Não sei vocês, mas nos últimos tempos parece que só tenho feito análises de dois gêneros de jogo: Shooters e Visual Novels. Não que eu esteja reclamando, porque eu adoro os dois. É que foi uma literal coincidência que eu tenha feito análises de Gleylancer, Sakura Nova, Hell Blasters e Sand Story. Enfim.

Se hoje temos Touhou, você pode agradecer a série Cotton por isso. Porque enquanto os shooters em geral colocavam o jogador no papel de uma nave qualquer (ainda que sejam naves icônicas, eram naves), Cotton deu origem ao gênero Cute’Em Up, colocando o jogador no papel de uma garota fofinha atirando em tudo o que se mexe. E Touhou acabou popularizando isso ao extremo.

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O primeiro jogo, Cotton: Fantastic Night Dreams foi durante anos, o único da série Cotton a ter presença no ocidente, graças aos portes de PC Engine e Neo Geo Pocket Color. Porém, a ININ Games resolveu mudar isso, pros 30 anos de aniversário da série, lançando o Remaster/remake do jogo original (Cotton Reboot) e dois portes do segundo jogo de arcade (Cotton 2 Saturn Tribute e Cotton Boomerang Saturn Tribute – O subtítulo “Saturn Tribute” referencia que ambos são baseados na versão de Sega Saturn). E agora, no fim de outubro, chegou ao PlayStation 4 e ao Nintendo Switch, Panorama Cotton, tecnicamente o terceiro jogo da série (Cotton 2: Magical Night Dreams é o QUARTO jogo da série), juntamente com Cotton 100% (esse é assunto pra OUTRA análise).

Confira conosco a análise.

A Rena encantada pode perdoá-lo, mas eu não irei!

Na série Cotton, controlamos a personagem título, Cotton, uma bruxinha esquentada que adora o doce mágico chamado Willow. Ao lado de Silk, uma fadinha que usa trajes que fariam a Sininho*  corar, as duas derrotaram a demônio Wool e trouxeram a luz de volta ao mundo.

*Tinkerbell é o cacete

A história de Panorama Cotton começa quando a irmã de Silk, Knit a conta que a Rainha Velvet começou a dizer coisas que não faziam o menor sentido. Pouco tempo depois, a rainha revela que acredita que o mundo está ficando caótico e que ela é a única que pode salvá-lo. Ela monta num animal chamado “Pinky” e desaparece, antes que alguém consiga detê-la. Perplexas, Silk e Knit deduzem que o Willow queimado que apareceu recentemente é o responsável pelo comportamento estranho da Rainha.

Aparentemente, monstros ao norte do Reino tem queimado todo e qualquer Willow que encontram. Antes de agir, Silk decide que precisa se livrar do Willow queimado do castelo primeiro, então o  leva para longe, mas antes que ela possa se livrar do material, Cottom aparece e o toma.

Sem parar pra ouvir a explicação da Silk, Cotton começa a comer o Willow queimado. Entretanto, ela cospe logo, com raiva e enojada. Quando Cottom descobre que tem alguém queimando Willows, ela jura que não permitirá que esse crime continue. Dali em diante, Silk e Cottom partem em sua nova aventura.

Essa história absurda já dá uma ideia do que esperar em Panorama Cottom, fomos de “salvar o mundo” pra “QUEIMARAM MEUS DOCES” em pouquíssimo tempo. Uma pena que os jogadores ocidentais não vão poder apreciar tanto o absurdo dos diálogos porque… Eles não foram traduzidos, continuando em japonês.

Não que a história seja realmente importante, mas como em meus reviews, falo dos aspectos do jogo, é preciso notar isso. E basicamente inclusive é por isso que coloquei o “A um passo da grandeza” no título da Análise.

Welcome to the Fantasy Zone… Get Ready.

Ao olhar as imagens de Panorama Cotton, a primeira coisa que vem na mente é Space Harrier. Panorama Cotton deixou de lado o estilo de shooter horizontal de seus predecessores, sendo um rail shooter, tal qual Space Harrier, mas com seu próprio twist, não sendo uma cópia barata, como algumas que saíram no mercado.

Você tem um botão para atirar, um pra aumentar a velocidade e um para utilizar magias que porventura você adquira no decorrer das fases. Também há um sistema de experiência no jogo, que conforme mais inimigos você mata, seu tiro subirá de nível, ficando mais forte. Isso é crucial, pois o jogo não é nada fácil, especialmente dada a natureza caótica das fases.

Até pegar o jeito, mortes serão normais. Mas apesar disso, com exceção do último chefe que é uma batalha/sequência de perseguição longa e ligeiramente difícil, os chefes não vão dar tanto trabalho quanto as fases em si.

Outra coisa que torna esse jogo distinto de Space Harrier, é o fato de que as fases não são 100% lineares (ainda que sejam lineares). Em alguns momentos, vai haver na tela, setas apontando para cima ou para baixo, indicando que em breve aparecerá um buraco no chão/teto que permite levar o jogador a um caminho alternativo que pode ou não ser mais fácil.

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O porte de consoles foi produzido pela Ratalaika Games, que já havia trabalhado com a ININ na coletânea de Turrican, então algumas melhorias foram introduzidas. A primeira que não interfere tanto em questão de como o jogo se comporta, é o fato de que você pode manter os controles como no jogo original, com o tiro precisando de um slowdown, se deixar pressionado o botão, ou sem esse slowdown, que permite ao jogador manter-se atirando constantemente.

Assim como em Gleylancer, temos a opção de jogar o jogo da maneira original, ou com acesso a recursos como Save State e Rebobinar, porém caso queira ativar os cheats do jogo, primeiro precisará terminar o jogo no Challenging (que é o modo original). E ao contrário de Gleylancer, que o modo original não tem troféus, aqui, cada modo de jogo tem seus troféus, o que significa que pra platinar, vão ser necessários pelo menos dois playthroughs que terminem com a pontuação acima de 1 milhão.

Gráficos Psicodélicos… E uma excelente trilha sonora

Panorama Cotton

A apresentação gráfica de Panorama Cotton pode não ter o tom dramático de Gleylancer, lembrando mais um anime de comédia, mas ela é bastante charmosa, com belíssimas pixel arts, que você basicamente vê na abertura e no fim do jogo.

Dentro do jogo, as fases são caóticas, sendo difícil parar pra ver e apreciar os cenários. Ainda que alguns são simplistas, outros são bastante detalhados e de cair o queixo. Como o Mega Drive não possuía o Mode 7 do SNES, a SUCESS (desenvolvedora do jogo) usou da criatividade pra passar a sensação durante as fases. Como o jogo consegue processar tanta loucura sem o mega drive pegar fogo em si é uma questão que deixo para os universitários, mas Panorama Cotton, do ponto de vista do Mega Drive, é uma maravilha técnica.

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Os inimigos regulares acabam sendo pouco memoráveis, porque honestamente, com todo o caos do jogo, no momento que você vê um inimigo ele já foi embora. Não que os designs deles sejam ruins, você só não vai lembrar deles por muito tempo. Os chefes no entanto, são criativos. Talvez não o primeiro, mas enfim.

A trilha de Panorama Cotton é cortesia de Kenichi Hirata, que basicamente fez sua carreira nos jogos da SUCESS, e em um ou outro jogo fora dela. E a trilha é fantástica, do princípio ao fim, excelentes composições embalando a jogatina e incentivando revisitas futuras.

Porque pode ter certeza de que vou jogar novamente Panorama Cotton, e quem sabe conseguir terminar o jogo no Challenge só pra poder ativar a invencibilidade e DESTRUIR LEGAL.

Tudo o que eu queria era a tradução dos textos da história

Panorama Cotton

Baseado apenas no jogo em si e no que apresenta nesse relançamento, recomendo Panorama Cotton sem pensar duas vezes.

A SUNSOFT (que publicou a versão original de Mega Drive) fez uma tiragem ULTRA LIMITADA na época, 4000 cartuchos apenas. Porém agora, por um preço muito menor do que os astronômicos 7200 reais do Ebay, você pode ter um clássico do Mega Drive no seu PS4 ou Switch. (Ou se você for sortudo e tiver dinheiro o suficiente, pode comprar uma cópia do Mega Drive na Strict Limited Games por 50 Euros)

Faltou a tradução* dos textos pro inglês, como em Gleylancer? Faltou. Mas ainda assim, é um excelente jogo, e no fim do dia, isso é o que conta. Panorama Cotton está disponível para Nintendo Switch e PlayStation 4.

*Pós texto: A ININ Games comentou que em breve, tanto Panorama Cotton, quanto Cotton 100% receberam patches de atualização com traduções para o Inglês, Francês, Espanhol, Italiano e Alemão.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela ININ Games

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.