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Uma das coisas que vejo recentemente, são algumas companhias de médio a grande porte, tendo suas divisões para jogos indies, empresas como a Nacom, a Soedesco e até mesmo a EA, possuem divisões com jogos assim, de menor orçamento e menor escopo, dando o espaço para mentes criativas pensarem em algo fora da caixa, que não é feito pra ser blockbuster AAA arrasa quarteirão.  Os jogos Fe e Unravel vieram desse nicho, através do selo EA Originals.

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A THQ Nordic tem um selo para jogos independentes também, a Handy Games, que já vinha publicando diversos jogos, antes mesmo da aquisição (pela THQ Nordic) em 2018. Enfim, em março desse ano, chegava ao PC o jogo de plataforma 3D cooperativo Pile Up!, desenvolvido pelo estúdio francês Seed by Seed. E em agosto, o jogo finalmente chegou aos consoles.

Será que ele vale o seu tempo?

Ajude os outros nesse colorido mundo de papelão

Pile Up!

Você é uma caixa sem nome (que vou chamar de Bob) que chegou a um local desanimado.

Para trazer a animação ao lugar, Bob (e seus amigos, caso vá jogar cooperativo) deve ajudar os locais, com seus diversos problemas, seja os filhos perdidos do Sapão, os assistentes de um diretor, que estão cercados por chamas, ou um moleque que está tendo sua festa de aniversário, mas não tem convidados ou qualquer outra coisa.

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Tenho certeza de que esqueci um dos objetivos, mas enfim. Você precisa atravessar aquele mundo e ajudar as pessoas, porque já dizia Eek the Cat (na voz de Guilherme Briggs): “Ajudar não dói”, porém considerando que o Eek sempre se fodia no desenho, essa afirmação é um pouco dúbia.

Obviamente, a história não vai ganhar nenhum prêmio por originalidade ou criatividade, mas claramente ela é só a desculpa pra jogarmos, o que pra mim já é o suficiente nesse caso.

Cérebro pra que te quero (ao menos quando se está jogando sozinho)

Um pequeno disclaimer: Não aproveitei uma certa parte e um certo elemento do jogo, pois eles exigem multiplayer, e como gordo sem amigos no meio de uma pandemia, não tem como eu jogar multiplayer.

Pile Up! é um jogo construído pra ser jogado em equipe, seja com 1, 2 ou 3 amigos (quem tem 3 amigos próximos em 2021?), mas dá pra aproveitar boa parte do jogo sozinho. Ele é um platformer 3D com elementos de puzzle e collectathon, mas não é tão forte como jogos como Banjo Kazooie, Yooka-Laylee e Doonkey Koong Coountry 3 (sim, escrevi Donkey Kong Country errado de propósito), de fato, os coletáveis do jogo servem pra apenas duas coisas (além daquela coisa do 100%), um deles serve pra comprar as skins extras da sua caixa e o outro pra liberar o caminho extra das fases, que é um pouco mais desafiante, mas que possibilita pegar os demais coletáveis da fase e o 100% dela.

A progressão do jogo é linear, apesar do HUB central do jogo sugerir o contrário. Após concluir o tutorial (que ensina alguns dos conceitos básicos do jogo), uma chave lhe é dada para ir até a primeira fase. Você pode explorar o hub, pegar os coletáveis disponíveis lá, mas só pode ir para a primeira fase. Se isso pode ser considerado ponto a favor ou contra, é questionável, mas não consigo não ver que poderia ter sido não linear.

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A jogabilidade em si é simples, com um botão você dá uma espécie de dash, com outro você pode arremessar caixas, que é a principal gimmick do jogo. Como o título do jogo diz, você precisa empilhar caixas nas fases para poder alcançar certas plataformas e resolver puzzles.

É ao mesmo tempo simples e complicado. A princípio, temos apenas caixas de papelão comuns, mas conforme avançamos no jogo, outros tipos de caixa surgem, conforme a necessidade da fase, seja uma caixa com língua de sapo que ajuda a pegar caixas distantes ou atravessar abismos enormes (dependendo do local), ou caixas que flutuam, explodem após alguns segundos ou disparam água.

Você não precisa ter pressa (a não ser que seja um speedrunner), pois o jogo não possui inimigos, e as mortes (por queda no cenário) não são punitivas. Uma das coisas que é comum em jogos com elemento de puzzle, é que muitas vezes, puzzles possuem somente uma solução. Aqui em Pile Up, apesar dos puzzles (que não são tão difíceis) terem uma solução óbvia, você pode ser criativo se conseguir levar elementos de um ponto a outro do mapa (como uma mola).

Para deixar um pouco de incentivo a coletar os cubos (que são a moeda do jogo), existem skins que podem ser compradas na lojinha, como a de melancia ou sushi (ou seria melancaixa e caixushi?), elas não fazem diferença no grande esquema das coisas, mas se quiser um incentivo pra coletar coisas, tá aí.

O jogo não é particularmente longo, dá pra terminar ele numa tarde de boa, e o fator replay está justamente nos mini games e no modo cooperativo do jogo, que se você tiver como jogar assim, é mais do que recomendado.

Maravilindo mundo de papelão

Pile Up!

A parte gráfica foi feita com bastante esmero pelo time da Seed by Seed, já que o estilo artístico do jogo é de encher os olhos.

Ele passa a mesma sensação de jogos como Kirby’s Epic Yarn, Yoshi’s Wooly World e mais específico, Yoshi’s Crafted World. O mundo do jogo é feito de papelão e a criatividade da equipe artística em mostrar as coisas mundanas, mas de papelão é notável.

Os cenários são lindos, e os personagens, notáveis e até mesmo expressivos, dado o fato de que são feitos de papelão. E obviamente, eles não falam, mas se expressam por meio de balões de fala com ilustrações, lhe dando o objetivo das fases.

A trilha sonora do jogo contém musicas com o tema relaxado do jogo. Não são musicas que vão ficar na sua cabeça, mas te deixam no clima ideal, uma aventura (possivelmente) calma com os amigos.

Funciona pro que o jogo quer.

Solo ou em Dupla, diversão até pro Supla

Pile Up! é aquele jogo que você não espera tanto assim numa primeira olhada, mas é um jogo divertido, especialmente se você quer uma jogatina em família, tranquila e sem compromisso… A não ser que você jogue os mini games versus, aí a jogatina não vai ser tranquila… Se é que me entendem.

Enfim, o jogo está disponível para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Handy Games.

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Brawlout | Uma alternativa para os amantes de Smash Bros https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/05/14/brawlout/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/05/14/brawlout/#respond Tue, 14 May 2019 23:58:00 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/2019/05/14/brawlout-uma-alternativa-para-os/ Podemos dizer que a fórmula criada em Smash Bros apesar de simples e muito bem executada, abriu as portas do que hoje conhecemos como o gênero Brawler. Se você é mais velho (tem os seus 30 e pouco), sabe que o jogo The Outfoxies foi pioneiro na ideia de enfiar vários personagens em uma arena para se […]

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Podemos dizer que a fórmula criada em Smash Bros apesar de simples e muito bem executada, abriu as portas do que hoje conhecemos como o gênero Brawler.

Se você é mais velho (tem os seus 30 e pouco), sabe que o jogo The Outfoxies foi pioneiro na ideia de enfiar vários personagens em uma arena para se digladiarem, mas a Nintendo elevou o nível da brincadeira.

Consequentemente outros títulos tentaram recriá-la, poucos se saíram bem o suficiente para não cair no esquecimento, porém, Brawlout parece ter acertado não só na execução, como na hora de criar sua própria identidade.

CONHEÇAM OS PERSONAGENS

Reunindo personagens próprios e adicionando protagonistas de outros jogos indies, podemos dizer que Brawlout está encorpando e criando o seu diferencial e merece a sua atenção, me acompanhem.

Brawlout tem um objetivo bem claro: atire seu adversário para fora da arena e de preferencia o mais rápido possível. O jogo é bem cru e não tem nenhum Power-Up na arena que possa facilitar sua vida, é tudo questão de habilidade e encontrar brechas do oponente para jogá-lo para fora.

Eu particularmente adoro jogos de lutas apesar de não ser tão bom quanto gostaria, mas esse jogo é praticamente voltado para qualquer um.

São poucos comando e acaba sendo possível derrotar alguns personagens apenas usando dois botões – Menos nas lutas contra duplas ou times. O que faz com que acabe sendo divertido voltar mais vezes ao jogo e encarar seu modo arcade ou TRIAL – Esse é um modo novo que possui algumas fases bônus entre os combates, além de batalhas diferenciadas.

Os personagens contam  com uma barra que vai aumentando a medida que se bate no inimigo ou leva porrada, ela pode ser usada para quebrar ataques, recuperar o personagem caso esteja sendo jogado para fora da arena ou causar o dobro de dano nos inimigos. Um recurso que se bem utilizado pode virar o jogo caso esteja levando a pior.

UMA ARTE CONVIDATIVA

Olha, vou dizer que realmente estava bem curioso com esse jogo desde a primeira vez que o vi.

A arte dos personagens definitivamente é um ponto positivo a ser ressaltado, porque não só vai cativar crianças como também consegue agradar aos adultos, por outro lado não há muito carisma nos personagens originais do jogo.

Os convidados são interessantes, mas isso porque são famosos por seus jogos e vê-los em um ambiente diferente dá um certo charme. Isso também me leva a outro ponto que gostei, que são os diálogos. São sempre bem descontraídos e humorado.

É. Eu sei. To falando de diálogos de um jogo de luta, algo que normalmente as pessoas ignoram, mas eu gosto dessa atenção do estúdio para dar mais personalidade, pois apesar de não serem profundos ou coisa do tipo, acaba sendo divertido. Principalmente quando se vai lutar contra o protagonista do Guacamelee.

UM COSMÉTICO AQUI E OUTRO ACOLÁ

Brawlout possui muitos itens cosméticos que podem ser adquiridos ganhando moeda durante os combates, além de variações dos personagens que podem ser desbloqueadas. Isso é uma das coisas que realmente pode ser interessante para quem não tá afim de gastar grana com esses tipos de itens.

Como também continua recebendo atenção da Angry Mob Games, que recentemente adicionou mais modo (O trial que citei lá no começo) e mais um lutador ao seu catalogo: Dead Cells. – Que é um personagem badass para se controlar.

Isso mostra que o cuidado que estúdio tem com o título, além dos planos de estender ainda mais a vida do jogo, que atualmente conta com os personagens de Guacamelee, Hyper Light Drifter e Yooka-Laylee. Espero que mais personagens sejam adicionados, quem sabe não conferimos o Shovel Knight no jogo daqui à algum tempo.

CONCLUSÃO

Brawlout não é um jogo ruim, certamente tem seus méritos e o estúdio vem trabalhando para tornar a experiência cada vez melhor. É possível se divertir jogando com mais alguém em coop local, mas na experiência online eu fui um pouco infeliz, pelo menos nos horários em que podia jogar não encontrei partidas.

O jogo proporciona um bom divertimento, mesmo não sendo tão difícil, na realidade o maior desafio foi entender um pouco da mecânica, uma vez que não sou habituado ao estilo Smash Bros, mas depois que se acostuma, as batalhas tendem a ficar fáceis, mas o jogo para compensar começa a jogar um número maior de inimigo, o que acaba dando certa dor de cabeça.

Brawlout merece mais atenção, principalmente para quem gosta do gênero e não possui um console da Nintendo, o que acaba sendo uma boa alternativa para os amantes do gênero ou para quem busca um entretenimento para jogar com seus filhos.

*O jogo Brawlout foi analisado com uma chave digital de Xbox One fornecida pela Angry Mob Games.*

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Crash Bandicoot N. Sane Trilogy | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2017/08/25/crash-bandicoot-n-sane-trilogy/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2017/08/25/crash-bandicoot-n-sane-trilogy/#respond Fri, 25 Aug 2017 20:32:00 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/2017/08/25/crash-bandicoot-n-sanity-trilogy/ Lembro-me da primeira vez que joguei Crash Bandicoot. Eu tinha meus 7 anos (1998) e havia acabado de me mudar pra um bairro meio feioso onde meus únicos amigos eram do colégio, visto que minha mãe tinha um sério medo de me deixar sair de casa. Nesse ambiente de “Todo Mundo Odeia o Chris”, meu […]

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Lembro-me da primeira vez que joguei Crash Bandicoot. Eu tinha meus 7 anos (1998) e havia acabado de me mudar pra um bairro meio feioso onde meus únicos amigos eram do colégio, visto que minha mãe tinha um sério medo de me deixar sair de casa.

Nesse ambiente de “Todo Mundo Odeia o Chris”, meu pai – que sempre foi um aficionado por eletrônicos — vendo que eu não tinha diversão alguma em casa além do meu já velho Super NES, resolveu comprar pra mim um PlayStation.

O console já veio com pelo menos 40 CDs, já que meu velho trouxe o console de uma locadora que estava fechando, além disso e para minha surpresa, a maioria dos jogos lançados até aquela época tinham uma temática bem diferente do que eu estava acostumado: de lado ficaram os jogos bonitinhos de mascote e vieram jogos mais adultos, com cores mais sóbrias e tudo aquilo que você provavelmente já tá cansado de saber.

Como eu fui uma criança saudável e não tive pais desnaturados como alguns que dão GTA 5 pros filhos, fiquei um pouco incomodado com a falta de conteúdo que agradasse meu paladar em toda aquela pilha de CDs piratas de dar inveja a qualquer criança gringa que precisava esperar o aniversário pra comprar Resident Evil por sessenta dólares.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy
Até que tinha um certo charme conhecer os jogos nessas prateleiras sujas, vai

Ainda que tivesse passado ótimas semanas jogando Pandemonium, X-men: Children of Atom e Tekken 2, houve um momento que meu pai intercedeu e me levou numa locadora ali perto. Entre duas prateleiras — com jogos tão piratas quanto os meus — enxerguei uma capinha meio laranja com um sujeito sobrancelhudo: era Crash Bandicoot 2.

Paguei os R$2,00 reais do aluguel (em notas de 1, já que a notinha azul ainda não existia) e trouxe pra colocar no meu novo e desbloqueado videogame.

Gosto como Crash faz parte da minha infância e como ele é marcante de certa forma, chegando num gap de tempo entre a era dos jogos de mascote (como Mario e Sonic) e a sua estabilidade na era Rare do Nintendo 64.

A Naughty Dog, que hoje em dia se diz madura demais pra criar jogos mais simples como Crash, estava dando seus primeiros passos largos e após dois jogos sofríveis (um pro Mega e outro pro 3DO), se focou em criar um jogo de plataforma 3D para o console da Sony.

O resultado disso chegou em 1996, com o primeiro Crash.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

O jogo em si é simples assim como o primeiro Mario: substitua os blocos por caixas, as moedas por frutas e a câmera lateral pelo rabo do Crash sambando na sua cara na maioria das fases, visto que a câmera fica atrás do personagem.

Diferentemente dos jogos do Bigode, a dificuldade no primeiro jogo é muito elevada, beirando a loucura. Talvez a melhor descrição possível de como esse jogo se torna difícil mais pro final seria “surrealismo contemporâneo”. A Naughty Dog fez o jogo baseado em pulos precisos e buracos, um fator que o torna bem diferente das sequências.

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Os saves também são cruéis: o jogo só salva ou te mostra o password (isso mesmo, dava pra jogar sem Memory Card) depois que o jogador encontra o bônus, que por sua vez necessita que 3 tokens sejam encontrados em determinadas fases, normalmente de três em três.

Completá-lo 100% era um trabalho hercúleo, já que alguns desafios incluíam passar dos cenários com todas as caixas e sem morrer! Sério, não conheço um ser humano vivo que conseguiu fazer isso, e mesmo no remake essa tarefa não ficou menos filha da puta.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy
Olha a cara de ARROMBADO desse marsupial estúpido

Notas sobre o remake: apesar da dificuldade mantida, o problema do save foi corrigido, com direito a auto-save fase a fase e possibilidade de rejogar os bônus caso você morra neles. Outro pró é a adição da irmã de Crash, Coco, que é jogável em todas as fases. Infelizmente a engine nova causou um problema em todos os 3 jogos refeitos, onde o corpo do Crash é reconhecido pelo sistema de colisão do jogo como um ovo ao invés de um cilindro, fazendo com que o personagem escorre em algumas beiradas onde ele deveria ficar “na pontinha”.

Não é tão ruim quanto você pode ler em alguns sites mas vai demorar um bocado para o jogador das antigas se acostumar, já que isso leva a mortes injustas onde o personagem escorrega após um pulo onde na versão original seria perfeito, mas ainda assim de modo geral o resultado ainda é incrível.

Ver esse e os outros jogos em HD, mais bem animados — principalmente nas cutscenes — é um presente gigantesco pra quem se lembra dos clássicos. É o mais difícil da série e a relação de amor e ódio vai com certeza fazer aqueles que procuram um desafio mais elevado se apaixonarem.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Lançado originalmente em 1997, um ano antes de eu criar minha ficha naquela famigerada locadora, a Cachorro Safado melhorou o jogo em muitos aspectos.

O overworld da ilha — similar ao de Donkey Kong Country — deu lugar a salas com portais, deixando ao jogador a possibilidade de escolher a ordem das fases.

Os focos deixaram de ser os pulos precisos/buracos e se tornaram a coleta de gemas e cristais através de caminhos extras nas fases. Crash também está mais rápido, algo que facilmente se nota após passar um tempo jogando o primeiro game, além dos cenários bem mais abertos. Os chefes infelizmente estão mais fáceis, não necessitando uma ou duas vidas pra decodificar seu padrão de movimento e derrotá-los.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy
Essa fase do gelo separa os meninos dos FILHOS DA PUTA. Note o cenário mais amplo que no primeiro jogo

Algo que me surpreendeu negativamente é como a dificuldade dessa iteração parece ser mais injusta em relação ao primeiro. Em Crash 1 você se sentia aprendendo algo em cada morte. Já em Crash 2, a maioria das vezes você perde por causa de controles ruins em certos momentos, inimigos que te acertam sem te tocar ou que aparecem de repente na câmera.

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As fases, apesar de mais variadas esteticamente, me parecem menos inspiradas em level design. Existem novos movimentos para Crash, como a rasteira que pode ser usada antes de um pulo para ir mais longe e a barrigada, que só serve pra quebrar caixas de ferro, mas que atrasa o gameplay.

Notas sobre o remake: além das mudanças estéticas, facilitou-se o acesso a sala secreta, não sendo mais necessário passar de uma fase que dá acesso a ela toda vez que você queira entrar; agora o elevador central leva direto a ela, facilitando a vida de quem deseja buscar os 100% do jogo. Uma coisa horrível que fizeram foi a mecânica de deslizar no gelo; algo que já era um pouco ruim na versão clássica se tornou insuportável, e as três fases nesse ambiente se tornaram um martírio, principalmente se levar em conta que a última dela possuem as duas gemas mais difíceis do jogo.

Ah, algo que não citei no remake do primeiro foi a adição da relíquia de time trial, algo antes pertencente só ao Crash 3. Elas são necessárias para a platina (Na PSN) mas não para os 100% do game. Em Crash 2 foi adicionada a corrida com o botão R2, liberada somente após o termino do jogo, deixando a busca pelos melhores tempos mais dinâmica e mudando o ritmo do jogo completamente.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Talvez um dos jogos mais pirateados na segunda metade da era PSX, Crash Bandicoot 3 (ou “Warped”) não inovou muito em relação ao segundo jogo. Na versão original, foi o primeiro jogo a ter a habilidade de correr, além da bazuca que apesar de não deixar o gameplay mais dinâmico, traz mais um diferencial pra ser usado durante as fases mais próximas do fim. É um jogo mais maduro, com tudo em seu lugar.

Em destaque ficam as fases de Jet ski e de moto, que trazem um diferencial. A trilha sonora ganhou tons menos “tribais”, com maior variedade. A Naughty Dog encerraria aqui seu ciclo com jogos de plataforma do personagem, já que seu último jogo da franquia seria Crash Team Racing, que ficou de fora dos remakes.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Notas sobre o remake: como a Naughty Dog já havia polido suficientemente a engine, não houve necessidade de mudar muita coisa no terceiro jogo além de detalhes estéticos. Já que é assim, melhor aproveitar o parágrafo para considerações finais sobre a trilogia.

Voltando a minha infância, eu nunca cheguei a terminar nenhum dos três jogos. Talvez a grande oferta de games no console tenha me deixado com preguiça lá pela metade de cada um deles, porém sempre tive um apreço gigante por esse marsupial escroto e sua irmã nerd.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy
Nem só de gráficos torpes vive o homem. Olha como isso ficou bonito!

O foco pelo detalhe mostra o motivo da sua desenvolvedora hoje ser o principal trunfo da Sony em relação a seus concorrentes. Desde os movimentos do Crash até o design das fases, tudo parece feito com muito cuidado e possivelmente com diversos playtests até chegarem ao resultado ideal.

Os remakes da Vicarious Visions, que já haviam trabalhado em alguns jogos da série no início dos anos 2000, trouxeram de volta o clássico da maneira mais acurada possível. É óbvio que por não usarem a mesma engine e basicamente terem reconstruído cada jogo do zero, o trabalho deles não ficou perfeito, porém conseguiu emular e melhorar na medida do possível a série, de modo que o resultado em vendas e de avaliações foi muito maior do que o esperado por eles.

O mais incrível de tudo é ver como não mudaram quase nada, o que mostra que jogos com 20 anos de idade conseguiram ser trazidos para a geração atual como lançamentos, sem poréns. Tá certo que tiveram que cortar o seu preço, mas não tira em nada o mérito das duas empresas responsáveis por ambas as versões dos jogos.

O gênero de plataforma tem voltado com tudo nos dias atuais, com jogos como Ratchet & Clank, Skylar & Plux e Yooka-Laylee. Seria muito triste que Crash não fizesse parte desse revival.

Agora só falta uma máquina do tempo pra eu voltar pra 97 e terminar o Crash 2 antes de devolver pra locadora… =)

OBS: Esse review foi feito usando uma cópia de Crash Bandicoot N Sane Trilogy, providenciada pelo meu próprio bolso.

Tá achando que eu ganho cópia de review?

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