Arquivos Sci-fi - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/sci-fi/ Um pouco de tudo na medida certa Mon, 07 Apr 2025 17:27:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Arquivos Sci-fi - Arquivos do Woo https://www.arquivosdowoo.com.br/tag/sci-fi/ 32 32 Nobody Nowhere | Replicante ou Implicante? https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/04/07/nobody-nowhere-replicante-ou-implicante/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/04/07/nobody-nowhere-replicante-ou-implicante/#respond Mon, 07 Apr 2025 17:27:22 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=19852 As vezes eu acho que a Internet passa tempo demais espalhando negatividades. Em especial relativo a jogos. As pessoas passam mais tempo falando do que não gostam do que de fato jogando e divulgando jogos que gostam. É triste, porque muitos jogos bons e bem feitos acabam com 20, 50 de público porque não tem […]

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As vezes eu acho que a Internet passa tempo demais espalhando negatividades. Em especial relativo a jogos. As pessoas passam mais tempo falando do que não gostam do que de fato jogando e divulgando jogos que gostam. É triste, porque muitos jogos bons e bem feitos acabam com 20, 50 de público porque não tem ninguém divulgando direito, nenhum criador grande jogando aquela jóia escondida. Ao invés disso, ou passam tempo sendo shills do seu típico AAA, ou jogam o índie safe ou no caso oposto, falando daquele jogo que é fácil falar mal ou do próximo flop.

Aí em vídeos, falam: FLOP DA VEZ TÁ COM 600, 400, 300 JOGADORES. Bicho, tem muito índie bom que mataria pra ter 300 pessoas ao mesmo tempo jogando. E é por isso que faço da minha missão aqui no Arquivos do Woo, ir atrás daqueles jogos que ninguém fala, dar uma voz (ainda que pequena) a devs desconhecidos e jogos bacanas que de outra maneira, não seriam falados. Claro, isso não depende só de mim, mas eu tento na medida do possível entrar em contato.

Um desses possíveis títulos que podem ter passado batido pelo público ocidental, é um singelo híbrido de side-scrolling com visual novel chinês que chegou ao Steam em Março. Nobody Nowhere é o título da análise de hoje, e veremos se ele vale a pena.

Vida e Morte Replicante

Estamos num mundo futurista quasi-cyberpunk, onde formas de vida artificiais, os replicantes, existem. Mas a vida para os replicantes não é nada fácil. Dos replicantes criados, poucos sobrevivem, e os que sobrevivem, em algum ponto, possuem a sua consciência deletada para que uma personalidade “limpa” e subserviente seja adicionada pelo cliente que adquiriu o replicante.

Nesse cenário, somos apresentados aos nossos dois protagonistas, Julian, um replicante que “nasceu” recentemente, e Gaia, um homem que tem como missão, matar os replicantes, o que parece esquisito, para um funcionário da companhia que cria esses replicantes. Como é um jogo relativamente curto, eu não darei spoilers da trama, por isso a minha descrição dos personagens é vaga.

A história dos dois acaba se cruzando, e entendemos o porquê de Gaia querer matar os replicantes, e como a vida de um replicante, não importando como ele vive, sempre é destinada a tragédia. A narrativa não é linear, com muitas vezes voltando ao passado dos personagens, em especial, a relação de Gaia e seu irmão. E o final do jogo, após as quase três horas, é extremamente agridoce e brutal.

Side-scroller visual novel com minigames

Eu coloco como Visual Novel, porque o jogo tem um foco gigante na narrativa, mas não há escolhas como numa novel convencional. O foco no jogo a princípio são as seções de side-scroller, onde temos que ir do ponto A ao B, entrando em locais, pegando coisas e indo ao ponto B. No geral, não há nenhuma dificuldade nisso e nem destaque. Porém, para os caçadores de conquistas, há achievements pra fazer certas coisas, como interagir com as estátuas das Arcanas, comer um sanduíche de porco, pegar a moto do Gaia e usar ela. Isso são conquistas de objetivos opcionais do jogo.

A segunda parte da jogabilidade, são minigames extremamente simplistas de hackeamento. Geralmente envolvem navegar num labirinto, é coisa bem simples, mas que ao avançar do jogo vai ficando mais complexo. Envolve um leve combate aqiu(nada complexo, basicamente, usar barra de espaço e o shift dependendo do minigame), memorização ali. Isso funciona mais como um complemento da narrativa. O jogo não pede muito do jogador nesse quesito. Tem uns minigames que são mais voltados pra narrativa, como o de regar a planta, ou achar o ponto pra remover um azulejo.

Por fim, temos a parte mais chata, que são as etapas onde há um quicktime event (em especial a do final do jogo) e Stealth, que parece obtusa. São poucas as seções, mas como tenho ódio extremo a stealth, eu preciso falar sobre. Nem que seja só de passagem. Dito isso, o jogo dá pra ser terminado em menos de três horas (esse é o tempo aproximado dito no steam, mas o Save do jogo em si não conta o tempo em diálogos, então vai parecer menos ainda, em termos de gameplay puro, talvez uma hora, com outra hora e meia sendo dos diálogos).

2D for the win

O jogo utiliza-se de belíssimos sprites pra contar sua história, com pixel art detalhada, apesar do cenário ser na maior parte repetitivo (boa parte do jogo se passa num lugar só), é tudo muito bem feito. As animações presentes são fantásticas, e as cenas estáticas são igualmente belíssimas. Visualmente, o clima cyberpunk é agradável, e aqui é até um pouco menos opressor do que o que vemos com regularidade no gênero.

A trilha sonora é fantástica, com temas pontuais e que encaixam na proposta do jogo. Eu destaco aqui os maravilhosos temas de abertura e encerramento do jogo.

Recomendado

Nobody Nowhere é um jogo curto, dá pra ser terminado em uma tarde, mas é extremamente competente e bem feito. No momento em que escrevo isso, é possivelmente meu indie favorito desse ano. Se vai permanecer assim, não sei.

Nota: 9/10

Nobody Nowhere está disponível para PC através do Steam, e essa análise foi feita com uma chave cedida pela distribuidora.

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I Have No Mouth, and I Must Scream https://www.arquivosdowoo.com.br/2014/10/03/i-have-no-mouth/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2014/10/03/i-have-no-mouth/#comments Fri, 03 Oct 2014 21:41:00 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/2014/10/03/eu-nao-tenho-boca-e-devo-gritar-harlan/ Livros são maravilhosos. Possuem o poder de nos transportar para mundos diferentes, surreais, nos proporcionando a chance de vivermos aventuras que nunca tínhamos sonhados. Claro, quando digo isso me refiro a bons autores, mas tem aqueles que conseguem até mesmo destruir a imagem de personagens históricos como lobisomens, vampiros e zumbis. Cara, isso é muito […]

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Livros são maravilhosos. Possuem o poder de nos transportar para mundos diferentes, surreais, nos proporcionando a chance de vivermos aventuras que nunca tínhamos sonhados.

Claro, quando digo isso me refiro a bons autores, mas tem aqueles que conseguem até mesmo destruir a imagem de personagens históricos como lobisomens, vampiros e zumbis.

Cara, isso é muito triste, mas…

Seja bem-vindo a mais uma dica de livros aqui do site, pois eu sou um cara que gosto muito de ler (quando me resta tempo para isso ) e apesar das besteiras que digo constantemente twitter, trarei a vocês uma provar que tenho ao menos 2% cultura.

Harlan Ellison – reprodução/Internet

Um pouco sobre o autor

I Have No Mouth, and I Must Scream foi escrito por Harlan Ellison, escritor americano nascido no ano de 1934, e considerado um dos grandes nomes da ficção cientifica e horror, que infelizmente nunca teve seus livros traduzidos para nossa língua.

Mas não fiquemos tristes, pois se você é pessoa persistente, provavelmente conseguiu ler algumas coisas, mesmo em inglês.  Sei que é difícil, mas com um pouco de esforço e noção básica da língua acabamos por entender, além de expandir nosso conhecimento um tiquinho.

Agora falemos do que interessa, hoje apresento a você um dos livros mais legais que tive o prazer de ler.

Créditos: Tyler Switzer no Artstation

Eu não tenho boca, e eu preciso gritar

I Have No Mouth, and I Must Scream é um conto de arrepiar. O livro foi publicado pela primeira vez em 1967 na edição de março da revista  IF: Worlds of Science Fiction. A história se passa 109 anos após a destruição de toda a raça humana, exceto por quatros homens e uma mulher.

O motivo da extinção da raça humana se deve ao fato de que a guerra fria se tornou uma nova guerra mundial e a fim de torna-la mais eficiente, China, União Soviética e Estados Unidos criaram supercomputadores, porém um deles se torna auto- consciente e absorve os outros computadores. Tornando-se um, despeja todo o seu ódio na humanidade.

LEIAM – A Metamorfose de Franz Kafka

O ódio que AM tem pela humanidade é imensurável, para exercitar seu ódio, mantém cincos pessoas viva, só para tortura-las fisicamente e mentalmente. Não sabemos se há prazer por parte de AM, mas Ted, um dos sobreviventes mais jovens e o narrador da história, levanta essa questão diversas vezes no livro.

A história tem inicio quando Nimdok, conta ao resto do grupo sobre a possível existência de comida enlatada em um dos grandes complexos de AM. O grupo vive em um complexo subterrâneo dentro supercomputador, que é narrado como algo gigantesco e sem fim.

O grupo estava faminto e não comia há muitos meses, logo não rejeitaram muito a ideia de se aventurar pelo complexo.

I have no mouth
Trecho retirado do jogo – Reprodução/Internet

Tortura pior do que a morte

O interessante é que AM tortura os sobreviventes constantemente e de todas as formas possíveis e não deixa com que nenhum deles morra no processo ou mesmo que se suicide. Todos eles possuem a idade que tinham quando capturados, a maquina os fizeram quase imortais, só para poder curtir com a dor deles.

Ted, o narrador, é o que mais  irá chocar o leitor, pois o personagem é uma mistura de razão e paranoia e arrogância, ainda se julga mentalmente estável pois cita o tempo todo que AM, fez o possível para transformar a personalidade cada um, exceto ele.

Mas vamos falar um pouco sobre outros integrantes, começando com Ellen, a única mulher do grupo. Conta a todos que era virgem e  sua primeira relação sexual aconteceu pouco antes da humanidade ter sido dizimada. AM a tornou uma pervertida e é constantemente estuprado pelo grupo.

Gorrister era um idealista e pacifista, mas se tornou indiferente e apático, ele costuma contar como tudo aconteceu a Benny, que alias, era um cientista, mas fora torturado e modificado por AM, ao ponto de se tornar um gigante símio com uma enorme GEBA (Pênis, Ui!). Motivo pelo qual Ellen apesar de transar com todos do grupo, só consegue obter prazer com Benny e isso fez com que ela se apaixonasse por ele.

Benny acabou por se tornar um animal e podemos dizer que é a bomba relógio que o grupo tem. Nimdok, como disse anteriormente é o mais velho do grupo e muitos suspeitam dos motivos de AM isola-lo do grupo em alguns momentos e sempre voltar estarrecido e perturbado, então poucos sabem sobre ele, fazendo com que todos desconfiem um do outro.

I Have No Mouth, and I Must Scream contém 12 paginas que você vai devorar em minutos e eu recomendo vivamente a sua leitura.

I have no mouth
Box do jogo lançado sobre o livro – Reprodução/Internet

Conclusão

Tentei não soltar nenhum spoiler a respeito do seu desenrolar. Também ressalto que há um game sobre o conto e com o próprio Harlan Ellison dublando AM. Fico sensacional, sério, ele tem uma voz de psicopata.

O roteiro do game também foi escrito pelo próprio autor então, recomendo a jogatina do game, pois ele complementa diversas dúvidas deixadas no livro.

O game tem todo o mistério e clima de horror contido no conto, não deixem de conferir, já que o game se encontra no limbo e de grátis. E me sigam nas redes sociais!

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