Arquivos Secret of Monkey Island - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/secret-of-monkey-island/ Um pouco de tudo na medida certa Tue, 06 Apr 2021 22:23:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Arquivos Secret of Monkey Island - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/secret-of-monkey-island/ 32 32 Dude, Where is my beer? | Eu quero goróó https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/04/06/dude-where-is-my-beer-2/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2021/04/06/dude-where-is-my-beer-2/#respond Tue, 06 Apr 2021 22:23:57 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=6987 Recentemente aqui no site, foi publicada a análise de Tormenta: O Desafio dos Deuses, um jogo medíocre que foi feito com base em financiamento coletivo e tudo que o jogo deixou pelo caminho foi um amontoado que mistura decepção, apoiadores putos e um outro jogo no universo de Tormenta que conseguiu ser pior que o […]

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Recentemente aqui no site, foi publicada a análise de Tormenta: O Desafio dos Deuses, um jogo medíocre que foi feito com base em financiamento coletivo e tudo que o jogo deixou pelo caminho foi um amontoado que mistura decepção, apoiadores putos e um outro jogo no universo de Tormenta que conseguiu ser pior que o primeiro.

Porque sim, fizeram um jogo de Holy Avenger, e SIM, ELE É PIOR QUE TORMENTA: O DESAFIO DOS DEUSES.

LEIAM – Tormenta: O Desafio dos Deuses | Falha Crítica

Enfim, basicamente falei sobre um jogo ruim que veio de financiamento coletivo. O que isso tem a ver com o jogo que estou analisando?

Pois bem, o jogo desta análise que você está lendo neste exato momento também veio de um financiamento coletivo, porém, ao contrário de Tormenta: O Desafio dos Deuses, Dude, Where is my Beer?, não bateu sua meta inicial de 7 mil dólares (que em dezembro de 2018 eram mais ou menos 27 mil reais), arrecadando apenas 1807 dólares (6902 reais na cotação da época).

Por sorte a campanha era com o fundo flexível e os desenvolvedores do jogo trabalharam com o que tinham.

Será que valeu a pena? Confira comigo.

Em busca de uma Cerva

Você é o primo ruivo norueguês do Baixinho da Kaiser, e acabou de chegar a Oslo após um encontro com seu primo e outros personagens esquecidos de propagandas, como o Tio da Sukita, o Sebastian da C&A e o mala das Casas Bahia que perguntava “QUER PAGAR QUANTO?”.

Após uma longa viagem, tudo o que você quer é tomar uma cerveja simples geladinha, daquelas de bar… Ou seja lá como cervejas simples sejam servidas, eu não bebo, só faço as piadas aqui.

Enfim, tudo o que você quer é tomar uma cerveja gelada barata, porém por algum decreto de um hipster babaca (que “doravantemente” chamarei de Philip Grandson), as cervas foram proibidas, dando lugar a cervejas artesanais com nomes extremamente longos tipo Elixir Caribenho da Austrália do Norte, ou algo do tipo, geralmente produzidas por aqueles hipsters pescoço de lápis que frequentam a USP.

Revoltado com a falta de uma cerva feita por pessoas que ainda possuam todos os neurônios e não se preocupam com a quantidade de likes no twitter/instagram, o nosso ruivo de meia idade começa uma peregrinação em busca da cerveja, tendo que lidar com todo tipo de hipster babaca e esnobe, além de ter que resolver coisas extremamente desnecessárias e que só fazem sentido se você se chama Guybrush Threepwood.

Uma jornada imbecilmente desnecessária, e é por isso que ela vale a pena

Dude Where is my beer

O jogo é um adventure point’n click, bem ao estilo de jogos como Secret of Monkey Island e Maniac Mansion, então você se move clicando no mouse para onde quer ir, e tem um punhado de ações que pode fazer, clicando nelas, ou usando atalhos do teclado (úteis em alguns pontos da história).

Porém, tem uma mecânica interessante (que pode ter sido ou não utilizada em algum outro jogo, não sou PhD em adventure), já que o seu personagem é um cara que não é muito sociável, então para poder falar com a maioria das pessoas, você terá que beber as cervejas de nomes desnecessariamente complicados, feito Mel Ucraniano de Nepal Senegalense, que podem ser adquiridas nos bares ao longo da jornada.

Tomando uma cerveja, você aumenta um pouco o nível de manguaça e torna possível falar com as pessoas e pegar alguns itens que quando sóbrio, seu personagem se recusa a pegar. Nisso, segue o gameplay, com o personagem fazendo coisas imbecilmente complicadas, que no fim das contas são uma carta de amor aos adventures clássicos da LucasArts.

Não é sempre que o senso de humor do jogo vai te fazer rir, mas o mundo do jogo tem um background interessante o suficiente pra te manter jogando.

Tem coisas que não foram exploradas o suficiente, talvez pela falta de fundos. Isso também reflete na duração do jogo, já que ele pode ser terminado em cerca de 3, 4 horas, ou bem menos se você souber o que estiver fazendo, e sendo necessário dois playthroughs para fazer todas as conquistas (uma sem receber as dicas do gato falante e uma recebendo todas as dicas do gato falante).

Nem tudo é diversão, já que algumas decisões feitas não foram as melhores pro jogo. Primeiro, nem sempre o jogo vai te indicar que você já fez algo que gerou uma reação em outro lugar, o que pode levar a coçadas de cabeça. E no aspecto mais técnico, o jogo não permite que você mude a resolução do jogo, o que é um contra pra quem usualmente joga no modo janela.

Poucas cores, boa animação, trilha fabulosa

Dude Where is my beer

O estilo de arte escolhido para o jogo pode parecer estranho a princípio, porém você se acostuma e vê que é até bem desenhado e os sprites são razoavelmente bem animados. Os cenários são ricos em detalhe, e refletem cada tipo de bar que você frequenta, desde o básico, ao bar esportivo e o bar do Paquistanês com nome inspirado em banda de Death Metal.

E claro, o jogo foi feito com uma paleta de cores pequena, mas bem escolhida, com as cores contrastando de maneira harmoniosa, não agredindo aos olhos, mesmo na parte onde há um alerta sobre epilepsias, não chega a ser algo gritante.

A trilha sonora de David Borke é bastante funcional, podemos definir ela assim. Apesar de não ter aqueles temas memoráveis, ela é competente o suficiente para deixar o jogador no clima necessário para essa curta aventura.

Nem todas as áreas, necessariamente vão ter músicas, muitas vezes, o que lhe acompanhará são seus passos, ou a cacofonia de uma multidão.

Uma surpresa grata, mas que não é pra todos

Os próprios desenvolvedores disseram que eles fizeram basicamente o jogo que queriam jogar, então se você é um fã dos clássicos adventures da LucasArts, vai se sentir em casa com Dude, Where is my Beer?, pois ele possui os elementos que fizeram com que esses jogos se destacassem na época.

Nem todo mundo curte adventures, óbvio, mas aqueles que curtem, vão encontrar um bom aperitivo aqui.

Dude, Where is My Beer está disponível para PC’s, e a análise foi feita com uma cópia, gentilmente cedida pelos desenvolvedores.

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Distortions | E se eu dissesse que o seu próximo Shadow of the Colossus está em Distortions https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/02/14/distortions-e-se-eu-dissesse-que-o-seu/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/02/14/distortions-e-se-eu-dissesse-que-o-seu/#respond Thu, 14 Feb 2019 12:26:00 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/02/14/distortions-e-se-eu-dissesse-que-o-seu/ É difícil acreditar que o Brasil consegue produzir alguma coisa em meio a tanta falta de incentivo cultural e criativo, você sabe, afinal, desde pequenos somos alvejados por produções internacionais. Sempre os filmes americanos, sempre os animes japoneses, sempre as bandas internacionais. A culpa não é nossa, infelizmente, alguma coisa nos impede muitas vezes de […]

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É difícil acreditar que o Brasil consegue produzir alguma coisa em meio a tanta falta de incentivo cultural e criativo, você sabe, afinal, desde pequenos somos alvejados por produções internacionais. Sempre os filmes americanos, sempre os animes japoneses, sempre as bandas internacionais. A culpa não é nossa, infelizmente, alguma coisa nos impede muitas vezes de lembrar que o brasileiro é muito engenhoso, e quando têm recursos para isso, podemos criar qualquer coisa. Por exemplo, o rádio, o Walkman, a máquina de escrever, e até o painel eletrônico para marcar quem entra e sai do campo de futebol.

E nos videogames, então, nossa, é mais comum que as propagandas de 0900 da década de 90. Essas propagandas acabaram, mas a falta de acreditar que os estúdios brasileiros conseguem criar jogos tão bons quanto os americanos e japoneses, isso ainda continua.


Peguemos como um dos exemplos mais básicos que aconteceu com a franquia Wonder Boy no Master System, originalmente é uma produção japonesa. De repente, nos anos 90, colocaram a Turma da Mônica no lugar dos personagens originais. Isso poderia ter acontecido com qualquer outro jogo, poderiam ter feito com Psycho Fox, era só trocar a raposa pela Mônica e o corvo pelo Sansão. No entanto, resolveram fazer essa substituição no Wonder Boy, e não é que isso ajudou a elevar as vendas do jogo no país? Tinha até propaganda na TV. Quem não queria jogar Mônica no Castelo do Dragão ou Turma da Mônica: O Resgate? Se não fosse por isso, seria apenas um jogo a mais. O marketing da Tectoy foi tão forte e certeiro que, para quem veio daquela época, não dá para pensar em Wonder Boy sem pensar também na Turma da Mônica.




E se eu dissesse que o seu próximo Shadow of the Colossus está em Distortions? Aí vai dizer, não, porque nada supera. Por isso, não tenha medo de conhecer as coisas, principalmente, não tenha medo de sair da zona de conforto. Deixe de lado qualquer sintoma de viralatismo, até porque isso é um pensamento do início do século XIX. Não poder dizer que gosta de algo porque foi feito no Brasil? Então, deveríamos sentir vergonha de comer arroz e feijão no almoço, sinta vergonha de comer brigadeiro em festa de aniversário. E de volta aos jogos, já ouvi criador brasileiro dizer que não gosta quando escrevem que o jogo foi produzido no Brasil – Por que sentir vergonha disso?




Mas eu acredito que tenham pessoas que ainda esperam que os estúdios brasileiros produzam algo a nível Triple A. E neste momento não precisamos esperar muito, a produção do estúdio Among Giants está aí como um Triple I – jogo indie de alto custo.


É possível enxergar muita coisa aqui, a começar com as cenas em vídeo, e no que diz respeito a personagem, conseguem alcançar o nível das modelagens da Quantic Dreams. O in-game mostra um visual do fim da geração PS2 com mecânicas da geração PS1 – encontre objetos, desvende puzzles, não dá pra chegar naquele ponto até desbloquear um novo poder, e a novidade fica por conta do violino e as partituras que ensinam novas músicas que darão mais vida aos cenários, além de ajudar a vencer hordas de inimigos e demais obstáculos pelo caminho. Use a memória para decorar sequências de poderes e usá-los nos momentos mais oportunos, vale também anotar no caderno para não se perder depois.




E como o jogo pune a pessoa do controle? Não tem game over ao morrer, a personagem volta para o último ponto. Isso acontecia muito na geração PS2/Xbox 360 e ainda acontece em vários jogos, mas podemos voltar a lembrança em Secret of Monkey Island, da LucasArts, que já naquele 1990 trazia um jogo onde não existia tela de game over.


Percebeu quantas passagens tivemos aqui? Diante do videogame, e desde o Atari, jogadores crescem com muitas referências externas. Se isso não fosse verdade, ninguém escreveria Blazing Chrome e Contra Hard Corps no mesmo texto.




E se tem algo que os estúdios brasileiros conseguem fazer de melhor é contar história. Aprendemos isso com nossos avós, e Monteiro Lobato. É incrível que na oportunidade de criar jogos, o brasileiro consegue dar a volta por cima ao criar jogos que conseguem conversar com quem está no controle, ao invés de pedir que apenas apertemos botões para chegar ao final. E pode ter certeza que tem muito estúdio internacional atentos para o que está sendo feito por aqui.




Quando possível, separe um tempo do console, liga o PC e procure por Distortions no Steam, e garanta uma produção reconhecida em 10 categorias, sendo 5 prêmios – Melhor Jogo, Melhor Tecnologia, Melhor Jogo Brasileiro e Escolha do Público no BIG Festival, Ideia Mais Original e Melhor Jogo da BGS10 (São Paulo/2017). Só fique atento com a configuração, o jogo é brasileiro mas não é humilde.


E encerro aqui com meu agradecimento ao Cyber Woo, por abrir esse espaço no Arquivos do Woo para compartilhar com vocês essa experiência com Distortions.


*O jogo Distortions foi analisado com uma chave digital fornecida pela Among Giants.


Distortions [PC]
Desenvolvedora: Among Giants
Publisher: Among Giants

Data de Lançamento: 02/03/2018


Essa analise feito por nosso amigo Marvox do blog Marvox Brasil.

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