Arquivos Cotton - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/cotton/ Um pouco de tudo na medida certa Thu, 19 May 2022 22:22:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Arquivos Cotton - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/cotton/ 32 32 Cotton Fantasy | A maior (e mais engraçada) aventura de Cotton https://www.arquivosdowoo.com.br/2022/05/19/cotton-fantasy-a-maior-e-mais-engracada-aventura-de-cotton/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2022/05/19/cotton-fantasy-a-maior-e-mais-engracada-aventura-de-cotton/#comments Thu, 19 May 2022 13:45:04 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=11339 Sabe, ontem a noite eu percebi que teria um certo problema pra começar a fazer este texto. Porque uma das coisas que eu poderia utilizar pra passar o tempo, era justamente contar um pouco sobre a história da série Cotton, e eu meio que já fiz isso no meu mega texto de Cotton, leiam por […]

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Sabe, ontem a noite eu percebi que teria um certo problema pra começar a fazer este texto. Porque uma das coisas que eu poderia utilizar pra passar o tempo, era justamente contar um pouco sobre a história da série Cotton, e eu meio que já fiz isso no meu mega texto de Cotton, leiam por favor (pisca, pisca). Enfim, já que não posso falar tanto de Cotton na abertura, por falta de assunto, vou falar sobre uma outra coisa, que é meio que minha relação com shooters em si.

Desde pequeno, por conta de jogos como River Raid (Atari 2600), Dragon Spirit: A New Legend (NES) e Sonic Wings (SNES), minha preferência por jogos de navinha sempre foram os jogos com progressão vertical, eles eram mais interessantes. E isso foi se acentuando quando passei a conhecer mais o gênero, com pérolas do arcade, como a série Strikers (Psikyo), Mushihime-sama (Cave), Dodonpachi (Cave), dentre outros jogos. O único jogo com eixo horizontal que eu conseguia jogar sem me entediar até a morte, era no caso, a série Parodius (Konami), que um dia vai ganhar seu especial aqui no Arquivos do Woo

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O jogo que fez com que eu realmente mudasse minha visão sobre os horizontais, foi um Cute’Em Up que joguei há quase 10 anos atrás no PC, um singelo jogo chamado Gundemonium Recollection. Graças a um auxílio da minha irmã e seu cartão de crédito (lembram quando não dava pra usar boleto no Steam? Ainda bem que esse tempo passou, nem tudo que é velho é bom), pude adquirir Gundemonium Recollection e sua continuação, Gundeadligne. Os dois jogos, são bullet hells desenvolvidos pela Platine Dispositif, e graças a sua jogabilidade frenética e bom design de padrões de tiro, pude me divertir e apreciar melhor os jogos em eixo horizontal, passando a aproveitar outros jogos como Cotton 100%, R-Type e um dos meus favoritos: Deathsmiles, em seu excelente porte para PC.

Mas bem, graças a esse renovado interesse por jogos de tiro no eixo horizontal, foi que chegamos aqui. E bem, para poder encaixar com tudo, o ano de 2021 foi bem importante para a série Cotton, marcando os 30 anos do lançamento do primeiro jogo.

Celebrando, tivemos o lançamento de Cotton Reboot, remake do primeiro jogo, baseado no excelente porte do Sharp X68000, os relançamentos de Cotton 2, Cotton Boomerang, Cotton 100% e Panorama Cotton nos consoles atuais e no fim do ano, no Japão, chegava ao PS4 e ao Nintendo Switch, Cotton Rock and Roll: Superlative Night Dreams. E hoje, dia 20 de Maio, chega ao ocidente, a localização, intitulada Cotton Fantasy. E nas palavras de Cotton: LET’S GO!

Reprodução: Studio Saizensen, SUCCESS, ININ Games

Alguém está roubando os Willows, é hora de cumprir a profecia

Um dia, um estranho fenômeno começa a ocorrer na Terra das Fadas, os Willows começam a desaparecer, deixando todos em polvorosa. A sábia Oh-Baba chega e recita a profecia, de que quando os Willows começarem a desaparecer, uma pessoa trajando robe azul irá surgir, e no fim, Willows cairão dos céus.

A rainha, novamente coloca Silk a cargo de resolver essa treta, mas ao ouvir as palavras de Baba, as duas sabem exatamente a quem ela se refere, e Silk aparentemente tem Flashbacks do Vietnã a respeito disso.

Em outro canto, uma esfomeada Cotton vagueia tentando encontrar Willows, em vão, até que Silk a encontra, e faz uma proposta a bruxinha, que nega a princípio, até ouvir sobre a recompensa: Um suprimento com todos os willows que Cotton conseguir comer. E a partir daí, uma nova aventura se começa.

A história, como todas na série Cotton, não é algo sério, o clima da série foi sempre cômico, com a relação entre Silk e Cotton, e as coisas que as duas passam. E no fim, sem querer dar muitos spoilers, apesar do que está em jogo ser algo grande, no fim o que motivou tudo, acaba deixando essa como a aventura mais imbecil de Cotton. Não que isso seja algo ruim.

Reprodução: Studio Saizensen, Success, ININ Games

Shooter de primeira, com muito fator replay

A princípio, você pode pensar que é um jogo com a jogabilidade baseada no primeiro Cotton, mas não é totalmente. Primeiro, não temos somente a Cotton como personagem jogável, temos Appli, de Cotton 2, Kawase, de Umihara Kawase, Ria que é uma versão humanizada da nave da série Psyvariar, Fine, versão humanizada do veículo de combate do shooter top-down Starfighter Sanvein (PS1), Luffee, personagem de Doki-Doki Poyatchio!! (PS1, desenvolvido pelo Studio Saizensen), Tacoot, que é a final Boss do jogo e Silk, tendo aí oito personagens diferentes.

Cotton, Appli, Kawase e Tacoot tem jogabilidades semelhantes, mas mesmo elas possuem diferenças entre si. Numa coisa que essas quatro personagens são iguais, é que o tiro delas depende da magia que elas possuem equipada. Essa magia pode ser alterada com os cristais coloridos, marca registrada da série. Assim como no primeiro jogo, a magia (e experiência) depende da cor do cristal que você coleta, cristal amarelo da experiência, e os cristais vermelho, verde e azul dão um tipo de tiro e magia. Felizmente, há um botão para deixar apertado pra atirar constantemente, e um pra você deixar apertado e soltar a magia. E é aí que a semelhança entre essas personagens acaba.

Cotton tem uma bomba, no qual ela libera Silk em um ataque devastador (ideal pra limpar a tela ou causar dano em chefes), Appli funciona como em Cotton 2, onde se deixa segurado o botão de bomba (X no PS4), ela pode agarrar oponentes e arremessá-los nos inimigos, sendo muito eficaz. Kawase usa a vara de pescar dela e pega os inimigos, e com mais um toque, ela dispara o inimigo usando sua bazuca, funcionando como Appli, mas Kawase pode usar a vara em 4 direções para capturar o inimigo como se fosse o Yoshi. Tacoot pode mandar seu cajado para atacar, ficando a distância, mas a deixando desguarnecida. E as magias de Tacoot podem ter a mira controlada pelo cajado, num sistema semelhante a R-Type, mas isso vai afetar também seu tiro depois da magia.

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Ria funciona num sistema parecido com o da série Psyvariar, fortalecendo seus níveis através do sistema de Buzz, ou seja, quanto mais próxima dos projéteis inimigos (ou inimigos em si) Ria estiver, mais experiência ela ganha. Seu tiro concentrado, é um no qual ela gira para uma rajada constante e mais forte que os tiros comuns, mas com a movimentação lenta. Sua bomba é uma clássica limpa tela.

Fine não possui um sistema de vidas, ou mesmo bombas em si. O sistema de jogo dela é baseado em tempo, como em Salvei, com os cristais dropados pelos inimigos recuperando tempo, e o dano sofrido diminuindo. Pense na barra de vida de Cotton 2, por exemplo. E ela possui 3 armas, intercambiáveis com o botão onde seria a bomba, e utilizando o tiro concentrado neles, lança um ataque diferente.

Luffee funciona como a arma e magia laser dos jogos de tiro. Ela só tem um tipo de tiro, e seu ataque concentrado é basicamente a magia de laser de Cotton 2, sendo que você pode concentrar esse ataque em 3 níveis, mas novamente, assim como o concentrado de Ria, Luffee se move com mais lentidão. Sua bomba é a clássica limpa tela.

Somente essas personagens, cada uma funcionando de maneira diferente, são o suficientes para garantir um fator replay ao jogo, mas não é somente isso, como veremos mais adiante.

Cotton Fantasy
Reprodução: Studio Saizensen, Success, ININ Games

Uma experiência não linear para todos, sem esquecer da dificuldade

A primeira vista, Cotton Fantasy é um pouco mais difícil que Panorama e 100%, mas não chega ao nível de desafio dos jogos de arcade, ao menos não na dificuldade Normal. No normal, o jogo tem o desafio no nível certo, exigindo o suficiente daqueles que querem fazer o famoso 1 Credit Clear (eu ainda tô LONGE disso), mas não sendo difícil o suficiente para desmotivar os menos habilidosos. Sem contar que o jogo tem créditos infinitos, então é garantido que você vá terminar.

E quando você dominar o jogo na dificuldade normal, pode partir para desafios mais duros, com a dificuldade difícil, ou a dificuldade Extra, que vai testar seus reflexos de Bullet Hell, com inimigos que deixam DISPAROS assim que morrem.

A progressão de Cotton Fantasy é não linear em partes. A primeira e as duas últimas fases são fixas, você vai sempre jogá-las, mas as outras seis fases podem ser jogadas em qualquer ordem que o jogador desejar. Tá certo que a primeira jogatina serão essas nove fases, independente da ordem, mas depois disso… Nem tanto.

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Quando se termina com qualquer uma das personagens disponíveis de cara, você libera uma fase extra, que é um tributo aos jogos de origem das personagens, incluindo lutas com os chefes e subchefes desses jogos. Após isso, você tem uma boa combinação de fases para as próximas jogatinas.

O jogo possui referências a outros jogos da série, como a pontuação bônus secreta por não pegar nenhuma caneca de chá no “Tea Time”, uma reaparição de Wool como boss em uma das fases, as etapas de bônus são vistas por trás, como Panorama e Rainbow Cotton (e felizmente os controles funcionam, o que quer dizer uma coisa… REMAKE DE RAINBOW COTTON CONFIRMADO! Que foi? Um homem pode sonhar, não?), um dos momentos da última fase lembra bastante o último trecho antes da luta contra Wool em Cotton 100%.

Cotton Fantasy é um jogo relativamente curto, se você quer só jogar do começo até o final, mas a natureza arcade com o imenso fator replay ajuda muito no que você vai aproveitar do jogo.

Cotton Fantasy
Reprodução: Studio Saizensen, Success, ININ Games

Trilha sonora matadora acompanhada de belos gráficos

Eu vou ser honesto, graficamente, Cotton Fantasy não é tão bonito quanto Cotton Reboot, já que aqui a escolha foi gráficos tridimensionais com um leve efeito em cel-shading para facilitar os momentos de transição de 2D pra 3D em pequenos setores. Mas isso não quer dizer que Cotton Fantasy é feio, longe disso.

Os cenários são uma caixinha de sortidos, já que em uns pontos temos cenários belíssimos, outros cenários são bem meh. Em termos de design de personagens, o acerto é grande, tanto as personagens jogáveis, quanto os inimigos, todos lá estão bem feitos e os chefes são muito bacanas, tendo eles duas formas (dependendo da sua competência, a segunda forma nem aparece).

As cutscenes são charmosas, mas não posso negar que senti que poderíamos ter cutscenes em anime, como em Rainbow Cotton. E a trilha… Amigos, Cotton NUNCA decepcionou no departamento sonoro, mesmo quando o jogo deixava a desejar (Rainbow Cotton, why?), a trilha dele era era boa. E Cotton Fantasy não é a exceção a essa regra.

A trilha não passa de remixes de jogos anteriores da série, originalmente compostas por Kenichi Hirata e remixadas por um talentoso grupo de músicos, Kenichi Arakawa, Keisuke Hayase, Hiroyuki Kawada, Go Sato, Keishi Yonao e TECHNOuchi. E é o tipo de música que você vai querer caçar pra ouvir depois da jogatina, porque são excelentes composições e arranjos, incluindo aí remixes de Psyvariar e Umihara Kawase, é uma trilha pra ninguém botar defeito. Inclusive temos aí músicas de Umihara Kawase que não foram utilizadas no jogo, mas estão no disco oficial do jogo, então mais um motivo pra ouvir a trilha de Cotton Fantasy.

O jogo possui uma belíssima dublagem em japonês, com Nami Miyaki e Kaede Horikawa reprisando os papéis de Cotton e Silk, vindo de Cotton Reboot, assim como Hyosei e Madoka Hiraide reprisaram Appli e Needle. No geral, a equipe de dublagem de Cotton Fantasy fez um trabalho decente com o pouco que lhes foi dado (já que o modo história foca mais em Cotton, Silk e em menor escala, a Tacoot, que tem uma performance bem tomboy feita por Chika Okubo.

Cotton Fantasy
Reprodução: Studio Saizensen, Success, ININ Games

Fãs de shooters, não temam, Cotton Fantasy vale a pena

A espera por Cotton Fantasy valeu a pena? A resposta curta: Sim. A resposta mais ou menos longa, já que a longa é composta deste texto: Trazendo uma revisão das mecânicas dos dois primeiros jogos da série, com adições vindas de outros jogos, e um excelente fator replay, Cotton Fantasy é uma bela pedida para quem curte os jogos de navinha. Minhas reclamações ficam por parte do fator que Cotton Reboot é mais bonito, e que não temos etapas reais em Rail Shooter, mas pelo menos os bônus me dão esperança de um futuro jogo neste estilo.

Vários personagens e fases extras dão longevidade a um jogo que coloca novamente a franquia Cotton no mapa com um jogo inédito, e me deixa animado com o futuro da série.

Cotton Fantasy está disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch, com uma versão para PC a ser lançada posteriormente.


Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela  ININ Games.

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Cotton: A Noite dos Sonhos Fantásticos https://www.arquivosdowoo.com.br/2022/05/04/cotton-a-noite-dos-sonhos-fantasticos/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2022/05/04/cotton-a-noite-dos-sonhos-fantasticos/#comments Wed, 04 May 2022 16:18:07 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=11148 O gênero de shoot’ em up’s hoje em dia pode ser uma coisa de nicho, que poucos realmente se arriscam, porque é um dos poucos que desde sua concepção, pouco mudou. Claro, o gênero evoluiu bastante desde Space Invaders, mas comparado a outros, como o de plataforma ou RPG’s, shooters continuam os mesmos. Mas, assim […]

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O gênero de shoot’ em up’s hoje em dia pode ser uma coisa de nicho, que poucos realmente se arriscam, porque é um dos poucos que desde sua concepção, pouco mudou. Claro, o gênero evoluiu bastante desde Space Invaders, mas comparado a outros, como o de plataforma ou RPG’s, shooters continuam os mesmos.

Mas, assim como qualquer gênero, ao longo do tempo, ele foi criando suas variantes, seja na questão do eixo de progressão (Horizontal, como Gradius, Vertical, como Raiden, fixo como Galaga), dificuldade (os Bullet Hells criados nos anos 90 são exemplo, criados na necessidade de um desafio maior para jogadores habilidosos) e estética, que foi onde surgiu a variante Cute ‘em up.

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O que diferencia um cute’ em up de um shooter regular, você se pergunta? Simples, enquanto que usualmente os shoot’em ups regulares possuem a temática militar e/ou espacial, com naves sérias e usualmente cenários mais baseados no mundo real ou explorações espaciais, cute’ em up’s são coloridos, com temáticas leves e usualmente um pouco menos difíceis. Mas como estamos falando de Fliperamas, não são tão menos difíceis assim, já que sua função é papar fichas. Os pioneiros desse sub-gênero foram os clássicos Twinbee (da Konami) e Fantasy Zone (da SEGA), mas no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, duas outras séries viriam a agraciar o sub-gênero, uma é Parodius, da própria Konami, que talvez pode ser tema de um artigo futuro, e Cotton, o tema do artigo de hoje.

Um pouco das origens

Durante os estágios iniciais de desenvolvimento, Cotton: Fantastic Night Dreams tinha o nome de Kurumizaka Nikki: Katsugeki-hen (くるみ坂日記 〜 活劇編). Uma das coisas que destacou Cotton na época, era o foco nas cutscenes que tinham uma pegada anime, produzidas por Hideki Tamura (um dos muitos animadores de séries como Comando Dolbuck, Urusei Yatsura e Hokuto no Ken). Vou ser franco aqui, é um pouco difícil conseguir informações melhores sobre o desenvolvimento de Cotton, ainda mais com meu quase nulo conhecimento de japonês. Mas, vamos logo falar sobre a série em si.

Cotton: Fantastic Night Dreams – Treta por doces: Parte 1

Lançamento: Abril de 1991
Plataformas: Arcade, PC Engine, Sharp X68000, Playstation e Neo-Geo Pocket, Celulares, SEGA Astro City Mini
Desenvolvedora: Success (Arcade, X68K, PS1, NGPC), Hudson Soft (Versão de PC-Engine)
Publisher: SEGA (Arcade), Hudson Soft (PC Engine), Electronic Arts (Sharp X68000), Success (PS1), SNK (Neo-Geo Pocket), BEEP (Relançamento da versão de X68000), SEGA (Sega Astro City Mini)

Reprodução: SEGA, SUCCESS

É um tanto difícil voltar ao Cotton original depois de jogar suas continuações, mas aqui estamos nós. No papel da bruxinha Nata de Cotton, que é viciada no doce Willow, temos que destruir os monstros em nosso caminho para recuperar os Willow Mágicos e restaurar a luz no mundo, que fora deixado na escuridão por uma terrível criatura.

Cotton é um shooter de progressão horizontal, que felizmente não possui um dos piores inimigos de shooters horizontais: Dano nas partes inferior e superior da tela. Então, você pode bonkar no chão e no teto da fase a vontade, que não irá morrer, a não ser que um inimigo o toque.

Uma das coisas que Cotton meio que se diferencia dos shooters regulares é na questão dos power-ups, ao invés de pegar itens para fortalecer seu tiro, você tem uma barra de experiência que é preenchida conforme matamos inimigos ou pegamos Willows, que são as barrinhas cristalizadas que podem ser dropadas por inimigos. Encha a barra e o nível do tiro irá subir, mas se você morrer, perde metade da XP que possui, dificultando a progressão.

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Para uso, como era comum em shooters da época, apenas dois botões, um para tiros e um para bombas. Mas as bombas em si não funcionam como as bombas que conhecemos nos shooters, que são aqueles ataques que limpam a tela, mas as bombas são tiros que descem em um arco até o chão, visando inimigos que estão em pontos que não dá pra alcançar descendo até eles (porque apesar de ser um shooter horizontal, o scrolling da tela e design de fases não é apenas horizontal, já que algumas vezes a tela se move na vertical ou na diagonal. E para utilizar as magias, é necessário segurar o botão de tiro por alguns segundos e Cotton irá disparar a magia.As magias, assim como os Willows, são dropadas de inimigos e existem 4 delas a serem usadas, Fire Dragon (equivalente a um tiro carregado), Thunder (equivalente a um raio laser), Fire Fairy (equivalente a um missil teleguiado) e Barrier (proteção de até 3 hits).

Reprodução: Hudson Soft, SUCCESS

Isso vem em retrospecto, mas o fato de que só temos dois botões, deixa o jogo mais difícil do que deveria, se tivéssemos um botão pra magia e o botão de tiro pudesse ser pressionado para contínuos disparos*… Mas já que não temos, continuamos com o que podemos.

Cotton é um jogo bem bonito, se considerarmos que foi feito em 1991, os cenários coloridos e as cutscenes passam personalidade, e a trilha sonora de Kenichi Hirata é fantástica.

Reprodução: SNK, SUCCESS

Apesar de não ter sido o primeiro, Cotton: Fantastic Night Dreams foi o jogo que definiu o sub gênero de cute’ em up’s, servindo inclusive de influência para Yoshiyasu Matsushita criar Twinkle Star Sprites (ADK, Neo-Geo/Saturn/Dreamcast).

Após o lançamento, Cotton recebeu portes para outras plataformas, com o desenvolvimento do primeiro porte (de PC Engine) sendo feito pela Hudson Soft, e a Success lidando com as outras versões, sendo publicadas pela Hudson (PCE), Electronic Arts Victor (Sharp X68000), Success (PS1) e SNK (Neo Geo Pocket).

As versões de Turbografx-16 e Neo Geo Pocket foram publicadas no ocidente. E como de praxe, a versão superior (na época) era a do PC da Sharp que era um monstro em termos de portes de arcade, e foi retrabalhada, com algumas mudanças na dificuldade e batalhas contra chefes ligeiramente alteradas.

Entre o primeiro e o segundo jogos da série, tivemos os portes de PC Engine e Sharp X68000 (já que em 1993, o PS1 e o Neo Geo Pocket não existiam)

Märchen Adventure Cotton 100% – Revisitando a primeira treta

Lançamento: 22 de Abril de 1994
Plataformas: SNES, PS1. PS3, PS4, Switch
Desenvolvimento: Success (SNES, PS1, PS3), Ratalaika Games (PS4, Switch)
Publicação: DATAM Polystar (SNES), Success (PS1),Hamster Corporation (PS3), Strictly Limited Games (SNES, relançamento) ININ Games (PS4, Switch)

*Sim, eu sei que o jogo saiu só pra Super Famicom no lançamento original, mas vou chamar de SNES porque no fim das contas é o mesmo hardware, não venha encher o saco por conta desses detalhes mínimos)

Reprodução: SUCCESS, Ratalaika Games, ININ Games

Eu não vou me alongar tanto pra falar sobre Cotton 100%, porque já fiz isso em detalhes na nossa análise do jogo, mas enfim focar em algumas coisas sobre o mesmo de maneira geral.

O jogo ele é meio que um pseudo remake do Cotton original, já que a história é praticamente a mesma, mas foram adicionadas algumas fases, chefes foram trocados, esse tipo de coisa que se espera em uma versão rearranjada. Mas existem duas diferenças mais notáveis em relação ao jogo original, primeiro, a jogabilidade se aproveita dos quatro botões do Super NES e abandona a parte de ter que segurar o botão de tiro pra lançar magias, tendo um botão dedicado a mesma função. E existe um preset de magias que é selecionado no começo da partida, e com o toque de um botão, alterna-se entre três magias disponíveis naquele preset.

Essa alteração tornou a jogatina menos baseada em mashing de botões e mais dinâmica. A questão dos presets de magia também adiciona uma pitada de variedade e estratégia, já que o jogador vai escolher o preset com as magias que mais lhe agradar.

Reprodução: SUCCESS, Ratalaika Games, ININ Games

A outra mudança, foi a questão gráfica. E não, não falo da diferença óbvia de hardware entre a Sega System 16 (placa onde o Cotton original rodava) e o SNES, mas sim o tom das fases. Enquanto que apesar de colorido e cômico, o tom das fases do original de Arcade tinha uma pitada sombria, no SNES temos ambientes mais coloridos, e em um caso específico, o sprite da final boss é mais bonito na versão de SNES.

Em 2003, um porte para PS1 foi lançado como um lançamento de baixo orçamento, na linha SuperLite 1500 da Success, mas infelizmente o jogo teve uns downgrades gráficos em relação a versão de SNES. E em 2010, a Hamster Corporation lançou essa versão na PSN japonesa, na linha Game Archives deles.

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Com relação ao relançamento da ININ para o Playstation 4 e Nintendo Switch, o jogo é o mesmo do SNES, para o bem e para o mal, já que ao menos poderiam ter adicionado bordas nas laterais da tela. E graças a Strictly Limited Games, donos de SNES ocidentais puderam ter um cartucho compatível com o sistema.

Mas… Por parível que incresça, 1994 não viu apenas um, mas DOIS jogos da franquia Cotton. Enquanto o Super NES recebia um pseudo remake do jogo original, o Mega Drive recebia um jogo inédito e totalmente diferente, mas com um pequeno porém, que veremos a seguir.

Panorama Cotton – Limpando o chão com a bunda de Space Harrier II

Lançamento: 12 de Agosto de 1994
Plataformas: Mega Drive, Playstation 4 e Nintendo Switch
Desenvolvedora: Success (Mega Drive), Ratalaika Games (Nintendo Switch e Playstation 4)
Publisher: Sunsoft (Mega Drive), Strictly Limited Games (Relançamento para Mega Drive e Genesis), ININ Games (Nintendo Switch e Playstation 4)

Reprodução: SUCCESS, Ratalaika Games, ININ Games

Eu poderia copiar e colar o que falei a respeito de não me alongar muito ao falar sobre Panorama Cotton, já que falamos bastante a respeito dele na análise do relançamento do jogo, então seremos breves aqui, prometo.

Panorama Cotton dá um giro de 180 graus em termos de jogabilidade na série, já que enquanto seus antecessores eram shooters side-scroller, temos aqui um competentíssimo shooter sob trilhos que deixa Space Harrier II no chão em termos de qualidade. Com efeitos de sprite scalling, e temática psicodélica, além da trilha excelente de Kenichi Hirata, o jogo poderia ser considerado um daqueles “obrigatórios” pros donos de Mega Drive, se não tivesse vendido apenas 4000 unidades no Japão…

Reprodução: SUCCESS, Ratalaika Games, ININ Games

Porque foi essa a quantidade de cópias do jogo que a Sunsoft produziu, tornando Panorama Cotton um dos jogos mais caros de se adquirir em sua tiragem original.

Com relação ao relançamento da ININ Games para PS4 e Nintendo Switch, uma melhoria de qualidade de vida importantíssima foi adicionada. A opção de remover o cooldown dos tiros da Cotton, isso porque quando se deixa pressionado o botão de tiro por cerca de dois segundos na versão original, a cadência de tiros diminui, o que permite (ao soltar o botão), lançar a Silk (a fadinha que acompanha a Cotton) para um ataque. E esse ataque de lançar a Silk fica remapeado para um outro botão.

E os donos de Mega Drive/Genesis ocidentais puderam adquirir uma tiragem limitada de cartuchos, graças ao relançamento que a Strictly Limited Games fez no ano passado.

Entre Panorama Cotton e o próximo título da série, a Success não ficou necessariamente parada, lançando outros títulos em seu portifólio, como o clássico cult Umihara Kawase, auxiliando o desenvolvimento de Hebereke’s Popoitto (SNES, Sunsoft) e criando as versões de SNES e PS1 dos RPG Makers 1, 2 e 3, entre outros jogos. Mas, em alguma hora seria a hora de voltar para o reino da bruxinha viciada em doce e chás.

Cotton 2: Magical Night Dreams – A treta agora possui combos!

Lançamento: Novembro de 1997
Plataformas: Arcade, Sega Saturn, Playstation 4, Nintendo Switch, PC e Xbox One
Desenvolvedora: Success (Arcade, Saturn), City Connection (PS4, Switch, PC e Xbox One*)
Publisher: Tecmo (Arcade), Success (Sega Saturn), City Connection (Playstation 4, Nintendo Switch, Steam, Xbox One)

*A versão de Xbox One tem previsão de lançamento no primeiro semestre de 2022

Reprodução: SUCCESS, Tecmo

Cotton 2 traz a nossa heroína Nata de Cotton, que junto com sua fiel escudeira Silk, precisa encontrar o Willow de Água, que está desaparecido e trazer a paz ao Reino das Abóboras. Porém, Cotton dessa vez não é a única nessa jornada, já que sua rival, Appli ke Pumpkin e seu companheiro, o chapéu mágico Needle também se fazem presentes.

O jogo é uma evolução do que foi visto em Cotton, mas agora, além dos elementos de RPG com a experiência aumentando seu poder de fogo e as magias, Cotton possui uma barra de vida (apesar de ser apenas uma vida, morreu, bye bye crédito) e pode agarrar os inimigos (sim, um botão pra agarrão, malandro!) e arremessá-los pra acertar outros inimigos. O arremesso de inimigos é excelente pra fazer combos, aumentando sua pontuação e poder se livrar das fileiras de inimigos.

Reprodução: SUCCESS, Tecmo

As fases continuam com a familiar estrutura de Cotton, com sub-chefes e chefões. Chefes esses que agora possuem indicações de pontos fracos e barra de vida. O jogo está obviamente mais bonito que seus antecessores, por estar rodando na placa SEGA ST-V (Sega Titan Video, baseada no hardware do Saturno), o que permitiu um porte relativamente rápido para o Sega Saturn, lançado um mês depois dos arcades.

A versão de Sega Satun possui o Saturn Mode, que é uma versão rearranjada da aventura do arcade, com o visual dos cenários modificados, e as lutas contra chefes sendo ligeiramente diferentes. Essa versão de Saturn (junto com os outros jogos da compilação) foi utilizada como base para o relançamento de três jogos da Success, na Cotton Guardian Force Saturn Tribute, que contém Cotton 2, Cotton Boomerang e Guardian Force, shooter da Success, lançado em 1998. No ocidente, a City Connection publicou os três jogos de maneira separada, ao contrário da versão japonesa.

No lançamento, esses relançamentos foram criticados por ter problemas de frame lag, que foram corrigidos em um patch lançado posteriormente.

Infelizmente eu não pude terminar Cotton 2 na versão de arcade, porque a emulação do jogo no MAME simplesmente bugou e parou de funcionar após a quinta fase, e eu não tenho dinheiro pra comprar a versão de PS4… E nem fodendo meu PC roda a versão do Steam, apesar do preço camarada.

Enfim, Cotton 2 adicionou alguns elementos de jogos de luta em seu sistema, então o que você faz após isso, você perguntaria? LANÇA UMA VERSÃO REMIXADA.

Cotton Boomerang: Magical Night Dreams – Treta em Tag Team Hardcore!

Lançamento: Setembro de 1998
Plataformas: Arcade, Sega Saturn, Playstation 4, Nintendo Switch, PC e Xbox One
Desenvolvedora: Success (Arcade, Sega Saturn), City Connection (PS4, Switch, PC, XONE)
Publisher: Tecmo (Arcade), Success (Sega Saturn), City Connection (Playstation 4, Nintendo Switch, Steam, Xbox One*)

*Mesmas condições de Cotton 2, sairá na primeira metade de 2022

Reprodução: SUCCESS, Tecmo

Essa aqui vai ser a seção provavelmente mais curta do texto, porque basicamente é o mesmo jogo que Cotton 2, mas tem um mix bem interessante em sua jogabilidade. Foi-se embora a barra de vida, voltou o sistema de vidas do jogo anterior… Mas cada vida é uma personagem diferente.

No início do jogo, temos oito personagens selecionáveis, três variantes da Cotton, três variantes da Appli, além de Silk e Needle. E a questão das variantes não é apenas uma escolha estética de cor, mas envolve o padrão de tiro de quem você escolhe.

Em termos de design de fases, as fases são quase as mesmas, mas com alterações no layout, e backgrounds algumas vezes. É mais ou menos como as mudanças de Cotton do arcade pra Cotton 100%, você vai reconhecer os locais, mas vai perceber as mudanças.

Os controles tiveram pequenas alterações, foi-se o botão pra magias (agora, precisamos novamente segurar o botão pra lançar a magia), já que o botão dedicado a essa função em Cotton 2, agora é usado para trocar de personagem, mas cuidado porque essas trocas são limitadas (itens extras de troca podem ser coletados nas fases). O sistema de experiência continua, mas cada personagem tem uma barra própria, e até mesmo a questão de barreiras (que não são mais magias, mas itens coletáveis) é individual, a barreira vale apenas para a personagem que a recolheu.

Tanto Cotton 2, quanto Cotton Boomerang foram bastante elogiados pelas revistas da época, mesmo o jogo não tendo recebido sequer um lançamento ocidental, coisa que só aconteceria em 2021 com as versões Saturn Tribute que mencionei quando falei de Cotton 2.

Meu veredito é que apesar de Cotton 2 e Cotton Boomerang serem em sua essência o mesmo jogo, vale a pena jogar os dois, porque são como dois sorvetes do mesmo sabor, mas com casquinhas diferentes. Olha, eu já trabalhei com sorvete e sei que casquinhas podem variar de lugar pra lugar, então deixe minha analogia de gordo em paz.

Com o novo milênio chegando, seria talvez a hora de uma mudança na série? Ou revisitar algo que deu certo? Bem, a Success resolveu fazer os dois ao mesmo tempo para a próxima aventura, que quase se chamou Panorama Cotton 2, mas foi renomeada.

Rainbow Cotton – Treta do Arco-Íris desajeitado
Lançamento: 20 de Janeiro de 2000
Plataforma: Dreamcast
Desenvolvedora: Success
Publisher: Success

Reprodução: SUCCESS

No começo do desenvolvimento, a equipe da Success usou o nome de Panorama Cotton 2 para o novo jogo da série, que teria a visão por trás, igual ao jogo de Mega Drive. Porém, mudaram de ideia em algum ponto e o jogo foi rebatizado e Rainbow Cotton. Dessa vez, a ameaça é Suede, cuja legião de demônios roubou um lendário Willow da Nação de York.

A Rainha das Fadas confia a Silk, a tarefa de recuperar o Willow, e a mesma chama sua companheira de longa data Nata de Cotton para ajudá-la, e assim, mais uma aventura se começa. Uma das coisas que podemos começar a destacar em Rainbow Cotton, é que a história é contada através de cutscenes em animação tradicional, cutscenes essas que são tão belas quanto hilárias.

As cenas possuem uma boa dublagem (apesar da compressão da minha iso, ou meu pc fodido, ter desincado um pouco as coisas) e felizmente, o jogo recebeu uma FENOMENAL tradução feita por fãs, permitindo que as pessoas possam aproveitar o jogo, e as cutscenes com legendas em inglês, já que no original, não haviam legendas em japonês… Eu acho. Não vou sair caçando outra iso pra testar.

Reprodução: SUCCESS

E o jogo acertou MUITO na questão da transição gráfica de 2D para 3D, com belíssimos e coloridos cenários, design de personagens e inimigos foram bem transicionados e a trilha sonora do jogo faz jus aos jogos anteriores. Pelas imagens, você poderia até pensar que esse jogo é uma pérola oculta do Dreamcast, mas…

A jogabilidade de Rainbow Cotton deixa MUITO a desejar. Ele é um rail shooter como Panorama Cotton, com níveis de tiro e magias coletáveis, tal qual seu antecessor, mas os controles não são bons. Pra começar, a mira da Cotton é desajeitada, acompanhando o movimento dela, tornando mirar em qualquer coisa por mais de 2 segundos, um calvário. Sem contar que o jogo fica te puxando pro centro da tela a quase todo momento, e é muito mais fácil os inimigos te acertarem do que o oposto, porque do jeito que a Cotton está na tela, é difícil precisar se os projéteis vão te acertar ou não.

O jogo poderia ter utilizado o sistema de jogos como Star Fox e Panzer Dragoon, que mesmo sem o auxílio e analógico (no SNES e Saturn respectivamente), conseguiram acertar na jogabilidade On-rail a ponto de se estabelecerem como clássicos e suas continuações melhorarem.

Rainbow Cotton vale pelas cutscenes, sons e visual do jogo, mas não na parte principal, a jogabilidade. E cutscenes e musica podem ser encontrados no Youtube com facilidade. Fica como curiosidade, mais do que recomendação.

E com Rainbow Cotton, a série Cotton entrou em um limbo gigante, apenas com os dois primeiros jogos (Fantastic Night Dreams e Cotton 100%) reaparecendo no PS1 (e o primeiro jogo era só um relançamento, dessa vez na linha SuperLite 1500.). A série ficou dormente, apesar de não necessariamente esquecida…

Enquanto isso…

Apesar da falta de jogos principais, Cotton não ficou tão parada assim, mas antes de começarmos a jornada pós-2000, voltemos um pouco no tempo, pra falarmos de outras coisinhas de Cotton que apareceram.

Reprodução: ASCII Corporation, SUCCESS

Em 1996, como parte da série “Tsukuru”, publicada pela ASCII, a Success desenvolveu o jogo Ongaku Tsukuru Kanadeeru, que permitia aos jogadores criar suas próprias composições com uma série de instrumentos. E a Success colocou lá o tema de Cotton dentre as musicas de exemplo do programa. O cartucho pode ser encontrado por um valor razoável em sites online, mas a barreira linguística impede que ele seja realmente aproveitado.

Reprodução: Internet

 

E em 1998, a SUCCESS lançava para Windows 95 e Windows 98, o kit de aplicações para PC chamado Cotton 2 Tenkomori. A aplicação, com o tema do segundo jogo, possui alguns mini-games e coisas do tipo. Hoje em dia, ele é mais ítem de colecionador e procurá-lo vai exigir uma boa dose de japonês.

Reprodução: SUCCESS

Voltando ao “presente”, como toda série japonesa que se preze, Cotton foi transformada em Pachinko, com Magical Pachinko Cotton em 2003, jogo esse que foi “portado” para o PlayStation 2, sendo a única aparição da série no popular console da Sony, o que foi esquisito, já que a própria Success lançou Psyvariar para o mesmo, mas divago. Felizmente, outras aparições da Cotton foram melhores que isso.

Reprodução: SUCCESS, ATLUS

Em 2007, a SUCCESS lançou o RPG de estratégia Rondo of Swords, para o Nintendo DS e a publicação do jogo no ocidente ficou a cargo da ATLUS. Lá, Cotton é uma personagem jogável que faz uma aparição, procurando por Willows (ou fugindo das máquinas de Pachinko, prefiro pensar nessa possibilidade). O RPG foi relativamente bem recebido pela crítica.

Reprodução: SUCCESS

Avançando para 2010, no RPG de Browser Metal Saga: New Frontier, Cotton não fez uma aparição em si, mas as roupas da Cotton foram disponibilizadas para se adquirir. Os serviços do jogo foram encerrados em 2013. Nem o Wayback Machine conseguiu restaurar o site oficial do jogo. Tenso.

Depois dessas aparições, subprodutos e a porcaria de um Pachinko, a personagem ficou dormente por alguns anos, até que perto do aniversário de 40 anos da SUCESS, que foi fundada em 1978, as coisas começavam a mudar.

O prelúdio do retorno…

Reprodução: Studio SiestA, Rocket Engine

Em 2016, a publisher Rocket-Engine lançara no Steam, uma versão atualizada do shooter Trouble Witches, lançada originalmente em 2007 no Japão e depois atualizada em 2011 para o Xbox 360, com o titulo de Trouble Witches Neo! (A versão de 360 foi delistada em 2015, então só se pode jogar essa versão por meios… Caiu do caminhão).

Esse relançamento do Steam, intitulado Trouble Witches Origin, possui algumas das atualizações advindas de Neo, e atualmente, a única maneira de jogar esse shooter bacana. Mas não é disso que vamos falar, mas sim do fato de que em Agosto de 2017, um DLC permitiu os jogadores a jogarem com a Cotton, acompanhada de sua fiel escudeira Silk.

Reprodução: Studio Saizensen, SUCCESS, Nicalis

E pra marcar o retorno de vez de Cotton, a personagem também fez uma aparição em Umihara Kawase Fresh!, parte da série Umihara Kawase, também da Success, assim como em Umihara Kawase Bazooka, de 2020.

 

Cotton Reboot – A melhor versão do primeiro jogo, mais bonita que nunca

Lançamento: 25 de Fevereiro de 2021
Plataformas: Playstation 4, Nintendo Switch, PC
Desenvolvimento: Rocket-Engine
Publisher: ININ Games (PS4, Switch), BEEP (Steam)

Em 2019, a publisher BEEP, que começou como uma loja online de venda de jogos usados e resolveu republicar alguns jogos antigos, anunciou que não somente republicaria a versão de X68000, mas começaria a trabalhar junto com a Rocket-Engine (do Trouble Witches) numa versão remasterizada do primeiro jogo, com previsão de lançamento para 2020. Atrasos ocorreram, mas como diz o velho deitado, melhor lançar um jogo redondo com atraso do que lançar uma porcaria inacabada… Parece que alguém na Square-Enix não recebeu esse memorando e Balan Wonderworld deu no que deu, mas divago.

Reprodução: Rocket Engine, BEEP, SUCCESS, ININ Games

Saindo em 2021, o jogo é a melhor maneira de se jogar o primeiro Cotton, contendo uma adaptação fiel da versão de X68000 e um remake completo em 16:9, com belíssimos gráficos, opção de trilha nova ou original, e uma atualização posterior adicionou a opção de jogar com Appli (e seu parceiro Needle), além da jogabilidade estar atualizada, seria quase o jogo perfeito, se o porte de PC não tivesse alguns probleminhas aqui e ali.

Infelizmente eu não pude jogar porque o preço do jogo está um pouquinho alto, mas as boa recepção do jogo foi o suficiente para garantir o primeiro jogo original da série em mais de 20 anos, comemorando o aniversário de 30 anos da série, chegava no Japão, no fim de Dezembro (nos consoles), Cotton Rock and Roll: Superlative Night Dreams.

 

Cotton Fantasy: Superlative Night Dreams – A entrada da série na era HD

Lançamento: 27 de Setembro de 2021
Plataformas: Arcade, Playstation 4, Nintendo Switch e PC
Desenvolvimento: SUCESS
Publisher: SEGA (Arcade), ININ Games (Playstation 4, Nintendo Switch e PC)

No dia em que a ININ lançou Panorama Cotton e Cotton 100% nos consoles modernos, eles lançaram o primeiro teaser da localização de Cotton Rock and Roll, com o nome de Cotton Fantasy. Misturando um pouco da jogabilidade tradicional side-scroller de Cotton, com seções de Rail Shooter de Panorama Cotton, Cotton Fantasy promete manter a bola erguida em relação a franquia.

Reprodução: SUCCESS, ININ Games

Com os lançamentos da ININ Games e da City Connection nos últimos dois anos, Cotton deixou de ser uma franquia cult, deixada nos anos 90, para ser algo possível de ser aproveitado por quem possui os consoles mais atuais. A SUCCESS garante que a partir de Cotton Fantasy, a série vai continuar.

Não estou escrevendo sobre coisas como a história, ou mesmo gráficos de Cotton Fantasy, porque estamos no aguardo do lançamento ocidental do jogo, no dia 20 de Maio, para PlayStation 4 e Nintendo Switch. E se possível, continue acompanhando o Arquivos do Woo, que teremos uma análise completa do jogo.

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Cotton 100% | Uma porta de entrada para os Shmups! https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/11/04/cotton-100-uma-porta-de-entrada-para-os-shmups/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/11/04/cotton-100-uma-porta-de-entrada-para-os-shmups/#comments Thu, 04 Nov 2021 21:27:51 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=8989 Vocês sabiam que um novo jogo da franquia Cotton vai sair no fim do ano? Nem eu, mas sim, Cotton Rock ‘N’ Roll*: Superlative Night Dreams sairá no fim do ano para PlayStation 4, Switch e PC. Será o primeiro jogo original da série em 20 anos, sem contar relançamentos ou Pachinkos. Também não conto […]

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Vocês sabiam que um novo jogo da franquia Cotton vai sair no fim do ano? Nem eu, mas sim, Cotton Rock ‘N’ Roll*: Superlative Night Dreams sairá no fim do ano para PlayStation 4, Switch e PC.

Será o primeiro jogo original da série em 20 anos, sem contar relançamentos ou Pachinkos. Também não conto o remake, porque tecnicamente é o primeiro jogo da série relançado, mas, enfim.

LEIAM – Panorama Cotton | A um toque da grandeza

1994 foi um ano esquisito pra franquia Cotton, porque a Success, desenvolvedora do jogo produziu não um, mas dois jogos diferentes da série, um deles sendo o Panorama Cotton, que analisamos na semana passada, e outro que é justamente esse aqui, Cotton 100%… Que até pouco tempo atrás, era o único jogo da série que eu havia jogado, no emulador.

Depois de um relançamento no PS1 nos anos 2000 (e que está disponível na PSN japonesa), a ININ Games e a Ratalaika Games se juntaram pra trazer Cotton 100% a um novo público, com um lançamento global.

Se ele vale a pena seu suado dinheirinho? Confira conosco.

Reciclando a primeira aventura… Mais ou menos.

Cotton 100% não é necessariamente um porte do primeiro Cotton (Cotton: Fantastical Night Dreams), mas reaproveita muita coisa do primeiro jogo, como a vilã Wool, que aparentemente sequestrou Knit, a irmã de Silk, a fadinha que é companheira de Cotton e possivelmente roubou mais Willow, o doce que Cotton é viciada.

E isso foi o necessário para enfurecer Cotton e fazê-la sair numa rampante de destruição… Ou algo do tipo. Ei, o jogo nem patch em inglês da versão de Super Famicom tem. No máximo em francês, e como não me chamo Jacquin e nem deixo o freezer desligado de notche, não sei o que se passa nos diálogos do jogo.

Pois é, assim como Panorama Cotton, Cotton 100% foi lançado do jeito que o original estava, sem tradução*.

Não que isso seja um grande problema, porque num shooter, usualmente a história é secundária e o jogo é amigável bastante pra ser jogado sem que seja necessário o entendimento de japonês.

Meu primeiro Shoot’ Em Up

Se você quiser introduzir alguém ao gênero de shooters, Cotton 100% é perfeito para o serviço. Primeiro, a dificuldade dele não é necessariamente grande. Tem seus pontos difíceis? Tem, mas não é tão difícil quanto outros jogos do gênero.

O jogo é um shooter horizontal, e você precisa explodir tudo que está em seu caminho. Antes de começar o jogo, você tem quatro sets de magia para escolher, e aí depende do que você quer. Deseja ir com poder ofensivo?

Dá. Quer um pouco de proteção com escudo? Também dá.

Conforme você vai avançando nas sete curtas fases, você vai acumulando experiência ao derrotar inimigos, e coletar Willows deixados por alguns deles. Com isso, sua arma principal vai ficando mais forte. Além disso, você pode coletar fadas deixadas por determinados inimigos, e elas funcionam mais ou menos como as Options de Gradius, ou seja, Orbes que disparam e lhe ajudam.

LEIAM – Gleylancer | Um relançamento para uma nova geração

O jogo não é longo, podendo ser terminado em pouco mais de meia hora, mas as coisas podem ficar um pouco cascudas, especialmente na batalha contra a Wool, mas é recompensador terminar o jogo.

Cotton 100% tem os mesmos recursos modernizados de Panorama Cotton (e GleyLancer), ou seja, opção entre os modos “Padrão” (Com Save State e Rebobinação) e “Desafio” (o jogo como ele foi lançado), e ao terminar o modo Desafio, você habilita a opção de jogar com os Cheats. (vidas infinitas, arma no máximo, invencibilidade).

Porém, ao contrário de Panorama Cotton, onde os Cheats só funcionam no modo Padrão, em Cotton 100%, os cheats irão funcionar no modo desafio. Claro, você vai ter que terminar o jogo uma vez na raça, mas o fato dos Cheats funcionarem no modo desafio auxilia bastante na platina, já que dá pra conseguir os troféus de pontuação com facilidade.

Colorido e animado

Cotton 100%

Cotton 100% faz jus a fama da série no quesito gráficos. Cada estágio é único, e muito, mas muito bem feito. Felizmente não é necessário se preocupar com toques no chão ou no teto, já que eles não te matam (como é de costume em muitos shooters). E os sprites do jogo, os inimigos, assim como a própria Cotton são muito bem feitos. Mas destaco aqui os sprites da boss final, Wool, nas duas formas. É um sprite bonito pra caramba. Os bosses são criativos num geral, talvez com exceção do Dragão da sexta fase que parece genérico.

LEIAM – Luigi’s Mansion (GameCube) | Análise

A trilha de Cotton 100% também foi assinada por Kenichi Hirata, que assim como em Panorama Cotton, fez excelentes temas aqui, embora alguns temas possam soar inapropriados para o cenário. Em específico aqui falo da fase das cavernas, que não passa uma atmosfera muito cavernosa, e sim um tema felizinho.

Mas, entre tapas e beijos, as músicas de Cotton 100% agradam bastante. Uma coisa que eu possivelmente poderia ter falado no review de Panorama Cotton, e no de GleyLancer, assim como nesse aqui, é que obviamente, o jogo possui a opção de filtros pra simular TV antiga e blá blá blá. Mas sabe porque não comentei?

Eu acho esse tipo de filtro um saco. Pronto, falei.

Dê uma chance a Cotton 100%

Cotton 100%

Tá certo que o preço numa primeira vista pode não ser convidativo (mais pela situação do nosso país, com o dólar nas alturas), mas pesando prós e contras, especialmente considerando que uma cópia LOOSE (ou seja, só o cartucho) de Cotton 100% custa 500 reais, e uma completa (com caixa, manual e um CD especial com músicas cantadas pela seiyuu da Silk) sai por 1700 (esses preços estão no eBay), acaba não saindo um mau negócio adquirir Cotton 100% digitalmente.

É um shooter divertido, não muito difícil e se esforçar pra desbloquear a invencibilidade é uma das melhores sensações que se pode ter. Pulverizar bosses em 10 segundos no máximo, não tem preço. Na verdade tem, mas enfim.

Cotton 100% está disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch, além das versões originais de SNES e PS1.

*Pós texto: A ININ Games comentou que em breve, tanto Panorama Cotton, quanto Cotton 100% receberam patches de atualização com traduções para o Inglês, Francês, Espanhol, Italiano e Alemão.

*Pós texto 2: A ININ Games confirmou, nos trailers de lançamento de Panorama Cotton e Cotton 100%, que Cotton Rock ‘n’ Roll será localizado como Cotton Fantasy e que deve dar mais notícias sobre uma data ocidental em breve.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela ININ Games

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Panorama Cotton | A um toque da grandeza https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/10/29/panorama-cotton-a-um-toque-da-grandeza/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/10/29/panorama-cotton-a-um-toque-da-grandeza/#comments Fri, 29 Oct 2021 08:00:47 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=8843 Não sei vocês, mas nos últimos tempos parece que só tenho feito análises de dois gêneros de jogo: Shooters e Visual Novels. Não que eu esteja reclamando, porque eu adoro os dois. É que foi uma literal coincidência que eu tenha feito análises de Gleylancer, Sakura Nova, Hell Blasters e Sand Story. Enfim. Se hoje […]

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Não sei vocês, mas nos últimos tempos parece que só tenho feito análises de dois gêneros de jogo: Shooters e Visual Novels. Não que eu esteja reclamando, porque eu adoro os dois. É que foi uma literal coincidência que eu tenha feito análises de Gleylancer, Sakura Nova, Hell Blasters e Sand Story. Enfim.

Se hoje temos Touhou, você pode agradecer a série Cotton por isso. Porque enquanto os shooters em geral colocavam o jogador no papel de uma nave qualquer (ainda que sejam naves icônicas, eram naves), Cotton deu origem ao gênero Cute’Em Up, colocando o jogador no papel de uma garota fofinha atirando em tudo o que se mexe. E Touhou acabou popularizando isso ao extremo.

LEIAM – Gleylancer | Um relançamento para uma nova geração

O primeiro jogo, Cotton: Fantastic Night Dreams foi durante anos, o único da série Cotton a ter presença no ocidente, graças aos portes de PC Engine e Neo Geo Pocket Color. Porém, a ININ Games resolveu mudar isso, pros 30 anos de aniversário da série, lançando o Remaster/remake do jogo original (Cotton Reboot) e dois portes do segundo jogo de arcade (Cotton 2 Saturn Tribute e Cotton Boomerang Saturn Tribute – O subtítulo “Saturn Tribute” referencia que ambos são baseados na versão de Sega Saturn). E agora, no fim de outubro, chegou ao PlayStation 4 e ao Nintendo Switch, Panorama Cotton, tecnicamente o terceiro jogo da série (Cotton 2: Magical Night Dreams é o QUARTO jogo da série), juntamente com Cotton 100% (esse é assunto pra OUTRA análise).

Confira conosco a análise.

A Rena encantada pode perdoá-lo, mas eu não irei!

Na série Cotton, controlamos a personagem título, Cotton, uma bruxinha esquentada que adora o doce mágico chamado Willow. Ao lado de Silk, uma fadinha que usa trajes que fariam a Sininho*  corar, as duas derrotaram a demônio Wool e trouxeram a luz de volta ao mundo.

*Tinkerbell é o cacete

A história de Panorama Cotton começa quando a irmã de Silk, Knit a conta que a Rainha Velvet começou a dizer coisas que não faziam o menor sentido. Pouco tempo depois, a rainha revela que acredita que o mundo está ficando caótico e que ela é a única que pode salvá-lo. Ela monta num animal chamado “Pinky” e desaparece, antes que alguém consiga detê-la. Perplexas, Silk e Knit deduzem que o Willow queimado que apareceu recentemente é o responsável pelo comportamento estranho da Rainha.

Aparentemente, monstros ao norte do Reino tem queimado todo e qualquer Willow que encontram. Antes de agir, Silk decide que precisa se livrar do Willow queimado do castelo primeiro, então o  leva para longe, mas antes que ela possa se livrar do material, Cottom aparece e o toma.

Sem parar pra ouvir a explicação da Silk, Cotton começa a comer o Willow queimado. Entretanto, ela cospe logo, com raiva e enojada. Quando Cottom descobre que tem alguém queimando Willows, ela jura que não permitirá que esse crime continue. Dali em diante, Silk e Cottom partem em sua nova aventura.

Essa história absurda já dá uma ideia do que esperar em Panorama Cottom, fomos de “salvar o mundo” pra “QUEIMARAM MEUS DOCES” em pouquíssimo tempo. Uma pena que os jogadores ocidentais não vão poder apreciar tanto o absurdo dos diálogos porque… Eles não foram traduzidos, continuando em japonês.

Não que a história seja realmente importante, mas como em meus reviews, falo dos aspectos do jogo, é preciso notar isso. E basicamente inclusive é por isso que coloquei o “A um passo da grandeza” no título da Análise.

Welcome to the Fantasy Zone… Get Ready.

Ao olhar as imagens de Panorama Cotton, a primeira coisa que vem na mente é Space Harrier. Panorama Cotton deixou de lado o estilo de shooter horizontal de seus predecessores, sendo um rail shooter, tal qual Space Harrier, mas com seu próprio twist, não sendo uma cópia barata, como algumas que saíram no mercado.

Você tem um botão para atirar, um pra aumentar a velocidade e um para utilizar magias que porventura você adquira no decorrer das fases. Também há um sistema de experiência no jogo, que conforme mais inimigos você mata, seu tiro subirá de nível, ficando mais forte. Isso é crucial, pois o jogo não é nada fácil, especialmente dada a natureza caótica das fases.

Até pegar o jeito, mortes serão normais. Mas apesar disso, com exceção do último chefe que é uma batalha/sequência de perseguição longa e ligeiramente difícil, os chefes não vão dar tanto trabalho quanto as fases em si.

Outra coisa que torna esse jogo distinto de Space Harrier, é o fato de que as fases não são 100% lineares (ainda que sejam lineares). Em alguns momentos, vai haver na tela, setas apontando para cima ou para baixo, indicando que em breve aparecerá um buraco no chão/teto que permite levar o jogador a um caminho alternativo que pode ou não ser mais fácil.

LEIAM – Os Heróis Mais Legais dos Games | Volume 2

O porte de consoles foi produzido pela Ratalaika Games, que já havia trabalhado com a ININ na coletânea de Turrican, então algumas melhorias foram introduzidas. A primeira que não interfere tanto em questão de como o jogo se comporta, é o fato de que você pode manter os controles como no jogo original, com o tiro precisando de um slowdown, se deixar pressionado o botão, ou sem esse slowdown, que permite ao jogador manter-se atirando constantemente.

Assim como em Gleylancer, temos a opção de jogar o jogo da maneira original, ou com acesso a recursos como Save State e Rebobinar, porém caso queira ativar os cheats do jogo, primeiro precisará terminar o jogo no Challenging (que é o modo original). E ao contrário de Gleylancer, que o modo original não tem troféus, aqui, cada modo de jogo tem seus troféus, o que significa que pra platinar, vão ser necessários pelo menos dois playthroughs que terminem com a pontuação acima de 1 milhão.

Gráficos Psicodélicos… E uma excelente trilha sonora

Panorama Cotton

A apresentação gráfica de Panorama Cotton pode não ter o tom dramático de Gleylancer, lembrando mais um anime de comédia, mas ela é bastante charmosa, com belíssimas pixel arts, que você basicamente vê na abertura e no fim do jogo.

Dentro do jogo, as fases são caóticas, sendo difícil parar pra ver e apreciar os cenários. Ainda que alguns são simplistas, outros são bastante detalhados e de cair o queixo. Como o Mega Drive não possuía o Mode 7 do SNES, a SUCESS (desenvolvedora do jogo) usou da criatividade pra passar a sensação durante as fases. Como o jogo consegue processar tanta loucura sem o mega drive pegar fogo em si é uma questão que deixo para os universitários, mas Panorama Cotton, do ponto de vista do Mega Drive, é uma maravilha técnica.

LEIAM – Resident Evil “Remake”: O Survival Horror mais caprichado de todos

Os inimigos regulares acabam sendo pouco memoráveis, porque honestamente, com todo o caos do jogo, no momento que você vê um inimigo ele já foi embora. Não que os designs deles sejam ruins, você só não vai lembrar deles por muito tempo. Os chefes no entanto, são criativos. Talvez não o primeiro, mas enfim.

A trilha de Panorama Cotton é cortesia de Kenichi Hirata, que basicamente fez sua carreira nos jogos da SUCESS, e em um ou outro jogo fora dela. E a trilha é fantástica, do princípio ao fim, excelentes composições embalando a jogatina e incentivando revisitas futuras.

Porque pode ter certeza de que vou jogar novamente Panorama Cotton, e quem sabe conseguir terminar o jogo no Challenge só pra poder ativar a invencibilidade e DESTRUIR LEGAL.

Tudo o que eu queria era a tradução dos textos da história

Panorama Cotton

Baseado apenas no jogo em si e no que apresenta nesse relançamento, recomendo Panorama Cotton sem pensar duas vezes.

A SUNSOFT (que publicou a versão original de Mega Drive) fez uma tiragem ULTRA LIMITADA na época, 4000 cartuchos apenas. Porém agora, por um preço muito menor do que os astronômicos 7200 reais do Ebay, você pode ter um clássico do Mega Drive no seu PS4 ou Switch. (Ou se você for sortudo e tiver dinheiro o suficiente, pode comprar uma cópia do Mega Drive na Strict Limited Games por 50 Euros)

Faltou a tradução* dos textos pro inglês, como em Gleylancer? Faltou. Mas ainda assim, é um excelente jogo, e no fim do dia, isso é o que conta. Panorama Cotton está disponível para Nintendo Switch e PlayStation 4.

*Pós texto: A ININ Games comentou que em breve, tanto Panorama Cotton, quanto Cotton 100% receberam patches de atualização com traduções para o Inglês, Francês, Espanhol, Italiano e Alemão.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela ININ Games

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