Esses dias, eu joguei a demo de um Beat’Em Up chamado Shing! (Disponível pra PS4, Switch, PC e Xbox One) e eu estava com receio ao ver imagens do mesmo, porque era um jogo feito em Unity com os gráficos em 3D. Isso me trouxe más lembranças… Felizmente pela demo, Shing! é um bom jogo, e recomendo que a teste antes de considerar comprar o mesmo.

“Que más lembranças eram essas?” Você, voz da minha consciência que uso pra estender introduções, pergunta. Bem, ela me lembrou de um jogo Brasileiro, que joguei eras atrás. Que jogo era esse? Por quê fiz essa pergunta, tá no título do artigo, porra Sancini, você não faz nada direito!

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Enfim, “Financiamento Coletivo”… Essas duas palavras levaram muitos desenvolvedores independentes ao sucesso. Diversos jogos bacanas foram bancados pela comunidade desde o surgimento do Kickstarter. Maaas, nem tudo são louros. Além das muitas ideias ruins que surgem, muitas vezes alguns jogos não conseguem ser entregues da maneira prometida, ou demoram tanto que quando saem, há sempre algo datado.

Tormenta é possivelmente um grande marco no RPG nacional. Tendo como base (e expandindo) o universo apresentado em Holy Avenger, o cenário cresceu bastante de 1999 até aqui, sempre se adaptando aos sistemas de RPG vigentes no momento. Em 2013, surgiu o financiamento coletivo (no Catarse) para um jogo baseado em Tormenta.

Uma mistura de Beat’Em Up com RPG, chamada Tormenta: O Desafio dos Deuses. E dois anos depois do financiamento, o jogo chegou ao mercado na finada loja SplitPlay. Será que ele vale a pe…

AH, VOCÊ JÁ LEU O TÍTULO, AGORA VOCÊ VERÁ EU ALOPRANDO O JOGO NOS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS!

Vamos salvar o mundo do Vilão Mau que odeia o Bem

Gatzvalith, o Lorde da Tormenta, raptou a poderosa maga Niala e pretende sacrificá-la num ritual profano. Seu objetivo: espalhar a Tormenta por Arton, engolfando o continente na Tempestade Rubra. Já é tarde demais para deter o ritual. Mas dois heróis perdidos na história do mundo ainda podem chegar a tempo!

Você tem a chance de controlar Samson Wulfred e Selena, dois personagens de classes diferentes, que se refletem no gameplay de cada um e nas habilidades que eles usam durante as fases.

Diga-se de passagem, um dos (se não o) melhor recurso do jogo, é a maneira com a qual os pontos que se ganha ao passar de nível funcionam ao serem gastos. Há toda uma explicação didática e simples sobre como cada atributo utilizado funciona de maneira razoavelmente honesta.

E é aqui que acabam os pontos realmente positivos sobre o jogo

A jogabilidade é bastante falha. A detecção de colisão do jogo é horrível, e muitas vezes seu golpe não acerta o inimigo, e o timing nem sempre é o ideal. E em um beat’em up, a detecção de colisão é algo trivial, que deve ser precisa, ou isso ferra o gameplay.

A dificuldade do jogo chega a ser desleal, e não do tipo que te recompensa quando você acerta ou consegue algo, mas do tipo que os inimigos tem a vantagem em cima dos bugs e falhas de colisão, os ataques dos bosses tiram um dano cabuloso e o dash tem um erro, que quando você ataca correndo, após o personagem finalizar o golpe (sem acertar), ele continua correndo.

Você sabe qual a definição de genérico?

Tormenta: O Desafio dos Deuses

Graficamente ele não impressiona muito, possui uma variedade até bacana nos cenários, e eles possuem alguma profundidade, mas não chegam a ser marcantes (talvez por eu não ter jogado o RPG de mesa de Tormenta, ou por ser desinteressante, não sei).

Os personagens no jogo são muito sem sal, desinteressantes demais para que possamos chamá-los de próxima referência do gênero, e sequer comparáveis aos personagens do Dungeons & Dragons da CAPCOM (que eu não sei os nomes, mas também aí eu devo ter jogado os D&D umas 2 ou 3 vezes… Em toda a minha vida).

Os inimigos chegam a ser genéricos demais (num gênero em que genérico é padrão, eles conseguem superar isso) e torna a tarefa completamente enfadonha. Some isso a animação ruim e travada, típica de jogos (mal) feitos na Unity (uma engine boa quando feita com competência). E os personagens nas cutscenes tem um estilo gráfico interessante, mas que pra quem leu Holy Avenger ou já viu alguma artwork da série (ou mesmo artes baseadas em Tormenta) fica um pouco destoante e até meio estranho, mas não necessariamente mal feito.

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Tormenta: O Desafio dos Deuses

Sonoramente, a trilha é fraca. Eu achei ela desinteressante, nenhum tema que fique na sua cabeça, nem mesmo durante a partida. Os efeitos sonoros também não convencem, lembrando aquela enxurrada de Beat’Em Up’s genéricos que tivemos nos anos 90.

Vem na minha conclusão

Tormenta: O Desafio dos Deuses, tinha um enorme potencial de se tornar talvez uma franquia de jogos, mas seus inúmeros problemas tornam a experiência maçante, e (talvez) se fosse bidimensional, muitos problemas seriam minimizados e até mesmo eliminados. Sinceramente, não valia o cobrado na época (36 Reais), e sei de apoiador que ficou 300% pistola com o resultado, e eu entendo a raiva.

O jogo está disponível para PC e pode ser baixado de graça, já que quando a NUUVEM adquiriu a loja SplitPlay, o jogo não migrou para a plataforma e o DRM de quem comprou se tornou inútil (ele exigia o e-mail e senha de cadastro do SplitPlay).

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.