Quando a animação Disney’s Tarzan saiu em 1999 a minha família alugou a fita VHS para conferirmos durante um fim de semana. Como qualquer família “normal” gostamos tanto que assistimos uma centena de milhares de vezes naquele mesmo fim de semana. O meu pai chegou a fazer uma cópia da VHS, que acabou correndo de mão em mão pelos demais membros de nossa família.

Senhora Disney fez um tremendo sucesso com minha família (e o mundo), afinal, naquela época tínhamos ótimas animações. Muitas dessas animações viriam a se tornaram ótimos jogos durante a era 16 bits, e com Tarzan não foi diferente.

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Quando o game chegou ao PlayStation e o nosso primo o levou para jogarmos em um domingo, a reação foi tão impactante quanto a de assistir a animação pela primeira vez. Não avançávamos muito no game mas a ideia de controlar um personagem que curtíamos estava ali. Soltávamos falas como: Uou, olha só o que dá pra fazer com o personagem.

Eu gosto bastante dessa lembrança com  o titulo, mas é fato que nostalgia as vezes nos cega pra muita coisa. Hoje, 22 anos depois de seu lançamento eu decidi jogar novamente e escolhi a versão que não tive acesso na época, a do Nintendo 64.

O Tarzan do 64

Disney's Tarzan

Uma das razões pela qual eu decidi optar pela versão do Nintendo 64 do Disney’s Tarzan foi que consegui o cartucho para jogar no console. Não tive um bom contato com o console na época, então tenho tentado compensar hoje em dia, sempre que posso.

Uma coisa é que se nota logo de cara é a diferença quanto a versão do PlayStation, sendo a mais marcante por suas cutscenes e trilha sonora. Sabemos que esses aspectos foram negativos para diversos títulos adaptados a console da Nintendo, logo sabia que iria trombar com esses pontos.

Por outro lado os loadings se foram junto com as cutscenes, então ao término de cada fase somos levado a tela de seleção de fases e com uma porcentagem na frente do titulo de cada uma delas, mostrando se deixamos algum coletável para trás.

Eu preciso dizer que outro fator que me atraiu foi que os gráficos são um pouco melhor que sua contraparte no PSX. O hardware do N64 faz a diferença aqui e temos menos serrilhados, tornando o mais bonito.

Coletáveis e o gameplay

Disney's Tarzan

Disney’s Tarzan traz alguns coletáveis para que possamos concluir 100% de cada fase, desde a coleta das letras que formam o nome do personagem a moedas e partes do retrato daquele macaquinho da animação.

As moedas são um pouco mais difíceis de se conseguir todas, principalmente nos mini games da água. Nada que um pouco de treino no resolva, mas tenha em mente que isso demanda algumas horinhas pra pegar o jeito.

O gameplay por outro lado é interessante e não enjoa, devido a variação nas fases, que hora estamos pulando e desviando da bicharada e em outra estamos correndo de uma manada de elefantes. Por sorte Tarzan utiliza de frutas como projeteis, cada uma com um resultado diferente.

Claro, ele também usa aquela faca de pedra que mais para frente se torna uma lança, o que permite um ataque próximo. Sinceramente, com o uso das frutas, faz pouco sentido querer usar a faca, mas ao menos ela tá aqui pra remeter a trecho do filme e a luta contra Sabor.

A trilha sonora

Perde um pouco da graça nessa versão do cartucho, muito por conta da limitação que todos estamos cientes. E eu adoro a trilha sonora dessa animação composta por Phil Collins (Ed Motta, também curto sua versão, mas acaba aqui meu conhecimento sobre seu trabalho), devo ter perdido a conta das vezes que parei para ouvi-la, então fiquei levemente desapontado.

Para os que não jogaram a versão do PlayStation ou PC, provavelmente não sinta tanto essa diferença, mas quem teve contato vai perceber a queda na qualidade sonora por conta da compressão. Não compromete mas é perceptível. Por outro lado as vozes ainda estão aqui.

Concluindo

Eu esperava encontrar algumas dificuldades no controle do Nintendo 64, que pelo motivo de não ter sido um console que joguei muito, realmente tinha dificuldades.  Como o game não usa muitos comandos, então funciona bem e o botão Z acaba sendo usado para realizarmos um golpe no solo, para abrir passagens secretas.

No geral tudo funciona bem e o game não perde o brilho que tinha, chegando até ser muito mais dinâmico por conta da ausência de loadings e outros cortes.

A dificuldade dele pode assustar aqueles que se arriscarem pensando ser apenas um jogo para passar o tempo, pois ela é gradativa. Depois da primeira fase se prepare para encontrar com níveis mais complexos, com coletáveis mais difíceis de serem encontrados.

Disney’s Tarzan continua sendo um dos meus games favoritos, mesmo com as limitações do hardware do N64, ele agrada por conta de todos esses elementos. Se ainda não o jogaram, recomendo.

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Author: Diogo Batista

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, é um eterno rabugento. Opta por investir seu tempo entre games, filmes, livros e sua família à perder tempo discutindo na internet.