Diogo Batista, Autor em https://www.arquivosdowoo.com.br/author/diogo-batista/ Um pouco de tudo na medida certa Sun, 02 Aug 2026 13:24:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://www.arquivosdowoo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/cropped-logo-150x150.png Diogo Batista, Autor em https://www.arquivosdowoo.com.br/author/diogo-batista/ 32 32 Shard Squad | Uma pequena tropa que transforma o caos em diversão https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/08/01/shard-squad-uma-pequena-tropa-que-transforma-o-caos-em-diversao/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/08/01/shard-squad-uma-pequena-tropa-que-transforma-o-caos-em-diversao/#respond Sat, 01 Aug 2026 21:39:29 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22260 Os bullet heavens vivem um momento curioso. Depois da explosão provocada por Vampire Survivors, surgiram dezenas de jogos seguindo a mesma estrutura. Alguns tentam mudar a fórmula adicionando novos sistemas, enquanto outros apenas trocam a ambientação. Poucos, porém, conseguem encontrar uma identidade própria. Foi exatamente essa sensação que tive com Shard Squad. À primeira vista […]

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Os bullet heavens vivem um momento curioso. Depois da explosão provocada por Vampire Survivors, surgiram dezenas de jogos seguindo a mesma estrutura. Alguns tentam mudar a fórmula adicionando novos sistemas, enquanto outros apenas trocam a ambientação. Poucos, porém, conseguem encontrar uma identidade própria.

Foi exatamente essa sensação que tive com Shard Squad.

À primeira vista ele parece seguir a cartilha do gênero. Você entra em uma fase, derrota hordas de inimigos, sobe de nível e escolhe melhorias. Tudo parece familiar. Bastaram algumas partidas, no entanto, para perceber que o verdadeiro diferencial não estava nas hordas de inimigos, mas em quem lutava ao meu lado.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Mais do que um personagem, um esquadrão

Em Shard Squad, o personagem principal é apenas uma peça de algo maior. Conforme a partida avança, novas criaturas passam a integrar o grupo e começam a atacar automaticamente. Ao subir de nível, elas também podem ser fortalecidas, aumentando o dano e tornando o esquadrão cada vez mais eficiente.

Depois de algumas partidas percebi que já não escolhia melhorias pensando apenas em causar mais dano. Passei a observar quais criaturas funcionavam melhor juntas e quais combinações faziam mais sentido para aquele momento da partida. Sem perceber, eu já não estava evoluindo um personagem, mas montando uma equipe.

É justamente aí que Shard Squad encontra sua identidade. A ideia pode parecer simples quando explicada, mas muda completamente a forma como encaramos cada partida.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

O tipo de progressão que faz você jogar “só mais uma”

Quando a partida termina, o jogo nos leva para uma área que funciona como um pequeno hub. É ali que podemos comprar itens, alterar atributos através dos itens e escolher qual criatura será utilizada como protagonista na próxima tentativa.

O curioso é que eu quase nunca voltava para esse espaço apenas para iniciar outra fase. Sempre existia alguma coisa para fazer antes: trocar de personagem, testar um item diferente ou experimentar uma nova composição para o esquadrão.

Foi justamente nesse momento que perdi a noção do tempo. Uma partida naturalmente levava à outra e, quando percebia, já estava iniciando mais uma tentativa apenas para ver como determinada combinação funcionaria.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Pixel art bonito é fácil. Difícil é fazê-lo funcionar.

Antes mesmo da primeira fase terminar, o pixel art já havia chamado minha atenção. Os personagens possuem bastante personalidade, as animações são bem trabalhadas e os cenários ajudam a construir uma identidade visual bastante agradável.

Mas o que realmente me impressionou apareceu alguns minutos depois.

Quando a tela começou a ser tomada por centenas de inimigos, ataques, efeitos visuais e personagens aliados, tudo continuou perfeitamente legível. Em nenhum momento tive dificuldade para localizar meu personagem ou entender o que estava acontecendo ao meu redor.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas esse costuma ser um dos maiores desafios dos bullet heavens. Muitos deles sacrificam a clareza para transformar a tela em um espetáculo visual. Shard Squad consegue entregar as duas coisas ao mesmo tempo.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Uma trilha que acompanha o ritmo

A trilha sonora segue a mesma filosofia do restante do jogo. Ela não tenta chamar atenção o tempo inteiro, mas acompanha muito bem o ritmo das partidas e ajuda a manter aquela sensação constante de progresso.

É o tipo de música que talvez você nem perceba conscientemente durante os primeiros minutos, mas cuja ausência faria falta. Quando o esquadrão cresce, os inimigos aumentam e a ação fica mais intensa, ela continua funcionando como parte da experiência.

No fim, tudo contribui para aquela sensação bastante conhecida de quem gosta do gênero: “só mais uma partida”.

A campanha conta com oito fases. Olhando apenas para esse número, pode parecer pouco. Durante a jogatina, porém, essa impressão desaparece rapidamente. Cada personagem desbloqueado muda a forma como enfrentamos uma fase já conhecida. Os itens alteram atributos importantes e diferentes composições de equipe fazem com que uma estratégia eficiente em uma partida deixe de funcionar na seguinte.

No fim das contas, percebi que voltava aos mesmos cenários não porque precisava, mas porque queria experimentar outra combinação de criaturas.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Considerações finais

Não acredito que Shard Squad tenha a pretensão de reinventar os bullet heavens. Também não acho que precise fazer isso.

O jogo escolhe trabalhar muito bem uma única ideia: transformar a evolução do personagem na construção de um esquadrão. Todo o restante parece ter sido pensado para fortalecer essa proposta, seja através da progressão entre partidas, do excelente trabalho de pixel art ou da forma como mantém a ação legível mesmo nos momentos mais caóticos.

Quando terminei minha sessão de jogo, percebi que a vontade de continuar não vinha de uma mecânica revolucionária ou de uma novidade nunca vista antes. Ela vinha da curiosidade de testar outra criatura, montar outro esquadrão e descobrir até onde aquela nova combinação conseguiria chegar.

Para um bullet heaven, dificilmente existe um elogio maior do que esse.

Nota: 9/10


Shard Squad está disponível para PC via Steam e Nintendo Switch e o jogo foi analisado com uma cópia digital de Nintendo Switch gentilmente cedida pela Nuntius Games.

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Evil Dead Burn encontra uma nova forma de assustar sem esquecer suas raízes https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/18/evil-dead-burn/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/18/evil-dead-burn/#respond Sat, 18 Jul 2026 21:36:53 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22208 Uma das coisas que sempre me agradou no filme A Morte do Demônio original era a sensação de claustrofobia e a forma como os Deadites — os demônios que se apoderam do corpo de desavisados — costumavam torturar psicologicamente os sobreviventes. Constantemente alternando entre traços da pessoa que um dia foram e a monstruosidade em […]

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Uma das coisas que sempre me agradou no filme A Morte do Demônio original era a sensação de claustrofobia e a forma como os Deadites — os demônios que se apoderam do corpo de desavisados — costumavam torturar psicologicamente os sobreviventes. Constantemente alternando entre traços da pessoa que um dia foram e a monstruosidade em que se transformaram após a possessão, eles criavam uma espiral de loucura na pobre alma que tentava se manter sã em uma situação que fugia completamente da realidade.

Então veio Evil Dead 2, praticamente um remake do original, em que Bruce Campbell finalmente adquiria a icônica motosserra no lugar da mão que fora obrigado a amputar. O filme preservava algumas características da obra de 1981, mas abraçava de vez o humor, elemento que se tornaria central em sua sequência, Army of Darkness.

Pode-se dizer que estamos diante de uma franquia que nunca fez da constância sua principal característica. Ela deixou de lado a fórmula que havia criado e passou a abraçar o humor como parte de sua identidade. O terror permanecia ali, mas agora era grotesco, exagerado e assumidamente caricato.

Longos anos se passaram até que um novo filme fosse lançado em 2013. Dessa vez, os Deadites se mostravam muito mais brutais e a narrativa voltava a levar o horror a sério, reservando pouquíssimo espaço para o humor. Ouso dizer que aquele foi um dos filmes mais violentos que havia visto até então, e uma experiência extremamente marcante.

Em 2015 veio Ash vs. Evil Dead, série que, apesar de excelente, voltou a abraçar a galhofa sem qualquer pudor. Durou três temporadas, encerrando-se em 2018, mas a franquia não demorou a retornar aos cinemas com Evil Dead Rise.

O filme conseguia ser tão brutal quanto o de 2013, mas agora centrava sua história em uma mãe solteira que, após ser possuída, transformava a vida dos filhos e dos moradores do prédio em um verdadeiro inferno. O enredo era simples, porém eficiente, e resultou em um dos melhores capítulos recentes da franquia. Não por acaso, assisti ao filme duas vezes.

Evil Dead Burn
Reprodução: Internet

Foi com essa expectativa que cheguei ao cinema para assistir Evil Dead Burn, em uma sessão ao lado do meu pai que mal reunia dez pessoas.

Se em Rise acompanhávamos uma família confinada em um prédio tentando sobreviver à mãe possuída, Burn leva a franquia para outro caminho. O filme estabelece um paralelo entre sua violência gráfica e a violência doméstica à qual inúmeras mulheres são submetidas diariamente, seja pelo marido, seja por familiares que sabem o que acontece, mas preferem fechar os olhos para o mal que vive dentro da própria casa.

O mérito do roteiro está justamente em nunca transformar essa leitura em um discurso explícito. Ela existe, mas permanece integrada ao drama da família, deixando que o horror fale por si.

Toda a construção da primeira metade do filme reforça essa proposta. A família está reunida para lidar com o luto, mas o ambiente já é tomado por ressentimentos, interesses pessoais e feridas que jamais cicatrizaram. Há uma sequência durante o jantar em que todos discutem o destino do espólio do falecido diante da viúva. Não existe qualquer elemento sobrenatural naquela cena, mas ela já provoca um enorme desconforto. O terror, naquele momento, nasce das próprias relações humanas.

Talvez seja justamente esse o maior acerto de Evil Dead Burn. O mal não invade aquela casa. Ele apenas encontra uma família que já estava emocionalmente despedaçada.

Evil Dead Burn
Reprodução: Internet

Quando o sobrenatural finalmente ganha forma, somos levados a algumas das sequências mais violentas que a franquia já produziu. São cenas chocantes, criativas e, em diversos momentos, beiram o absurdo. Ainda assim, o filme nunca parece recorrer à violência apenas para impressionar. Cada cena amplia o sentimento de desespero vivido pelos personagens.

Mesmo com um elenco relativamente pequeno e praticamente toda a história confinada a uma única casa, a direção consegue elevar a tensão por meio de diálogos afiados e longas sequências sem interrupções aparentes. O teaser divulgado antes do lançamento, inclusive, é um excelente exemplo disso. A impressão é de que aquela cena entrega tudo o que o filme tem a oferecer, mas ela representa apenas uma pequena amostra do caos que está por vir.

Outro aspecto que me agradou bastante foi a maneira como o roteiro desenvolve seus personagens. Conhecemos melhor cada integrante daquela família justamente por meio das provocações dos Deadites. Diferentemente de simples monstros, eles utilizam lembranças, traumas, frustrações e inseguranças para desmontar psicologicamente suas vítimas. As possessões deixam de ser apenas físicas e passam também a expor aquilo que cada personagem tenta esconder.

É justamente essa característica que me fez lembrar do primeiro A Morte do Demônio. A violência continua sendo brutal, mas o sofrimento psicológico volta a ocupar um papel importante dentro da narrativa.

Evil Dead Burn
Reprodução: Internet

A escolha do elenco também merece elogios. Todos conseguem transmitir a sensação de que realmente pertencem àquela família. Existe química entre eles, existe afeto, existe rancor. Quando a tragédia começa, o espectador não acompanha apenas pessoas tentando sobreviver a demônios, mas familiares vendo seus próprios vínculos serem destruídos diante de seus olhos.

Evil Dead Burn talvez não agrade quem ainda espera que a franquia siga exatamente a fórmula criada em 1981 — algo que nem mesmo Sam Raimi decidiu fazer ao longo de sua carreira. O filme entende que Evil Dead sempre foi uma série em constante transformação e utiliza esse legado para construir algo novo sem abandonar sua essência.

Depois de assistir ao filme, saí do cinema com a sensação de que havia visto não apenas um dos capítulos mais brutais da franquia, mas também um dos mais completos. A violência impressiona, os personagens convencem, a direção encontra formas criativas de manter a tensão e o roteiro consegue dizer mais do que parece à primeira vista.

Talvez seja cedo para afirmar categoricamente, mas hoje considero Evil Dead Burn a melhor história que a franquia já contou. E, sem exagero, também um dos melhores filmes de terror do ano.

Se você ainda não assistiu, faça esse favor a si mesmo. Enquanto ele ainda estiver em cartaz, vá ao cinema.

Reprodução: Internet

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Black Flag Resynced | Não é sobre o Credo, é sobre o mar https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/10/black-flag-resynced-nao-e-sobre-o-credo-e-sobre-o-mar/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/07/10/black-flag-resynced-nao-e-sobre-o-credo-e-sobre-o-mar/#respond Fri, 10 Jul 2026 22:22:01 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22193 Existem jogos que envelhecem porque suas mecânicas ficam presas ao período em que foram lançados. Eles podem ter sido importantes, inovadores e até revolucionários em seu momento, mas com o passar dos anos acabam revelando as limitações da época em que foram criados. Outros jogos, porém, encontram algo mais difícil de alcançar: uma identidade própria. […]

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Existem jogos que envelhecem porque suas mecânicas ficam presas ao período em que foram lançados. Eles podem ter sido importantes, inovadores e até revolucionários em seu momento, mas com o passar dos anos acabam revelando as limitações da época em que foram criados. Outros jogos, porém, encontram algo mais difícil de alcançar: uma identidade própria. Mesmo quando alguns elementos ficam datados, existe uma essência que continua funcionando porque nunca dependeu apenas da tecnologia.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced pertence a esse segundo grupo.

Revisitar um clássico tão comentado através de um remake traz uma experiência curiosa, principalmente quando essa não é uma viagem movida pela nostalgia. Diferente de muitos jogadores que conheceram o Caribe virtual da Ubisoft em 2013, quando o jogo ainda era uma novidade, essa foi minha primeira experiência com Edward Kenway – agora, treze anos depois, através do Black Flag Resynced. Sem a lembrança de uma época específica, sem a comparação constante com aquilo que o original representou no passado, resta apenas uma pergunta: o que essa aventura ainda consegue oferecer hoje?

A resposta aparece rapidamente, mas não está exatamente onde muitos esperariam. O maior triunfo de Black Flag nunca foi apenas ser um Assassin’s Creed com piratas. O grande mérito do jogo está em compreender a fantasia de viver uma aventura no mar.

Créditos: Ubisoft

Quando Assassin’s Creed encontrou sua própria identidade

Quando Black Flag chegou ao mercado, Assassin’s Creed já era uma franquia consolidada. A série havia criado uma fórmula reconhecível baseada em grandes cidades históricas, conspirações, parkour e o eterno conflito entre Assassinos e Templários. Por isso, transformar o oceano em um dos elementos centrais da experiência parecia uma decisão arriscada.

Mas foi justamente essa mudança que permitiu que a franquia respirasse.

A Ubisoft percebeu que o jogador não precisava apenas de novas cidades para explorar, precisava de uma nova sensação. O Caribe de Black Flag não funciona apenas como cenário, mas como espaço de descoberta. O jogo entende que uma grande aventura não acontece somente quando existe um objetivo marcado no mapa – muitas vezes, ela acontece no caminho até chegar lá.

Essa é uma das razões pelas quais a navegação se tornou uma experiência tão especial para muitos dos fãs, inclusive para mim. Em muitos mundos abertos, atravessar grandes distâncias é apenas uma obrigação entre uma missão e outra. Em Black Flag, navegar é uma parte essencial da experiência. O simples ato de controlar o navio, observar o horizonte e ouvir a tripulação cantar transforma uma viagem comum em um momento memorável.

O mar aqui não é apenas o lugar onde as missões acontecem, mas sim a própria aventura.

Créditos: Ubisoft

O Gralha e a sensação de conquista

Grande parte da força de Black Flag vem da relação construída entre o jogador e o Gralha (o Jackdaw, no original em inglês). Nosso navio não funciona apenas como um veículo utilizado para atravessar o mapa, ele representa toda a evolução da jornada de Edward Kenway durante a campanha.

No começo, existe uma sensação de vulnerabilidade. O navio não possui a força necessária para enfrentar grandes ameaças, e cada batalha exige cuidado. Porém, conforme novas melhorias são conquistadas, o Gralha deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a parecer uma extensão do próprio jogador.

Cada canhão adquirido, cada melhoria realizada e cada batalha vencida carregam uma história e uma sensação que não se esquecem tão cedo.

Essa progressão cria algo que muitos jogos tentam alcançar, mas poucos conseguem: a sensação de que aquilo realmente pertence ao jogador. Não é apenas um número maior de dano ou uma estatística melhorada em uma tela de menu. É olhar para uma embarcação que antes precisava fugir dos inimigos e perceber que ela agora consegue enfrentar desafios que pareciam impossíveis.

O Gralha se torna uma lembrança física da jornada em que estamos nos aventurando. Ele carrega as batalhas vencidas, as descobertas realizadas e o caminho percorrido pelo jogador.

Créditos: Ubisoft

Edward Kenway e a sua jornada

Apesar de todo o destaque dado ao mundo aberto e às batalhas navais, Black Flag funciona porque existe uma história pessoal acontecendo dentro dessa grande aventura.

Edward Kenway é um protagonista diferente dentro da franquia justamente porque ele não começa como alguém que encontrou seu propósito. Ele não é movido por uma causa maior e nem possui a compreensão dos ideais que normalmente definem os personagens da série.

No início, Edward é alguém buscando reconhecimento e dinheiro. Ele deseja riqueza, fama e a imagem de um grande pirata. Ele acredita que liberdade significa poder fazer aquilo que deseja, sem perceber que suas escolhas possuem consequências para aqueles ao seu redor.

Essa construção torna sua transformação mais interessante. Black Flag não apresenta um herói pronto como em seus jogos anteriores, mas acompanha alguém que precisa aprender através de suas próprias perdas e erros.

Por trás das batalhas contra navios inimigos e da exploração do Caribe existe uma história sobre amadurecimento. Edward precisa entender que liberdade não significa apenas ausência de regras, mas também responsabilidade pelas escolhas feitas. Mesmo quando parece compreender isso, ele volta a ignorar essa lição, até se ver novamente diante de escolhas que afetam quem está ao seu redor.

É uma jornada sobre descobrir que conquistar tudo sozinho pode significar perder aquilo que realmente importa.

Créditos: Ubisoft

Um pirata em uma franquia de Assassinos

Talvez a maior curiosidade de Black Flag seja justamente sua relação com o próprio nome Assassin’s Creed. Embora faça parte da franquia, o jogo muitas vezes parece mais interessado em contar uma história de piratas do que uma história sobre Assassinos. E isso não enfraquece a experiência.

Pelo contrário, essa escolha permite que o jogo tenha uma identidade própria. O conflito entre Assassinos e Templários continua presente, mas deixa de ser o único elemento importante da narrativa. Ele funciona como pano de fundo enquanto Edward enfrenta uma batalha muito mais pessoal, que é descobrir quem ele realmente é.

Black Flag entende que nem todo personagem precisa começar sabendo qual caminho seguir. Às vezes, a melhor história é acompanhar alguém tentando encontrar esse caminho. Ao meu ver, esse foi um grande acerto, e talvez explique um pouco por que muitos consideram esse o melhor jogo da franquia.

Créditos: Ubisoft

As marcas do tempo

Mesmo sendo uma experiência marcante, Black Flag Resynced não está livre de falhas.

Algumas escolhas de design deixam a desejar. O combate chega a um ponto em que boa parte da graça de enfrentar um inimigo desaparece: aprender o tempo certo do parry perfeito é suficiente para quebrar a postura do adversário e executá-lo com um único golpe, muitas vezes encadeando uma segunda morte na sequência. O que deveria ser tensão vira repetição. Depois de algumas horas, enfrentar um combate deixa de ser desafio e passa a ser rotina.

A isso somam-se falhas de IA e animação que quebram a imersão em momentos que deveriam ser marcantes, como boss fights e embates navais mais complexos. Inimigos que simplesmente param de reagir por motivos que não fazem sentido dentro da cena, ou animações que não acompanham a ação no tempo certo, lembram que treze anos de distância nem sempre significam polimento total – às vezes, apenas trocam um tipo de limitação por outro.

É quase como se existissem duas experiências convivendo dentro do mesmo jogo. De um lado, está uma das melhores aventuras de piratas que já tive o prazer de jogar, com uma roupagem visual impressionante. Do outro, está um combate raso demais para o resto da ambição do projeto, que troca desafio por facilidade.

Ainda assim, essas limitações não conseguem apagar aquilo que torna Black Flag especial. Porque quando o jogador está no comando do Gralha, explorando o Caribe, o jogo encontra uma magia que poucos títulos conseguem reproduzir.

Créditos: Ubisoft

O legado de uma aventura no mar

O maior legado de Assassin’s Creed Black Flag Resynced não está na quantidade de atividades espalhadas pelo mapa, nem na escala do mundo recriado pela Ubisoft. Está nos pequenos momentos que permanecem na memória.

A primeira vez avistando uma ilha distante, a preparação antes de enfrentar um navio inimigo, a sensação de melhorar o Gralha, a tripulação cantando enquanto o navio atravessa o oceano — são esses os momentos simples que transformam um jogo em uma experiência.

Em uma indústria que insiste em medir mundos abertos pelo tamanho, Black Flag lembra que o que importa é a conexão entre jogador e universo. Por isso o jogador não apenas controla Edward Kenway, mas navega com ele até sentir que aquele pedaço do Caribe também é seu.

Nota: 8.5/10


Assassin’s Creed Black Flag Resynced está disponível para Microsoft Windows, Xbox Series X/S e PlayStation 5 e o jogo foi analisado com uma cópia digital de Xbox Series S|X gentilmente cedida pela Ubisoft.

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UFC 6 prova que lutar é apenas parte da jornada https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/30/ufc-6-prova-que-lutar-e-apenas-parte-da-jornada/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/30/ufc-6-prova-que-lutar-e-apenas-parte-da-jornada/#respond Tue, 30 Jun 2026 17:03:55 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22162 Jogos de MMA sempre carregaram uma responsabilidade difícil: representar um dos esportes mais complexos do mundo sem deixar a diversão de lado. Enquanto alguns títulos apostam na simulação e buscam reproduzir cada detalhe do esporte, outros preferem simplificar as mecânicas para tornar os combates mais acessíveis. UFC 6 escolhe um caminho interessante entre esses dois […]

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Jogos de MMA sempre carregaram uma responsabilidade difícil: representar um dos esportes mais complexos do mundo sem deixar a diversão de lado. Enquanto alguns títulos apostam na simulação e buscam reproduzir cada detalhe do esporte, outros preferem simplificar as mecânicas para tornar os combates mais acessíveis.

UFC 6 escolhe um caminho interessante entre esses dois extremos e, depois de passar algum tempo explorando seus principais modos de jogo, fiquei com a impressão de que a EA não queria apenas entregar mais uma sequência anual. Seu objetivo parece ter sido criar um jogo que incentive o jogador a permanecer dentro desse universo durante dezenas de horas, transformando a carreira de um lutador em uma experiência contínua. Mais do que vencer lutas, UFC 6 quer que você administre uma carreira.

Créditos: EA

O Legado é uma excelente porta de entrada

Minha primeira experiência foi com o modo O Legado, que funciona como a introdução da carreira. A campanha acompanha dois colegas de um mesmo ginásio que acabam seguindo caminhos diferentes após um acontecimento marcante. Anos depois, eles voltam a se encontrar como rivais dentro do UFC, criando uma motivação interessante para as primeiras lutas.

Embora possa ser concluída em aproximadamente três horas, a campanha consegue prender a atenção durante todo esse período. Ela não tenta ser uma grande história cinematográfica, mas cumpre muito bem seu papel de apresentar as mecânicas enquanto cria um vínculo entre o jogador e os personagens. Quando a rivalidade chega ao fim, fica evidente que O Legado nunca foi pensado para ser um modo isolado, mas sim o prólogo da experiência principal.

Essa decisão funciona muito melhor do que eu imaginava. Em vez de despejar uma série de tutoriais na tela, o jogo apresenta suas mecânicas de forma natural, enquanto constrói uma rivalidade que dá sentido às primeiras lutas. Ao final da campanha, a sensação é de que aquela história serviu apenas para abrir as portas de uma jornada muito maior.

Créditos: EA

O modo carreira é um RPG disfarçado de jogo de luta

Uma das maiores surpresas foi descobrir que o modo carreira mantém exatamente a estrutura apresentada em O Legado. A diferença é que agora podemos criar um lutador do zero ou escolher qualquer atleta disponível no elenco. No meu caso, resolvi iniciar uma nova trajetória utilizando Wanderlei Silva, o eterno “Cachorro Louco”, apenas pela satisfação de acompanhar uma das maiores lendas do MMA construindo uma nova caminhada dentro do UFC.

É a partir desse momento que UFC 6 revela sua principal qualidade. Entre uma luta e outra existe uma quantidade enorme de decisões. O jogador precisa administrar semanas de treinamento, desenvolver atributos, evitar lesões, negociar contratos de patrocínio, responder publicações nas redes sociais e acompanhar sua evolução dentro do ranking. Aos poucos, fica claro que o jogo não quer apenas levar o atleta ao octógono, mas fazer o jogador sentir o peso de administrar uma carreira profissional.

Gostei especialmente da forma como o aprendizado de novos golpes foi implementado. Eles precisam ser comprados e treinados durante a preparação para as lutas. Como cada atividade semanal é limitada, aprender uma técnica nova significa abrir mão de outro treinamento, de melhorar um atributo específico ou até mesmo de preservar o condicionamento físico. Esse pequeno detalhe faz com que a evolução do personagem pareça consequência das escolhas do jogador, e não apenas de números aumentando automaticamente.

Créditos: EA

O combate exige estratégia

Minha maior surpresa aconteceu justamente quando perdi uma luta. Até aquele momento, eu acreditava que bastaria repetir meus melhores golpes durante todo o combate. A derrota mostrou que UFC 6 exige muito mais atenção do que isso e que insistir sempre na mesma estratégia dificilmente será suficiente para vencer adversários mais preparados.

Mesmo utilizando um lutador forte, administrar o fôlego é fundamental. Gastar energia de forma exagerada compromete completamente o rendimento nos rounds seguintes, tornando qualquer tentativa de reação muito mais difícil. Foi interessante perceber que o jogo incentiva o jogador a variar seus ataques, controlar o ritmo da luta e escolher os momentos certos para pressionar o adversário.

Essa preocupação faz com que as derrotas pareçam consequência das próprias decisões, e não apenas de uma inteligência artificial injusta. Quando isso acontece, perder deixa de ser frustrante e passa a funcionar como um aprendizado, incentivando o jogador a mudar sua postura na luta seguinte.

As submissões merecem um comentário à parte. O sistema não parece ser necessariamente complexo, mas sua comunicação com o jogador deixa a desejar. Durante uma tentativa de finalização, é possível acompanhar apenas o progresso da própria ação por meio de um indicador circular, enquanto o estado da defesa do adversário permanece oculto. Na prática, isso torna difícil compreender por que uma submissão deu certo ou fracassou.

Em diversas ocasiões, tentei finalizar o combate contra oponentes visivelmente cansados, com pouca energia e estamina, mas eles escapavam sem que o jogo deixasse claro o motivo. Essa falta de transparência transforma uma mecânica importante do MMA em uma experiência mais confusa do que desafiadora, prejudicando a curva de aprendizado do jogador.

Créditos: EA

O combate entrega impacto e personalidade

Por melhor que seja o modo carreira, um jogo de luta vive ou morre pela qualidade dos seus combates. Felizmente, UFC 6 consegue entregar uma experiência bastante envolvente dentro do octógono.

Existe um detalhe que chama atenção logo nas primeiras horas. Em alguns momentos, determinados golpes parecem não tocar completamente o adversário. Essa impressão fica ainda mais evidente ao assistir aos replays dos nocautes, quando a câmera desacelera a ação e revela pequenas inconsistências entre a animação e o contato dos golpes. Felizmente, isso nunca chegou a comprometer minha diversão. São imperfeições que existem, mas passam despercebidas durante o ritmo intenso das lutas.

O que realmente faz diferença é a sensação de impacto. Um chute bem encaixado na cabeça transmite força, assim como um cruzado limpo ou uma sequência de golpes que leva o adversário à lona. Existe um peso perceptível nas animações que ajuda a vender a violência controlada característica do MMA, fazendo com que cada golpe importante pareça realmente decisivo.

Outro aspecto que gostei foi a duração dos combates. Mesmo sabendo que os rounds não são particularmente longos, a tensão criada durante cada luta faz o tempo parecer maior. A preocupação constante com o condicionamento físico, a administração do fôlego e a necessidade de escolher cuidadosamente quando atacar mantêm o jogador concentrado durante todo o confronto. Quando finalmente conseguimos um nocaute, principalmente ainda no primeiro round, a sensação é de conquista genuína. Não parece apenas mais uma vitória registrada na carreira, mas a recompensa por ter executado uma boa estratégia do início ao fim.

No fim das contas, é justamente essa combinação entre impacto, gerenciamento e imprevisibilidade que faz com que poucas lutas pareçam iguais. Mesmo enfrentando adversários diferentes dentro das mesmas regras, cada combate acaba construindo sua própria história, e é isso que mantém UFC 6 interessante mesmo depois de várias horas de jogo.

Créditos: EA

Menos simulação, mais diversão

Apesar da preocupação com estratégia, UFC 6 não tenta reproduzir o MMA de forma totalmente fiel. O combate possui um ritmo claramente mais arcade, com movimentos rápidos e momentos voltados ao espetáculo. Um exemplo disso é o estado especial que permite ao lutador encaixar sequências de golpes com mais velocidade e intensidade, criando momentos explosivos durante as lutas.

É uma mecânica que dificilmente seria vista em uma simulação pura, mas que funciona muito bem dentro da proposta do jogo. A impressão que fica é que a EA preferiu sacrificar parte do realismo para entregar combates mais emocionantes e acessíveis, sem abandonar completamente a necessidade de estratégia. Ainda é preciso administrar o condicionamento físico, estudar o adversário e escolher o momento certo para atacar, mas tudo isso acontece em um ritmo muito mais dinâmico.

Há conteúdo para quem quer apenas lutar

Nem todo jogador quer investir horas administrando uma carreira, e UFC 6 entende isso. O modo Lutar Agora permite iniciar combates rapidamente, seja contra a inteligência artificial, amigos no multiplayer local ou outros jogadores pela internet. Também é possível escolher diferentes categorias de peso antes das lutas, o que ajuda a montar confrontos equilibrados e respeita a divisão oficial das categorias do esporte.

O destaque fica para as Backyard Fights, que levam os combates para quintais residenciais. Embora não alterem profundamente as mecânicas, esses cenários oferecem uma atmosfera diferente do tradicional octógono e ajudam a quebrar a rotina das partidas rápidas. É um detalhe simples, mas que demonstra uma preocupação em oferecer variedade sem complicar a experiência.

Entre as novidades mais interessantes de UFC 6 está também o Hall das Lendas, um modo que vai além de uma simples coletânea de desafios. Nele, o jogador percorre um museu temático dedicado a alguns dos maiores nomes da história do MMA (no momento está disponível apenas três lutadores: Max Holloway, o brasileiro Alex Poatan e Zhang Weili), conhecendo suas trajetórias enquanto revive as lutas que marcaram suas carreiras.

Cada combate propõe objetivos inspirados no que aconteceu na vida real, tornando a experiência mais envolvente e educativa. Conforme avançamos, ainda é possível desbloquear itens cosméticos, mas a maior recompensa é conhecer de forma interativa os momentos que ajudaram a transformar esses atletas em verdadeiras lendas do esporte.

Créditos: EA

O multiplayer ainda precisa amadurecer

Minhas primeiras experiências online foram um pouco frustrantes. Mesmo estando apenas no nível 5, o sistema de pareamento encontrou adversários muito mais experientes, tornando algumas partidas bastante desequilibradas. Isso acabou dificultando o aprendizado das mecânicas dentro do ambiente competitivo e deixou a sensação de que o matchmaking prioriza encontrar uma partida rapidamente em vez de buscar jogadores de níveis semelhantes.

Ainda preciso investir mais tempo nesse modo para entender se isso foi apenas uma situação pontual ou uma característica do sistema online. De qualquer forma, foi um aspecto que chamou minha atenção logo nas primeiras horas e que merece ser observado por quem pretende dedicar boa parte do tempo ao multiplayer.

Todos os modos fazem parte da mesma progressão

Uma decisão de design que gostei bastante foi a progressão compartilhada. Independentemente do modo escolhido, praticamente todas as atividades concedem experiência para aumentar o nível da conta. Isso significa que jogar a carreira, disputar partidas rápidas, experimentar as Backyard Fights ou enfrentar outros jogadores online sempre contribui para algum tipo de evolução.

Essa escolha faz com que nenhum modo pareça secundário. Ao contrário de outros jogos esportivos, onde apenas uma modalidade concentra toda a progressão, UFC 6 recompensa o jogador por experimentar tudo o que oferece. Essa integração fortalece a sensação de que todos os modos fazem parte de um mesmo ecossistema e incentiva o jogador a continuar voltando, sempre com a impressão de que existe alguma recompensa esperando pela próxima luta.

Créditos: EA

Uma trilha sonora que acerta em cheio

Outro destaque é a trilha sonora. UFC 6 reúne músicas dos anos 90, dos anos 2000 e sucessos mais recentes, criando uma identidade muito agradável para os menus e para os momentos entre uma luta e outra. É uma seleção que transmite energia sem exageros e acompanha muito bem o ritmo do jogo.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas é justamente esse tipo de cuidado que torna a experiência mais agradável durante sessões longas. Entre treinos, menus e gerenciamento da carreira, as músicas ajudam a manter o clima competitivo e dão personalidade ao jogo, evitando que os momentos fora do octógono se tornem cansativos.

Créditos: EA

Vale a pena?

Depois de explorar seus principais modos, cheguei à conclusão de que UFC 6 não quer ser a simulação definitiva de MMA. Seu objetivo é outro. A EA construiu um jogo que recompensa constantemente o jogador por continuar voltando. Existe sempre um novo golpe para aprender, um cosmético para desbloquear, um nível para alcançar, um contrato para assinar ou mais uma luta para disputar. Toda a estrutura do jogo foi pensada para manter o jogador nele por muito tempo.

Essa filosofia faz com que todos os modos conversem entre si e alimentem um mesmo ciclo de progressão. A campanha introduz a carreira, a carreira incentiva a evolução do personagem, as partidas rápidas ajudam a variar a experiência e o multiplayer oferece um novo desafio para quem deseja testar suas habilidades. Tudo contribui para o mesmo objetivo: fazer com que cada sessão de jogo resulte em algum tipo de recompensa.

É justamente por isso que UFC 6 funciona tão bem. Ele entende que a carreira de um lutador não acontece apenas quando a porta do octógono se fecha. Ela também é construída durante os treinos, nas escolhas feitas fora das lutas, na evolução constante e na vontade de continuar melhorando.

Se você procura uma simulação extremamente fiel ao esporte, talvez estranhe o ritmo mais arcade dos combates. Mas, se a ideia é encontrar um jogo divertido, recheado de conteúdo e capaz de manter o interesse por muitas horas, UFC 6 entrega exatamente essa experiência.

Nota: 8.0/10


UFC 6 está disponível exclusivamente para PlayStation 5 e Xbox Series X|S e o jogo foi analisado com uma cópia digital do Xbox Series X|S e foi gentilmente cedida pela EA.

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Arashi Gaiden | Quando pensar antes de agir faz toda diferença https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/27/arashi-gaiden-quando-pensar-antes-de-agir-faz-toda-diferenca/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/27/arashi-gaiden-quando-pensar-antes-de-agir-faz-toda-diferenca/#respond Sat, 27 Jun 2026 19:41:58 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22132 Sempre gostei de jogos que preferem ensinar através da prática. Talvez por isso Arashi Gaiden tenha conseguido chamar minha atenção tão rapidamente. Em uma época em que boa parte dos lançamentos parece preocupada em explicar absolutamente tudo antes mesmo de permitir que o jogador descubra qualquer coisa sozinho, o novo projeto da Statera Studio, desenvolvido […]

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Sempre gostei de jogos que preferem ensinar através da prática. Talvez por isso Arashi Gaiden tenha conseguido chamar minha atenção tão rapidamente. Em uma época em que boa parte dos lançamentos parece preocupada em explicar absolutamente tudo antes mesmo de permitir que o jogador descubra qualquer coisa sozinho, o novo projeto da Statera Studio, desenvolvido em parceria com a Wired Dreams Studio, segue pelo caminho oposto. Ele apresenta suas mecânicas de forma bastante natural e deixa que o restante seja aprendido durante a própria jornada.

Não significa que Arashi Gaiden seja difícil de entender. Muito pelo contrário. Suas primeiras fases funcionam como um excelente tutorial, mas sem interromper constantemente a ação para explicar cada detalhe através de caixas de diálogo. O aprendizado acontece enquanto você joga. Aos poucos, novas situações aparecem, obrigando o jogador a experimentar possibilidades diferentes e entender, por conta própria, o que funciona melhor em cada momento. Parece uma decisão pequena, mas faz toda a diferença para o ritmo da experiência.

Foi justamente aí que comecei a perceber qual era a verdadeira proposta do jogo. A descrição oficial fala em ação por turnos misturada com elementos de puzzle, e realmente existe um pouco disso tudo. Ainda assim, depois de algumas horas, tive a impressão de que essas definições não conseguiam representar exatamente o que estava acontecendo na tela. Em nenhum momento senti que estava apenas resolvendo quebra-cabeças ou participando de combates por turnos. O que Arashi Gaiden fazia era colocar pequenos problemas diante de mim e perguntar, o tempo todo, qual seria a melhor maneira de resolvê-los.

Reprodução: Nuntius Games/ Statera Studio

Quando agir por impulso deixa de funcionar

Nas primeiras fases, meu comportamento era exatamente o mesmo que costumo ter em jogos de ação. Via uma oportunidade, usava uma habilidade, eliminava um inimigo e seguia em frente. Parecia a decisão mais lógica. Afinal, se a mana estava disponível, por que não aproveitá-la?

A resposta veio mais rápido do que eu imaginava.

Não demorou muito para perceber que aquela decisão aparentemente correta costumava cobrar um preço alguns segundos depois. A mana que parecia sobrando fazia falta logo adiante, um inimigo permanecia vivo justamente porque eu havia desperdiçado um recurso importante ou uma armadilha transformava uma situação aparentemente simples em um problema muito maior. Sem perceber, comecei a jogar de outra maneira.

Passei a observar mais antes de agir. Comecei a olhar para a posição dos inimigos, pensar na ordem em que eles deveriam ser eliminados e até aceitar levar dano em algumas situações para evitar problemas maiores alguns movimentos depois. O mais curioso é que o jogo nunca precisou dizer que essa era a forma correta de jogar. Ele simplesmente criava desafios capazes de mostrar isso naturalmente.

Foi nesse momento que Arashi Gaiden deixou de parecer apenas um jogo de ação. Ele passou a ser um jogo sobre decisões.

A administração da mana acaba sendo uma das melhores mecânicas da experiência justamente porque impede que todas as situações sejam resolvidas da mesma maneira. Existem momentos em que gastar uma habilidade imediatamente representa o melhor caminho, mas outros exigem exatamente o oposto. Guardar esse recurso para enfrentar um desafio maior ou até mesmo aceitar receber dano para eliminar um inimigo mais perigoso passa a fazer parte da estratégia. O jogo raramente transmite a sensação de existir apenas uma solução correta. Na maior parte do tempo, ele oferece diferentes possibilidades e deixa que o jogador descubra qual delas funciona melhor.

Reprodução: Nuntius Games/ Statera Studio

Errar faz parte do aprendizado

Uma das coisas que mais gostei durante a campanha foi perceber que minhas derrotas dificilmente pareciam injustas. Perdi as contas de quantas vezes terminei uma fase pensando que já sabia exatamente onde havia errado. Em alguns momentos desperdicei mana cedo demais. Em outros avancei sem prestar atenção na posição de um inimigo ou ignorei uma armadilha que estava claramente ali para me obrigar a mudar de rota. Cheguei até a xingar algumas vezes, mas sempre com aquela sensação de que a culpa era muito mais minha do que do jogo.

Quando um jogo pune o jogador sem explicar o motivo, a frustração costuma aparecer rapidamente. Em Arashi Gaiden, o erro quase sempre se transforma em aprendizado. Você volta para a mesma sala olhando para ela de outra maneira, muda a ordem das ações, experimenta uma abordagem diferente e, quando finalmente encontra uma solução, a sensação é muito mais satisfatória porque ela nasceu das suas próprias decisões. O jogo não entrega respostas prontas. Ele faz o jogador chegar até elas.

Os chefes reforçam muito bem essa filosofia. Eles exigem leitura de padrões, raciocínio rápido e um controle ainda maior da mana. Se as fases comuns ensinam as regras básicas da experiência, os confrontos mais importantes funcionam como uma prova de tudo aquilo que você aprendeu até ali. Não basta apenas reagir rapidamente. É preciso entender o cenário, identificar o momento certo para deslizar pelo tabuleiro e decidir quando vale a pena utilizar uma habilidade. São batalhas que premiam planejamento tanto quanto execução.

Reprodução: Nuntius Games/ Statera Studio

Pequenos detalhes que fazem diferença

Visualmente, Arashi Gaiden segue um caminho bastante competente. A pixel art possui personalidade, os cenários ajudam a construir a atmosfera inspirada no Japão e as animações conseguem transmitir velocidade sem comprometer a leitura da ação. Em um jogo onde posicionamento e observação fazem tanta diferença, clareza visual é mais importante do que excesso de detalhes, e o trabalho realizado aqui cumpre muito bem esse papel.

Minha única ressalva fica para algumas animações de morte dos inimigos. Elas funcionam, mas poderiam apresentar um pouco mais de variedade para deixar os combates visualmente mais interessantes. Não chega a ser um problema que comprometa a experiência e entendo perfeitamente que esse tipo de refinamento exige mais tempo de desenvolvimento, mas foi um detalhe que me chamou a atenção durante a campanha.

O sistema de ranking também merece uma rápida menção. Particularmente, ele não fez tanta diferença para mim. Nunca fui o tipo de jogador que termina uma fase pensando imediatamente em voltar para conseguir uma nota melhor. Ainda assim, é fácil imaginar o quanto esse sistema pode aumentar o fator replay para quem gosta de otimizar cada movimento e buscar a execução perfeita. O mais interessante é que Arashi Gaiden não obriga ninguém a jogar dessa maneira. O ranking existe para quem quiser se aprofundar, sem interferir na experiência de quem apenas deseja seguir em frente.

Reprodução: Nuntius Games/ Statera Studio

Um jogo que encontrou seu lugar no Nintendo Switch

Existe uma categoria de jogos que parece combinar naturalmente com o Nintendo Switch, não porque aproveite algum recurso específico do console, mas porque se adapta perfeitamente à maneira como costumamos utilizá-lo. Arashi Gaiden faz parte desse grupo.

Suas fases curtas funcionam muito bem em sessões rápidas. É aquele tipo de jogo que você abre pensando em resolver apenas duas ou três salas e, quando percebe, já passou muito mais tempo tentando concluir “só mais uma”. Essa estrutura encaixa perfeitamente no modo portátil, permitindo avançar aos poucos sem perder o ritmo da campanha.

Confesso que boa parte da minha experiência aconteceu justamente dessa maneira. Em vez de reservar horas seguidas para jogar, aproveitei pequenos intervalos ao longo do dia. E sim, isso inclui aqueles momentos clássicos em que o Switch mostra por que continua sendo um dos consoles mais confortáveis para esse tipo de jogo. Se existe um videogame capaz de transformar meia hora no banheiro em uma sessão extremamente produtiva, ele continua sendo o console da Nintendo.

Reprodução: Nuntius Games/ Statera Studio

Vale seu tempo?

O maior mérito de Arashi Gaiden não está apenas na mistura entre ação e puzzle. O que realmente faz diferença é a confiança que o jogo deposita no jogador. Em vez de explicar tudo, ele prefere ensinar através da prática. Em vez de criar desafios baseados apenas em reflexos, constrói situações que recompensam observação, planejamento e tomada de decisão.

Talvez seja justamente por isso que a sensação de concluir uma fase seja tão gratificante. Você não sente apenas que derrotou alguns inimigos. Sente que compreendeu melhor as regras daquele pequeno quebra-cabeça e encontrou uma solução que parecia impossível alguns minutos antes.

Se você procura um jogo capaz de colocar os neurônios para funcionar tanto quanto seus reflexos, Arashi Gaiden merece sua atenção. Ele não tenta reinventar completamente o gênero, mas entende muito bem aquilo que pretende fazer e executa essa proposta com bastante competência. No fim das contas, é um daqueles jogos que respeitam a inteligência do jogador e deixam claro que, às vezes, pensar antes de agir continua sendo a melhor habilidade que podemos levar para um videogame.

Nota: 8.5/10


Arashi Gaiden está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 1/2, PC via Steam e o jogo foi analisado com uma cópia digital de Nintendo Switch gentilmente cedida pela Nuntius Games.

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Revisitando Clássicos | Trials of Mana: Quando modernizar significa preservar https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/24/revisitando-classicos-trials-of-mana-quando-modernizar-significa-preservar/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/06/24/revisitando-classicos-trials-of-mana-quando-modernizar-significa-preservar/#respond Wed, 24 Jun 2026 21:41:40 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=21968 Uma das coisas que mais me faz gostar dos clássicos é que, ao revisitá-los, acabamos despertando uma sensação muito difícil de explicar. Não se trata apenas de rever algo que já conhecemos, mas de redescobrir momentos que, muitas vezes, nem lembrávamos mais. É quase como viver tudo de novo, mas com um olhar diferente. A […]

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Uma das coisas que mais me faz gostar dos clássicos é que, ao revisitá-los, acabamos despertando uma sensação muito difícil de explicar. Não se trata apenas de rever algo que já conhecemos, mas de redescobrir momentos que, muitas vezes, nem lembrávamos mais. É quase como viver tudo de novo, mas com um olhar diferente. A memória continua ali, mas a experiência ganha novos significados.

Eu lembro exatamente do momento em que joguei Seiken Densetsu 3 pela primeira vez, ainda no Super Nintendo. Era uma versão localizada em inglês, já que o terceiro jogo da franquia Mana nunca havia sido lançado oficialmente no Ocidente naquela época. O que mais me chamava atenção era a possibilidade de escolher diferentes protagonistas e acompanhar histórias que acabavam se cruzando conforme a aventura avançava. Para quem estava acostumado com RPGs mais lineares, aquilo parecia algo bastante diferente.

Acabei jogando durante várias semanas. Fiquei completamente encantado com o visual, com a trilha sonora e, principalmente, com a forma como o combate misturava ação e elementos de RPG de maneira muito divertida. Como costuma acontecer com boa parte dos jogos que acumulamos ao longo da vida, porém, outros lançamentos apareceram, novas distrações surgiram e Seiken Densetsu 3 acabou voltando para o meu backlog antes que eu pudesse chegar ao final da jornada.

Trials of Mana
Arquivo pessoal

A decisão de voltar ao universo de Mana

Anos depois, quando comprei o Nintendo Switch, tomei uma decisão que mudou bastante a forma como passei a consumir jogos. Resolvi comprar apenas aquilo que realmente pretendia jogar. Nada de sair acumulando lançamentos por impulso ou aproveitar promoções apenas porque o desconto parecia irresistível. A ideia era montar uma biblioteca formada por títulos que, de alguma forma, eu realmente tivesse vontade de conhecer ou revisitar.

Foi justamente nessa busca que consegui adquirir tanto o Collection of Mana quanto o remake de Seiken Densetsu 3, lançado no Ocidente como Trials of Mana.

Confesso que sabia muito pouco sobre essa nova versão. Na verdade, fiz questão de evitar vídeos e comparações justamente porque queria ser surpreendido. Minha intenção era simples: voltar para um jogo que havia marcado uma fase muito específica da minha vida e descobrir como aquela experiência funcionaria tantos anos depois.

Trials of Mana
Reprodução: Internet/ Square Enix

Um remake que respeita suas origens

Como se trata de um remake, era natural esperar mudanças. A Square Enix abandonou completamente o visual em 2D do original e recriou toda a aventura em três dimensões, dando uma nova identidade visual para um jogo que, durante muito tempo, existiu apenas na minha memória em forma de sprites.

O curioso é que a surpresa acabou sendo bastante positiva.

Em termos de estrutura, Trials of Mana continua muito próximo do jogo que eu lembrava. O clássico sistema de menus em anel permanece presente, algo que sempre considerei uma das características mais marcantes da franquia Mana e que, anos depois, acabaria influenciando outros jogos, como Secret of Evermore. O combate também preserva sua essência, mesmo recebendo algumas novidades, como a inclusão de habilidades passivas e pequenas melhorias que tornam a progressão mais interessante.

No fim das contas, a sensação era de estar jogando o mesmo clássico, só que muito mais bonito e acompanhado de diálogos extras que ajudam a desenvolver melhor os personagens.

Trials of Mana
Reprodução: Internet/ Square Enix

Quando a comparação deixa de existir

O mais interessante é que, depois de algumas horas, deixei de comparar constantemente o remake com a lembrança que guardava do original. Em vez de procurar diferenças a todo momento, passei simplesmente a aproveitar a experiência pelo que ela se propunha a oferecer. A base continua ali. A liberdade de montar seu grupo, acompanhar histórias diferentes e explorar aquele mundo colorido permanece tão divertida quanto eu lembrava, enquanto as mudanças realizadas pela Square Enix ajudam a modernizar aspectos que realmente precisavam de uma atualização.

O combate, por exemplo, ganhou um ritmo mais dinâmico graças ao novo sistema em três dimensões. A movimentação ficou mais livre, as habilidades passaram a ter um impacto visual muito maior e as batalhas se tornaram mais agradáveis de acompanhar. Ainda assim, em nenhum momento tive a sensação de estar diante de um jogo completamente diferente. Pelo contrário. A impressão que tive foi a de que os desenvolvedores entenderam exatamente quais elementos precisavam ser preservados para que Trials of Mana continuasse parecendo Seiken Densetsu 3.

Talvez esse seja o maior mérito do remake. Em vez de tentar substituir um clássico, ele procura respeitá-lo. Moderniza o que precisava ser modernizado, melhora diversos aspectos da experiência e, ao mesmo tempo, preserva a identidade que fez tanta gente guardar boas lembranças desse jogo durante décadas.

Reprodução: Internet/ Square Enix

Algumas lembranças merecem ser revisitadas

Confesso que existia um certo receio antes de começar essa aventura. Sempre existe o risco de descobrir que boa parte daquilo que lembramos com carinho era apenas nostalgia. Felizmente, aconteceu exatamente o contrário. Quanto mais eu avançava, mais percebia que meu carinho por Seiken Densetsu 3 não existia apenas porque ele fazia parte da minha infância ou adolescência. Ele continua sendo um excelente jogo, independentemente da época em que decidimos voltar para ele.

Talvez seja justamente por isso que eu goste tanto de revisitar alguns clássicos. Eles não servem apenas para matar a saudade de uma fase da vida. Também nos lembram que boas ideias continuam funcionando, mesmo depois de tantos anos. Alguns jogos envelhecem. Outros simplesmente encontram novas formas de continuar encantando quem decide voltar para eles.

E, depois de tantos anos, foi exatamente essa a sensação que Trials of Mana me deixou: a de reencontrar um velho amigo que mudou com o tempo, mas que continua exatamente com a mesma essência que fez aquela primeira conversa ser tão especial.

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WORLD HEROES PERFECT | O resgate de uma era esquecida da SNK https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/27/world-heroes-perfect-o-resgate-de-uma-era-esquecida-da-snk/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/27/world-heroes-perfect-o-resgate-de-uma-era-esquecida-da-snk/#respond Wed, 27 May 2026 23:19:52 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22106 WORLD HEROES PERFECT é aquele tipo de relançamento que imediatamente desperta uma sensação nostálgica em quem viveu a era dos fliperamas da SNK. E talvez esse seja justamente o seu maior charme. Estamos falando de um jogo de luta lançado originalmente em 1995, numa época em que o Neo Geo brigava diretamente com gigantes como […]

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WORLD HEROES PERFECT é aquele tipo de relançamento que imediatamente desperta uma sensação nostálgica em quem viveu a era dos fliperamas da SNK. E talvez esse seja justamente o seu maior charme. Estamos falando de um jogo de luta lançado originalmente em 1995, numa época em que o Neo Geo brigava diretamente com gigantes como Street Fighter e Mortal Kombat pela atenção dos jogadores.

Só que, diferente de outras franquias da SNK que acabaram se tornando fenômenos absolutos, como The King of Fighters, Fatal Fury ou Samurai Shodown, World Heroes acabou ficando um pouco perdido no tempo. E revisitar WORLD HEROES PERFECT hoje deixa isso ainda mais evidente.

O relançamento para Steam funciona muito mais como uma cápsula do tempo do que necessariamente uma tentativa de recolocar a franquia no centro das atenções. O jogo mantém praticamente intacta sua estrutura original, preservando visual, gameplay e até mesmo aquele ritmo mais “duro” típico dos jogos de luta da época.

E isso pode ser tanto uma qualidade quanto um problema.

Reprodução: SNK

Existe algo extremamente divertido na simplicidade quase caótica do combate. Os golpes possuem impacto, os personagens carregam aquele carisma exagerado clássico dos anos 90 e o jogo claramente abraça sem vergonha suas inspirações históricas. Afinal, poucos jogos tiveram a coragem de colocar personagens inspirados em figuras como Rasputin, Jeanne D’Arc e até versões caricatas de lutadores históricos dentro de um torneio de pancadaria completamente absurdo.

Ao mesmo tempo, jogar WORLD HEROES PERFECT em 2026 também evidencia como o gênero evoluiu. O combate é muito menos fluido do que os jogos modernos, a movimentação parece limitada em vários momentos e existe uma rigidez que pode afastar jogadores acostumados com títulos contemporâneos.

Mas talvez essa nem seja a proposta desse relançamento.

WORLD HEROES PERFECT faz parte da linha NEOGEO Premium Selection, iniciativa da SNK voltada para relançar alguns de seus jogos clássicos no PC e consoles modernos. E isso ajuda bastante a entender qual é a proposta desse lançamento.

A ideia aqui claramente não é modernizar o jogo ou transformá-lo em algo competitivo para o cenário atual de fighting games. O objetivo parece muito mais preservacionista. É quase como se a SNK estivesse tentando manter viva uma parte específica da história do Neo Geo, permitindo que jogadores mais novos tenham contato com títulos que acabaram ficando esquecidos ao longo dos anos.

E, sinceramente, existe algo muito interessante nisso.

Reprodução: SNK

Durante muito tempo, franquias menores da SNK acabaram vivendo apenas através de emulação ou de coletâneas antigas. Ver WORLD HEROES PERFECT recebendo um relançamento oficial na Steam transmite aquela sensação de que esses jogos ainda possuem algum valor histórico dentro da indústria.

Claro, o pacote NEOGEO Premium Selection não entrega grandes revoluções. Não espere remake, gráficos refeitos ou mudanças profundas na jogabilidade. O foco aqui é preservar a experiência original com pequenas melhorias de acessibilidade e compatibilidade para o hardware atual.

Mas talvez esse seja justamente o ponto mais interessante da iniciativa.

Ela respeita o jogo que WORLD HEROES PERFECT sempre foi. Um fighting game estranho, carismático e extremamente marcado pela identidade dos anos 90. Em vez de tentar esconder suas limitações ou adaptar tudo ao padrão moderno, o relançamento abraça completamente essa nostalgia.

E honestamente? Existe algo confortável nisso.

Nem todo relançamento precisa reinventar uma franquia ou transformar um clássico em um produto moderno cheio de sistemas online, progressão infinita e temporadas de conteúdo. Às vezes, preservar já é suficiente.

Reprodução: SNK

WORLD HEROES PERFECT entende muito bem o espaço que ocupa. Ele não tenta competir com Street Fighter 6, Tekken 8 ou Mortal Kombat 1. Ele só quer continuar existindo, lembrando uma época em que os jogos de luta eram mais simples, mais experimentais e, em muitos momentos, até estranhamente criativos.

Talvez jogadores mais novos encontrem dificuldades para se adaptar ao seu ritmo mais rígido e limitado. E isso é compreensível. Mas para quem viveu os tempos do Neo Geo, frequentou fliperamas ou passou tardes descobrindo jogos obscuros da SNK em locadoras e emulações, existe um charme muito específico aqui que continua funcionando.

No fim das contas, WORLD HEROES PERFECT talvez não seja um relançamento importante por revolucionar alguma coisa, mas sim porque ele preserva um pequeno pedaço de uma era muito particular dos videogames.

E só isso já faz sua existência valer a pena.

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Invincible VS é puro caos ultraviolento https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/24/invincible-vs-e-puro-caos-ultraviolento/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/05/24/invincible-vs-e-puro-caos-ultraviolento/#respond Sun, 24 May 2026 21:59:35 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=22097 Invincible VS é exatamente o tipo de jogo que eu imaginava existir depois de assistir à animação pela primeira vez. Violento, exagerado, caótico e completamente despreocupado em esconder o impacto brutal de seus confrontos. E, sinceramente, isso funciona muito bem logo nas primeiras partidas. Existe um peso nos golpes que transmite perfeitamente a sensação de […]

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Invincible VS é exatamente o tipo de jogo que eu imaginava existir depois de assistir à animação pela primeira vez. Violento, exagerado, caótico e completamente despreocupado em esconder o impacto brutal de seus confrontos. E, sinceramente, isso funciona muito bem logo nas primeiras partidas.

Existe um peso nos golpes que transmite perfeitamente a sensação de estar controlando personagens absurdamente poderosos. Cada soco parece destruir ossos, atravessar paredes e transformar o cenário em um desastre completo. O jogo claramente entende o apelo do universo de Invincible e usa isso ao seu favor o tempo inteiro.

Mas o mais interessante é que Invincible VS não tenta ser apenas “um Mortal Kombat com super-heróis”. Ele aposta muito na velocidade e na sensação de espetáculo constante. Em alguns momentos, a tela vira praticamente um festival de explosões, sangue e ataques cinematográficos acontecendo quase sem pausa. É divertido, principalmente para quem acompanha a série, porque existe aquele prazer quase infantil de ver personagens conhecidos trocando golpes absurdos enquanto o cenário desmorona ao fundo.

E talvez seja justamente aí que mora sua maior qualidade.

Invincible VS
Reprodução: Quarter Up

O jogo entende que boa parte das pessoas não chegou até ele procurando profundidade competitiva ou uma nova revolução dentro do gênero de luta. Elas querem sentir o impacto daquele universo funcionando em suas mãos. Querem executar golpes brutais, assistir animações violentas e participar daquele espetáculo exagerado que transformou Invincible em um fenômeno tão popular.

O gameplay de Invincible VS segue uma linha muito mais acessível e imediata do que técnica. Você não precisa passar horas decorando combinações complexas para começar a se divertir, porque o jogo rapidamente te coloca naquele fluxo de pancadaria exagerada que combina perfeitamente com o universo da série. Os personagens são rápidos, os golpes possuem bastante impacto e existe uma preocupação constante em transformar cada confronto em um espetáculo visual.

Em muitos momentos, a luta parece menos uma disputa equilibrada e mais uma troca desesperada de ataques brutais acontecendo em alta velocidade. Isso torna tudo extremamente divertido no começo, principalmente em partidas casuais com amigos. Por outro lado, conforme as horas passam, começa a surgir uma leve sensação de repetição, justamente porque o jogo parece mais interessado em impressionar visualmente do que em oferecer um sistema de combate realmente profundo. Ainda assim, dentro da proposta que escolheu seguir, Invincible VS funciona muito bem.

Invincible VS
Reprodução: Quarter Up

No Xbox Series S, a experiência consegue funcionar muito bem justamente por causa disso. Mesmo sendo um console menos poderoso que os demais da geração, o jogo mantém a fluidez necessária para que toda a pancadaria continue divertida. E isso é importante, porque um jogo desse tipo depende totalmente da sensação de impacto e velocidade para funcionar.

Claro, nem tudo é perfeito. Depois do deslumbre inicial, começa a surgir a sensação de que o jogo talvez dependa demais da licença e do impacto visual para sustentar o jogador por muitas horas. Alguns confrontos acabam parecendo mais um desfile de efeitos e violência do que batalhas realmente memoráveis do ponto de vista mecânico, não que isso desabone o titulo.

Reprodução: Quarter Up

Ainda assim, seria injusto dizer que Invincible VS decepciona. Muito pelo contrário. Ele entrega exatamente aquilo que promete: um jogo de luta brutal, estiloso e exagerado, feito claramente para fãs desse universo e bons jogos de luta.

E talvez isso seja o suficiente.

Porque, no fim das contas, Invincible VS não parece preocupado em reinventar jogos de luta. Ele só quer colocar você dentro daquele caos ultraviolento da série por horas… e honestamente? Poucos jogos recentes conseguem transformar espetáculo em diversão de forma tão imediata.

Nota 9.0/10


Invencible VS está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X e Series S, Microsoft Windows e o jogo foi analisado com uma cópia gentilmente cedida pela Quarter Up.

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Nintendo Switch vale a pena? Minha experiência depois de dois anos com o console https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/04/05/nintendo-switch-vale-a-pena-minha-experiencia-depois-de-dois-anos-com-o-console/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/04/05/nintendo-switch-vale-a-pena-minha-experiencia-depois-de-dois-anos-com-o-console/#respond Sun, 05 Apr 2026 12:59:55 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=21971 Faz aproximadamente dois anos que comprei o meu Nintendo Switch e, nesse período, adquiri cerca de 21 jogos físicos para o console. Foi justamente isso que me motivou a escrever este texto, no qual quero compartilhar com vocês alguns dos benefícios de ter um console da Nintendo em casa. Claro, não vou entrar no mérito […]

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Faz aproximadamente dois anos que comprei o meu Nintendo Switch e, nesse período, adquiri cerca de 21 jogos físicos para o console. Foi justamente isso que me motivou a escrever este texto, no qual quero compartilhar com vocês alguns dos benefícios de ter um console da Nintendo em casa.

Claro, não vou entrar no mérito de preços ou discutir o custo dos jogos — até porque não faltam críticas acerca desse assunto por aí.

A ideia aqui é outra. Quero dividir com vocês a minha visão como usuário desse console híbrido. Afinal, acredito que tenho algo a acrescentar para quem ainda cogita comprar um Switch, seja na versão Lite ou OLED. E, apesar das diferenças entre os modelos, a biblioteca de jogos é a mesma — e é aí que mora um dos seus maiores pontos fortes.

O Nintendo Switch atualmente conta com pouco mais de 4 mil títulos em sua biblioteca, então podemos dizer que falta de jogos definitivamente não é um problema.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

Arquivo pessoal

Quando comprei meu Nintendo Switch

O meu Nintendo Switch é um OLED, e eu o comprei usado de um redator aqui do site, o Juliano. Só o console saiu por cerca de R$ 2.352 na época, com pagamento parcelado, acompanhado de um grip e um controle que foram incluídos no valor.

Levando em consideração que esses acessórios não acompanham o console originalmente, acabou sendo um bom negócio — até porque o preço de um Switch OLED em 2023 girava na casa dos R$ 2.800.

O console chegou sem nenhum jogo. Mas, como o Juliano é muito parceiro, ele deixou a conta dele conectada, e o Tony, que também escreve aqui, emprestou a dele. Com isso, tive acesso a uma boa variedade de jogos exclusivos do console logo de cara.

Agora, sendo bem honesto, se eu não tivesse esse acesso às contas dos amigos, provavelmente teria passado um bom tempo investindo em jogos free-to-play, como Pokémon Unite, Fall Guys e outros títulos disponíveis na Nintendo eShop.

Talvez não fosse o cenário ideal — e provavelmente eu não ficaria muito satisfeito no começo —, mas ainda assim tentaria extrair alguma diversão dessa situação.

Foi a partir daí que passei a me inteirar melhor sobre a biblioteca do Nintendo Switch. Antes de ter o console, muita coisa simplesmente passa batida. Você ignora notícias, não acompanha lançamentos e acaba absorvendo apenas aquele boca a boca — geralmente focado nos problemas. Na prática, a experiência é bem diferente.

Reprodução: Nintendo

Eu posso jogar quando vou ao banheiro

Uma coisa que eu vi muito — principalmente em comunidades de Xbox e PlayStation que frequentei por um tempo — é que o Switch é um console perfeito para usar no banheiro. E, mesmo sendo dito muitas vezes com certo deboche, eles não estavam errados.

Começar um jogo na sala e continuar no banheiro é, sem dúvida, uma das coisas mais legais que o console permite.

Não foi uma ou duas vezes — foram centenas — que simplesmente tirei o console do dock e levei comigo. A primeira vez que derrotei um guardião em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, por exemplo, foi no banheiro… e foi incrível.

Claro, não é exatamente a prática mais higiênica do mundo, mas também não vamos fingir que isso não acontece.

Hoje, eu acabo jogando muito mais no modo portátil, principalmente por conta da tela OLED, do que na televisão. E, por melhor que seja jogar na TV, existe uma diferença enorme entre estar deitado, confortável, e sentado na sala.

Nesse ponto, o Nintendo Switch se tornou minha principal escolha para jogar — o que acabou deixando até o meu Xbox Series S um pouco de lado.

Arquivo pessoal

Uma ótima biblioteca

Não é incomum encontrar pessoas que fazem críticas aos jogos da Nintendo, principalmente tentando infantilizá-los, como se isso fosse um grande problema. Uso como exemplo Mario Odyssey, quando foi lançado em 2017. Ele foi muito bem avaliado pela crítica, mas, dentro das bolhas de outras plataformas, era possível ver diversas críticas negativas. E, sendo bem franco com vocês, eu mesmo acabei comprando essas opiniões sem nunca ter jogado o título.

Ora, o que poderia haver de mais em um jogo do Mario?

Reconheço que fui moleque. Porque, assim que comecei a jogar Mario Odyssey com meu filho, tive uma das jornadas mais belas e divertidas dos últimos anos. Não se tratava apenas de um jogo com gráficos bonitos — a experiência como um todo é extremamente prazerosa. Existe um equilíbrio entre gameplay, trilha sonora e direção de arte que faz do título algo marcante, mesmo depois de concluído.

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Mesmo após terminar o jogo, meu filho ainda volta para Mario Odyssey. E isso é algo raro hoje em dia. Pouquíssimos jogos conseguem fazer você querer retornar depois de terminar.

E sabe por quê?

Porque muitos deles não são pensados para isso. São experiências rápidas, feitas para você consumir e seguir em frente.

Por mais que possa soar como algo “nintendista” — e eu não me considero um —, os jogos exclusivos da Nintendo são pensados para serem memoráveis. São jogos que você quer revisitar. Quer mostrar para alguém.

Eu mesmo ainda nem finalizei The Legend of Zelda: Breath of the Wild e, mesmo assim, já falei dele diversas vezes com meu primo, que também tem um Nintendo Switch. Esse tipo de experiência tive com pouquíssimos jogos. Pensando agora, enquanto escrevo, me vêm à mente: Metal Gear Solid, Spec Ops: The Line e God of War.

Comprar um Nintendo Switch é, em certa medida, ter a certeza de que os seus exclusivos vão te proporcionar muitas boas horas de jogatina. Em dois anos, posso dizer que não me decepcionei até o presente momento. Ele me rendeu desde partidas divertidas de Mario Party com colegas de trabalho até momentos de puro nervosismo em Metroid Dread — maldito robô assustador.

O Switch Lite do meu filho – Arquivo pessoal

Vale a pena — mesmo com os problemas

Um dos maiores problemas é o preço que a empresa cobra pelo serviço, o que acaba tornando-o inacessível para muita gente. Ainda assim, se você está disposto a investir em um console, saiba que estará muito bem servido de jogos. Seus exclusivos são de ótima qualidade, e ainda existem os títulos third-party, além de uma vasta quantidade de jogos indie que também merecem destaque.

Você não vai ficar sem opções do que jogar — isso é fato.

E, caso bata aquela nostalgia pelos clássicos da Nintendo, o Switch conta com um serviço chamado Nintendo Switch Online. Eu, por exemplo, tenho acesso a ele porque participo de um plano família, o que acaba tornando o pagamento anual bem mais acessível.

Dentro desse plano, você tem acesso a uma biblioteca de jogos clássicos por meio de emuladores de Super Nintendo, Nintendo 64, Nintendinho, Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance.

E, sendo bem honesto, eu quase não uso o serviço.

Mesmo assim, ele continua fazendo sentido para mim.

Dividido entre várias pessoas, o valor fica interessante — e, no meu caso, ele acabou tendo uma função muito específica: apresentar esses jogos clássicos para o meu filho.

Poderia fazer isso no PC? Sem dúvida.

Mas não seria a mesma coisa.

Hoje, ele tem um Nintendo Switch Lite só para ele, e ver ele jogando Donkey Kong Country sempre que pode tem um peso diferente. Existe algo em ter esse “ecossistema Nintendo” concentrado em um único lugar que é extremamente prático — e, de certa forma, até especial.

Claro, isso não significa que a Nintendo esteja acima de críticas. Longe disso. Sempre vamos bater na tecla do valores que ela cobra e problemas de localização, mas pelo menos nesse segundo item ela tem dado avanços.

Recente aquisição – Arquivo pessoal

Você não precisa acompanhar o hype

Ter um Nintendo Switch significa que você não poderá ter tudo na hora, os valores dos jogos são altos, mas existem milhares de grupos de descontos que facilitam em muito a nossa vida.

Por outro lado, as redes sociais nos bombardeiam o tempo todo que precisamos ter os mais novos lançamentos, e eu entendo que você pode se sentir condicionado a fazer dividas em prol disso, mas porque fazer isso? É tão importante assim estar jogando o mesmo jogo em lançamento que os demais estão jogando?

Quando escolho algo para jogar, eu sempre dou preferencia por algo que tenha passado o hype, e isso me gera benefícios, porque vou pagar menos por isso e claramente vou aproveitar muito mais.

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Isso não vale apenas para o Nintendo Switch, mas, se você pretende ter um, saiba que ter autocontrole e estar disposto a aproveitar o que já está na sua biblioteca faz toda a diferença. É isso que vai te permitir economizar dinheiro e, ao mesmo tempo, aproveitar muito mais o console.

Eu não cheguei a 21 jogos físicos comprando tudo no lançamento. Muito pelo contrário. Fui pegando depois do hype, aproveitando promoções e, em alguns casos, até boas ofertas de jogos digitais.

É aí que está o pulo do gato.

Se você tem vontade de comprar um Nintendo Switch — qualquer modelo —, eu realmente recomendo. Mesmo com um sucessor já no horizonte, esse primeiro console ainda tem muita lenha para queimar.

E, no fim das contas, talvez o maior valor do Switch não esteja apenas nos jogos que ele oferece — mas na forma como ele te convida a jogar.

 

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Depois do grande sucesso que foi Super Mario: O Filme, em 2023, todos nós estávamos ansiosos por uma continuação – algo que parecia praticamente certo, considerando o desempenho absurdo do primeiro longa.

E é aí que mora um ponto preocupante: continuações nem sempre conseguem manter a qualidade da obra original. Os motivos são variados. Às vezes, há uma tentativa de entregar uma experiência diferente; em outros casos, a produção decide mirar em um público distinto ou adotar uma nova abordagem. O problema é que, na maioria das vezes, essas escolhas acabam resultando em algo distante daquilo que conquistou o público inicialmente.

E, bem… é exatamente isso que acontece em Super Mario Galaxy: O Filme.

Reprodução: Illumination/ Nintendo

Sendo bem franco com vocês, eu saí da sala de cinema levemente decepcionado.

Super Mario Galaxy: O Filme não mira apenas no seu público cativo, que são os fãs dos personagens e conhecedores dos seus jogos. Ele também tenta atingir um público mais jovem, despertando o interesse pelos jogos da marca — e, nesse sentido, o filme é incrivelmente certeiro. Por outro lado, durante 1h40, eu fui bombardeado com ação atrás de ação, de maneira quase ininterrupta, com pouco espaço para digerir qualquer elemento ligado à trama.

Eu me senti exausto. É como se o filme tentasse jogar o máximo de referências possíveis de uma só vez, e isso acaba prejudicando o envolvimento. Você não consegue se importar com a Rosalina ou com o destino dela nas mãos do Bowser Jr.

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A trama, por si só, gira em torno da sua captura e de como ela será utilizada como uma arma idealizada pelo Bowser pai. Simples assim.

Entenda bem: eu não acredito que uma obra infantil precise ter um desenvolvimento profundo de personagens. Mas é minimamente esperado que exista espaço para construirmos algum tipo de relação com eles — e o filme não faz isso. Tudo acontece o tempo todo, sem pausa. Um personagem novo aparece e, rapidamente, recebe uma explicação sobre sua história… e seguimos adiante.

Mesmo com o Yoshi sendo introduzido e tendo sua origem explicada rapidamente, ele já é integrado ao grupo sem grandes questionamentos. E seguimos para a próxima sequência. E assim vai o filme inteiro.

Reprodução: Illumination/ Nintendo

Com centenas de referências aos jogos e participações de personagens, o filme acaba sendo uma obra divertida — quase um caleidoscópio de efeitos coloridos. A experiência final é boa, mas deixa aquela sensação de que poderia ter sido muito melhor.

Não sei se estou sendo exigente demais, mas gostei tanto do primeiro filme e da forma como ele construía seu ritmo aos poucos, dando espaço para os personagens crescerem ao longo da narrativa. E nem dá para dizer que tínhamos uma trama mais complexa — afinal, era algo simples: salvar a Princesa Peach.

Ainda assim, havia desenvolvimento. Você via o Bowser crescendo, entendia suas motivações, acompanhava o Mario em sua jornada do herói, e cada personagem era introduzido com naturalidade, sem pressa.

Senti muita falta disso — e acredito que foi o que mais me incomodou. Em pouco mais de uma hora de filme, eu já me perguntava se estava realmente me divertindo. Poucas coisas me fizeram sorrir e, por mais que eu seja um grande fã dos personagens da Nintendo, as inúmeras referências não foram suficientes para me cativar.

Reprodução: Ilumination/ Nintendo

Vale dizer que não busquei informações sobre a crítica especializada antes de assistir ao filme. Gosto de ter minha própria experiência, sem interferências. Ainda assim, não me surpreenderia se o ritmo fosse um dos pontos mais criticados.

Por outro lado, fui ao cinema com minha esposa e meu filho — e ele adorou, principalmente as referências a Super Mario Odyssey e, claro, o Yoshi. Minha esposa também curtiu bastante, especialmente a referência a Super Mario Bros. 2. No fim, parece que só eu saí refletindo sobre tudo o que vi.

E talvez seja isso: é um filme feito para desligar.

Super Mario Galaxy: O Filme provavelmente será um sucesso de público e já dá sinais de que um terceiro filme deve acontecer, considerando o apelo que a obra tem tanto com o público atual quanto com os fãs de longa data.

Já eu não posso dizer que foi o melhor filme que assisti. Ele é legal — talvez eu reveja com o meu filho quando estiver disponível nos serviços de streaming —, mas uma coisa é certa: é um daqueles filmes-evento que a gente não esquece tão cedo.

No fim, não foi o filme que eu esperava — mas talvez tenha sido exatamente o filme que essa nova geração precisava.

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