqui é GOAT. Desenvolvido pela Tantalus, o jogo usa das capacidades 3D do GBA pros modelos dos carros (diferente dos sprites pré-renderizados de outros jogos) e cenários pré-renderizados espertos. A jogabilidade é boa, depois que você se acostuma com os controles. Recomendadíssimo.

Reprodução: Internet

Top Gear Downforce (Nintendo DS, cancelado/rebatizado)

Primeiramente, esse jogo não vale a pena. Tanto que tecnicamente a Kemco cancelou o lançamento ocidental de Top Gear Downforce, e no Japão o jogo saiu como parte da série Simple DS, jogos de baixo orçamento.

Anos depois, ele chegaria no ocidente sob a alcunha de Super Speed Machines. É um jogo de corrida Top Down bem vagabundo. Não é o pior do DS, mas passe longe desse aqui.

Reprodução: Evercade (Youtube)

Um Intervalo antes do relançamento…

Antes da Qubyte relançar os três primeiros jogos na compilação Top Racer Collection, a PIKO Interactive relançou os dois primeiros jogos, com seus nomes japoneses, em coletâneas para o Evercade (Um console de cartuchos pra jogos retrô que utiliza emulação e cartuchos proprietários), inclusive desconfio de que a razão para qual o terceiro jogo não saiu no Evercade porque seu nome japonês não era Top Racer 3000.

Infelizmente sou pobre demais pra comprar um Evercade, porque tem umas paradas legais lá… Porém, divago.

Após o anúncio que deixou Americanos com cara de “Cuma?” e alegrou a nação brasileira, tivemos uma longa espera pela Top Racer Collection, incluindo aí um adiamento em cima da hora, de Janeiro de 2024 para Março de 2024… Mas, o que a Top Racer Collection traz a mesa? (Isso não faz o menor sentido em português, mas agora já escrevi).

Reprodução: Internet

O poder da Conveniência

A Top Racer Collection traz Top Racer, Top Racer 2, Top Racer 3000 e o inédito Top Racer Crossroads, mas esse não é o ponto principal. Tecnicamente você pode jogar Top Gear via emulação, mas o que a coletânea faz, é deixar tudo arrumadinho e conveniente, e pra alguém acostumado a jogar em consoles, é uma opção, eu prefiro jogar na frente da minha TV, do que grudado em meu notebook.

Reprodução: Internet

Mais Opções e Online

A compilação não simplesmente coloca os jogos num menu bonitinho e diz: Pronto, joga. Tecnicamente você pode fazer isso, mas o jogo oferece extras, como Campeonato Customizado, onde você escolhe quatro pistas do jogo em questão, um carro e vai lá filhão.

Caso você seja fã de Time Trials, o jogo possui isso, uma tabela para você disputar com seus amigos. E caso você tenha amigos, pode jogar ONLINE. Em qualquer um dos quatro jogos, e mesmo em campeonatos customizados.

Reprodução: Internet

Top Racer Crossroads

Top Racer Crossroads é, sem papas na língua, uma romhack oficial do Top Gear/Racer original, com novos carros. Cada um desses carros referencia um outro jogo clássico de corrida, como o Uno da Firma (de Horizon Chase), o Ferrari Testarossa (de OutRun), com direito ao casal no carro, o Lamborghini Diablo (de Lamborghini American Challenge), e tenho quase certeza de que o carro azul referencia algum Need for Speed, mas posso estar enganado.

Reprodução: Internet

Se vale a pena?

Se você tem um PlayStation 4 ou 5, espere uma promoção, devido aos preços que nossa querida $ony coloca nos jogos no Brasil. Caso sua plataforma seja outra, Top Racer Collection é uma boa pedida. Tem online, um valor razoável, a emulação é decente e um dos troféus colocou aquela música maldita na minha cabeça.

A Top Racer Collection está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series X|S.

Reprodução: Internet

O que aconteceu com as produtoras?

Seção extra por onde pergunto ao Milton Neves* que fim levaram as produtoras dos jogos anteriores da série;

*O Arquivos do Woo informa que nosso redator não perguntou ao Milton Neves, isso se trata de uma ilusão após dias trabalhando nesse texto.

Reprodução: Internet

Magnetic Fields

O último jogo da dev de Lotus Turbo Challenge foi Mobil 1 Rally Championship, em 1999. Os programadores da MF abriram um novo estúdio para se dedicar a jogos de corrida, Eugenicy no ano seguinte, mas fecharam antes mesmo de produzir algo.

Reprodução: Internet

Gremlin Graphics/Gremlin Interactive

A publisher de Lotus e desenvolvedora da trilogia do SNES foi adquirida pela Infogrames (atual Atari), em 1999, e foi renomeada Infogrames Studios, fechando em 2003, com seus últimos jogos sendo as conversões para Gamecube de Superman: Shadow of Apokolips e Micro Machines, que saíram no ano anterior para PS2 e Xbox.

Ex-funcionários da Gremlin criaram a Sumo Digital, que continua na ativa até hoje, e o catálogo da Gremlin está nas mãos da Urbanscan, empresa criada por um dos fundadores da Gremlin.

Reprodução: Internet

Kemco

A publisher de Top Gear passou por um período ruim no meio dos anos 2000, mas voltou a ativa nos anos 2010, publicando RPG’s e visual novels, tanto no mercado mobile quanto no de consoles.

Reprodução: Internet

Boss Game Studios

O último jogo desenvolvido pela criadora de Top Gear Rally foi Stunt Racer 64 em 2000, e eles haviam conseguido a licença para desenvolver pro Xbox, mas não conseguiram uma publisher, fechando as portas em 2002.

Reprodução: Internet

Snowblind Studios

O estúdio de Top Gear Overdrive e Hyper Bike continuou na ativa por um bom tempo, inclusive sendo responsáveis por Baldur’s Gate: Dark Alliance (clássico) e Justice League Heroes (que usa a mesma engine, e é divertido IMO). Após Lord of the Rings: War in the North, o estúdio se fundiu a Monolith Productions, e seu último jogo foi Middle-Earth: Shadow of War. No momento, a Monolith Productions está trabalhando no jogo da Mulher Maravilha.

Reprodução: Internet

Saffire

A Saffire tinha alguns jogos interessantes no portfólio, como o James Bond 007 de Game Boy, e a expansão de Starcraft: Brood War. Porém, alguns jogos medíocres, como o da Xena do N64. A empresa fechou as portas em 2007, tendo seu último jogo, Thunderbirds (baseado no filme live action) sendo lançado em 2004. Cryptid Hunter, para PS3, seria seu próximo jogo, mas foi cancelado com o fim da empresa.

Reprodução: Internet

Papaya Studio

A criadora de Top Gear: Dare Devil fez alguns jogos que eu particularmente curti (os de Ben 10 são sólidos, Alien Force e Ultimate Force valem a pena uma jogatina casual), mas seu último jogo foi um Smash Bros da Cartoon Network, Cartoon Network: Punch Time Explosion foi lançado pra 3DS em 2011 e PS3/360/Wii em 2012, antes deles fecharem as portas em 2013.

Reprodução: Internet

Babylon Software

Encontrar informações sobre a Babylon Software é difícil por causa da ferramenta de tradução, mas o que se sabe é que Top Gear: RPM Tuning foi o último jogo produzido por eles.

Reprodução: Internet

Vision Works

Não se tem muita informação sobre a Vision Works, mas pelo site oficial deles, não tem… Nada. Creio que o último jogo deles tenha sido Boulder Dash EX, do GBA, posso estar errado.

Reprodução: Internet

Tantalus Interactive

Das companhias que se envolveram com algum Top Gear, a Tantalus é talvez a que esteja mais ou menos em melhor estado, tendo trabalhado recentemente em jogos como o Zelda: Skyward Sword de Switch, a versão de Switch de Sonic Mania, e as versões definitivas de Age of Empires 2 e 3.

E eu não sei como terminar esse artigo, porque caramba, são MUITAS PALAVRAS. 9 páginas falando de joguinho de corrida véi. E parafraseando meu amigo Dunkel Gotik: Joguem Top Ge… Top Racer 3000.

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Raccoo Venture | Agarra o Guaxinim, Soltaram o Guaxinim https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/12/29/raccoo-venture-agarra-o-guaxinim-soltaram-o-guaxinim/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/12/29/raccoo-venture-agarra-o-guaxinim-soltaram-o-guaxinim/#comments Fri, 29 Dec 2023 21:36:18 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=15834 Oh boy, esse texto tá atrasado… PRA CARALHO. Mas enfim… Eu NÃO tenho nostalgia da geração 32/64 bits, como a maioria das pessoas. Sim, eu joguei alguns dos jogos dessa geração, mas ou eu joguei muito tempo depois, como o caso de Crash Bandicoot, por exemplo, ou eu não joguei o suficiente pra ter me […]

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Oh boy, esse texto tá atrasado… PRA CARALHO. Mas enfim… Eu NÃO tenho nostalgia da geração 32/64 bits, como a maioria das pessoas. Sim, eu joguei alguns dos jogos dessa geração, mas ou eu joguei muito tempo depois, como o caso de Crash Bandicoot, por exemplo, ou eu não joguei o suficiente pra ter me marcado. Então quando um jogo moderno fala “ INSPIRADO PELO CLÁÁÁÁSSICO DO PS1”, minha resposta é uma cara de bunda sem expressão. Não é que tal jogo não tenha seus méritos, mas ele não vai me capturar por essa inspiração.

Vou citar um exemplo, o plataforma 3D Frogun, que apesar de ser claramente inspirado pela geração 32/64 bits, me chamou a atenção porque o design me remeteu ao jogo Gurumin: A Monstrous Adventure, da Nihon Falcon, pra PC, PSP e 3DS. Ou seja, o jogo não me chamou a atenção pela semelhança a geração clássica, mas porque me lembrava outro jogo que eu joguei.

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Uma coisa que parece que está se tornando comum aqui no Arquivos do Woo, é eu fazendo análise de jogos que estão em Acesso Antecipado, ou saíram do Acesso Antecipado. E o jogo de hoje, não é uma exceção a isso. Em 2020, o desenvolvedor solo Diego Ras lançava Raccoo Venture no Steam. Sendo um platformer 3D, o jogo chamou bastante a atenção durante o desenvolvimento, e conseguiu um bom resultado.

E agora, em 2023, com a ajuda da QUByte, o jogo, assim como Freeza, chega a sua FORMA FINAL, com um lançamento completo, incluindo portes para os consoles. Será que ele vale a pena seu tempo e dinheiro, ou assim como Toren, ele tropeça e falha em sua execução? Confira conosco.

Reprodução: Diego Ras, QUByte Interactive

A Importância de Raccoo Venture no cenário brasileiro.

Geralmente, na primeira parte do texto eu falo sobre a história do jogo, algumas groselhas, mas aqui achei necessário falar sobre a importância que um plataforma 3D brasileiro tem no cenário de jogos nacionais. Temos alguns excelentes jogos em 2D, e outros em primeira pessoa que são promissores. Quanto a 3D… A infame referência é Mineirinho, e muito do que foi feito no passado em 3D, ou era shovelware licenciado (exemplo aqui, Acquaria, aquele baseado no filme de Sandy e Junior), ou batia na trave na execução, como Toren. Podem haver outros jogos 3D bons lançados ao longo dos anos aqui no Brasil? Sim, mas eu não topei com eles. Bem, eu topei com um promissor uns anos atrás, mas está em development hell, ou pelo menos em ritmo bem lento. Path of Calydra chamou minha atenção, mas a última atualização da página oficial do Facebook foi em agosto, então não sei.

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Então pra quem está acostumado a ver títulos de plataforma em 3D feitos por equipes pequenas lá fora, como Castle on the Coast (que analisamos) e A Hat in Time, é bom ver um feito aqui no Brasil, e principalmente, um feito com qualidade. Desenvolvimento de jogos em geral é uma parada custosa e demorada, só perguntar pro Jon Satella QUANTO ele gastou em Pocket Bravery. E apesar de como jogadores, querermos ver os jogos prontos o quanto antes, ter certeza de que o produto está o mais bem polido possível é a prioridade, se o desejo é o de um produto bem sucedido. Alguns optaram por adiar o jogo até o ponto em que graves bugs estejam fora do jogo, como foi feito com Pocket Bravery, ou lançar o jogo em acesso antecipado e ter o feedback da comunidade para melhorar o jogo, que foi a rota que Raccoo Venture seguiu.

Outra coisa importante, é que Raccoo Venture é um platformer 3D tradicional lançado para PC e consoles, vindo de um país que devido ao poder de compra baixo, muita gente acaba optando por jogar no celular, já que é um entry point mais barato, o que leva muitos desenvolvedores pequenos colocarem seus jogos no Android, como o pessoal da Double Dash que fez o jogo do Irmão do Jorel que saiu pra PC e celulares.

Finalizando essa parte, apesar dos defeitos que apontaremos junto as qualidades do jogo, espero que Raccoo Venture se torne um ponto de referência para desenvolvedores solo que gostariam de ir pela rota 3D do desenvolvimento.

Reprodução: Diego Ras, QUByte Interactive

Quase como Mario 64, para o bem e para o mal

Em termos de controles, Raccoo Venture é ideal para iniciar novatos no gênero de plataforma, aquele seu irmão, sobrinho ou filho mais novo, porque não tem muito como errar, você tem um botão de pulo e um para agarrar, soltar e arremessar objetos. E isso é mais do que suficiente para a quantidade de ações possíveis. O botão de “agarrar” também é usado pra uma bundada, que é a principal forma de ataque do nosso guaxinim.

Existem outras ações contextuais que o jogo explica antes de uma seção aparecer, como frutas especiais que atraem um inimigo especifico para o local arremessado, permitindo o jogador dar um olé nele (esses inimigos não podem ser derrotados com bundadas), e usar frutinhas em caldeirões para fazer plataformas surgirem. Os inimigos começam feitos burros feito uma porta, mas conforme se avança, surgem inimigos com espinhos na cabeça que precisam ser explodidos com bombas, e outros com capacetes, que precisam ser atordoados antes de serem derrotados.

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As fases possuem itens coletáveis que podem estar em locais óbvios ou mais escondidos, que vão dos coletáveis relacionados a história do jogo, como as peças do tabuleiro de xadrez, estátuas do Saci e roupas extras que podem ser vestidas na casa de Raccoo. Aliás, para o lançamento final, um concurso foi feito e dois designs foram criados por fãs, um deles sendo feito por Juca Jacaré, que fez um cosplay do personagem Red, de seu jogo Dino Fighters (um jogo de luta em produção para o Mega Drive).

A parte que me referia ao Mario 64, é justamente a questão do progresso do jogo estar ligado ao número de coletáveis adquiridos no total, o que frustra um pouco aqueles que só querem passar pelas fases. Não é nada que tire muito do valor do jogo em si, só é chato você se empolgar após matar um chefe e aparece: “VOCÊ PRECISA DE X E Y PRA PROSSEGUIR”. Bem, voltando e passando a limpa nos coletáveis… Pelo menos não preciso fazer BLJ’s…

Reprodução: Diego Ras, QUByte Interactive

Esteticamente bonito e sonoramente agradável

Mesmo se a gente Raccoo Venture foi feito por um desenvolvedor solo, a apresentação do jogo é muitíssimo bem feita, da interface de usuário aos gráficos, que apesar da certa simplicidade, se compararmos com outros jogos 3D famosos, não chega a apelar para o Low Poly. Os cenários começam simples, mas vão ganhando complexidade, conforme se avança no jogo. O mesmo vale para o design de fases, que faz uma coisa que jogos antigos faziam com maestria: Ensinar enquanto se prossegue.

O que quero dizer com isso? Apresentar uma mecânica de maneira segura, e reimplementá-la posteriormente de um jeito desafiante. Apesar de ter tutoriais ensinando as mecânicas, o jogo não carrega a mão do jogador pelas situações do jogo, o que pode irritar jogadores de filmes de 30 horas, mas pessoas com mais de duas células nervosas agradecem.

A trilha do jogo complementa muito bem a ação do jogo, sendo gostosinha de ouvir. Apesar dos temas não serem do tipo “vou grudar na sua cabeça feito composição do Yuzo Koshiro”, elas são boas músicas, e tornam a jogatina de Raccoo Venture bastante agradável. Não pagarei o compositor um pão com mortadela, que é minha premiação pra compositores brasileiros de musicas de jogos que grudam feito chiclete, mas você fez um bom trabalho, compositor.

Reprodução: Diego Ras, QUByte Interactive

Se puder, jogue Raccoo Venture

Esse é nosso veredito final. Pra terminar o ano de 2023, a QUByte lançou um grande jogo, um bom platformer 3D que pra alguns pode ter sabor das antigas, mas na minha opinião, um jogo não pode somente sobreviver na base de nostalgia bait, mas por seus próprios méritos, e Raccoo Venture não precisava nem ser um jogo inspirado por jogos de plataformas antigo, ele consegue sobreviver sem isso, sendo criativo e divertido por si próprio.

Nota final: 9/10

Raccoo Venture está disponível para PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch, e essa análise foi feita com base numa cópia de PS4, gentilmente cedida pela QUByte.

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Chipmonk! | Golden Axe dos Esquilos https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/09/29/chipmonk-golden-axe-dos-esquilos/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/09/29/chipmonk-golden-axe-dos-esquilos/#respond Fri, 29 Sep 2023 13:27:48 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=15331 Ultimamente tenho pensado na 3ª edição do artigo sobre jogos +18 gratuitos em desenvolvimento que recomendo, já que muitas das novels apresentadas receberam atualizações, e outros jogos promissores estão no meu radar. Mas, esse não é meu foco (por enquanto). No momento em que escrevo essa análise, Jim Ryan, o escroque que estava no comando […]

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Ultimamente tenho pensado na 3ª edição do artigo sobre jogos +18 gratuitos em desenvolvimento que recomendo, já que muitas das novels apresentadas receberam atualizações, e outros jogos promissores estão no meu radar. Mas, esse não é meu foco (por enquanto).

No momento em que escrevo essa análise, Jim Ryan, o escroque que estava no comando da Sony, anunciou que sairá da empresa. Certamente a Sony não vai mudar da noite pro dia, ninguém espera uma súbita mudança nas atitudes escrotas da mesma. Mas não ter um presidente que fala merda com consistência ajuda na imagem pública. Vai tarde!

É difícil encontrar uma tangente pro jogo de hoje, não porque é um jogo complicado, mas porque eu estou há algum tempo sem escrever análises e abrir o texto com mais uma metáfora sobre beat’em up’s me parece repetitivo.

Mas, o jogo de hoje é um beat’em up lançado em 2019 nos PC’s pela dupla de desenvolvedores intitulada Niemi Bros, e agora em 2023 chega aos consoles, cortesia da QUByte. Será que Chipmonk! vale a pena?

Confira a nossa análise.

Reprodução: Niemi Bros Entertainment, QUByte Interactive

Recuperar a comida da população

O esquilo cinzento roubou toda comida da população, e para evitar que os outros animais da floresta passem fome, três esquilos com atitude, Cheeks, Red e Grey resolvem ir atrás do malfeitor e conversar com todos os animais que aparecem pelo caminho. E por conversar, entenda, encher de porrada até a próxima encarnação.

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Não é o mais marcante dos roteiros, mas pelo menos não tem nenhuma namorada sequestrada. Eu não ligo tanto pro trope de namorada sequestrada, e acho que perdi o fio da meada aqui. E o jogo não tem tanto assim no departamento de apresentação da história. O sumário que temos apresentado no jogo vem da página do jogo nas lojas online.

Sim, eu sei que narrativa não é o forte de beat’em up’s, mas mesmo os jogos com apresentações simples, como o Double Dragon original, Final Fight e Streets of Rage, possuem o mínimo de comunicação visual sobre o que se passa no jogo.

Chipmonks!
Reprodução: Niemi Bros Entertainment, QUByte Interactive

A versão Furry de Golden Axe

Dos modos de jogo a jogabilidade, a principal inspiração de Chipmonk, foi o clássico Golden Axe. Temos um modo de duelo e um modo clássico, que funciona como o Arcade, e um modo de sobrevivência. O jogo possui o Modo Revengence dá uma sobrevida, como uma segunda campanha, após terminar a primeira. A diferença pro modo clássico, é que no Revengence, se ganha vidas, e no Clássico, não.

Para um bom jogador, um playthrough deve durar cerca de uma hora, com 6 créditos, cada um com 3 vidas. Assim como a maioria dos beat’em up’s clássicos, o jogo possui três personagens jogáveis, cada um se encaixando nos tropes de beat’em up, com o personagem equilibrado, o personagem veloz, mas fraco, e o personagem lento, mas forte.

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A jogabilidade funciona quase como em Golden Axe, um botão de ataque, um de pulo, um pra uma magia que é boa pra controle de multidões e tem um botão que em conjunção com o direcional, pode esquivar ou com o popular dois toques do direcional e esse botão em especifico, dar uma rasteira.

No geral, o jogo tem uma dificuldade moderada, mas a AI tende a ser apelona em muitos momentos, tentando funcionar na maioria das vezes como a inspiração, Golden Axe. Não é incomum ver os inimigos tentando te encurralar, como em Golden Axe, e mesmo os insetos que lhe dão cogumelos mágicos e de vida funcionam como os ladrões de Golden Axe 1, correndo de maneira irregular. Um ponto fraco no jogo, é que não há saves, o que impede de você voltar mais tarde pra continuar a jogatina.

Chipmonks!
Reprodução: Niemi Bros Entertainment, QUByte Interactive

Visual e Áudio

As músicas de Chipmonk! são passáveis. Nenhuma que você vá lembrar após a jogatina, mas nada que ofenda seus ouvidos. Já os visuais do jogo, apesar de simples, são muito bonitos, com efeitos de reflexão em poças e na água.

Os personagens, são animais de armaduras e roupas com estética medieval. Tente imaginar por exemplo, se Biomutant é o Fallout dos Furries, Chipmonks! é o equivalente visual de Golden Axe. E assim como acontece com os beat’em up’s tradicionais, bosses se tornam inimigos regulares mais adiante.

Reprodução: Niemi Bros Entertainment, QUByte Interactive

Diferença de preços deixa a recomendação a meio mastro

Uma das coisas que realmente deixa a desejar em Chipmonk!, é que não há opção de escolha de dificuldade, vidas ou continues (além da falta de save mencionada), que ajudaria muito os mais iniciantes. E apesar de não ser um jogo ruim, a diferença de preços entre os três consoles dificulta um cadinho a recomendação.

Chipmonk! custa R$ 53.90 no Playstation, R$ 36,95 no Xbox e R$ 24,99 no Switch. Então, a recomendação fica sendo a versão de Switch, nas outras… Talvez uma promoção.

Nota Final: 7.5/10

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Chipmonk! está disponível para Playstation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X e Nintendo Switch, e esta análise foi feita com uma chave digital de  PlayStation 4 gentilmente cedida pela QUByte.

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ADORE | Adorável ou esquecível? https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/08/13/adore-adoravel-ou-esquecivel/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2023/08/13/adore-adoravel-ou-esquecivel/#respond Sun, 13 Aug 2023 12:24:14 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=14798 Pokémon é uma das franquias mais adoradas da Nintendo, juntamente com Zelda e Mario. Desde seu nascimento, com Red e Green, os jogos passaram por uma grande evolução, seja gráfica ou em mecânicas… Bem, pelo menos até chegarmos a geração do Switch, onde os jogos parecem ter sido feitos na Unity… AS CEGAS. Claro, tem […]

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Pokémon é uma das franquias mais adoradas da Nintendo, juntamente com Zelda e Mario. Desde seu nascimento, com Red e Green, os jogos passaram por uma grande evolução, seja gráfica ou em mecânicas… Bem, pelo menos até chegarmos a geração do Switch, onde os jogos parecem ter sido feitos na Unity… AS CEGAS.

Claro, tem gente que ainda Adora os jogos e aproveita os mais recentes, mesmo que a taxa de frames deles sejam mais inconsistentes que desculpa de esquerdista pra defender grandes corporações. Algumas pessoas são masoquistas com jogos, eu mesmo joguei muito jogo merda esse ano pela diversão.

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Enfim, uma coisa que sempre foi constante na série principal, é que Pokémon é um jogo por turnos. Claro, temos spin-offs que são TCG’s, jogos de fotografia, Dungeon Crawlers, e até jogos de luta. E todos os clones de Pokémon que tivemos ao longo dos anos, boa parte deles segue a fórmula de jogos de turno. Sem problema, jogadores de RPG adoram a fórmula de Pokémon, que é por turnos.

Bom, caso você não tenha pegado as referências que fiz, diretas e indiretas, o jogo da análise de hoje, bebe um pouco da fonte de Pokémon, mas NÃO É um RPG de turnos. Depois de passar algum tempo em acesso antecipado, ADORE chegou ao PC e aos consoles no começo de agosto.

Será que vale a pena o seu tempo? Confira conosco.

ADORE
Reprodução: Cadabra Games, QUByte Interactive

Salve o mundo por conta de uma treta divina

Você joga no papel de Lukha, um jovem Adorador que vive no mundo de Gaterdrik, um mundo que era dominado por dois deuses dragões, Draknaar e Ixer, que tretavam mais que jovens no twitter, só que um dia, Ixer ligou pros chefes de Draknaar e fez ele perder o emprego, digo, aparentemente o matou. Foi mal, confundi os lugares.

Enfim, onde eu estava? Ah sim, Ixer aparentemente matou Draknaar, mas parte da alma do deus derrotado foi parar dentro de Lukha, que sendo um Adorador, resolve usar seus poderes para salvar o mundo e derrotar Ixer. “Mas Sancini, glorioso mestre da verbalização analítica de jogos,” ouço você dizer, “o que caralhos é um adorador?” Calma, meu jovem leitor que pode ou não ser mais velho que eu e fruto da minha imaginação, vou explicar. Adorador nada mais é do que a versão desse mundo do treinador de monstros.

A trama de ADORE é simples, e aí é que está a força de não se ter um plot muito complexo, já que você não precisa se preocupar em ter suas expectativas subvertidas por algum espertalhão que se acha escritor, ou coisa do tipo.

ADORE
Reprodução: Cadabra Games, QUByte Interactive

Temos que pegar, eu sei!

As mecânicas de Adore são simples de entender na prática, mas complexas de se explicar na teoria. O core do jogo na teoria funciona no mesmo ciclo que jogos do gênero, captura de monstros e combate contra os mesmos. Ambos funcionam em tempo real. Para a captura, você precisa estar encarando o monstro de frente e segurar um botão pra encher uma barra.

Lembra um pouco o esquema de escaneamento de Digimons, mas ao mesmo tempo, diferente, com uma identidade própria. Obviamente, como em Pokémon, a captura será mais rápida se o monstro estiver fraco antes do combate, mas também funciona pro outro lado, já que você pode ser atacado e precisa evitar os mesmos sem sair da zona de captura e prevenir que a barra de captura diminua.

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Tecnicamente, apesar de você capturar e usar os monstros pra combate, você não controla eles diretamente. Como em um bom RPG de ação isométrico, os monstros funcionam mais ou menos como habilidades em Diablo, onde você mapeia cada monstro a um dos botões de face do controle (ou teclas do teclado/botões do mouse, na versão de PC, onde temos dois tipos de controle diferentes). O combate pode parecer complexo a princípio, mas com o tempo, flui com uma naturalidade que torna o processo gostoso, ainda que um pouco repetitivo.

Claro que mais adiante na sua jornada, adversários mais duros surgirão e um pouco de estratégia será necessária pra encontrar pontos fracos. Alguns monstros podem aplicar vulnerabilidade, então você pode usá-los por exemplo pra enfraquecer o campo. E as criaturas que você não invoca, ganham estamina pra lançar habilidades especiais.

O jogo deixa de ser uma batalha de spammar ataques, para ter uma coreografia quase rítmica. E a complexidade (ainda que simples) do jogo aumenta, quando a mecânica de sinergia entra em ação, onde você aplica buffs passivos ao seu roster, desde eles tenham um item que combina com o tipo de monstro dos outros monstros do seu roster. Para você tirar o máximo do jogo, você vai ter que pensar um pouco mais do que o padrão.

Reprodução: Cadabra Games, QUByte Interactive

Audiovisual aceitável

Graficamente, ADORE é um jogo… Adorável. E com esse trocadilho horrível, já sei que a QUByte NUNCA MAIS vai me mandar um jogo pelos próximos dez anos. Enfim, os gráficos do jogo são bons, nada que vá explodir sua cabeça, e os cenários são menos detalhados que seu típico AAA, mas isso não é um demérito em si.

A interface de usuário é limpa e não atrapalha a sua jogatina. (pode parecer pouco, mas como demonstrei anos atrás na minha análise de Sword and Fairy 6, uma interface ruim pode estragar uma experiência. Ok, não ajudava o fato de que o jogo era uma bomba, mas divago)

A trilha do jogo pode não ser marcante, mas isso não significa tanto porque ela combina com o clima do jogo, com boas composições. Ainda acho que o pico das composições em jogos publicados pela QUByte vem dos jogos do 2ndBoss Studios (Savage Halloween, Wild Dogs), e até o momento está sendo difícil superar esse padrão alto de qualidade.

Uma boa alternativa a Pokémon, em tempo real

Não é a toa que ADORE vem recebendo elogios dos jogadores e da imprensa, uma mudança a fórmula manjada de Pokémon (que tem clones o suficiente pra entreter os jogadores até o fim do mundo, com muitos deles superiores aos jogos mais recentes da Nintendo), o jogo é satisfatório. Se você quer experimentar algo diferente, dê uma chance, talvez você adore… ADORE.

Nota Final: 8,5/10

ADORE está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch, e esta análise foi feita com base na versão de PS4, com uma cópia gentilmente cedida pela QUByte.

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No mês de outubro eu pude prestigiar mais uma vez a maior feira de games da América-Latina, a Brasil Game Show depois de dois anos das pausa do evento, devido a pandemia. Um evento que frequento desde 2015 realmente fez falta, e por esse motivo a expectativa para o retorno da BGS22 era bem grande.

Dessa vez me programei para poder curtir dois dias do evento, o imprensa e o primeiro dia aberto ao público. Para quem teve sua primeira participação no evento e acabou dormindo na rodoviária, as coisas melhoraram um pouco para o meu lado.

LEIAM – Pós-BGS 2015 | A noite em que dormi em uma rodoviária

Se por um lado não dormi na rodoviária, por outro pegamos um transito horroroso logo no dia da abertura do evento. O objetivo era chegar pouco depois da abertura, mas acabou nos atrasado quase duas horas.

Para quem não sabe, vivo no interior de SP, então por aqui não temos o transito alucinado da capital.

Mesmo com atrasos, chegando no evento, corremos para tentar conferir o máximo possível.

Arquivo pessoal – Na foto esquerda: Marvox e eu. Na foto direita: Rodrigo Vigia e eu

O reencontro com os amigos

Com o retorno do evento, enfim pude rever amigos de longa data que fiz pela internet, e outros que ainda não conhecia mas se tornaram pessoas muito especiais pra mim.

Esse clima de reencontro foi bem importante,  afinal, depois de pouco mais de dois anos de pandemia e restrições, ter a chance de rever amigos e saber que estão bem e saudáveis é algo imensurável, visto que muitos perderam pessoas queridas.

Esse clima é algo que permeava a todos os amigos que pude encontrar durante essa BGS22. Cada um que estava lá, sem dúvida alguma passou por algum drama nesse tempo, e a feira por alguns dias nos fez esquecermos da tristeza que a pandemia nos proporcionou.

Arquivo pessoal: Estande da QUByte durante a BGS

Sobre jogos?

Infelizmente foi uma edição com poucas novidades, mas ainda assim posso dizer que é a edição onde os indies finalmente ganharam maior destaque com o mais variado número de títulos interessantes. Logo não vou perder tempo refletindo a respeito dos inúmeros porquês de tais empresas não estarem presentes com qualquer novidade ou sem novidade, mas focarei no que pude ver por lá.

Donut Arena do Estúdio Mario Adriano

Esse daqui foi uma daquelas grandes descobertas que me deparei pela feira, porque ele é viciante devido a sua jogabilidade simples e visual agradável. Mesmo com sangue sendo lançado na arena, o jogo consegue nos captar com sua criativa ideia de colocar gordos dentro de arenas.

Uma vez lá dentro é necessário matar todos eles para receber donuts ao final, além de armas e armaduras (cuecas) que garantiram alguma vantagem no combate, pois cada item oferece uma habilidade única.

LEIAM – Trilogia Enigmatis | Começo promissor, fim desapontador

Durante minha conversa com o Mario Adriano foi difícil não dizer que Donut Arena é algo que certamente a Devolver Digital publicaria. O que pra minha surpresa ele respondeu dizendo que chegou a contatá-los, mas infelizmente não deu certo.

Uma curiosidade é que o jogo foi desenvolvido apenas por Mario, o que é surpreendente dada a qualidade do titulo, que segundo o mesmo terá uma vida longa, pois ele pretende manter o titulo atualizado de modo que os jogadores sempre se deparem com novidades.

Donut Arena está disponível na Steam por um preço ótimo, COMPREM, vale a pena. Esse daqui assim que possível tratei um texto dedicado.

BGS 2022
Reprodução: LUMO Entertainment

Feelings da LUMO Entertainment

Feelings é um jogo gostosinho que encontrei enquanto andava pelo corredor indie. Nele controlamos a garotinha Sarah na companhia do seu lagarto voador de estimação em uma jornada de autodescoberta, onde precisaremos explorar ilhas que são manifestações de alguns dos sentimentos da guria.

É muito bonito e prazeroso jogar esse jogo, não só pelo visual convidativo mas porque adoro jogos de plataforma clássico, com seus vários puzzles a serem resolvidos ao longo da partida. Há um sistema onde Sarah faz uso da câmera fotográfica que nos faz enxergar objetos e plataformas invisíveis ao fotografá-los.

Feelings com certeza merece entrar no seu radar, principalmente se gosta de jogos nessa pegada.

Reprodução: Statera Studio – Pixelheart

Pocket Bravery da Statera Studio e Pixelheart

Pocket Bravery é aquele titulo que correspondeu as expectativas que eu havia criado através dos vídeos de divulgação pelas redes sociais.

É um jogo rápido, bonito (notaram que gosto de dar ênfase nisso?) e que possibilita a criação de muito combos, o que agradará muito os amantes de jogos de lutas. E levando em consideração que estamos diante de um titulo brasileiro, eu fico ainda mais feliz.

Durante as minhas partidas eu me diverti também com a dublagem, que é muito boa e merece destaque. Talvez o único ponto negativo ao meu ver é o numero de personagens, o que realmente espero que aumente consideravelmente até o seu lançamento.

Street Fighter 6 da Capcom

Eu jogo Street Fighter até os dias de hoje, mas não me adaptei bem ao quarto titulo da franquia e tampouco pude jogar o quinto com a frequência que esperava devido a limitação de plataforma. Não tinha PS4 e tampouco o meu PC dava conta. E com o anuncio de que Street Fighter 6 sairá para todas as plataformas, exceto Switch por enquanto, corri até a estande da Capcom.

Depois de algumas partidas de Street Fighter 6 durante a BGS 2022 eu  posso dizer que o jogo está no mínimo incrível. É notável o banho de loja que a franquia recebeu no quesito visual, mas a jogabilidade que é primordial para um jogo de luta é o destaque.

Claro, não joguei o suficiente pra dominar todas as nuances e alguns sistemas novas, mas a grosso modo tudo fluiu muito bem. Com certeza é um titulo que quero adquirir assim que descolar um console para jogá-lo.

BGS 2022
Reprodução: QUByte

Breakers Collection & Top Racer  Collection da QUByte Interactive

Durante os dias em que tive na BGS 2022, a estande da QUByte foi uma das minhas preferidas pelo motivo de que trouxe três jogos muito divertidos, mas o destaque vai para dois em especial que joguei muito.

Breakers Collection em primeiro lugar pelo motivo de que joguei várias partidas, e nunca foi um jogo que morri de amores pelo fato de que a maquina me surrava com uma frequência enorme, mas aprendi a  gostar. É um baita jogo divertido e vê-lo nos consoles modernos é um ótimo.

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Top Racer Collection é uma coletânea do TOP GEAR mas com algumas mudanças, creio que por razões de copyright, mas que não deixa de tornar um titulo interessante. Que inclusive tem um crossover com o maravilhoso Horizon Chase Turbo, onde é possível correr com o saudoso Carro da Firma, aquele UNO com uma escada no teto.

É jogo pra família toda, então sem dúvida são jogos para ficar de olho, pois vale muito a pena, uma vez que você seja um apreciador de jogos clássicos.

Nintendo no evento

Em 2019 quando estive na BGS a Nintendo simplesmente roubou a minha atenção, e não foi só pelo motivo de que era o seu retorno ao evento, mas também por trazer trouxe novidades Luigi Mansion 3 e The Legend of Zelda: Link’s Awakening.

E esse ano não foi muito diferente na BGS 2022, pois trouxeram Mario + Rabbids Sparks of Hope, o recente Splatoon 3 e uma área pra se jogar indies brasileiros que vão pintar no Nintendo Switch.

Joguei algumas partidas de Mario Kart e quando comecei a jogar Splatoon 3, começou o anuncio do Super Mario Bros. O Filme não muito longe de onde eu estava, ai foi aquele corre-corre. Mas sendo bem franco, achei bem zuado a introdução com Miyamoto sendo dublado em inglês, sabe, era só legendar, oras.

BGS 2022
Arquivo pessoal

Conclusão

A BGS 2022 pode não ter nos entregado muitas novidades, mas ainda assim foi um retorno importante para todos nós. Claro, tava cheio de influencer gamer que chora pelo fato do evento não os tratarem como um Deus que acham que são, mas também tinha uma galera muito bacana.

O corredor indie estava incrível e com muita coisa bacana para se conferir, alias,  nunca deixem de dedicar um dia só pra explorar essa área. Havia muitos jogos para se conferir. E ainda encontrei com o Jesús na estande da Leonardo Interactive, onde joguei o ótimo Shattered Heaven (que tem texto de impressão aqui no site).

No geral, a BGS 2022 foi um evento necessário para esquecermos um pouco do quão difícil foi os últimos dois anos e ainda reencontrar os amigos.

Quem vai a BGS sabe que o evento tem um clima muito bom, algo único, e isso realmente é algo que renova um pouco da energia. Esquecemos um pouco dos problemas e nos prendemos uma realidade que só quem vai ao evento há algum tempo sabe como é.

Talvez não tenha sido o melhor ano do evento pra mim, mas foi muito necessário e isso me faz crer que a BGS de 2023 tem tudo para ser ainda melhor.

É isso, valeu a pena.

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