Uma duvida que acho que é válida é: Qual a maneira ideal de fazer relançamentos de jogos?

Coletâneas, como foi feito com a Ninja Gaiden Master Collection? De maneira individual, como acontece com a linha (overpriced) Arcade Archives? Com conteúdo extra, como foi feito com a Vasara Collection? Ainda que em muitos casos, a emulação é possível, esses relançamentos são bons pela questão da conveniência de poder jogar o jogo sem precisar saber se o seu PC aguenta o emulador (no caso da trilogia Ninja Gaiden moderna), ou ter que procurar aquele jogo desconhecido.

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Em 1992, chegava ao Mega Drive, o shooter Gley Lancer (que já no título traz um Engrish, porque a romanização era pra ser Grey Lancer), desenvolvido e publicado pela Masaya, a mesma responsável pela série Cho Aniki e pelo porte de SNES do lendário Prince of Persia. Porém, o jogo ficou por mais de quinze anos, relegado ao Japão, até que apareceu finalmente no ocidente, através do Virtual Console do Wii. Porém, com a morte do Wii (e do Wii Shop), o jogo ficou novamente perdido pra quem queria ele de maneira oficial.

Em 2017, o jogo recebeu um porte para PC que ficou só no Japão e em 2019, uma nova tiragem da versão original de Mega Drive foi feita, publicada pela Columbus Circle. Agora, em 2021, a Ratalaika trouxe novamente o jogo, o lançando para todas as plataformas atuais. Confira conosco a análise.

Preciso salvar meu pai… Ah, e a Terra também, eu acho

Gleylancer

O jogo se passa no distante futuro de 2025 (que hoje em dia não é tão futurista assim) e uma guerra explodiu entre os humanos e uma raça desconhecida de aliens. Ken Cabrock, um Almirante da Federação Terrestre teve sua nave teleportada pelo inimigo para um outro ponto da galáxia.

Lucia, sua filha de 16 anos e uma piloto, ao ouvir sobre o desaparecimento do pai, decide roubar o protótipo de uma das naves de combate, a CSH-01-XA “Gley Lancer”, com a ajuda de sua amiga, Teim, e ir atrás dele.

A história em si é bem básica, mas como usualmente jogos de nave nem isso tem (e quando tem, rola um engrish, como em Aero Fighters e Zero Wing), sem contar que apesar do roteiro simples, ele é contado com uma boa pontada de drama, já que o jogo possui dois finais diferentes (mas só um deles dá achievements) e as cutscenes entre algumas das fases pintam um pouco da personalidade do jogo, criando um pouco mais de empatia por uma menina que só quer salvar o pai.

Prepare-se para xingar, gritar, espernear e jogar o controle na parede… Ou não.

Gleylancer

Assim como uma cebola, é preciso olhar cada camada de Gleylancer separadamente. Se olharmos o design das fases do game, possivelmente daria pra classificar ele como mais um shoot’em up horizontal genérico, principalmente se compararmos com jogos como R-Type 3, Gradius e Darius II. Tem algumas instâncias criativas, como momentos onde a progressão da fase se dá na vertical e até mesmo na diagonal, mas no geral é um design de estágios bem padrão.

E assim como outros jogos, é possível adquirir power ups que se acoplam na sua nave e ajudam nos combates… E é aqui que Gleylancer brilha. Os Power-ups em si são comuns, porém o controle deles é completamente customizável. Eles podem seguir seu movimento padrão do direcional, o oposto, se posicionarem na posição 3-way (o famoso spread de Contra), apontarem pro inimigo mais próximo ou girar em todas as direções.

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Se for jogar, não tenha vergonha de escolher a dificuldade Easy, porque o jogo é casca grossa, mesmo nela. A primeira fase, cheia de destroços no espaço, chega até a ser um pouco mais estressante que momentos posteriores. E os chefes podem dar trabalho.

Falando em chefes, um momento divertido da minha jogatina: Eu estava morrendo feito um idiota pro chefe final, até que fui olhar nos controles. E vi que você pode mudar a velocidade padrão da nave, e aquela era a chave pra derrotar aquela forma do chefe. Nem precisa perguntar se me senti um burro.

O jogo possui três modos de jogo, o original (vintage), que é uma réplica 1:1 da versão de Mega Drive, porém só recomendo jogar no modo original se já tiver terminado em algum outro modo, pois o modo Vintage não dá troféus. Existe o modo de Gameplay “Moderno” que é uma mão na roda.

Você pode alterar o sistema de power ups com o toque de um botão, usar o analógico direito pra mirar o local que os power ups vão atirar, além de botões separados pra aumentar e diminuir a velocidade.

Além é claro, das coisas já comuns em jogos retro relançados, como rebobinar e save-state. E se você quiser chutar o pau da barraca, pode usar o modo Cheater, que permite o acesso ao modo de debug e a invencibilidade. Não condeno quem usa o modo Cheater, porque mermão, no easy esse jogo já é casca grossa. E não, eu não joguei no Cheater na primeira jogatina.

Apresentação excelente, trilha fabulosa

Gleylancer

Se tem uma coisa que destaca Gleylancer dos shooters da época, é a sua apresentação visual. Claro que ela não é memeável como a de Zero Wing, mas olha, o estilo mangá utilizado nas cutscenes lembra bem Phantasy Star IV, e agora com esse lançamento, as legendas do jogo estão traduzidas para o inglês (mesmo a versão do Virtual Console não tinha tradução).

Os cenários do jogo são bonitos, e demos graças a Deus que a Ratalaika deixou a resolução do jogo proporcional a do Mega Drive. Os inimigos, entretanto, a maioria é o esperado de um shooter, naves inimigas ad infinitum. Os bosses são bem criativos, e destaco aqui um deles que apesar de não ser um boss chamativo em design, certamente é o mais criativo, que é o que você precisa acertar o ponto dele, ou ele começa a fechar a tela.

A trilha sonora do jogo, composta por Noriyuki Iwadare (de Grandia, Lunar: Eternal Blue e Ace Attorney Investigations), Masanori Hikichi, Yoshiaki Kubotera e Isao Mizoguchi é bem marcante, com temas agitados, doces e dramáticos, dependendo da hora e local do jogo. E como obviamente para chamar a atenção de um jogador, é preciso chutar a porta logo de cara, uma das melhores musicas do jogo está justamente na primeira fase.

O jogo possui algumas falas, porém devido ao chip sonoro do Mega Drive, elas saíram com aquela rouquidão característica do console, mas ainda são charmosas.

Um dos jogos mais caros de Mega Drive… Por um preço camarada.

Eu fiz uma busca pelo jogo no Ebay. Não consegui achar nenhuma cópia da versão original, apenas do Relançamento da Columbus Circus, e sendo vendido a 200 dólares. Por outro lado, eu totalmente recomendo, se você curtir shooters, compre a versão de consoles de Gleylancer. 5 dólares por um dos melhores shooters do Mega Drive, nem precisa pensar duas vezes. O trabalho da Ratalaika nesse porte foi bem sólido.

Gleylancer está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series S | X. .

Essa análise foi feita com base na versão de PS4, com uma cópia do jogo que ganhei em um sorteio da Ratalaika Games.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.