Arquivos PC - https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/pc/ Um pouco de tudo na medida certa Fri, 02 Oct 2026 13:06:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Arquivos PC - https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/pc/ 32 32 Onimusha: Way of the Sword – A Volta Magistral da Série | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/10/02/onimusha-way-of-the-sword-a-volta-magistral-da-serie-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/10/02/onimusha-way-of-the-sword-a-volta-magistral-da-serie-analise/#respond Fri, 02 Oct 2026 09:18:10 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22360 A série Onimusha surgiu em 2001 com Onimusha: Warlords e ganhou uma continuação bem rápida, Onimusha 2, em 2002. Em 2004 veio o grande sucesso da série, Onimusha 3, que inclusive tinha o ator Jean Reno. Em 2006 saiu o último jogo da série principal, Dawn of Dreams. Esse foi o Onimusha em que a […]

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A série Onimusha surgiu em 2001 com Onimusha: Warlords e ganhou uma continuação bem rápida, Onimusha 2, em 2002. Em 2004 veio o grande sucesso da série, Onimusha 3, que inclusive tinha o ator Jean Reno.

Em 2006 saiu o último jogo da série principal, Dawn of Dreams. Esse foi o Onimusha em que a câmera já era solta e em terceira pessoa, sem a câmera fixa dos jogos anteriores.

A série, na verdade, começou como um protótipo que seria lançado no PlayStation 1, usando uma tecnologia parecida com a que a Capcom utilizava nos primeiros Resident Evil. Só que o projeto foi movido para o PlayStation 2 e passou a ser liderado pelo Keiji Inafune, que na época era uma das principais figuras da Capcom.

Depois que Dawn of Dreams não vendeu tanto quanto a Capcom esperava, a empresa colocou a série para dormir por muitos anos. Passou a geração do PlayStation 3, depois a do PlayStation 4, e nada de um novo Onimusha. Com o tempo, a gente foi se convencendo de que seria uma daquelas franquias que morrem e ficam esquecidas no catálogo da Capcom.

Aí, depois de quase 20 anos, veio a surpresa do retorno da série com Onimusha: Way of the Sword.

Créditos: Capcom

O jogo foi produzido e desenvolvido pela própria Capcom usando a RE Engine, a mesma tecnologia dos Resident Evil modernos, e esse retorno não foi uma tentativa repentina de ressuscitar uma franquia antiga.

O produtor Akihito Kadowaki explicou que Onimusha sempre foi uma série muito bem recebida, mas durante muitos anos a Capcom concentrou seus principais recursos em franquias como Resident Evil, Monster Hunter e Street Fighter, que são algumas das grandes propriedades da empresa. Sobrava pouco espaço para montar uma equipe e dedicar os recursos necessários a um novo Onimusha.

Créditos: Capcom

Só que a vontade de continuar a série nunca desapareceu dentro da Capcom. Durante esses quase 20 anos, muita gente na empresa queria voltar a trabalhar na franquia. O problema era que nunca aparecia o momento certo e, principalmente, as pessoas certas para formar uma equipe.

Até que, por volta de 2020, as coisas começaram a mudar. A Capcom passou a ter uma oportunidade real de trazer Onimusha de volta, com uma equipe nova, uma tecnologia moderna e uma nova geração de consoles chegando.

Foi aí que começou o desenvolvimento de Way of the Sword, que finalmente trouxe Onimusha de volta depois de quase duas décadas.

Créditos: Capcom

História e personagens

O protagonista dessa vez é Miyamoto Musashi, um samurai real que viveu entre o final do século XVI e o começo do século XVII. Ele nasceu por volta de 1584 e morreu em 1645, então é uma figura histórica que realmente existiu, mas que foi cercada de lendas ao longo dos séculos. O jogo pega essa figura e cria uma versão própria do personagem.

Ele é acompanhado por outros personagens que vêm da história e do folclore japonês.

Um deles é Ono no Takamura, uma figura histórica do período Heian que viveu aproximadamente 700 anos antes de Musashi. A presença dele no jogo é justamente uma dessas misturas de história real com as lendas e a fantasia de Onimusha, e o motivo dele estar presente 700 anos depois do seu tempo de vida tem a ver com as lendas ao redor de sua história que são contadas sobre ele até hoje.

Créditos: Capcom

Também temos Minamoto no Yoshitsune, que aqui é o grande antagonista da história. Ele também foi uma figura histórica real do Japão e, assim como Musashi, virou uma figura lendária na cultura japonesa.

Já Shizuka, que vive dentro da Manopla Oni presa no braço do Musashi. Ela acompanha o protagonista durante a aventura, conversa com ele e faz o papel de uma Navi do Ocarina of Time, dando dicas e explicando algumas coisas durante as missões.

E por último, e com certeza não menos importante, temos a Izumo no Okuni, que também foi uma figura histórica e é retratada aqui como uma artista e dançarina que ajuda Musashi durante a aventura. Ela é um apoio para o protagonista e também evita que a história fique só acompanhando o Musashi sozinho o tempo inteiro.

Isso é importante porque o Musashi desse jogo não é um protagonista mudo. Ele conversa bastante, tem personalidade, responde aos outros personagens e cria uma dinâmica muito boa com todo mundo que acompanha a aventura.

Créditos: Capcom

Falando nos antagonistas, temos o Sasaki Ganryu, o rival de Musashi. Ele também usa uma Manopla Oni, mas segue um caminho completamente diferente do protagonista. Enquanto o Musashi usa os poderes da manopla quase contra a própria vontade, o Ganryu busca esse poder de forma muito mais agressiva, e isso faz dele um dos principais rivais do jogo.

Também temos a Dokyo, uma das principais figuras antagonistas da história, que aparece várias vezes durante a aventura. Ela tem uma personalidade bem mais excêntrica e humana do que a de um vilão genérico que está ali só para ser derrotado no final.

Eu acho que a dinâmica entre todos esses personagens funciona muito bem. Você acaba gostando de quase todo mundo que acompanha a história, inclusive dos vilões, principalmente os que têm mais tempo de tela e mostram características mais humanas.

Créditos: Capcom

Cenário e Ambientação

Agora vamos falar um pouco do gameplay. Em Way of the Sword, o jogo segue bastante a estrutura do último Onimusha, Dawn of Dreams, com câmera livre e um combate muito mais aberto, sem aquela câmera presa dos três primeiros jogos.

De cara já dá para notar que a ambientação é muito mais realista. A maior parte do jogo se passa em Quioto, principalmente na região devastada pelos acontecimentos da história, e é uma cidade bem morta mesmo. É uma cidade miserável, com casas quebradas, muitos templos e sinais de destruição, tudo isso depois de um período de guerra e somado aos problemas causados pelos Oni. Assim, temos essa mistura da realidade histórica do Japão com os elementos fantásticos que sempre foram marca da série.

Uma coisa que fica nas entrelinhas, e que os próprios produtores também dizem, é que o jogo não é uma continuação direta da narrativa dos anteriores. Ele funciona como um reboot.

Tudo o que aconteceu nos jogos antigos, incluindo a história do Samanosuke, protagonista do primeiro Onimusha, é ignorado aqui. A própria origem dos Oni e dos Genma funciona de um jeito diferente nesse novo jogo.

Créditos: Capcom

Além da parte leste de Kyoto, onde você explora o mapa, pega itens, enfrenta inimigos e resolve pequenos puzzles, o jogo tem outros ambientes durante a aventura. Ele não fica preso só naquela cidade do Japão feudal.

Aliás, sobre os puzzles: eles são bem menos frequentes que na série clássica: se foram os baús com puzzles de outrora e a maioria dos pequenos quebra-cabeças exigem soluções simples relacionadas ao ambiente, como atirar uma flecha para levantar uma plataforma. Nada muito complexo mas que muda um pouco o fluxo constante de correr e atacar inimigos. A dose é boa mas senti falta de algo mais complexo nesse sentido.

O jogo também te leva para montanhas, vales e lugares muito mais sobrenaturais, como partes do próprio reino dos Oni. Aí aparecem aquelas construções completamente surreais, formadas pelo poder dos Oni. Você encontra torres, escadarias, prédios e estruturas que se misturam com construções do mundo real.

Isso cria uma ambientação bem característica, que lembra bastante os Onimusha do PlayStation 2 e, ao mesmo tempo, mostra uma identidade própria para esse novo jogo.

Créditos: Capcom

Gráficos e identidade visual

Também é importante falar da qualidade visual. A RE Engine entrega uma beleza muito versátil, e isso fica evidente aqui. Mesmo nas versões de console mais básicas e em computadores que não são máquinas absurdas, o jogo é muito bonito, principalmente em HDR. Eu nunca tinha percebido muito o HDR em jogos. Sempre ouvia falar, sabia que existia, mas nunca tinha parado para pensar na diferença que aquilo fazia até ver como um jogo que usa essa tecnologia bem pode transformar uma iluminação simples em algo maravilhoso.

E olha que minha TV já tem uns cinco anos e o HDR dela nem é tão bom assim. Mesmo assim, nesse jogo eu comecei a perceber muito mais a diferença de iluminação, principalmente nos ambientes mais escuros, nas áreas com fogo e nas mudanças de luz durante a exploração. É um daqueles jogos que me fizeram finalmente entender para que serve o HDR.

Créditos: Capcom

Outra coisa muito legal é o design dos chefes. Todos eles têm visuais marcantes e identidade própria, com monstros realmente imponentes e ameaçadores. São criaturas que carregam características muito fortes da série e ainda trazem ideias novas. O design mistura elementos do imaginário japonês antigo com conceitos mais modernos: eles usam armas, espadas e, em alguns casos, até armas de fogo. Essa combinação lembra tanto os monstros tradicionais de Onimusha quanto a identidade mais moderna da Capcom, especialmente os designs de criaturas de Monster Hunter.

E a animação dos personagens é impecável. Durante a luta, o Musashi se movimenta como um samurai de verdade. Ele se balança, sacode o corpo, cambaleia e golpeia com a espada de um jeito muito natural e bem animado. Não é aquele movimento exagerado de anime: ele executa cada ação por completo, com as roupas acompanhando os movimentos durante o combate. Até a maneira como ele corre transmite peso. Parece que você está assistindo a um filme de samurai com efeitos sobrenaturais.

Créditos: Capcom

Sim, esse é um jogo “soulslike”

Agora vamos falar do maior elefante na sala que é o combate dificílimo.

Bom, você já deve imaginar e, se não imaginou, vou te assustar agora: Onimusha: Way of the Sword é um Soulslike. Ou seja, o combate é super difícil, principalmente nos chefes.

Ele alivia um pouco porque os encontros com inimigos são maiores e os mobs são relativamente mais fracos que em um soulslike, porém ainda bem competentes. Você não tem aqueles pequenos inimigos espalhados em pontos específicos do mapa que te pegam desprevenido como em um Dark Souls da vida, mas também não chega a ser um Dynasty Warriors onde os inimigos não têm peso algum.

Toda luta em WotS importa. Em nenhum momento do jogo você vai ficar apertando o botão de ataque sem pensar, até porque se fizer você morre até pros arqueiros fracos do início do jogo. Todos os monstros não são de “papel”. Assim, todo combate exige atenção e, se você der mole, vai morrer para inimigos comuns sim.

Créditos: Capcom

Isso é muito chocante para quem não está acostumado com o gênero, porque eu mesmo não sou fã de Dark Souls. O único Soulslike que eu joguei, zerei e platinei foi Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin, que é bem mais amigável com o jogador, já que dá a chance de ter uma party para te ajudar e não é tão pesado nesse sentido.

Já Onimusha: Way of the Sword, mesmo na dificuldade normal, pede muito do jogador.

Ele funciona como os outros Soulslikes: tem sistema de parry, tem sistema de vigor (stamina) mas também inova bastante por ter várias opções diferentes de combate.

Você tem o parry normal, em que defende com a espada apertando L1; também pode apertar L1 e X para refletir o ataque do inimigo, fazendo ele perder o equilíbrio e abrindo uma oportunidade para atacar; pode esquivar apertando o círculo, ou responder a um agarrão agarrando o inimigo de volta, uma espécie de parry de agarrada.

E ainda tem o golpe principal do jogo, o Issen. O Issen é um contra-ataque muito preciso, em que você precisa acertar um timing bem específico para executar.

A maioria dos golpes do jogo, se não quase todos, pode ser refletida assim. Mas nem sempre vale a pena, porque o risco e a recompensa são muito altos. Às vezes é muito difícil acertar o timing, principalmente se você joga com controle sem fio, porque nesse tipo de combate qualquer pequeno atraso na resposta faz diferença.

Créditos: Capcom

E é aí que Way of the Sword mostra uma das coisas mais interessantes dele: pega a ideia do Onimusha clássico, que era acertar o Issen no momento exato, e transforma isso na base de todo o sistema de combate.

Você precisa aprender a observar o inimigo, entender o ataque que ele está preparando e decidir se vale a pena defender, esquivar, tentar um contra-ataque ou simplesmente sair de perto.

Então, apesar de ter bastante coisa de Soulslike, o jogo não parece um Soulslike com skin de Onimusha. Ele pega várias ideias do gênero e mistura com aquilo que sempre foi a identidade da série.

Créditos: Capcom

Veredito

Agora o meu veredito: Onimusha: Way of the Sword é, com certeza, o meu jogo do ano de 2026.

Ele traz de volta uma série que estava adormecida e moderniza uma franquia que já tinha características muito parecidas com o que hoje conhecemos como Soulslike. Ao mesmo tempo, renova completamente a fórmula, simplificando algumas coisas e complicando outras.

O combate é bastante complexo, com muitas alternativas, e dá ao jogador uma capacidade enorme de variar suas estratégias. É um sistema que faz você terminar uma luta e já querer rever, pensando em como poderia ter executado cada movimento de outra maneira.

Eu daria nota 10 para esse jogo se não fosse pela repetição de alguns chefes. Todo o resto é completamente perfeito.

Se você procura uma experiência de Soulslike ou quer voltar às origens da série Onimusha, esse é o jogo para você. E, mesmo que você não seja fã de Soulslike, dê uma chance a ele, porque você pode acabar se apaixonando pela história do Musashi.

Nota: 9,5/10


Esta análise foi feita com uma cópia gentilmente cedida pela CAPCOM. Onimusha: Way of the Sword está disponível para PC (Steam), PlayStation 5, Xbox Series S|X e Switch 2.

Créditos: Capcom

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AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMÔNIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO | ANÁLISE https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/09/09/aviaozinho-do-trafico-pre-4-sobraram-demonios-do-portal-pro-inferno-na-favela-que-abri-e-agora-tenho-salvar-os-mamadas-do-ronaldo-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/09/09/aviaozinho-do-trafico-pre-4-sobraram-demonios-do-portal-pro-inferno-na-favela-que-abri-e-agora-tenho-salvar-os-mamadas-do-ronaldo-analise/#respond Wed, 09 Sep 2026 12:34:38 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22318 Joeveno é um criador de conteúdo que se popularizou no YouTube brasileiro — pelo menos dentro do seu nicho — fazendo reviews de jogos da era do PS2, há alguns anos. Com o tempo, seu conteúdo acabou migrando para jogos mais populares entre as crianças e, como o próprio Joeveno dizia, ele precisava pagar as […]

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Joeveno é um criador de conteúdo que se popularizou no YouTube brasileiro — pelo menos dentro do seu nicho — fazendo reviews de jogos da era do PS2, há alguns anos.

Com o tempo, seu conteúdo acabou migrando para jogos mais populares entre as crianças e, como o próprio Joeveno dizia, ele precisava pagar as contas de casa. Daí vinham aqueles pedidos de suporte no final dos vídeos, numa tentativa bastante honesta de transformar o canal em profissão.

Só que, de alguns anos para cá, o mundo de Joeveno deu uma bela virada. Ele começou a desenvolver os chamados Aviãozinho do Tráfico, jogos que utilizam a engine de Quake para parodiar e transformar em gameplay toda aquela mistura de cultura, memes e bizarrices tipicamente brasileiras.

 

Os nomes comicamente extensos, combinados com um gameplay característico dos chamados boomer shooters — jogos de tiro à moda dos anos 90, como Doom e Quake — acabaram atraindo não apenas o público brasileiro, mas também uma comunidade internacional que aparentemente olhou para tudo aquilo e pensou: “Sim. Eu preciso disso.”

E aparentemente muita gente realmente precisava, porque os jogos venderam bastante.

Agora chegamos ao quarto game (ou “Pré-4”, como o próprio título prefere chamar) e é hora de falar de:

AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMÔNIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO

Sim, o título é esse mesmo. Em CAPS LOCK.

Gameplay

Como novidade em relação aos jogos anteriores, Aviãozinho 4 (nem fodendo que eu vou digitar o nome completo de novo) agora conta com dash e pulo duplo, deixando a movimentação ainda mais rápida e dinâmica.

As áreas de combate continuam bastante abertas, lembrando jogos como Serious Sam, com bastante espaço para correr, desviar dos inimigos e transformar qualquer situação em uma pequena guerra civil particular.

O arsenal também recebeu algumas bizarrices novas, incluindo armas como uma arma de Dollynho, um lança-chamas de chimarrão e outras invenções que fazem parte da nossa cultura, combinando perfeitamente com o jogo.

Uma das coisas mais curiosas é que, graças ao uso da engine de Quake (id Tech 2), o jogo suporta partidas cooperativas de até 255 jogadores pela Steam.

Isso mesmo: 255 pessoas.

Eu não faço a menor ideia de como isso funcionaria na prática, principalmente porque os mapas provavelmente não foram projetados para comportar uma pequena cidade de jogadores ao mesmo tempo. Mas tenho certeza de que, em algum momento, alguém vai entrar no Discord e organizar uma partida com 255 malucos só para provar que é possível.

Trilha sonora

A trilha sonora segue a mesma filosofia geral do jogo: se pode ser estranho, exagerado ou completamente sem noção, provavelmente vai aparecer.

As músicas ajudam a manter o ritmo frenético dos combates e combinam bem com a proposta de transformar um boomer shooter tradicional em uma grande paródia da cultura brasileira.

Não é uma trilha que pretende ser grandiosa ou cinematográfica e combina muito bem.

Apresentação e gráficos

Visualmente, Aviãozinho 4 segue a tradição dos outros jogos da série: gráficos propositalmente feios, texturas simples, modelos questionáveis e bastante uso de Comic Sans. E tudo isso está dentro da proposta do jogo.

A estética trash é tão assumida que simplesmente não existe nenhuma obrigação de manter uma grande coerência visual. Se alguma coisa parece ter sido feita às três da manhã no Paint, provavelmente está funcionando conforme o planejado.

As animações das armas também possuem um framerate mais baixo, não sendo particularmente fluidas de propósito, justamente para remeter aos jogos dos anos 90.

Curiosamente, isso não se aplica à movimentação do jogador: o gameplay em si é bastante fluido, seguindo a tradição da própria série Quake, cuja engine serve de base para o jogo.

Também temos fases ambientadas em Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, trazendo diferentes elementos visuais e referências da cultura brasileira. Isso acaba deixando bastante espaço para que outras cidades apareçam em possíveis jogos futuros da série.

Veredito

AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMÔNIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO — agora eu falei — é um jogo indie completamente maluco, feito por um YouTuber brasileiro de nicho que aparentemente entendeu muito bem o que seu público queria.

E o mais interessante é que, mesmo quem não está particularmente familiarizado com o humor do Joeveno, como eu, por exemplo, ou boa parte dos gringos que estão comprando o jogo, consegue aproveitar a experiência graças a uma jogabilidade boa, rápida e fluida.

Lá fora, o jogo anterior a esse foi distribuído pela mesma empresa que agencia James Rolfe, o Angry Video Game Nerd, o que acabou gerando aquele vídeo promocional do AVGN que, sinceramente, tenho certeza que o Joeveno já salvou em três HDs diferentes, no Google Drive e em um pendrive escondido em algum lugar da casa para nunca mais perder:

Se você procura um FPS casual à moda antiga, vale a pena dar uma olhada não apenas neste jogo, mas em toda a série criada pelo Joeveno. São jogos simples, divertidos e que sabem exatamente o tipo de experiência que querem oferecer.

E, considerando que hoje em dia até abrir um jogo pode exigir 15 minutos de tutorial, árvore de habilidades, crafting e uma história sobre o trauma de infância do protagonista, eu diria que existe algo bastante refrescante em simplesmente pegar uma arma absurda e sair atirando em demônios numa favela.

Nota: 7/10


AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMONIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO QUE SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO está disponível no PC via Steam. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela distribuidora.

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Beast of Reincarnation | Uma linda flor crescendo em ruínas https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/08/05/beast-of-reincarnation-uma-linda-flor-crescendo-em-ruinas/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/08/05/beast-of-reincarnation-uma-linda-flor-crescendo-em-ruinas/#respond Wed, 05 Aug 2026 14:39:05 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22273 Depois de anos vendo a Game Freak entregar Pokémon cada vez mais preguiçosos, com pouca ambição técnica e criativa, Beast of Reincarnation me pegou completamente de surpresa. Desenvolvido pela própria Game Freak, o jogo é um verdadeiro suspiro de vida para a empresa e uma surpresa muito bem-vinda em uma era cheia de lançamentos entregues […]

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Depois de anos vendo a Game Freak entregar Pokémon cada vez mais preguiçosos, com pouca ambição técnica e criativa, Beast of Reincarnation me pegou completamente de surpresa. Desenvolvido pela própria Game Freak, o jogo é um verdadeiro suspiro de vida para a empresa e uma surpresa muito bem-vinda em uma era cheia de lançamentos entregues pela metade.

Beast of Reincarnation se mostrou ser um pequeno passo para um provável futuro promissor da Game Freak fora da bolha Pokémon. É um jogo bonito, com uma história interessante e uma direção de arte incrível, mas que peca em dois pontos que pesam bastante na experiência final. Vou explicar cada um deles com calma ao longo do texto, porque a coisa toda é mais complexa do que só apontar defeitos.

Vale reforçar o contexto antes de entrar no jogo em si. A Game Freak sempre foi conhecida quase exclusivamente pela franquia Pokémon e, nos últimos anos, essa relação virou motivo de frustração para boa parte dos fãs, com jogos entregues cada vez com menos capricho técnico e menos ambição criativa.

Ver o estúdio se arriscar em um projeto totalmente novo, sem a bengala de uma marca consolidada segurando as vendas, já era motivo suficiente para eu prestar atenção. E o resultado, mesmo com os tropeços que vou detalhar mais adiante, mostra um time capaz de coisas muito maiores do que a rotina de Pokémon costuma permitir.

Créditos: Game Freak

Emma, Koo e o peso da pestilência

Sem entrar em detalhes que estraguem a experiência de quem for jogar, em Beast of Reincarnation você controla Emma, uma Seladora portadora de uma pestilência conhecida como Blight. Por conta disso, ela é tratada com desdém pela maioria das pessoas, que a evitam quase o tempo todo, como se o simples fato de existir perto dela fosse perigoso. É um retrato bem construído do isolamento, e o jogo não tem pressa nenhuma em explicar tudo de uma vez.

Koo, seu fiel companheiro, um lobo gigante também marcado pela pestilência, é, de longe, o ponto mais forte dessa história inteira. O vínculo entre os dois é construído aos poucos, com gestos, cutscenes simples e pequenos momentos de cumplicidade, e funciona muito bem justamente por não forçar a barra. Além de Koo, outros dois personagens acompanham Emma em boa parte da sua jornada, e vou manter tudo livre de spoilers aqui, mas posso garantir que são figuras muito bem escritas, com personalidade própria e motivações que fazem sentido dentro do mundo devastado que a Game Freak construiu.

O cenário em si merece uma menção à parte. Estamos falando de um Japão pós-apocalíptico, tomado pela natureza depois de um colapso que devastou praticamente toda a humanidade, e a forma como esse mundo é apresentado consegue equilibrar melancolia e beleza sem cair no exagero. A todo momento, existe essa sensação de que você está andando por cima de ruínas de uma civilização inteira, e o jogo usa isso muito bem para construir tensão, mesmo em momentos mais calmos, longe de qualquer combate.

Créditos: Game Freak

Aparar é sobreviver

A jogabilidade de Beast of Reincarnation lembra bastante Sekiro: é bem focada em aparos, e isso é ótimo. Aparar ataques inimigos no timing certo é praticamente a alma do combate, e acertar aquele encaixe perfeito dá uma sensação de recompensa imediata que poucos jogos conseguem entregar tão bem.

O grande diferencial aqui é o Koo. Quando você aciona alguma das habilidades dele, o jogo congela por um instante e abre um pequeno menu em câmera lenta, e a efetividade do ataque escolhido depende de acertar um QTE logo em seguida. É um sistema simples, na teoria, mas que, na prática, cria uma dinâmica muito gostosa de jogar, intercalando o ritmo mais frenético dos parries de Emma com esses momentos de pausa tática ao lado do seu lobo. Não é um sistema revolucionário, mas encaixa muito bem dentro da proposta do jogo e ajuda a diferenciar o combate de qualquer outro souls-like genérico por aí.

Fora o corpo a corpo, Emma também conta com armas de longo alcance, um arco e uma besta, úteis principalmente contra inimigos voadores ou para abrir distância quando a situação em campo aperta. E tem ainda a questão da locomoção, feita através do cabelo da própria Emma, que funciona como uma espécie de arpéu para alcançar áreas mais altas, dando uma verticalidade à jogabilidade. É um detalhe visualmente muito bonito e que se conecta direto com o próximo ponto que quero comentar: a direção de arte do jogo.

Sobre a trilha sonora, ela cumpre exatamente o papel que deveria cumprir, sem tentar roubar a cena, com faixas mais contidas em momentos de exploração e composições que ganham peso nos embates contra os Nushi, os chefes mais imponentes do jogo. Não é uma trilha que eu vá lembrar daqui a um ano, mas ela sustenta bem o clima do jogo, e isso já é o suficiente para o papel que precisa cumprir.

Créditos: Game Freak

Ecos de outros mundos

Beast of Reincarnation me lembrou muitos jogos, e isso não é algo ruim, longe disso. Ele me trouxe um pouco de Stellar Blade, por conta do mundo devastado e da protagonista solitária em meio às ruínas; trouxe Sekiro pelo combate centrado em parry, mas sem a dificuldade punitiva característica da FromSoftware. É mais uma questão de semelhança estrutural mesmo, e, ainda assim, o jogo traz um ar de inovação quando colocamos o Koo para agir ao nosso lado.

E tem um outro jogo que me veio à cabeça em um momento bem específico da campanha: Shadow of the Colossus. Mas esse eu prefiro deixar como um pequeno suspense para quem for jogar poder sentir a referência com os próprios olhos, porque com certeza vai entender exatamente do que eu estou falando quando chegar lá.

Créditos: Game Freak

Um mundo bonito demais para ser explorado de verdade

Aqui mora um dos meus maiores incômodos com o jogo. A direção de arte de Beast of Reincarnation é espetacular, sem exagero nenhum. É um dos jogos com a ambientação mais bela e mais bem feita da atualidade. Cada cenário parece pintado à mão, a natureza tomando conta das ruínas humanas cria contrastes lindos de se ver, e dá vontade de parar só para admirar a paisagem em vários momentos.

O problema é que o mapa semiaberto que sustenta essa beleza toda não tem muito a oferecer além disso. A exploração não é muito cativante e também não é devidamente recompensadora para quem gosta de sair do caminho principal. Fui atrás de vários pontos de interesse esperando encontrar algo que justificasse o desvio e, na maioria das vezes, a recompensa era genérica demais para o esforço.

Isso se soma a outro ponto que me incomodou bastante: as armas da Emma são basicamente sempre as mesmas coisas com skins diferentes, mudando só um pouco as passivas que oferecem. Dá para montar builds interessantes brincando com esses modificadores, isso é verdade, mas eu queria sentir mais variedade real de arsenal ao longo da campanha, não só reskins glorificados.

Créditos: Game Freak

O ritmo que trava (e o frame rate também)

Esse é o outro grande problema, e talvez o mais sério dos dois. A parte da história peca muito com um pacing fraco e inconsistente, com trechos que se arrastam sem necessidade, enquanto outros passam rápido demais para desenvolver o que precisava ser desenvolvido. Não é um problema de qualidade de escrita: os personagens são bons, o mundo é interessante, mas a forma como tudo isso é entregue ao jogador falha em manter uma cadência satisfatória do início ao fim.

A otimização também deixa a desejar em muitos momentos, com quedas bruscas de FPS que atrapalham justamente nos piores momentos possíveis, no meio da exploração ou ao entrar em áreas novas. Quedas de frame rate, tearing de tela e pop-in constantes prejudicam a imersão. É algo que eu creio que terá correções em patches futuros.

Créditos: Game Freak

Vale a pena?

Sendo direto, vale sim. Apesar de cometer alguns erros importantes, o jogo entrega uma boa história, com personagens com os quais eu realmente me importei, e uma jogabilidade divertida e dinâmica que consegue equilibrar ação rápida com aquele toque tático do Koo. Não espere o jogo mais incrível do ano, mas com certeza vale a pena e é uma experiência prazerosa de se ter. Sentar no sofá depois de um dia cansativo e jogar Beast of Reincarnation vai ser ótimo para descansar, porque o ritmo geral do jogo colabora bastante para isso, mesmo com os tropeços que ele carrega pelo caminho.

A Game Freak mostrou que tem muito mais a oferecer do que Pokémon morno lançado ano após ano e, se esse é o primeiro passo, eu quero muito ver aonde o próximo vai levar o estúdio.

Créditos: Game Freak

Nota: 7.5/10


Beast of Reincarnation está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X e PC. Review Realizada no PC, com uma chave cordialmente cedida pela GameFreak, obrigado GameFreak!

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Invaders X | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/26/invaders-x-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/26/invaders-x-analise/#respond Sun, 26 Jul 2026 13:54:09 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22243 Invaders X é um jogo brasileiro indie inspirado em Space Invaders (Taito, 1978), mas com ideias um pouco mais modernas. É uma proposta legal e pouco explorada no mercado de indies hoje em dia. Em uma era em que a maioria dos jogos independentes foca em experiências sociais para jogar no Discord ou fazer stream, […]

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Invaders X é um jogo brasileiro indie inspirado em Space Invaders (Taito, 1978), mas com ideias um pouco mais modernas.

É uma proposta legal e pouco explorada no mercado de indies hoje em dia. Em uma era em que a maioria dos jogos independentes foca em experiências sociais para jogar no Discord ou fazer stream, na esperança de virar um sucesso monstruoso entre os jovens, aqui temos algo que lembra muito os jogos indies da época do Xbox Live Arcade.

Invaders X pega o clássico da Taito e o traz para a era atual, com gráficos em 3D e alguns conceitos mais modernos, como um sistema de progressão.

Créditos: Ideias 5D

Jogabilidade

O game não difere muito do Space Invaders original: temos uma espécie de tanque que anda na horizontal na parte de baixo da tela, enquanto inimigos descem do topo. Seu objetivo é destruir todos eles antes que consigam chegar até você.

Temos um modo de progressão tradicional e um modo roguelike, em que todo o seu progresso é perdido ao fim da partida. É uma adição interessante para quem gosta de buscar pontuações cada vez maiores e aumentar o fator replay.

Há também a possibilidade de escolher diversos personagens diferentes, que vão sendo desbloqueados ao longo do jogo, cada um com características próprias.

Após cada fase, é possível gastar seus pontos em upgrades para o tanque, o que traz um viés muito mais interessante ao jogo do que simplesmente avançar destruindo todos os inimigos da fase.

Não apenas melhorias como velocidade, poder de fogo e escudo podem ser adquiridas, mas também é possível customizar esteticamente seu tanque, mudando a pintura e trocando sua estampa, aqui chamada de “tatuagem” por algum motivo.

Créditos: Ideias 5D

Apresentação

O jogo conta com uma apresentação visual bacana, com uma estética futurista. Temos até uma introdução narrada com texto subindo ao estilo Star Wars, além de alguns diálogos entre os personagens.

Posso estar errado, mas me parece haver um uso considerável de IA na parte visual do jogo, tanto nas artes dos personagens quanto nas vozes. Entendo que um projeto de escopo menor recorra a esse tipo de recurso, mas seria interessante que, futuramente, esse conteúdo fosse substituído por artes e vozes originais.

Também encontrei alguns bugs visuais. Ao jogar com FPS ilimitado em um monitor de 155 Hz, por exemplo, o planeta Terra na tela de seleção de fases apresentava alguns jitters. Felizmente, nada que afete o gameplay em si.

Além disso, o cenário das fases, ainda que repetitivo, é muito bem produzido, com bastante detalhe nos carrinhos ao fundo, que inclusive reagem à destruição causada durante as partidas. Porém, em alguns momentos, o fundo acaba se misturando visualmente com os tiros. Uma opção para desfocar levemente o background seria bem-vinda, ajudando o gameplay a permanecer como foco principal.

Créditos: Ideias 5D

Conclusão

Invaders X é um jogo promissor, que lembra bastante os títulos indies de outrora, lá por volta de 2010. É uma proposta simples e que, felizmente, concentra seus esforços onde mais importa: o gameplay, que já é bastante divertido.

Os menus, apesar de ainda parecerem um pouco inacabados, são bem feitos. Uma maior variedade nas fontes utilizadas seria interessante, assim como reduzir um pouco a escala geral da interface, já que tudo parece grande demais, independentemente da resolução utilizada.

As opções de configuração já estão bem completas, com ajustes de resolução, limite de FPS e diversas outras configurações que provavelmente vêm do próprio setup da Unity, engine utilizada no desenvolvimento de Invaders X.

Caso tenha oportunidade, dê uma moral para esse desenvolvedor brasileiro. Há bastante potencial não só para o futuro de Invaders X, mas também para os próximos projetos do estúdio.

Créditos: Ideias 5D

Invaders X está disponível para PC via Steam. Esta análise foi feita com base na versão beta, utilizando uma cópia cedida gentilmente pelo desenvolvedor.

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Fading Echo | Um excelente jogo de Plataforma 3D https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/26/fading-echo-um-excelente-jogo-de-plataforma-3d-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/26/fading-echo-um-excelente-jogo-de-plataforma-3d-analise/#respond Sun, 26 Jul 2026 12:52:41 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22226 Fading Echo é um jogo de aventura de ação em terceira pessoa com temática desert punk. O jogo é desenvolvido pela Emeteria, estúdio da New Tales liderado por veteranos da Activision Blizzard, e essa experiência anterior pode ser notada pela qualidade do jogo, tanto visual quanto de gameplay, que mostra que o game não é […]

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Fading Echo é um jogo de aventura de ação em terceira pessoa com temática desert punk. O jogo é desenvolvido pela Emeteria, estúdio da New Tales liderado por veteranos da Activision Blizzard, e essa experiência anterior pode ser notada pela qualidade do jogo, tanto visual quanto de gameplay, que mostra que o game não é feito por inexperientes na área.

Créditos: Emeteria

História

A narrativa gira em torno de One, uma jovem menina nômade que está explorando o planeta Corel com sua mãe, Rahne, até que algo inesperado transforma o universo, separando o mundo em várias realidades, e aparentemente a One é a “única” (entendeu o trocadilho?) que tem forças para parar essa maluquice.

Créditos: Emeteria

Narrativa e ambientação

Fading Echo tem um estilo de arte muito bonito, que mistura elementos 3D de cores primárias com um leve cel-shading, deixando o jogo com uma carinha de Sheep Raider de PS1 (olha eu mostrando a idade). Os ambientes são bem diferentes uns dos outros e, juntando o estilo de arte com o gameplay ágil e responsivo, temos um jogo bem prazeroso de jogar, mesmo em tiros curtos.

Créditos: Emeteria

Jogabilidade

A narrativa serve como pano de fundo para as mecânicas do gameplay e da estética, que claramente foram pensadas antes da história.

Aqui exploramos um jogo de plataforma 3D com elementos leves de RPG e combate em tempo real. Não é diferente de um jogo 3D do Mario, mas com um combate mais tradicional.

O grande diferencial é a transformação de One em uma bolinha d’água, em que ela pode saltitar pelo mapa e interagir com elementos como água, lava e ácido, a fim de ganhar habilidades momentâneas especiais que ajudam no combate.

Por exemplo: se você rolar sobre o ácido e tocar nos inimigos, eles recebem dano constante por um tempo, ou, se você tocar a lava e depois a água, sua bolinha vira estado gasoso, que te permite planar e percorrer distâncias de salto mais longas.

Créditos: Emeteria

É um jogo de plataforma simples que, para mim, lembra o esquecido e removido da PSN Skylar & Plux, que também era um jogo de plataforma 3D com combate simples.

No jogo, você precisa liberar as quatro fontes de Aether da corrupção, que, em termos de jogo, significam quatro áreas distintas a serem exploradas. O jogo é legal o suficiente para te permitir escolher a ordem delas, mas isso também implica que a dificuldade das mesmas não vai progredindo ao longo do jogo, deixando o desafio morno durante toda a campanha, a menos que você aumente artificialmente a dificuldade no menu de opções ao longo do jogo (ou desde o início).

Temos também a clássica árvore de habilidades, em que você pode gastar seus pontinhos de experiência e, como é tendência hoje em dia, você pode resetar tudo e aprender tudo de novo caso se arrependa.

Créditos: Emeteria

Também temos segredos escondidos pelo mapa, como baús e upgrades, e, por isso, não deixe de explorar cada área meticulosamente, desviando sempre do caminho óbvio durante as plataformas.

Um probleminha que eu também encontrei foi a câmera, que, ao invés de atravessar os objetos, se comporta como um objeto físico no mapa, o que acaba gerando momentos em que ela fica muito perto da personagem e atrapalha de leve a jogabilidade.

Dublagem em português

É sempre bom notar quando jogos, por menores que sejam, investem em uma dublagem em português. Aqui temos, surpreendentemente, um elenco totalmente carioca em todos os personagens.

  • One é dublada por Carol Valença, que, caso você não saiba, dubla o Luffy de One Piece (não com a voz que ela faz aqui, obviamente).
  • Sua mãe, Rahne, é feita pela experiente Flávia Saddy, conhecida por fazer a Mulher-Maravilha, tanto da Gal Gadot quanto nos desenhos.
  • Vellum é feita pela Adriana Torres, também muito experiente. Fez, entre outras, a Ravena de Jovens Titãs.
  • E, por fim, Maddock, o vilão, dublado pelo execrável Guilherme Briggs.

É uma alegria imensa, como fã de dublagem, ver elenco carioca nas produções, porque, sinceramente, não aguento mais elencos paulistas inexperientes em jogos modernos e fico feliz que estão dando oportunidades para os profissionais do Rio.

Créditos: Emeteria

Conclusão

Fading Echo não reinventa a roda, mas a refaz com qualidade. Temos um jogo de plataforma 3D com combate divertido e com uma narrativa e estilo de arte que preenchem com qualidade toda essa pintura esteticamente agradável que é o game.

É uma aventura sólida, que os fãs de jogos de plataforma, cansados de jogos de mundo aberto de 200 horas para completar tudo, vão ficar felizes de jogar.

Nota: 7.5/10


Fading Echo está disponível para PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5 e Xbox Series S|X. Esta análise foi feita com uma cópia para PC, cedida gentilmente pela distribuidora.

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The Bridge Curse 2: The Extrication | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/25/the-bridge-curse-2-the-extrication-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/25/the-bridge-curse-2-the-extrication-analise/#respond Thu, 25 Jun 2026 08:30:06 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=18131 Para os fãs de filmes de terror asiáticos, existem poucas experiências semelhantes nos videogames. É claro que temos séries como Fatal Frame (Project Zero), White Day e alguns títulos independentes, mas ainda é um gênero pouco explorado e que costuma exigir uma boa pesquisa para ser encontrado. Eu nunca fui muito fã de jogos de […]

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Para os fãs de filmes de terror asiáticos, existem poucas experiências semelhantes nos videogames. É claro que temos séries como Fatal Frame (Project Zero), White Day e alguns títulos independentes, mas ainda é um gênero pouco explorado e que costuma exigir uma boa pesquisa para ser encontrado.

Eu nunca fui muito fã de jogos de terror, limitando minha experiência praticamente à franquia Resident Evil. Porém, ao ter a oportunidade de conhecer The Bridge Curse 2: The Extrication, comecei a entender melhor o que atrai tantas pessoas ao gênero.

Reprodução: Softstar Entertainment

Quatro histórias em apenas um jogo

Em The Bridge Curse 2, somos apresentados a quatro histórias diferentes. A aventura começa com Sue Lian, uma repórter que vai até uma universidade investigar uma história de fantasmas que ganhou notoriedade após um vídeo viral gravado por um grupo de estudantes. Aos poucos, essas narrativas se entrelaçam para construir uma trama que certamente agradará aos fãs de mistérios e acontecimentos sobrenaturais.

A narrativa aposta em um tom que lembra os clássicos filmes B, recorrendo a alguns clichês que tornam a experiência mais descontraída do que propriamente assustadora. Isso não chega a ser um problema, embora eu tenha ficado com a dúvida se essa era realmente a proposta da desenvolvedora ou uma consequência de algumas limitações de produção.

Também chama a atenção a quantidade de diálogos longos e bastante expositivos. A impressão é que eles foram utilizados para desenvolver a narrativa sem depender de um grande número de cenas cinematográficas. Para quem estiver envolvido com a história, esses momentos cumprem bem o seu papel. Já para quem não conseguir se conectar com a trama, podem acabar comprometendo o ritmo da experiência.

Reprodução: Softstar Entertainment

Jogabilidade cinemática

Como é comum em jogos do gênero, encontramos puzzles, documentos espalhados pelos cenários e diversos elementos que ajudam a expandir a narrativa, além de apresentar detalhes sobre o folclore taiwanês que serve de base para boa parte da história.

Por se tratar de um jogo focado na narrativa e na resolução de enigmas, existem vários momentos em que o jogador perde o controle do personagem, principalmente durante algumas cenas de ação. Essa escolha pode causar certa frustração, já que, em um jogo de terror em primeira pessoa, a sensação de vulnerabilidade costuma ser um dos principais elementos da experiência. Quando o controle é retirado das mãos do jogador, parte dessa tensão acaba se perdendo.

Os puzzles, por outro lado, são bastante criativos e se tornam progressivamente mais desafiadores conforme a campanha avança. Eles nunca chegam a ser injustos, mas exigem bastante atenção, alcançando um nível de complexidade comparável ao de Alan Wake 2. No fim das contas, acabam sendo um dos aspectos mais interessantes de toda a experiência.

Reprodução: Softstar Entertainment

Conclusão

The Bridge Curse 2: The Extrication foi meu primeiro contato com a franquia. Sabendo que existe um jogo anterior e até uma adaptação para o cinema, terminei a campanha com vontade de conhecer melhor esse universo.

Mesmo sem reinventar o gênero, o jogo consegue construir uma história interessante, apoiada por bons puzzles e por uma ambientação inspirada no folclore taiwanês. Talvez não seja um novo marco para os jogos de terror, mas certamente entrega uma experiência competente para quem procura um suspense com forte apelo narrativo.

Nota 7.5/10

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Esta análise foi produzida com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Softstar Entertainment. The Bridge Curse 2: The Extrication está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).

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Mouse P.I. For Hire – FPS à moda antiga | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/01/mouse-p-i-for-hire-fps-a-moda-antiga-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/01/mouse-p-i-for-hire-fps-a-moda-antiga-analise/#respond Fri, 01 May 2026 23:22:56 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22035 Mouse P.I For Hire é um jogo que apareceu do nada em 2023 e atraiu atenção por ser um FPS com estilo de animação “rubber rose“, aquele que é popularmente conhecido pelos desenhos da Betty Boop e pelas primeiras animações do Mickey Mouse. E talvez o rato da Disney não tenha sido usado como inspiração […]

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Mouse P.I For Hire é um jogo que apareceu do nada em 2023 e atraiu atenção por ser um FPS com estilo de animação “rubber rose“, aquele que é popularmente conhecido pelos desenhos da Betty Boop e pelas primeiras animações do Mickey Mouse.
E talvez o rato da Disney não tenha sido usado como inspiração somente pelo estilo de arte.

O que temos aqui é um FPS ao estilo clássico, como Doom e Wolfenstein, mas que mistura a jogabilidade do gênero com uma história de investigação, se passada numa versão dos anos 1930 mas num mundo de camundongos. Mas será que essa mistura inusitada de estilos faz sentido? Veremos abaixo.

Reprodução: Fumi Games / PlaySide Studios

Do que se trata Mouse P.I?

Esse é um game que fica difícil estruturar um review padrão, onde falamos da jogabilidade e depois da história em tópicos separados. Isso ocorre, porque ambos andam bem juntos, apesar de constituirem duas partes bem distintas do jogo.

No game, controlamos Jack Pepper (dublado pelo versátil Troy Baker), um ex-policial que agora é detetive bem no estilo dos filmes noir: cansado de tudo, melancólico e que narra a história pra si mesmo. Pode entender como um Max Payne com orelhas de rato.

Nessa narrativa, ele se envolve em diversos casos que se intercalam, e entre investigações e coletas de provas e evidências, o jogador vai trocar muito tiro com inimigos, que é o grosso do gameplay de Mouse P.I.

Reprodução: Fumi Games / PlaySide Studios

Tiroteio à moda antiga

Apesar de Mouse P.I ser um game de 2026, o título indie aqui tem bastante inspirações de arena shooters de outrora, como Doom, Wolfenstein e até de Serious Sam. O fato dos personagens serem de “papel” também ajuda a dar esse look retrô que somados à movimentação rápida e pelas arenas onde alguns dos tiroteios ocorre, faz com que o jogo tenha uma pegada mais ágil que cinemática, focada em fazer o jogador pensar rápido, trocar de armas quando necessário e se movimentar e pular pelo mapa à fim de evitar morrer — coisa essa que vai acontecer várias vezes mesmo para os mais experientes.

A variedade de armas é interessante. O game possui os tipos padrões de armas do gênero: pistola, shotgun e metralhadora, mas somadas a essas têm outras coisas fora da curva, como dinamite e uma arma que derrete os inimigos com uma gosma ácida.

As animações das armas são muito bem feitas, e em termos de games, é tão fluida quanto o que você vê em Cuphead (até porque os estilos de artes são similares).

Suas armas também podem ser melhoradas, mas isso tem pontos bons e ruins: por um lado, ter uma progressão que faça com que o jogador se sinta mais forte ao longo do jogo é bacana, porém o contraponto é que de início, todas as suas armas parecem pistolinhas de espoleta (até mesmo a shotgun). Assim, as primeiras horas do jogo fazem você sentir que tem algo faltando para a experiência.

Outro fator negativo no combate é a parte sonora. Todas as armas soam como bombinhas e não dão o feedback que faz com que jogos do gênero sejam populares.

Reprodução: Fumi Games / PlaySide Studios

Narrativa

Entre os tiroteios, Jack deve andar pela cidade de Mouseburg investigando alguns possíveis crimes. Tudo começa quando sua amiga jornalista, Wanda Fuller, chama Jack para investigar o sumiço de um mágico da cidade — que também é um velho parceiro de guerra de Jack — . Durante a investigação, Jack salva um político e também antigo conhecido seu, Cornelius — um ratão bem gordo — que o dá uma pista para um laboratório secreto do rato desaparecido. Lá, você encontra um bando de cultistas (!) e aí a história vai se desenrolando.

A narrativa é complexa, com diversos personagens que falam bastante. Ao encontrar provas, Jack pode voltar ao seu escritório e colá-las em um mural, onde ao juntar evidências suficientes, mais pontos de narrativa podem ser explorados.

Você, como jogador, pode explorar as áreas de Mouseburg conforme elas vão sendo desbloqueadas, mas não se intimide com a parte “detetivesca” do game; é uma narrativa onde o jogo te pega pelo braço e simplesmente te diz o próximo lugar que você deva ir. Seria interessante que o game realmente obrigasse o jogador a pensar sobre quais os próximos passos, mas nos dias de hoje, acho muito difícil que os devs levariam o game para esse lado.

Reprodução: Fumi Games / PlaySide Studios

Gráficos e trilha sonora

Você já deve ter percebido que o game é todo em preto e branco. Foi uma decisão interessante que faz com que o game tenha um estilo visual único, porém, jogar um FPS onde existem somente 3 tons na tela o tempo todo fica realmente cansativo com o passar do tempo.

Graficamente, o jogo tem um estilo simples. Os personagens são animados em 2D, com muitos frames de animação, assim como suas armas. Já os cenários são em 3D, mas em nenhum momento isso causa incômodo. Talvez a escolha do preto e branco facilite essa mescla de 3D com 2D, favorecendo bastante o visual de Mouse P.I.

Já as músicas tem um estilo obviamente inspirado no que se ouvia em 1930: muito jazz e aquele som um pouco abafado que poderia estar vindo de uma vitrola. As músicas de ação são bastante animadas, com bastante saxofone e baixo. Tem até algumas músicas um pouco fora da curva, como “Good Mouse“, que toca na vitrola dos bares:

 

Veredito

Mouse P.I For Hire é um FPS fora da curva. Não é competitivo e não chega a ser totalmente arena shooter. Ele lembra o que se fazia na época do Bioshock, com muitos elementos narrativos que permeiam todo gameplay, que não é somente focado no tiroteio. A sua narrativa é interessante e a dublagem, trilha sonora e estilo visual com base em cartoons dos anos 1930 geram uma atmosfera bem prazerosa de se experienciar.

Apesar disso, o feedback sonoro dos tiros não oferecem uma experiência perfeita, estando um pouco abaixo do que se espera do gênero.

Com mais de 14 horas de jogo e uma história realmente interessante, Mouse P.I não é um joguinho bobo só por ter estilo de arte cartoon, e é bom que jogos indies estejam cada vez mais distantes dos mesmos jogos de plataforma pixel arte de outrora.

Nota 7.0/10


Mouse P.I For Hire está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Switch 2 e PC. Esta análise foi feita na versão de PC, com uma cópia gentilmente cedida pela PlaySide Studios.

 

Reprodução: Fumi Games / PlaySide Studios

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Pragmata – Um jogo de PS3 moderno e a vontade de ser pai | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/04/29/pragmata-um-jogo-de-ps3-moderno-e-a-vontade-de-ser-pai-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/04/29/pragmata-um-jogo-de-ps3-moderno-e-a-vontade-de-ser-pai-analise/#respond Wed, 29 Apr 2026 01:26:25 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22004 Pragmata foi anunciado em junho de 2020, naquele stream de revelação do PS5 que a Sony fez antes do console sequer existir nas mãos de alguém. A Capcom apresentou o jogo como sua primeira franquia original em oito anos, e logo de cara ele chamou atenção pelo visual: lua, robôs, uma menininha misteriosa e uma […]

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Pragmata foi anunciado em junho de 2020, naquele stream de revelação do PS5 que a Sony fez antes do console sequer existir nas mãos de alguém. A Capcom apresentou o jogo como sua primeira franquia original em oito anos, e logo de cara ele chamou atenção pelo visual: lua, robôs, uma menininha misteriosa e uma estética que lembrava vagamente Mega Man num universo de ficção científica adulta. Aí vieram os atrasos. Muitos. O jogo sumiu por tanto tempo que a internet já tinha praticamente decretado o seu cancelamento, até que a Capcom soltou um vídeo pedindo desculpas pelo tempo e confirmando que o projeto estava vivo. Uma demo foi lançada no início de 2026 e, finalmente, em abril do mesmo ano, Pragmata chegou ao PS5, Xbox Series X e Switch 2. Seis anos depois do anúncio, o jogo existe. E ele é bom demais.

Reprodução: CAPCOM

Ambientação e história

O jogo se passa num futuro próximo, não tão próximo assim, onde uma empresa chamada Delphi Corporation dominou o uso de impressão 3D em larga escala, inclusive em operações espaciais. A Delphi tem uma base na Lua chamada de Berço, e quando a comunicação entre a Terra e a base é cortada, um grupo de operários é enviado para investigar. Um deles é Hugh, o protagonista.

A chegada à Lua não demora muito para dar errado. Um tremor, tecnicamente um lunamoto, causa um acidente que separa ou mata os outros membros da equipe, e Hugh acaba sozinho e ferido. Quem o salva é D-I-0336-7, uma androide com aparência de criança de uns seis, oito anos, que Hugh passa a chamar de Diana. Os dois logo descobrem que o administrador da base, uma IA chamada IDUS, enlouqueceu e está enviando os robôs do Berço para eliminar qualquer ameaça, leia-se, os dois. O objetivo passa a ser simples: descobrir o que aconteceu com o IDUS e voltar para a Terra.

A narrativa não tem medo de ser direta. Ela tem começo, meio e fim bem definidos, um plot twist no caminho que você provavelmente vai prever antes de acontecer, e não tenta ser maior do que precisa. Não tem uma trama cheia de camadas e filosofia barata, não tem personagens traumatizados com passados obscuros sendo revelados em flashbacks dramáticos. É uma história que poderia ser contada como um livro infantil e isso nos dias de hoje, é um enorme elogio.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Jogabilidade

Pragmata é um jogo de terceira pessoa com um sistema de combate que se afasta bastante do padrão do gênero. Você tem acesso a uma variedade considerável de armas, algumas você encontra pelo caminho, outras pode imprimir em estações espalhadas pela base, num uso inteligente da premissa de impressão 3D da própria história. Tem shotgun pra combate corpo a corpo, laser que aquece antes de disparar, armas que lançam drones, hologramas pra distrair inimigos, entre outras. A variedade é real e cada arma tem uma utilidade concreta dependendo da situação.

O detalhe que diferencia o combate de tudo é o sistema de hack. Os robôs inimigos têm uma defesa alta, e para abri-la você precisa chamar a Diana, que inicia um minigame no canto da tela: uma espécie de grade de nodes que você precisa navegar até o ponto de hackeamento. No PC com mouse é intuitivo, você literalmente desenha o caminho com o cursor. No controle, a solução foi usar os botões de face (quadrado, triângulo, X e bola) para navegar pelos quadradinhos, o que funciona, mas exige um pouco mais da cabeça e às vezes faz falta o D-pad como alternativa.

Esses nodes do sistema de hack podem ser aprimorados ao longo do jogo. Dá pra usar um que hackeia vários inimigos ao mesmo tempo, outro que causa stun e permite um finalizador corpo a corpo, outro que maximiza o dano. Tem profundidade real no sistema, mesmo que ele possa parecer repetitivo em alguns momentos, especialmente no modo normal, onde você vai hackear absolutamente tudo o tempo todo.

Fora o combate, o jogo tem bastante mobilidade: pulos altos, dashes que lembram Mega Man, e uma movimentação que favorece quem quer jogar de forma mais agressiva do que estratégica. Não é um jogo de cover tipo Gears of War. É mais plataforma do que shooter, na verdade.

A progressão dele é especialmente boa porque entre os save points, é possível voltar para a sua base e melhorar seu equipamento. Esse loop de avançar no jogo, e gastar seus pontos com melhorias é bastante gratificante, e os que tiverem paciência vão puder simplesmente ficar voltando nas áreas anteriores pra upar o personagem ao máximo. Não que seja necessário, pois eu zerei sem fazer nenhum tipo de grinding. Não é um jogo que efetivamente te exige isso e apenas algumas lutas exigem que você, pelo menos, tenha melhorado um pouco seus atributos e armas.

Existe também um menu de desafios à la VR Missions de Metal Gear Solid, onde Hugh deve fazer diversas missões em um ambiente virtual para ganhar moedas que podem ser usadas para desbloquear itens. É um conteúdo opcional por ser mais desafiador, mas é onde você realmente aprende as mecânicas do jogo. São 30 no total e os últimos 20 vão exigir tanto de você que eu recomendo que tire um dia pra fazer só isso no jogo, pois alguns deles são especialmente estressantes, como o último por exemplo.

O jogo todo dura mais ou menos entre 10 a 13 horas, dependendo de quanto tempo você passe explorando todas as áreas à fim de coletar tudo e após isso, ainda existe um pequeno conteúdo que pode ser jogado após terminar a história principal, adicionando um pouco mais de desafio e longevidade ao game.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Gráficos

Pragmata roda na RE Engine, a engine própria da Capcom desde 2014 e que vem sendo aprimorada consistentemente. É uma engine funcional, bem otimizada, que roda suave em praticamente qualquer hardware atual. Joguei no PS5 base sem Ray Tracing e sem nenhum problema. Vi também a demo rodando no PC com Path Tracing e os reflexos ficam impressionantes, mas isso é bônus. O jogo base já é sólido.

A paleta visual é bastante específica: muito branco, azul e gelo, com alguns elementos escuros que a história justifica. É uma estética limpa, quase clínica, que combina com a ambientação lunar. Lembra um pouco Death Stranding na forma como usa o design de ambiente pra criar identidade, inclusive a temática de impressão 3D é parecida. Não é um jogo graficamente deslumbrante, mas é consistente e agradável de olhar.

O ponto fraco é o mapa. O jogo tem um no menu de pause, mas ele não rastreia sua posição atual. É, na prática, inútil. Para um jogo que exige backtracking pra coletar itens deixados pra trás, isso incomoda. Não chega a ser um problema grave porque a ambientação guia bem visualmente, mas um mapa funcional faria diferença.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Diana e a vontade de ser pai

Não dá pra falar de Pragmata sem falar de Diana. A personagem é uma androide com aparência de criança, parceira constante do Hugh durante toda a aventura, e é ela quem faz boa parte do trabalho emocional do jogo sem nem precisar forçar isso.

O que impressiona é o cuidado com que ela foi escrita. Numa indústria cheia de personagens infantis que são ou irritantes ou exageradamente precoces, Diana é simplesmente uma criança, com idiossincrasia de androide, claro, mas tratada com uma singularidade que raramente aparece nos jogos. As falas dela não se repetem demais, nunca são irritantes de ouvir, e a dublagem em português é excelente. A dubladora é uma criança de 12 anos, algo que nem a versão americana nem a japonesa replicaram, e isso faz diferença perceptível na naturalidade das falas.

Desde o lançamento, o jogo disparou um debate na internet sobre a vontade de ser pai que ele desperta em quem joga. Tem exagero no que circula por aí, não é que todo mundo vai querer ter filho amanhã por causa de um videogame, mas a discussão faz sentido. O Japão vive uma crise de natalidade real, alimentada em grande parte por uma geração que cada vez menos vê valor em abrir mão da própria vida por uma família. Um jogo que retrata isso com tanto carinho, feito por uma empresa japonesa, não parece coincidência. É, no mínimo, uma sementinha.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Veredito

Pragmata me lembrou jogos da geração do PS3, aqueles games japoneses com estética meio ocidental, ambientação fechada, narrativa linear e sem pretensão de ser um épico. Lost Planet, Vanquish, essa galera aí. Jogos que existiam pra ser jogos, entregavam o que prometiam e não tentavam reinventar o meio.

Seis anos de desenvolvimento pra um jogo assim pode soar excessivo, e talvez seja. Mas o resultado é um jogo que funciona, que tem identidade, que entrega personagens simpáticos e um combate com mais camadas do que parece na superfície. As críticas que tenho são pontuais: o mapa inútil, o hack que pode cansar no controle, o espaço exploratório que é pequeno demais pro tempo de desenvolvimento que o jogo teve. Nada disso derruba o conjunto.

Mais do que tudo, Pragmata é um argumento concreto de que ainda vale apostar em IPs novas. A Capcom criou algo original, fora das franquias conhecidas, e o jogo vendeu bem. Tomara que sirva de exemplo.

Nota: 9/10

Pragmata está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch 2 e PC. Esta análise foi feita com base na versão de PS5 com uma cópia do game cedida gentilmente pela CAPCOM.

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A série Tokyo Xtreme Racer existe há tempo suficiente para ser considerada uma das franquias mais peculiares do gênero. Ela começou no Super Famicom com Shutokō Battle e, ao longo dos anos, passou por PlayStation, Sega Saturn, Dreamcast e PS2, sempre mantendo a mesma identidade: corridas noturnas nas vias expressas de Tóquio, disputadas em duelos diretos.

No PSP, apareceu como Street Supremacy, por questões de licença no Ocidente, e no Xbox 360 recebeu o nome de Import Tuner Challenge, publicado pela Ubisoft. Depois disso, a série praticamente sumiu. Foram anos de silêncio até que a Genki decidiu trazê-la de volta com Tokyo Xtreme Racer, lançado primeiro no PC e agora chegando ao PS5.

O curioso é que esse retorno não tenta reinventar a fórmula. Ele entende exatamente o que fez a série funcionar lá atrás e constrói em cima disso.

Como o jogo funciona

Diferente da maioria dos jogos de corrida modernos, aqui você não escolhe um evento num menu e parte para uma corrida fechada. Você entra na autoestrada e simplesmente dirige. Os adversários estão lá, circulando. Para iniciar um duelo, basta piscar o farol alto. É simples e direto.

Quando o desafio começa, entra o sistema clássico de barra de energia. Não é sobre cruzar uma linha de chegada primeiro, e sim sobre manter pressão. Quem fica atrás perde energia, e quanto maior a distância, mais rápido essa barra drena. A corrida vira um confronto constante, quase como um jogo de luta sobre rodas, em que cada erro pesa imediatamente.

O ciclo é o mesmo que consagrou a franquia: você vence rivais, ganha CP (dinheiro) e BP (Battle Points), melhora o carro e volta para a estrada. A diferença agora é que tudo roda a 60 FPS estáveis no PS5, o que faz enorme diferença na sensação de velocidade e na precisão dos duelos. Mesmo não sendo um jogo de orçamento gigantesco, ele é visualmente sólido e muito competente tecnicamente.

Reprodução: Genki

Progressão e Árvores de Perks

A maior mudança estrutural está no sistema de progressão. O jogo organiza os desbloqueios em quatro árvores distintas:

  • Machine – libera carros para compra, mesmo que você já tenha dinheiro suficiente.
  • Tuning – desbloqueia peças e upgrades mecânicos.
  • Driver – melhora atributos do piloto e libera habilidades equipáveis para as corridas.
  • Perks – melhorias gerais, como desconto em compras, aumento de limite de CP e BP, mais espaço na garagem e teleporte entre garagens.

No papel, parece um sistema aberto e flexível. Na prática, ele é mais travado do que parece. Muitos perks só ficam disponíveis depois que você derrota corredores específicos, que aparecem conforme a campanha avança. Isso cria momentos em que você acumula dinheiro e pontos, mas simplesmente não tem onde investir. A progressão acaba acontecendo em blocos, quando um rival importante é vencido e vários desbloqueios surgem de uma vez.

Não chega a arruinar o jogo, mas quebra um pouco o ritmo natural que a série sempre teve.

Reprodução: Genki

Customização e Tuning

Se por um lado a progressão tem amarras, a parte de customização é um dos pontos mais fortes. Na estética, o jogo entrega tudo o que se espera: pintura, neon, fibra de carbono, adesivos, rodas e ajustes visuais que permitem montar um carro com personalidade própria, no mesmo espírito de um Need for Speed.

O diferencial, porém, está no tuning mecânico. Não é apenas instalar uma peça e ver o número subir. Você pode ajustar cambagem, altura da suspensão, offset, largura dos pneus, transmissão, freios e até o diferencial autoblocante (LSD). O próprio jogo explica, de maneira clara, o que cada regulagem faz. Se você aumenta a cambagem negativa, por exemplo, melhora o contato lateral em curvas, mas pode prejudicar desempenho se exagerar. São explicações curtas, objetivas e fáceis de entender.

Isso muda de fato a dirigibilidade. O carro responde diferente, exige adaptação e, mais adiante na campanha, regular bem deixa de ser luxo e vira necessidade. O único ponto que faria diferença seria a inclusão de setups prontos por carro, porque cada troca exige um tempo considerável ajustando tudo novamente.

Reprodução: Genki

Corridas, Ambientação e Ritmo

As autoestradas de Tóquio são o verdadeiro protagonista. Mesmo sendo sempre à noite, a iluminação é muito bem trabalhada, com reflexos no asfalto e túneis que ajudam a criar uma atmosfera consistente. Não é um espetáculo gráfico de última geração, mas está longe de ser feio. Com um pouco mais de marketing, poderia facilmente ser confundido com um título grande da geração passada.

Diferente de jogos como The Crew Motorfest, que apostam em festivais, personagens conversando e uma estrutura quase cinematográfica, aqui o foco é corrida pura. A história existe, mas é contada por meio de silhuetas com nomes e diálogos breves. Você é um piloto novo na cidade e, aos poucos, vai derrotando membros de equipes até ganhar reputação.

Funciona porque não tenta ser maior do que precisa.

A estrutura das noites é interessante: você entra na pista, enfrenta o máximo de rivais possível, pode parar em garagens para ajustes temporários e depois retorna à base para investir no carro. O problema é que, às vezes, depois de derrotar um alvo específico, você passa longos minutos dirigindo sem encontrar novos adversários. Falta um sistema de deslocamento mais ágil desde o início para manter o ritmo constante.

Reprodução: Genki

Gráficos

O novo Tokyo Xtreme Racer roda na Unreal Engine 5. Uma escolha meio preocupante pois sabemos dos problemas e requisitos para rodar um jogo feito nessa engine. Porém aqui tudo é bastante otimizado. O game roda lisinho e toda parte gráfica é excelente. Andar pelas ruas de Tóquio em 60 FPS, vendo iluminação dinâmica dos postes e das lanternas dos carros é muito legal.

A parte do design dos menus também está muito boa. Embora foram os menus cheios de neon, típicos dos jogos da época do Xbox 360. Agora temos menus limpos e clean, mostrando exatamente onde está cada opção, tanto na garagem quanto no menu do mapa durante as corridas.

Infelizmente o escopo do projeto envolveu algumas escolhas. Não temos mais chuva no game, algo que esteve presente no jogo anterior para o console da Microsoft lançado há mais de dez anos. Também não temos mais a câmera interna dos carros, mostrando os painéis e o volante. Foi uma decisão que deve ter tido seus motivos, afinal o jogo não seria lançado primeiramente em early access à toa. Porém, a chuva pelo menos faz falta, pois ficaria lindo nesse novo jogo.

Como curiosidade, encontrei um bug ao correr em alta velocidade na contramão (algo que o jogo COM CERTEZA não quer que você faça) e o resultado foi isso aí abaixo haha:

Parte Sonora

A trilha sonora flerta levemente com o espírito do Eurobeat popularizado por Initial D, mas constrói uma identidade própria. O foco está em músicas eletrônicas com clima noturno, quase de balada urbana, que combinam perfeitamente com a sensação de cortar as vias expressas de madrugada. A maioria (se não todas) as músicas consistem de remixes de temas anteriores da série, então se você é fã antigo, capaz que essa nostalgia extra te deixe bastante feliz.

Existe uma vibração específica ali, uma vontade de fazer parte daquele mundo. Algo que muitos jogos de corrida atuais perderam ao focar demais em eventos grandiosos e personagens excessivamente presentes.

No meu caso, após ficar rodando tanto na pista, achei que as músicas ficaram um pouco repetitivas, então eu diminuí o áudio, deixando somente o som dos carros e foi uma experiência bem legal também.

Reprodução: Genki

Veredito

O novo Tokyo Xtreme Racer é um retorno extremamente competente. Ele não tenta competir com superproduções nem reinventar o gênero. Ele simplesmente entrega corrida direta, duelos tensos e um sistema que recompensa habilidade e consistência.

A progressão poderia ser mais fluida, o ritmo das noites poderia ser melhor ajustado e algumas melhorias de qualidade de vida fariam diferença. Ainda assim, é um jogo que entende sua identidade e executa essa proposta com segurança.

Depois de tantos anos, ver a série voltar nesse nível é surpreendente. E mais do que isso: é um sinal de que ainda há espaço para jogos de corrida que priorizam atmosfera, mecânica e foco absoluto na experiência de dirigir.

Nota: 9.0

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Tokyo Xtreme Racer está disponível no PC via Steam e no PlayStation 5. Esta análise foi feita com uma cópia da versão de PS5, gentilmente cedida pela Genki.

Reprodução: Genki
Reprodução: Genki

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Top Racer Collection | Análise da DLC Customs https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/01/22/top-racer-collection-analise-da-dlc-customs/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/01/22/top-racer-collection-analise-da-dlc-customs/#respond Thu, 22 Jan 2026 14:43:43 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=21492 OBS: Essa análise cobre somente a DLC “Customs”. Para ler nossa análise da coletânea completa, acesse esse link. Top Racer Collection foi lançado em 7 de março de 2024, desenvolvido e publicado pela QUByte Interactive em parceria com Piko Interactive e Bleem!, reunindo clássicos de corrida dos anos 90 em uma coletânea remasterizada para PC, […]

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OBS: Essa análise cobre somente a DLC “Customs”. Para ler nossa análise da coletânea completa, acesse esse link.

Top Racer Collection foi lançado em 7 de março de 2024, desenvolvido e publicado pela QUByte Interactive em parceria com Piko Interactive e Bleem!, reunindo clássicos de corrida dos anos 90 em uma coletânea remasterizada para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.

A troca de nome de Top Gear para Top Racer ocorre porque a marca Top Gear está associada ao popular programa de TV britânico, o que torna o uso do nome nos videogames mais complicado fora do Japão — onde o título já era lançado como Top Racer.

Após o lançamento da coletânea, várias atualizações e conteúdos extras vieram para expandir a experiência. No dia 6 de novembro de 2025 foi lançado o DLC Top Racer Customs, que traz personalização inédita e novas adições ao primeiro jogo da série dentro da coletânea.

Reprodução: QuByte / Piko Interactive

O que é o DLC Top Racer Customs

O DLC Top Racer Customs é uma expansão oficial para o Top Racer Collection que se concentra no primeiro jogo da coletânea, permitindo customização visual e de desempenho dos carros em Top Racer 1 — algo que nunca havia sido feito na franquia até então.

Ele é acessível por meio de um menu separado da campanha principal, onde o jogador pode editar um dos quatro carros originais disponíveis no jogo base, ajustando tanto a aparência quanto os atributos de performance.

Além disso:

  • É possível pintar e recolorir os sprites dos carros (a customização visual é limitada pelas opções do editor, mas já traz variedade extra em relação ao jogo original).
  • São adicionados quatro designs novos e exclusivos de carros, inspirados em modelos icônicos das décadas de 80 e 90, oferecendo mais estilo e diversidade do que simplesmente trocar cores.
Reprodução: QuByte / Piko Interactive

Personalização de desempenho e compartilhamento online

Uma das maiores novidades do DLC é que você pode alterar os status de performance dos carros no Top Racer 1, incluindo:

  • Velocidade máxima
  • Aceleração
  • Potência do nitro
  • Capacidade de combustível

Essas alterações criam estratégias diferentes de corrida, permitindo que você monte carros mais rápidos, com mais nitro ou com maior autonomia de gasolina conforme seu estilo de jogo.

Outro recurso importante é o compartilhamento online dos designs e carros criados, permitindo que jogadores vejam e usem as criações uns dos outros — ideal para mostrar sua personalização ou testar setups diferentes com a comunidade.

Reprodução: QuByte / Piko Interactive

Críticas e limitações

Apesar de interessante, a DLC Customs tem limitações claras:

  • A customização ainda é limitada pela forma como a QUByte modifica o código do jogo original — muitas mudanças são feitas em tempo de execução e dependem do que é possível alterar sem acesso total ao motor do jogo.
  • Isso significa que não há tradução oficial dos textos antigos nem mudanças profundas na jogabilidade em si, apesar de existirem romhacks independentes que fazem traduções completas.
  • No compartilhamento de designs, há problemas com nomes de usuário que contém caracteres especiais (por exemplo traços ou underlines), o que pode fazer com que suas criações apareçam com nomes errados ou genéricos na lista pública.

Esses pontos mostram que, embora a expansão adicione conteúdo relevante, ela ainda fica dentro de limites técnicos do que a desenvolvedora conseguiu implementar sobre o Top Racer 1 sem reescrever o jogo completamente.

Reprodução: QuByte / Piko Interactive

Veredito

O DLC Top Racer Customs para Top Racer Collection representa um salto significativo na personalização dentro da franquia, adicionando elementos visuais e de desempenho que renovam a experiência do clássico Top Racer 1. Ele traz mais profundidade estratégica e personalidade ao jogo, além de conectar jogadores por meio do compartilhamento online de designs.

No geral, Customs é um conteúdo que agradece fãs de longa data e jogadores novos, elevando ainda mais o potencial nostálgico e a rejogabilidade da coletânea, mesmo com algumas limitações técnicas inerentes à forma como as modificações foram implementadas.

Como sugestão final, sugerimos que a QuByte adicionasse tradução dos jogos e uma forma de jogar os jogos como no lançamento original, sem os menus da coletânea. E se possível, até mesmo uma trilha sonora “arranged”, que tal?

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