Ace Combat 8: Wings of Theve | Análise

Ace Combat 8: Wings of Theve | Análise

Se você já está levemente inclinado a dar uma chance a Ace Combat 8, este primeiro parágrafo é para você. Não precisa ler o resto da análise. Fecha isso aqui, compre para o seu videogame ou PC e aproveite.

Só irei avisar algumas coisas: Sob hipótese alguma use o estilo de controle padrão, você vai me agradecer depois; os primeiros aviões pilotam igual um trator de início, mas comprando peças de manobrabilidade e comprando aviões melhores, a situação melhora e muito e fica mais próximo do padrão da série; lembre-se de comprar os aviões roxos (que são bons para a maioria dos tipos de missões) e prefira os aviões que possuem um ícone de âncora, pois várias missões serão em um navio porta-aviões e neste jogo precisa ter aviões compatíveis com o navio.

De resto, acredito que qualquer coisa que eu escreva a mais sobre esse jogo pode estragar sua experiência. Vai, pode fechar. Para quem ficou, essa é a análise de Ace Combat 8: Wings of Theve.

Créditos: Bandai Namco

Minha história com Ace Combat

Minha história com Ace Combat começou de forma diferente da maioria das pessoas que mais falam sobre o jogo.

Geralmente, quando se vê algum post, vídeo ou qualquer outro tipo de fala que alguém que é fã da série, vemos a história de alguém que começou jogando a trilogia do PS2, se tornando fã a partir dali com o ótimo gameplay, com a perfeição que é a trilha sonora, e com as diversas cenas e batalhas que vão te prender do início ao fim (e tudo isso é verdade!), e como o jogo até hoje é lindo, especialmente no hardware original e em uma TV de tubo.

Eu, por outro lado, fui começar no Ace Combat Assault Horizon Legacy, do 3DS, que apesar de possuir a capa e o nome remetentes a uma entrada da série que todos tentam esquecer, se trata do Remake de Ace Combat 2. Ali, foi amor à primeira vista, correndo atrás de de jogar os outros da série, assim como também correr atrás de jogar o 7 no lançamento, com o atual, não foi diferente.

Créditos: Bandai Namco

Desenvolvimento e melhorias gráficas

Com o sucesso acima do esperado de Ace Combat 7: Skies Unknown, a Bandai Namco decidiu investir um valor consideravelmente maior na sequência, que começou o seu desenvolvimento em 2021. E temos de admitir, isso é perceptível.

O sistema de nuvens do antecessor, que já era uma novidade muito bem vinda, foi aprimorado, com nuvens que realmente viraram obstáculos e fazem parte do próprio level design, transformando até uma área que possua nenhum ponto de referência terrestre em algo distinto.

Créditos: Bandai Namco

História e ambientação

Outra parte que também recebeu maiores investimentos foi a apresentação da história. Ambientado em 2029, dez anos após o antecessor (e 11 anos antes de Ace Combat 3: Electrosphere, o jogo mais futurista da franquia), você se vê nos capacetes de Rex, um piloto da Federação Central de Usea, um novo governo que unificou parte do continente após a destruição causada pelas guerras do último jogo.

A República de Sotoa, um povo nômade e composto por diversas tribos, invadiu a região da FCU, tomando quase todos o seu território utilizando do auxílio de mísseis potentes enviados por satélites na órbita do planeta, assim como a utilização de navios terres (é isso mesmo que você leu).

No início do jogo, você acaba sofrendo um acidente e resgatado pela frota naval da Endurance, uma das poucas frotas restantes da FCU, e onde reside o piloto “lendário” Jan Cope, conhecido como as Asas de Theve que, apesar de ser de fato um bom piloto, teve a maior parte de sua história fabricada pela restante do governo, para que possa ser usada como propaganda e gerar impulso moral em um governo que está perdendo uma guerra.

Tal inspirado na história do Fantasma de Kiev, do nosso mundo real.

Créditos: Bandai Namco

O protagonista e a lenda das Asas de Theve

Logo na primeira cena, na qual você está acompanhando o Cope no banco de trás de seu caça, atuando como suporte, vocês acabam sendo caçados pelo esquadrão Shadow, que possui como líder o caça de número 22, o piloto que será um dos antagonistas do jogo. Ele consegue te caçar e derrubar o avião, o que faz com que Cope morra e você seja resgatado novamente pela sua equipe.

Para não perder a propaganda da lenda e desmoralizar as tropas, você assume a identidade do piloto anterior, sendo responsável agora pelo seu emblema, avião e futuras missões. Obviamente, como em todo Ace Combat, o personagem principal é o cara, então você será o responsável em transformar a mentira em realidade, para a surpresa de todos os inimigos e aliados.

Créditos: Bandai Namco

Personagens aliados

Falando em aliados, neste jogo eles expandiram e muito as motivações dos personagens que te ajudarão a fazer manobras que deixariam Tom Cruise no hospital. Agora, você acompanha muito mais o cotidiano de seus parceiros, descobrindo mais de sua história, incertezas, frustrações e tristezas com a guerra, como também ouvirá muito mais falas durante o gameplay.

Imagino que algumas pessoas podem estranhar e até desgostar do quanto os personagens falam durante as fases comparado aos jogos anteriores, mas eu mesmo achei uma novidade até esperada para uma franquia que sempre achei que já tivesse um pezinho em Gundam, esta sendo apenas mais uma inspiração.

Pois então se prepare para ouvir muito de Baxter, um ex-professor, Coster, um músico que é um tanto calado, mas vai te fazer ouvir as músicas de seu mp3, e Tasha, uma civil que é especialista em acrobacias aéreas, e que tem como principal função evadir e atrair aeronaves inimigas para a sua mira. Tudo isso acontecendo na tradição da série de te jogar mísseis, alvos, e munição quase infinitos.

Créditos: Bandai Namco

Jogabilidade

O Gameplay em si não muda muito do anterior, apesar de ser um pouco mais pesado. Você vai acelerar e desacelerar com os gatilhos, e apertando os dois juntos te permitirá dar uma freada brusca para guinar o seu avião mais rápido para onde você quer mas, se sua velocidade for muito baixa, pode acabar no estado de estol, que faz com que você fique pera o controle da aeronave por um tempo até recuperar sua velocidade.

Ficar muito tempo nas nuvens, além de deixar você naturalmente desorientado por não enxergar quase nada e não saber mais onde fica o chão e onde fica o céu, também pode fazer com que a turbina congele e cause o estado de estol mais facilmente por um tempo.

No entanto, as nuvens podem atrapalhar a mira dos mísseis inimigos, então é sempre uma mistura de risco e recompensa quando você é alvo de um foguete, o que faz com que o tempo todo seja necessário pensar rapidamente qual é a melhor manobra para se esquivar de quem está mirando em você ao mesmo tempo em que procura acertar o inimigo, em um caos que é marca registrada das inúmeras guerras travadas no mundo de Strangereal, a Terra da série.

Créditos: Bandai Namco

Variedade de missões

E, falando em guerra, não vai faltar variedade nas missões que participar. O jogo possui as missões que veteranos estão acostumados: fases com foco em briga de aviões, outras com foco em atacar bases terrestres ou navais, e também as famosas e temidas fases de escolta, que estranhamente estão muito melhores pro que era o padrão da série, uma delas inclusive se tornando uma das minhas favoritas de toda a franquia.

Em várias dessas missões, ocorrerão surpresas, seja com um esquadrão inimigo aparecendo, um novo objetivo não tão relacionado com o objetivo original, mas nada que possa ser tão frustrante quanto era nos jogos anteriores, visto que agora há uma recomendação na hora de escolher seus aviões sobre o quanto será necessário de enfrentar inimigos aéreos ou terrestres, então não há mais aquela possibilidade de você escolher um avião lento cheio de mísseis para trabalhar com a artilharia de uma base e se deparar com o piloto nº1 do país inimigo, algo que acontecia vez ou outra nos anteriores.

Ao jogar, fui surpreendido pela quantidade de missões que com certeza ficarei feliz em repeti-las ao rejogar futuramente, e quase nenhum momento que fosse considerado muito abaixo do alto-padrão que apreciei neste jogo.

Créditos: Bandai Namco

Trilha sonora, imersão e pontos negativos

E quando uso a palavra apreciar, é de forma sincera: aquele momento em que acontece algo inesperado no roteiro, que faz mudar o objetivo que vá te exigir fazer algo completamente insano, com personagens reagindo sobre o quão maluco você está sendo ao destruir a frota inimiga, quando a música troca o tema dos seus rivais (trilha sonora esta que mais uma vez está fenomenal e no altíssimo nível da Project Aces), te faz experimentar, pensar, sentir e viver o jogo.

Não falo exatamente de imersão, que também há aqui, mas sim de se perder em uma obra. E, especialmente hoje em dia, especialmente nesta geração, quando a maioria das mídias (como muitos dizem infelizmente) se consome, é refrescante e esperançoso encontrar algo no qual você vive.

Onde pouco importa se vai cair frame quando estiver muita coisa explodindo, ou se vai ter problemas com aquele loading chato de jogos da Unreal no PC que vez ou outra vai travar para carregar a rebimboca da parafuseta de algum modelo novo, tudo isso pouco importa perto do que você vai sentir quando estiver jogando.

Mas, para não dizer que não há defeitos, eu senti uma falta tremenda de tocar as mesmas músicas que elogiei nos replays, algo que estranhamente constava no anterior e, apesar até dos novos replays estarem mais próximo dos replays bonitos de Gran Turismo que dão gosto de ver do que os antigos, que inclusive conta até com possibilidade de salvar os replays para assistir ou mexer futuramente, faz muita falta assistir o replay com o tema tocando, o que perde um pouco da graça.

Mas, como eu disse, não é nada que vá chegar perto de estragar o que a Project Aces construiu, e provavelmente será um dos jogos mais amados da franquia.

Modo online e passes de temporada

Com tantos elogios a campanha, missões, história e trilha sonora neste texto, não devemos esquecer de que o jogo também possui online. Como citado anteriormente, também houve um foco maior no online comparado aos anteriores, com modos co-op e pvp, além de missões limitadas durante as temporadas, podendo fazer jogadores enfrentarem superarmas da série.

Além disso, o jogo possui um lobby bem parecido com o de Street Fighter VI, desde lojinha de cosméticos até mesmo a fliperamas com jogos antigos da NAMCO.

O que entristece um pouco no online e é um negativo do jogo é a presença dos passes de temporada, presentes em basicamente todo jogo online hoje em dia, com claro, versões gratuitas e pagas, para que você pague para ter um ou outro avião exclusivo e mais cosméticos pros seus aviõezinhos que podem ser usados em uma futura nova jogada na campanha.

Nota-se que o progresso é diferente entre a campanha e o multiplayer, para fazer com que você inicie os modos online com o avião básico e deva grindar para ter os melhores. Os modos de jogo, o lobby com jogos clássicos e oe o gameplay funcionam bem e vão te divertir e, apesar de não ser a melhor parte do jogo comparados a campanha, já são suficientes para render boas horas e valer mais do que a pena o valor pago.

Mas o modo de passes de temporada e uma futura distribuição de como serão feitos os updates me deixa com várias dúvidas sobre o rumo que os produtores possam tomar com a série, especialmente quando aparenta que serão ofertadas muito mais skins do que conteúdo.

Além disso, por ser um jogo relativamente de nicho, prepare-se para uma curva de aprendizado bem íngreme pois vai encontrar muita gente que já está acostumada com o online e gameplay dos anteriores.

Créditos: Bandai Namco

Conclusão

No final, mesmo que você não jogue o online, não vai afetar a obra-prima que é Ace Combat 8. Espero que ele te motive a jogar outros ótimos, como o 7 mesmo, ou pegue o do 3DS para jogar um dia desses, ou até mesmo ligue o seu Playstation 2 e jogue de forma oficial o 4, o 5 e o Zero e conheça o que muitos chamam de Santíssima Trindade da série.

Mas, quando fizer tal exercício e apreciar o que a série tem para te mostrar, dificilmente Ace Combat 8 sairá da sua cabeça como um dos melhores já feitos. E tenho certeza que, daqui a alguns anos, provavelmente quando estivermos em uma outra geração, você vai se lembrar e sentir vontade de jogar novamente o melhor jogo de 2026.

Prós: 

Esse jogo é literalmente Top Gundam, quer mais o quê?

Contras:

Os caras fazem esse tanto de música e não deixam tocar no replay.

Nota: 9,0/10


Ace Combat 8: Wings of Theve está disponível no PlayStation 5, Xbox Serie S|X e PC (Steam). Esta análise foi feita com uma cópia pessoal do jogo pelo nosso escritor convidado Rod (x.com/rodtensei).

Créditos: Bandai Namco