The Bridge Curse 2: The Extrication | Análise

Para os fãs de filmes de terror asiáticos, existem poucas experiências semelhantes nos videogames. É claro que temos séries como Fatal Frame (Project Zero), White Day e alguns títulos independentes, mas ainda é um gênero pouco explorado e que costuma exigir uma boa pesquisa para ser encontrado.

Eu nunca fui muito fã de jogos de terror, limitando minha experiência praticamente à franquia Resident Evil. Porém, ao ter a oportunidade de conhecer The Bridge Curse 2: The Extrication, comecei a entender melhor o que atrai tantas pessoas ao gênero.

Reprodução: Softstar Entertainment

Quatro histórias em apenas um jogo

Em The Bridge Curse 2, somos apresentados a quatro histórias diferentes. A aventura começa com Sue Lian, uma repórter que vai até uma universidade investigar uma história de fantasmas que ganhou notoriedade após um vídeo viral gravado por um grupo de estudantes. Aos poucos, essas narrativas se entrelaçam para construir uma trama que certamente agradará aos fãs de mistérios e acontecimentos sobrenaturais.

A narrativa aposta em um tom que lembra os clássicos filmes B, recorrendo a alguns clichês que tornam a experiência mais descontraída do que propriamente assustadora. Isso não chega a ser um problema, embora eu tenha ficado com a dúvida se essa era realmente a proposta da desenvolvedora ou uma consequência de algumas limitações de produção.

Também chama a atenção a quantidade de diálogos longos e bastante expositivos. A impressão é que eles foram utilizados para desenvolver a narrativa sem depender de um grande número de cenas cinematográficas. Para quem estiver envolvido com a história, esses momentos cumprem bem o seu papel. Já para quem não conseguir se conectar com a trama, podem acabar comprometendo o ritmo da experiência.

Reprodução: Softstar Entertainment

Jogabilidade cinemática

Como é comum em jogos do gênero, encontramos puzzles, documentos espalhados pelos cenários e diversos elementos que ajudam a expandir a narrativa, além de apresentar detalhes sobre o folclore taiwanês que serve de base para boa parte da história.

Por se tratar de um jogo focado na narrativa e na resolução de enigmas, existem vários momentos em que o jogador perde o controle do personagem, principalmente durante algumas cenas de ação. Essa escolha pode causar certa frustração, já que, em um jogo de terror em primeira pessoa, a sensação de vulnerabilidade costuma ser um dos principais elementos da experiência. Quando o controle é retirado das mãos do jogador, parte dessa tensão acaba se perdendo.

Os puzzles, por outro lado, são bastante criativos e se tornam progressivamente mais desafiadores conforme a campanha avança. Eles nunca chegam a ser injustos, mas exigem bastante atenção, alcançando um nível de complexidade comparável ao de Alan Wake 2. No fim das contas, acabam sendo um dos aspectos mais interessantes de toda a experiência.

Reprodução: Softstar Entertainment

Conclusão

The Bridge Curse 2: The Extrication foi meu primeiro contato com a franquia. Sabendo que existe um jogo anterior e até uma adaptação para o cinema, terminei a campanha com vontade de conhecer melhor esse universo.

Mesmo sem reinventar o gênero, o jogo consegue construir uma história interessante, apoiada por bons puzzles e por uma ambientação inspirada no folclore taiwanês. Talvez não seja um novo marco para os jogos de terror, mas certamente entrega uma experiência competente para quem procura um suspense com forte apelo narrativo.

Nota 7.5/10

___________________________________________________________________________________________________________________
Esta análise foi produzida com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Softstar Entertainment. The Bridge Curse 2: The Extrication está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).