Promoções são uma ótima forma de se encontrar pérolas ocultas. Jogos que por conta do alto preço ou hype de outros jogos, você acaba ignorando, e agora, por um preço menor, e consegue descobrir jogos bacanas, ou comprar aquele jogo por um precinho camarada. Muitas vezes, 20 ou 30 reais podem trazer jogos magníficos.

Eu já esbarrei em jogos como Omega Quintet, Megadimension Neptunia V-II, Guacamelee 2, Aerea, God Eater Ressurrection, Kotodama, Onechanbara Z2: Chaos e o máximo que paguei neles foi tipo 23 reais na versão com os DLC’s de Guacamelee 2, então é, vale a pena arriscar em promoções. Mas, como você já deve ter percebido pelo título desta análise, Sword and Fairy 6 NÃO é um desses jogos.

Um conto épico… eu acho

Sword and Fairy
 

Primeiro, um pouco de contexto, Sword and Fairy 6 é o oitavo título da série The Legend of Sword and Fairy (仙劍奇俠傳), que se iniciou lá em 1995, feito pela desenvolvedora Taiwanesa Softstar e a franquia é conhecida como uma das mais icônicas produzidas na China.

O foco da série são histórias baseadas na mitologia chinesa, e o sucesso da mesma além das sequências, gerou adaptações literárias, séries de TV e spin-offs, que variam desde simuladores de negócios a MMORPG’s.

Sword and Fairy 6 conta a história de um grupo de pessoas que visam diferentes objetivos, mas acabam se juntando para enfrentar uma ameaça em comum.

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Yue Jinzhao e Yue Qi buscam pistas sobre o seu passado, Luo Zhaoyan, herdeira (ops, spoilers) do clã Luo, busca destruir um culto que está envolvido em sequestros e picaretagens e Ju Shifang, um tímido mecânico quer provar seu valor.

Além deles, Ming Xiu, uma poderosa feiticeira e Xian Qing, o companheiro demônio dela, fazem parte do grupo.

A história tenta passar um tom épico, mas tropeça com a narrativa um tanto confusa e forçada e diálogos que não ajudam nem um pouco, mostrando personagens que a todo momento parecem estar escondendo algo dos próprios aliados.

Eu persisti no jogo mais por teimosia do que pelos méritos do jogo em si.

Um pesadelo movido a tutoriais de m****

Sword and Fairy

Sword and Fairy 6 é o RPG mais não intuitivo que joguei desde Breath of Fire V: Dragon Quarter.

A diferença é que a única coisa realmente confusa em Dragon Quarter é o sistema de combate, já que a ambientação, gráficos e roteiro de BoF V eram decentes. O jogo é um RPG de turnos clássico, só que NADA ajuda a jogabilidade dele.

As batalhas possuem um sistema parecido com o ATB de Final Fantasy, mas os tutoriais extensos do jogo não ajudam a explicar em nada como aquilo funciona.

Você pode alterar o modo de batalha de tempo real para turnos, mas até você descobrir que existe essa opção (spoilers, ISSO NÃO É DITO NO TUTORIAL), prepare-se pra muita frustração tentando entender Sword and Fairy 6.

Ou você pode ignorar o sistema de batalha e simplesmente ativar o modo de batalha automática com o botão R2 do PS4 (Não sei o comando na versão de PC) e desativá-lo quando precisar usar itens de cura.

Felizmente, não temos batalhas aleatórias, coisa que pessoalmente eu estava esperando que acontecesse aqui, e uma coisa que posso elogiar, é que o jogo permite que se ataque os inimigos de longe, com um comando simples.

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De resto, espere mais ou menos as mesmas coisas de um JRPG, só que extremamente mal explicadas.

O jogo foi lançado com uma miríade de bugs e glitches que vão incomodar a jogatina diversas vezes. Desde o jogo simplesmente comendo itens do seu inventário sem razão alguma, a roupas dos personagens simplesmente enlouquecendo até voltarem a posição normal e muitos potenciais para softlocks.

Genérico aos olhos, pobre na performance

Sword and Fairy

Numa primeira olhada sem pensar, o visual do jogo “parece” ok. Mas, conforme se passa tempo com o jogo, ele vai parecendo cada vez mais genérico. Os personagens principais possuem um design decente, mas os NPC’s são carentes disso.

Os cenários são bonitos, mas não muito. É um jogo originalmente lançado em 2015, mas sequer faz uso do potencial dos PC’s da época, ou do PlayStation 4. Logo, o jogo no lançamento já parecia datado, o que não ajuda muito. E temos ainda a performance do jogo, ah sim a performance.

O jogo engasga para manter uma taxa de quadros estável, em muitas vezes tendo quedas na taxa e problemas de performance. Seja no PC, ou no PS4, Sword and Fairy 6 mal passa dos 30 frames por segundo.

O que não seria problema num JRPG por turnos, mas o jogo não consegue nem manter essa taxa de 30FPS de uma maneira estável. Até mesmo os MENUS, que são tão confusos quanto o sistema de batalha do jogo, possuem problemas de performance, daí para você ter uma ideia da catástrofe.

A trilha sonora e a dublagem são esquecíveis. Não existem musicas marcantes no jogo, e sendo honesto, não tenho conhecimento o suficiente de Mandarim para determinar se a dublagem é ou não boa, ela só soa genérica e não num bom sentido. E honestamente, as legendas utilizadas no jogo não são boas, pois ainda assim fica difícil de ler.

Para não dizer que TUDO no departamento audiovisual é um desastre, o jogo possui algumas animações em 2D, como a da luta inicial entre Jinzhao e Qi contra Zhaoyan e elas são até que bem feitas.

Mas, considerando o conjunto do jogo, é como uma moeda de um real em meio a cinco quilos de carvão em brasa. Tem valor, mas não vale a pena o trabalho pra pegar.

Conclusão

Sword and Fairy

Evite Sword and Fairy 6. Está longe de ser o pior título do PlayStation 4, mas não vale a pena o esforço ou dinheiro gastos nele.

Problemas de performance, jogabilidade confusa, história enfadonha. Nem em promoção vale a pena, e o preço cobrado na PlayStation Store brasileira só piora a situação, já que no PC, o título custa três vezes menos. Guarde seu dinheiro para coisas melhores, ou mesmo jogos ruins melhores.

Sword and Fairy 6 está disponível para PC e Playstation 4, com uma versão de Xbox One a caminho (ou cancelada).

A análise foi feita com base na versão de PS4 comprada por mim.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.