Estamos em Dezembro, o Natal está chegando e com isso, geralmente as pessoas falam sobre emoções positivas! Jogos bacanas que jogamos no Natal, viagens e etc. Mas, não eu.

Eu, do alto da minha amargura, vou falar sobre um jogo que foi bastante elogiado pela crítica quando saiu, mas só pude jogar quando adentrei a geração do PlayStation 4. Sim, Senhoras e Senhores, este não é um review, porque não vou analisar o jogo por completo, mas basicamente falar sobre tudo o que não gostei em Dragon Age Inquisition.

Primeiro, eu não sei se Dragon Age está entre as minhas séries favoritas, mas a desenvolvedora, BioWare produziu jogos de excelente quilate durante um bom tempo. MDK 2, Star Wars: Knights of Old Republic, Jade Empire e Mass Effect, além de claro, Dragon Age: Origins.

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Enfim, eu gostei de Dragon Age: Origins (tanto que tenho ele tanto no PC quanto no PS3 porque jogar no PC é um cu), e curti mais Dragon Age 2 do que o primeiro. Porém, tudo o que Inquisition me trouxe foi um prato de decepção. Até o momento em que comprei o jogo, a única coisa que havia visto dele, foram aqueles Nerdplayers (lembram da época que o Jovem Nerd era bom e os Nerdplayers eram divertidos? Pois é.), e nada mais.

E numa dessas promoções da PSN, pude adquirir o jogo por um preço supimpa, mas hesitei a jogá-lo, até que terminei Mass Effect Andromeda pela segunda vez (história pra outro artigo). Aí parei de frescura e instalei o jogo. E bem, foi aí que meu calvário se iniciou. Antes de falar do que não gostei no jogo, falarei sobre o ponto positivo.

Dragon Age Inquisition
Créditos: BioWare

O criador de personagens do jogo é bom

E é isso. Se tem uma coisa que eu gosto em meus RPG’s, é criar meus personagens… Apesar de muitas vezes eu ser um sujeito completamente previsível e fazer personagens parecidos em todo santo gameplay.

O mais próximo de criatividade que tive, foi quando recriei a Asuka no meu save de Nioh 2… E ainda assim foi COMPLETAMENTE ACIDENTAL.

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Enfim, o criador de personagens de Dragon Age Inquisition é bem competente. Não chega a ser o de Nioh 2, ou mesmo o do Dynasty Warriors 9: Empires, mas é melhor do que o dos jogos da Bethesda onde é necessário conhecimento de bruxaria e física quântica pra fazer alguém bonito.

Agora que acabamos de falar de todas as coisas que gostei em Dragon Age: Inquisition, vamos falar do que não gostei…

Dragon Age Inquisition
Créditos: BioWare

O Pacing do jogo é terrível

Não sei se esse chega a ser um mal dos jogos de mundo aberto, mas as coisas em Dragon Age Inquisition demoram demais pra acontecer.

Sim, a mudança de estrutura de Dragon Age Origins/2 pro Inquisition foi notável, já que há um semi mundo aberto aqui (a BioWare fez algo semelhante em Andromeda), mas mesmo assim não devia ser desculpa pra tudo parecer arrastado e em consequência, desinteressante.

Dragon Age Origins e Dragon Age II tem o ponto que define o roteiro em pouquíssimo tempo de jogatina, e mesmo que você vá passar dezenas de horas nesses jogos por conta de todas as side quests, romances, assassinato de aranhas e sexo, você não sente que perdeu seu tempo como garoto de recados… E já que falamos aqui de Dragon Age II, queria dizer que a irmã da Hawke (eu jogo com Hawke mulher, porque É CLARO) é muito bonita. Mas divago. O fato é que qualquer coisa em Dragon Age: Inquisition parece durar pra sempre.

Sei que há dois parágrafos, questionei o pace ruim do jogo tinha a ver com o fato dele ser mundo aberto, mas foi um questionamento em vão, porque tenho ao menos dois exemplos com jogos de mundo aberto que o pacing é bem decente. Pego aqui, Horizon: Zero Dawn e Sleeping Dogs.

Eu zerei Sleeping Dogs esse ano? Deixa eu checar meu txt aqui… Sim, zerei Sleeping Dogs, e faz exatos NOVE MESES que zerei o jogo, contando a partir da data que estou escrevendo esse artigo aqui. (14/12).

Enfim, Horizon e Sleeping Dogs. Ambos jogos de mundo aberto. Apesar de demorar um pouco pro jogo lhe entregar as ferramentas para que você possa usufruir de todos os pontos do jogo, você tem uma curva crescente, seja fazendo as coisas no “mundo conhecido” até aquele momento, pela Aloy, e o Wei Shen se infiltrando na Tríade. E aí quando o jogo tira as rodinhas da sua bicicleta, você pode sair fazendo manobras radicais por aí (não literalmente).

O fato é que você não fica entediado até chegar ao ponto em que o roteiro começa a andar.

Créditos: BioWare

O jogo é mal balanceado

A pessoa responsável pela dificuldade do jogo definitivamente não fez seu trabalho direito. Não é que Dragon Age Inquisition seja desnecessariamente difícil, ou desleal. Mas o jogo coloca desafios difíceis demais no meio do seu caminho.

Vou tentar ilustrar meu ponto de maneira simples. Imagine que você precisa ir do ponto A ao ponto B em uma linha reta, como se fosse uma pista de obstáculos. Num jogo desenvolvido por pessoas minimamente competentes, esses obstáculos (exemplificaremos com o número 3) ficam progressivamente mais difíceis, porque ao longo dessa pista, você adquire experiência.

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Em Dragon Age Inquisition, ainda existem esses 3 obstáculos na pista, mas a dificuldade progressiva é somente do primeiro para o terceiro, porque o segundo obstáculo é duas vezes maior que o terceiro, e entre o primeiro e o terceiro obstáculos está ocorrendo um tiroteio, que você precisa desviar.

Esse tipo de design funciona em um metroidvania, onde obstáculos “impossíveis” são colocados, para serem superados assim que as habilidades necessárias sejam desbloqueadas, mas não funciona tão bem em um RPG. Você pode até evitar os obstáculos, mas a única sensação obtida é a de cansaço, não vitória.

No fim, essa decisão da BioWare, acaba deixando o jogo cansativo e frustrante. Enquanto que em Dragon Age II eu podia ficar horas jogando (mesmo sendo na merda do PC), Inquisition me fazia querer ir embora, e a coisa foi crescendo tanto que eu desisti e dropei do jogo, pra nunca mais reinstalar.

E você está lendo isso de um cara que zerou Mirror’s Edge Catalyst sem problemas (não exatamente, mas é história pra OUTRO artigo) e zerou Mass Effect Andromeda DUAS VEZES CONSECUTIVAS, sendo que na primeira eu fiz 99% das missões da galáxia. Eu não tenho medo de jogos medianos, ruins, mas se um jogo me frustra a ponto de eu largar…

Só coloquei essa imagem aqui porque a NPC se chama Anais. Hehe, Anais. // Créditos: BioWare

Concluindo

Enquanto que Mirror’s Edge Catalyst me fez querer uma continuação daquele cliffhanger (mesmo inferior ao cliffhanger do Mirror’s Edge original) e Mass Effect Andromeda até ter certo potencial (a reação – compreensível – na época fez com que a EA desistisse da DLC do jogo), Dragon Age Inquisition me fez desistir da franquia.

Considerando que o quarto Dragon Age vai sair para a geração atual de consoles (PS5, Xbox Series) e é da Electronic Arts que estamos falando (e não confio na BioWare, depois do fiasco de Anthem e da autocensura na Legendary Edition da trilogia Mass Effect), eu não tenho a menor expectativa pra esse jogo.

E basicamente é isso, tudo o que eu tinha pra falar sobre Dragon Age Inquisition.

Se você curtiu o jogo, bom pra você, mas ele deixou um gosto amargo em mim, e não sei se tenho coragem de baixá-lo de novo pra tentar e ver se mudo de ideia. Provavelmente não.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.