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Apesar de ser o jogador de visual novels residente aqui do Arquivos do Woo, eu posso dizer que não tenho muita experiência com o gênero otome, até porque em geral, o público de jogos otome é feminino… E porque em geral, alguns dos jogos localizados ficam somente no Switch (Olha para a Aksys Games, que não se dá ao trabalho de portar os otome games que eles lançam pro PC), e até onde eu me lembro, eu não tenho um Nintendo Switch. É, grande choque, eu sei.

Mas isso não quer dizer que eu não tenha experiência com o sub gênero, sim, é limitada, mas eu joguei ao menos algumas Visual Novels do gênero Otome, até mesmo analisando uma aqui para o Arquivos do Woo, sendo essa C14 Dating, quando esta saiu no PS4. E uma outra, que não analisei, mas joguei no meu PC há muito, MUITO tempo atrás e que foi parcialmente responsável por me fazer de fato criar visual novels, é Seduce me Otome (essa é gratuita no Steam). Deve ter alguma outra em algum lugar, mas eu não lembro de cabeça.

Enfim, em 2020, o estúdio LOVE&ART, uma divisão dedicada a Otome games da MAGES (responsável por algumas das visual novels que analisamos aqui) lançou Genso Manège no Switch, e cinco anos depois, a PQube trouxe o jogo para o ocidente, incluindo aqui um novo porte para PC, como acontece com outros títulos da MAGES que a PQube trouxe pro ocidente (Konosuba: Love for these clothes of Desire, SINce Memories: Off the Starry Sky), assim ampliando o potencial público do jogo. Mas… Como o jogo se sai? Confira a nossa análise de Genso Manège.

Para quebrar a maldição

“Eu vou despertar a magia em você, e você vai nos libertar do Rêve…”

O jogador acompanha a história de Emma (você pode alterar o nome dela no começo), uma garota que ficou órfã muito nova, em sua luta para revelar memórias esquecidas. Emma, uma bruxa que perdeu os poderes quando jovem e agora vive uma vida sossegada, é guiada pela lembrança deixada para ela pelo pai, mas se vê abalada com a chegada de um parque de diversões na cidade.

Com muita magia e sonhos, mas carregando um segredo sombrio, Emma sente uma conexão imediata com o fascinante La Foire du Rêve. Sob o charme fantástico do parque, ela descobre que, na verdade, os funcionários estão presos, obrigados a ficar no parque de diversões, e só a magia dentro de Emma pode libertá-los. Acontece que faz anos que Emma não acessa sua magia, e ela precisa buscar muito fundo dentro de si, lidando com dolorosas memórias reprimidas, para conseguir recuperá-la.

Enquanto trabalha no Rêve e desvenda os fios emaranhados de seu passado esquecido, Emma cria laços com os funcionários do parque de diversões.

A história de Genso Manège é mais profunda que a sua temática no parquinho de diversões deixa transparecer, o elenco de personagens é variado, ainda que eles caiam nas tropes do “Amigo de Infância”, “O Manipulativo”, “O Frio”, “O Tsundere”… E pelo menos aqui classificam como tsundere, e não como “male fragile ego”, como certa empresa traduziu anos atrás. Etc, etc.

O jogo possui grande fator replay, com cada um dos personagens tendo sua rota com diferentes finais (A rota de Arnoud, o amigo de infância só está disponível quando se conclui a rota de Hugo), e o final verdadeiro está escondido, depois de todas as rotas serem concluídas.

Uma visual novel fácil com minigames

Como toda visual novel que s e preza, o core do gameplay é baseado em ler os textos e fazer escolhas para aumentar a afeição com os rapazes… Bem, exceto que em Genso Manège, é facilimo aumentar afeição deles, basta escolher a segunda opção nos diálogos individuais… Eu queria estar brincando, mas não. Por outro lado, essa opção evita súbitos finais ruins em escolhas erradas, como a vez em que eu explodi o mundo ao olhar a Rei Ayanami se trocando no vestiário na visual novel de Evangelion. SIM, ESSA FOI UMA SITUAÇÃO REAL, E SIM, FOI NUM PRODUTO OFICIAL FEITO PELA GAINAX.

Voltando ao jogo, além dos trechos de visual novel, o jogo coloca no seu caminho, dois minigames bem simples, para simular a nossa protagonista recuperando a magia. Num deles, você precisa clicar na maior quantidade de estrelas possíveis num determinado período de tempo (E o jogo vai ranquear sua performance de acordo) e no outro, você precisa alinhar a estrela que diminui o tamanho com o espaço demarcado. Bem simples. Como eu disse, minigames simples, e que após a primeira vez que o jogador os completa, é possível pular esses minigames na próxima vez, garantindo sucesso automático. Vou confessar que preferiria que ao invés disso, houvesse uma opção de jogar com ou sem os minigames, como acontece em C14 Dating, por exemplo. Por outro lado, a opção de pular evita a repetição da mesma coisa sempre.

Espetáculo audiovisual

As composições do jogo, excelentes que passam o clima fantasioso e lúdico de um parque de diversões, foram compostas por um velho conhecido nosso, Takeshi Abo, que fez a trilha de SINce Memories: Off the Starry Sky. Recomendo dar uma escutada na OST do jogo. O tema de abertura e encerramento são interpretados por pessoas que são relativamente de peso pra quem assiste anime, com Rico Sasaki (que canta o tema de Welcome to Japan, Ms. Elf) interpretando o tema de abertura “Histoire du Rêve” e Yumi Matsuzawa interpretando o tema de encerramento, “Kyoumei ~Rèsonance~”.

O jogo possui um elenco talentoso de dubladores por trás, como manda as produções de alto orçamento da MAGES, com os seiyuus desempenhando bem seus papéis. Pena que Emma não tem voz, mas ei, não se pode ter tudo.

Graficamente, vamos começar com um dos problemas, por assim dizer do jogo… As caixas de texto, elas são em um tom claro demais, e contrastando com a fonte branca, mesmo com o contorno, deixa um cadinho incômodo de ler. E no PC, o jogo pode ter alguns problemas vez ou outra, sprites não carregando (isso também acontecia na versão de PC de Konosuba). Fora esses problemas, Genso Manège é um deleite visual com belíssimos sprites e cenários de tirar o fôlego (para o padrão de visual novels), com uma paleta de cores que passa um calor suave, que até engana o jogador, já que o jogo é mais profundo do que as imagens deixam transparecer. Mas, por alguma estranha razão, nas CG’s onde Emma e o par em questão se beijam… Os lábios não se tocam. Vai entender.

Uma boa porta de entrada para o gênero Otome

Genso Manège esconde uma história mais profunda sob o véu de mágica e parquinho de diversões. É uma visual novel excelente e pode ser usada como porta de entrada para o subgênero de Otome Novels, ainda que o preço de R$ 104,90 do PC não pareça convidativo. Você pode deixar o jogo na sua lista de desejos e aguardar por uma promoção.

Nota final: 9/10

Genso Manège está disponível para Nintendo Switch e PC (e existe uma versão para iOS, disponível apenas no Japão) e esta análise foi feita com uma chave do Steam gentilmente fornecida pela PQube.

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C14 Dating | Escavando uma paixão https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/04/18/c14-dating-escavando-uma-paixao/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/04/18/c14-dating-escavando-uma-paixao/#comments Sun, 18 Apr 2021 08:00:49 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=7108 Hoje em dia, o mercado no ocidente é muito mais receptivo com Visual Novels do que dez ou vinte anos atrás. O que era um nicho extremo usualmente associado a erotismo, hoje é uma coisa normalmente aceita e ainda que não seja pra todos, tem seu mercado, com fãs e desenvolvedores e grandes projetos no […]

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Hoje em dia, o mercado no ocidente é muito mais receptivo com Visual Novels do que dez ou vinte anos atrás.

O que era um nicho extremo usualmente associado a erotismo, hoje é uma coisa normalmente aceita e ainda que não seja pra todos, tem seu mercado, com fãs e desenvolvedores e grandes projetos no Kickstarter, ainda que tenha a usual produtora que tira sarro do gênero (Né, BLIZZARD?).

Enfim, ainda que o ocidente não receba muitos portes de novels japonesas em termos de console (Jogos como Da Capo e DearDrops, apesar de receberem versões localizadas no PC, suas contrapartes de console permanecem no Japão), mas não significa que os consoles não recebam localizações, pois séries como Nekopara, Utawarerumono e Steins;Gate recebem versões.

LEIAM – Morbid: The Seven Acolytes | Uma joia bruta

A produtora italiana Winter Wolves tem um catálogo extenso de Visual Novels, que foram lançadas para PC por anos e agora começam a aparecer nos consoles, graças a Ratalaika Games. E o mais recente jogo da Winter Wolves a aparecer nas lojas online foi C14 Dating, lançado no final de março.

Será que ele vale a pena o seu tempo, ou é só uma das muitas Visual Novels que chegam e vão rapidamente?

Escavando longe de casa, e encontrando mais do que ossos

Você é Melissa Flores, estudante do terceiro ano de antropologia que resolve fazer um estágio de arqueologia durante o verão. Só tem um detalhe, o sítio arqueológico se localiza na Bélgica (qual é a desses desenvolvedores que ambientam seus jogos na Bélgica? – Foi assim com Black Legend e agora com C14 Dating), 8000 quilômetros de sua terra natal, a Califórnia.

Tudo bem que ficar por dois meses em um país desconhecido pode ser estressante e está fora da sua zona de conforto, mas a oportunidade de escavar um sitio pré histórico real é boa demais pra deixar passar.

E quem sabe nas escavações, você acabe encontrando ossos, ou ferramentas forjadas pelos Neandertais… Nisso, você também pode forjar novas amizades, e até mesmo se apaixonar.

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Apesar de ser uma Otome Novel (Visual Novel direcionada ao público feminino, onde a protagonista tem um grupo de homens como interesse romântico), C14 Dating não se prende ao principal clichê de Otome Novels. Usualmente no gênero, todos os interesses românticos são lindos de morrer e a escolha basicamente se resume a personalidade.

Aqui, cada interesse romântico possui alguma característica que não o coloca no estereótipo de cara perfeitinho, o Hendrik por exemplo não tem parte do braço. Kyler tem problemas de audição, Shoji é um rapaz acima do peso e a própria Melissa é diabética.

Isso acaba criando personagens menos distantes e mais relatáveis a pessoa que está jogando.

Visual Novel encontra Picross (e esse é o momento em eu assumo minha burrice)

Como já é esperado da Winter Wolves, o jogo mistura os elementos de visual novel com algum outro tipo de gênero, e novamente, aqui temos puzzle.

Você pode jogar como uma visual novel normal, com os eventos passando e suas escolhas podem levar a rotas diferentes, que no fim podem levar ao final de romance ou amizade com o alvo da rota.

Ou você pode habilitar os mini games de puzzle… Que parecem difíceis, mas são mó legais. Existem dois tipos de puzzles em C14 Dating. Você pode fazer o trabalho de escavação na caverna ou a limpeza no laboratório.

A escavação funciona como em picross. É meio difícil de explicar, mas vou tentar. Você tem um tabuleiro (que pode ser de 5×5 peças, 10×10 peças ou mesmo 15×15 peças) e ativar certas peças de acordo com o número que está na borda, e seguindo essas regras no tabuleiro, no fim você revelará uma figura (ou algo que lembre uma).

A princípio, parece algo difícil (especialmente pra alguém que tem dificuldade em dar 3 passos em um puzzle sem parecer um completo imbecil), mas conforme se segue a prática, a lógica do picross deixa as coisas mais fáceis. E caso você esteja com dificuldades, dependendo do puzzle, uma quantidade específica de dicas ficam disponíveis.

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A limpeza é mais fácil, mas também envolve mais aleatoriedade. Você é encarregado de limpar uma peça e isso é dividido em algumas partes (usualmente 4 ou 5), e para cada parte, você tem uma quantidade de força que precisa aplicar (isso é gerado aleatoriamente pelo jogo). E você tem cinco objetos que pode utilizar para isso. O jogo gerará 5 números de 1 a 9 e Você precisa escolher quais objetos vai utilizar.

No primeiro objeto que você escolhe, um valor lhe é dado e com base nele, você precisa escolher os outros para a soma dar o valor da força necessária, ou até 3 pontos a menos. Se ultrapassar, você quebrará o objeto e se a pontuação for 4+ pontos menor, o objeto não será limpo.

É uma mistura de RNG e um pouco de lógica + sorte, que explicando, parece complicado, mas tem um tutorial que explica facilmente.

Não é só sobre fazer escolhas

C14 Dating

A parte de Visual Novel de C14 Dating não se resume simplesmente a fazer escolhas no momento em que elas aparecem. Antes de cada uma das oito semanas do estágio, você precisa dividir as suas atividades, e cada uma delas está relacionada a um dos personagens romanceáveis (exceto as ligadas aos mini games).

Na primeira semana, não há atividades dos mini games a se fazer, mas da segunda em diante, sim. Saber qual atividade relacionada ao personagem que você deseja romancear ajuda bastante na hora de determinar o que você vai fazer.

E caso queira saber como anda a afinidade, ainda existe um menu para saber a quantas anda o seu progresso com cada um dos pretendentes.

Artisticamente lindo

C14 Dating

A musica tema de C14 Dating é composta e interpretada pela banda Leetstreet Boys, que já trabalhou com o Winter Wolves em outros jogos, como Nicole, Roommates e Queen of Thieves, e é um tema até que calmo, doce, ditando o tom do jogo.

O restante da trilha, composta por Sebastien Skaf, que compôs algumas das músicas de Katawa Shoujo e No One But You, possui o clima exato pedido pelas cenas. Novamente, como criador de Visual Novels, sei o quão difícil é encontrar músicas que encaixem pro seu jogo, e compor para complementar uma temática, é uma tarefa ainda mais difícil.

Antes de falar sobre o visual em si do jogo, deixo meu elogio extremo a criadora da interface do jogo, Trisha Yuu (que fez como qualquer pessoa sã e jogou uma bomba de fumaça, desaparecendo do Twitter).

A atenção aos detalhes na interface é de encher os olhos, já que o tema de arqueologia não é lá fácil de ser transportada pra uma visual novel.

As ilustrações do jogo foram feitas por Deji (não o YouTuber, a desenhista), uma figurinha já conhecida na comunidade de Visual Novels ocidental, e chamam bastante a atenção de um leigo. De fato, foi a arte que me chamou a atenção quando o jogo apareceu na PSN, especialmente em meio a um monte de jogos marrons.

Cada personagem tem trejeitos próprios, a maioria tem pelo menos uma variação de roupa. E como apontado por mim, lá em cima, os personagens usualmente tem um defeitinho físico aqui e ali, então não é só “descrição”, você vê o Shoji um pouco mais gordinho, ou o aparelho do Kyler e por aí vamos.

Você ainda vai notar a diferença de traço do fundo pro sprite, que não se contrasta tão bem quanto em títulos japoneses, mas isso não quer dizer que os backgrounds sejam ruins, muito pelo contrário.

Ainda que o traço e estilo sejam diferentes, são cenários bem feitos e variados, ainda que dentro de uma mesma temática.

Dependendo da plataforma, numa promoção…

C14 Dating

C14 Dating vale a pena a compra? Sim e não. E não, não é o típico: “Ain, compre se você for fã de visual novel blá blá blá”.

A questão é que C14 Dating é uma boa visual novel, e isso é um fato. Creio que na versão de consoles, apenas um erro foi encontrado, o relacionado a troca de fontes (coisa que dá pra fazer no PC), e é uma platina relativamente fácil de se fazer. Não é óbvia, como 90% do catálogo da Ratalaika (já que exige mais de uma jogatina por conta dos múltiplos finais), mas não é complicada.

A questão é que no PC e no Xbox, o preço base do jogo é camarada, mas na Playstation Store, como a Sony acha que Brasileiro… Enfim, o preço na PSN Brasileira é caro.

Então a questão é, no PC eu recomendo a compra, sem pestanejar. Não é uma novel essencial, mas é divertida. No Xbox, se você tem uma grana sobrando… Talvez compre, se for fã de visual novel. Mas se não tiver dinheiro, aguarde uma promoção, porque vai valer a pena. Agora, no Playstation, aqui no Brasil…

Definitivamente aguarde uma promoção. Não pelo jogo, mas pelo seu bolso.

C14 Dating está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series, e de acordo com a Ratalaika, chegará em Maio ao Nintendo Switch.

E antes de me despedir: C14 é de Carbono 14, que tem a ver com arqueologia. Quando fiz a associação, minha cabeça explodiu.

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Essa análise foi feita com uma cópia de PS4 fornecida pela produtora.

 

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