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Pragmata foi anunciado em junho de 2020, naquele stream de revelação do PS5 que a Sony fez antes do console sequer existir nas mãos de alguém. A Capcom apresentou o jogo como sua primeira franquia original em oito anos, e logo de cara ele chamou atenção pelo visual: lua, robôs, uma menininha misteriosa e uma estética que lembrava vagamente Mega Man num universo de ficção científica adulta. Aí vieram os atrasos. Muitos. O jogo sumiu por tanto tempo que a internet já tinha praticamente decretado o seu cancelamento, até que a Capcom soltou um vídeo pedindo desculpas pelo tempo e confirmando que o projeto estava vivo. Uma demo foi lançada no início de 2026 e, finalmente, em abril do mesmo ano, Pragmata chegou ao PS5, Xbox Series X e Switch 2. Seis anos depois do anúncio, o jogo existe. E ele é bom demais.

Reprodução: CAPCOM

Ambientação e história

O jogo se passa num futuro próximo, não tão próximo assim, onde uma empresa chamada Delphi Corporation dominou o uso de impressão 3D em larga escala, inclusive em operações espaciais. A Delphi tem uma base na Lua chamada de Berço, e quando a comunicação entre a Terra e a base é cortada, um grupo de operários é enviado para investigar. Um deles é Hugh, o protagonista.

A chegada à Lua não demora muito para dar errado. Um tremor, tecnicamente um lunamoto, causa um acidente que separa ou mata os outros membros da equipe, e Hugh acaba sozinho e ferido. Quem o salva é D-I-0336-7, uma androide com aparência de criança de uns seis, oito anos, que Hugh passa a chamar de Diana. Os dois logo descobrem que o administrador da base, uma IA chamada IDUS, enlouqueceu e está enviando os robôs do Berço para eliminar qualquer ameaça, leia-se, os dois. O objetivo passa a ser simples: descobrir o que aconteceu com o IDUS e voltar para a Terra.

A narrativa não tem medo de ser direta. Ela tem começo, meio e fim bem definidos, um plot twist no caminho que você provavelmente vai prever antes de acontecer, e não tenta ser maior do que precisa. Não tem uma trama cheia de camadas e filosofia barata, não tem personagens traumatizados com passados obscuros sendo revelados em flashbacks dramáticos. É uma história que poderia ser contada como um livro infantil e isso nos dias de hoje, é um enorme elogio.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Jogabilidade

Pragmata é um jogo de terceira pessoa com um sistema de combate que se afasta bastante do padrão do gênero. Você tem acesso a uma variedade considerável de armas, algumas você encontra pelo caminho, outras pode imprimir em estações espalhadas pela base, num uso inteligente da premissa de impressão 3D da própria história. Tem shotgun pra combate corpo a corpo, laser que aquece antes de disparar, armas que lançam drones, hologramas pra distrair inimigos, entre outras. A variedade é real e cada arma tem uma utilidade concreta dependendo da situação.

O detalhe que diferencia o combate de tudo é o sistema de hack. Os robôs inimigos têm uma defesa alta, e para abri-la você precisa chamar a Diana, que inicia um minigame no canto da tela: uma espécie de grade de nodes que você precisa navegar até o ponto de hackeamento. No PC com mouse é intuitivo, você literalmente desenha o caminho com o cursor. No controle, a solução foi usar os botões de face (quadrado, triângulo, X e bola) para navegar pelos quadradinhos, o que funciona, mas exige um pouco mais da cabeça e às vezes faz falta o D-pad como alternativa.

Esses nodes do sistema de hack podem ser aprimorados ao longo do jogo. Dá pra usar um que hackeia vários inimigos ao mesmo tempo, outro que causa stun e permite um finalizador corpo a corpo, outro que maximiza o dano. Tem profundidade real no sistema, mesmo que ele possa parecer repetitivo em alguns momentos, especialmente no modo normal, onde você vai hackear absolutamente tudo o tempo todo.

Fora o combate, o jogo tem bastante mobilidade: pulos altos, dashes que lembram Mega Man, e uma movimentação que favorece quem quer jogar de forma mais agressiva do que estratégica. Não é um jogo de cover tipo Gears of War. É mais plataforma do que shooter, na verdade.

A progressão dele é especialmente boa porque entre os save points, é possível voltar para a sua base e melhorar seu equipamento. Esse loop de avançar no jogo, e gastar seus pontos com melhorias é bastante gratificante, e os que tiverem paciência vão puder simplesmente ficar voltando nas áreas anteriores pra upar o personagem ao máximo. Não que seja necessário, pois eu zerei sem fazer nenhum tipo de grinding. Não é um jogo que efetivamente te exige isso e apenas algumas lutas exigem que você, pelo menos, tenha melhorado um pouco seus atributos e armas.

Existe também um menu de desafios à la VR Missions de Metal Gear Solid, onde Hugh deve fazer diversas missões em um ambiente virtual para ganhar moedas que podem ser usadas para desbloquear itens. É um conteúdo opcional por ser mais desafiador, mas é onde você realmente aprende as mecânicas do jogo. São 30 no total e os últimos 20 vão exigir tanto de você que eu recomendo que tire um dia pra fazer só isso no jogo, pois alguns deles são especialmente estressantes, como o último por exemplo.

O jogo todo dura mais ou menos entre 10 a 13 horas, dependendo de quanto tempo você passe explorando todas as áreas à fim de coletar tudo e após isso, ainda existe um pequeno conteúdo que pode ser jogado após terminar a história principal, adicionando um pouco mais de desafio e longevidade ao game.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Gráficos

Pragmata roda na RE Engine, a engine própria da Capcom desde 2014 e que vem sendo aprimorada consistentemente. É uma engine funcional, bem otimizada, que roda suave em praticamente qualquer hardware atual. Joguei no PS5 base sem Ray Tracing e sem nenhum problema. Vi também a demo rodando no PC com Path Tracing e os reflexos ficam impressionantes, mas isso é bônus. O jogo base já é sólido.

A paleta visual é bastante específica: muito branco, azul e gelo, com alguns elementos escuros que a história justifica. É uma estética limpa, quase clínica, que combina com a ambientação lunar. Lembra um pouco Death Stranding na forma como usa o design de ambiente pra criar identidade, inclusive a temática de impressão 3D é parecida. Não é um jogo graficamente deslumbrante, mas é consistente e agradável de olhar.

O ponto fraco é o mapa. O jogo tem um no menu de pause, mas ele não rastreia sua posição atual. É, na prática, inútil. Para um jogo que exige backtracking pra coletar itens deixados pra trás, isso incomoda. Não chega a ser um problema grave porque a ambientação guia bem visualmente, mas um mapa funcional faria diferença.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Diana e a vontade de ser pai

Não dá pra falar de Pragmata sem falar de Diana. A personagem é uma androide com aparência de criança, parceira constante do Hugh durante toda a aventura, e é ela quem faz boa parte do trabalho emocional do jogo sem nem precisar forçar isso.

O que impressiona é o cuidado com que ela foi escrita. Numa indústria cheia de personagens infantis que são ou irritantes ou exageradamente precoces, Diana é simplesmente uma criança, com idiossincrasia de androide, claro, mas tratada com uma singularidade que raramente aparece nos jogos. As falas dela não se repetem demais, nunca são irritantes de ouvir, e a dublagem em português é excelente. A dubladora é uma criança de 12 anos, algo que nem a versão americana nem a japonesa replicaram, e isso faz diferença perceptível na naturalidade das falas.

Desde o lançamento, o jogo disparou um debate na internet sobre a vontade de ser pai que ele desperta em quem joga. Tem exagero no que circula por aí, não é que todo mundo vai querer ter filho amanhã por causa de um videogame, mas a discussão faz sentido. O Japão vive uma crise de natalidade real, alimentada em grande parte por uma geração que cada vez menos vê valor em abrir mão da própria vida por uma família. Um jogo que retrata isso com tanto carinho, feito por uma empresa japonesa, não parece coincidência. É, no mínimo, uma sementinha.

Pragmata
Reprodução: CAPCOM

Veredito

Pragmata me lembrou jogos da geração do PS3, aqueles games japoneses com estética meio ocidental, ambientação fechada, narrativa linear e sem pretensão de ser um épico. Lost Planet, Vanquish, essa galera aí. Jogos que existiam pra ser jogos, entregavam o que prometiam e não tentavam reinventar o meio.

Seis anos de desenvolvimento pra um jogo assim pode soar excessivo, e talvez seja. Mas o resultado é um jogo que funciona, que tem identidade, que entrega personagens simpáticos e um combate com mais camadas do que parece na superfície. As críticas que tenho são pontuais: o mapa inútil, o hack que pode cansar no controle, o espaço exploratório que é pequeno demais pro tempo de desenvolvimento que o jogo teve. Nada disso derruba o conjunto.

Mais do que tudo, Pragmata é um argumento concreto de que ainda vale apostar em IPs novas. A Capcom criou algo original, fora das franquias conhecidas, e o jogo vendeu bem. Tomara que sirva de exemplo.

Nota: 9/10

Pragmata está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch 2 e PC. Esta análise foi feita com base na versão de PS5 com uma cópia do game cedida gentilmente pela CAPCOM.

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O problema nunca foi o videogame https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/03/19/o-problema-nunca-foi-o-videogame/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2026/03/19/o-problema-nunca-foi-o-videogame/#comments Thu, 19 Mar 2026 02:10:24 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=21887 Durante um tempo comecei a pensar sobre a necessidade de comprar um Nintendo Switch 2. Afinal, é um novo lançamento e tem anunciado vários títulos exclusivos que acho interessantes. Eu também tenho um site sobre videogames, então sinto que não posso ficar de fora dessa. Oras, como eu posso viver sem ter um Nintendo Switch […]

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Durante um tempo comecei a pensar sobre a necessidade de comprar um Nintendo Switch 2. Afinal, é um novo lançamento e tem anunciado vários títulos exclusivos que acho interessantes. Eu também tenho um site sobre videogames, então sinto que não posso ficar de fora dessa.

Oras, como eu posso viver sem ter um Nintendo Switch 2 para chamar de meu?

Bem, posso afirmar a vocês que isso é um sintoma da FOMO – o medo de não estar participando de algo. Esse sintoma se tornou ridiculamente comum e podemos vê-lo com frequência pela internet e entre pessoas do nosso convívio. Todos querem ter algo da moda ou que esteja no auge.

LEIAM – Por que meu filho não vai crescer com um pai viciado em Redes Sociais

Enquanto você está aqui comigo, centenas de outras pessoas estão publicando artigos ou produzindo vídeos sobre os novos produtos e o quão imperdíveis eles são. Os argumentos são variados, mas o mais importante é que você não pode ficar de fora, tem que fazer parte do bando.

Eu também tive esse sentimento, aliás, passei por isso em quase todas as gerações de consoles passadas, o que mudou apenas na nona geração. Nessa, pude comprar um Series S e um Nintendo Switch. O sentimento é bom, mas, sendo sincero com vocês, eu não jogo tanto quanto gostaria. Levando em consideração o investimento que cada console demanda, eu deveria estar plenamente satisfeito e dedicado aos jogos que comprei. O que não está acontecendo.

Esse foi também um dos motivos pelos quais me livrei da grande coleção de consoles que possuía. Se cercar de videogames e todo tipo de bugiganga por que motivo? Eu preciso tanto assim ter coisas para me sentir parte de algum grupo na internet?

Refletindo sobre tudo isso, cheguei à conclusão de que não preciso ter todos os consoles da nova geração para ser feliz. Eu preciso valorizar o tempo que tenho livre, por isso devo escolher sabiamente onde quero investi-lo. Dá para dizer que estou cercado de jogos eletrônicos em todos os cantos – no celular, nas contas da Steam e da Epic. Nunca foi tão fácil ter acesso a jogos.

Enquanto muitas pessoas estão alucinadas com os grandes lançamentos que estão por vir, no final de semana me vi começando a jogar Trials of Mana. Um remake belíssimo de um clássico do Super Nintendo. Ou seja, não quero me forçar a falar sobre os lançamentos simplesmente porque existe um algoritmo, mas sim abordar os jogos porque eles me fazem refletir sobre algo – seja sua trilha sonora, sua história ou o seu design.

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Quem acompanha o site há anos conhece a nossa maneira de abordar os jogos, e o meu intuito é focar cada vez mais nisso. Podemos abordar lançamentos quando eles se tornarem disponíveis, mas não são a nossa prioridade. Eu não quero construir um portal de jogos, mas sim ter um espaço onde possa refletir a respeito deles.

Depois de 15 anos escrevendo nesse site, cheguei à conclusão de que estou cansado desse hype exacerbado que as redes sociais geram em cima de qualquer coisa nova – para o bem ou para o mal. No fim do dia, eu só quero relaxar com o que tenho à disposição. E, se um dia eu achar que estou pronto para comprar um Nintendo Switch 2, talvez o faça. Mas, até lá, estou muito bem servido de jogos.

Agora deixa eu voltar para o meu Trials of Mana.

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RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army | Análise https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/06/29/raidou-remastered-the-mystery-of-the-soulless-army-analise/ https://www.arquivosdowoo.com.br/2025/06/29/raidou-remastered-the-mystery-of-the-soulless-army-analise/#respond Sun, 29 Jun 2025 19:43:56 +0000 https://www.arquivosdowoo.com.br/?p=20498 Shin Megami Tensei: Devil Summoner – Raidou Kuzunoha era uma duologia de jogos feitos pela Atlus para o PlayStation 2, que misturavam a mitologia da série Shin Megami Tensei com um gameplay de ação, ao invés da convencional batalha de turnos. Outro detalhe interessante é que normalmente os jogos desse universo se passam no tempo […]

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Shin Megami Tensei: Devil Summoner – Raidou Kuzunoha era uma duologia de jogos feitos pela Atlus para o PlayStation 2, que misturavam a mitologia da série Shin Megami Tensei com um gameplay de ação, ao invés da convencional batalha de turnos.

Outro detalhe interessante é que normalmente os jogos desse universo se passam no tempo presente ou em um futuro próximo. Já no caso de Raidou Kuzunoha, a história se passa em um 1931 alternativo (ano 20 da Era Taishou, que nunca existiu),  numa Tóquio alternativa e estilizada, cheia de tecnologia steampunk e misticismo.

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Em 2025, a Atlus lançou RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army, que apesar do nome, não se trata de uma remasterização como estamos acostumados, e sim um remake feito do zero, mas será que as mudanças são tão significativas em relação ao game original?

História

Você controla o jovem que acabou de herdar o título de Raidou Kuzunoha XIV, um detetive oculto e invocador de demônios. Ele trabalha disfarçado como assistente na Agência de Detetives Narumi, resolvendo casos sobrenaturais.

Tudo começa quando uma jovem misteriosa chamada Kaya Daidouji aparece pedindo para ser morta. Logo em seguida, ela é sequestrada por soldados com armaduras futuristas — a Soulless Army (Exército Sem Alma).

Com ajuda de seu gato falante Gouto-Douji e de demônios aliados, Raidou precisa salvar Kaya, impedir que o Capitão Rasputin e o exército do futuro alterem o curso da história e proteger Tóquio de uma catástrofe espiritual e tecnológica.

Toda narrativa do jogo gira em torno desse primeiro ponto de roteiro, mas a trama vai evoluindo aos poucos ao longo dos seus capítulos, assim como seria uma história de uma série de TV.

Reprodução: SEGA / Atlus

Exploração

Em RAIDOUvocê explora o mapa do jogo a pé, assim como nos jogos da série SMT ou Persona.

Essa estrutura foi mantida no remake, assim como os ângulos de câmera fixa ou semifixa. Mas a comparação entre essa versão e a antiga fica para depois.

Além da história principal, é possível resolver pequenos Case Files”, que funcionam como missões secundárias. Elas envolvem interações com NPCs e, muitas vezes, exigem o uso de demônios com habilidades específicas como Voar, Acender ou Atravessar.  

Essas missões secundárias dão uma vida estendida ao jogo, e criam pequenos cenários onde Raidou precisa resolver certos puzzles e também fechar arcos de personagens que já

Diferente do jogo original, não é mais necessário trocar o demônio manualmente nos menus para usá-lo fora de batalha. Se você possuir o demônio certo, o jogo faz essa troca automaticamente. Essa é apenas uma das várias melhorias de qualidade de vida da nova versão.

A ambientação também é muito diferente do comum dos jogos da série Megaten, pois os diversos ambientes da cidade misturam o ruralismo do Japão recém-aberto às culturas ocidentais, com a sua industrialização que havia chegado para mudar as vidas das pessoas.

Você se locomove de bonde entre os diversos pontos da cidade e vê e interage com carros da época, ao mesmo tempo que explora áreas rurais e tradicionais do Japão, como templos, casas de banho, mansões antigas e por aí vai.

Reprodução: SEGA / Atlus

 

Combate

As batalhas acontecem em arenas. Você é transportado ao encontrar inimigos no mapa e tem controle total sobre Raidou, que conta com ajuda de até dois demônios.

Os inimigos podem aparecer em hordas ou sozinhos e o jogador precisa explorar fraquezas elementais para vencê-los.

Diferente dos Personas, atacar a fraqueza não derruba o inimigo, mas o deixa inerte por alguns segundos. Nessa janela, seus ataques causam mais dano e você acumula mais MAG (sua “energia mágica”).

Essa estratégia também é essencial para quebrar escudos, pois certos inimigos só são vulneráveis após perderem muita energia.

Essencial para o combate são o uso dos seus demônios, que podem ser trocados em qualquer momento durante a luta. Para conseguir novos monstros, você pode capturá-los como na imagem abaixo, ou fundi-los para conseguir bichos melhores.

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Os combos são importantes também, pois quanto maior o combo, mais rápido você pode encher a barra de MAG, e assim, executar mais ataques elementais com seus demônios, além do ataque especial de Raidou.

Se comparado com o combate do jogo de PS2, as mudanças foram gigantes. No game original, Raidou tinha um único combo, acesso a somente um demônio por vez e era isso o jogo inteiro. Essa parte foi bastante expandida e isso talvez seja a mudança mais significativa dessa versão.

Ainda assim, o jogo ainda dá a sensação de que os inimigos são esponjas de dano, e o único indicativo de que os inimigos estão tomando dano é a própria barra de energia deles.

Em poucos momentos você é punido por atacar sem parar. Desde que esteja usando as skills e os demônios com elemento certo, na maior parte das vezes dá pra levar as lutas como uma batalha de Dinasty Warriors, onde atacar sem parar tem quase nenhum impacto negativo, mesmo em dificuldades altas.

Reprodução: SEGA / Atlus

O arsenal inclui ataques elementais com as armas de Raidou, o revólver (que interrompe ataques ou faz os inimigos pararem de se mexer) e ataques especiais como Devil’s Bane e Spirit Slash. Esses são ativados após esquivas perfeitas ou acúmulo de dano.

Apesar de parecer simples, o combate é cheio de nuances. Você pode recuar demônios, esquivar, defender e gerenciar recursos.

Ataques fracos geram MAG, que alimenta habilidades suas e dos demônios. Eles usam magias sozinhos, mas também podem ser comandados para atacar e gerar mais MAG.

A chave é equilibrar uso de magia e ataques físicos para explorar fraquezas.

Reprodução: SEGA / Atlus

Fusão de demônios (e de armas)

A fusão de demônios funciona como nos outros títulos da Atlus: combine dois demônios para gerar um novo.

A fase da lua e as habilidades herdadas influenciam nas fusões. Outro ponto importante são as “Ordens” dos demônios, como a Volt, que permite usar a habilidade de “Investigação” fora do mapa.

Agora é possível fundir demônios sem que seu nível de Lealdade esteja no máximo, como era no jogo original. A barra de Loyality agora serve para que o demônio tenha chance de te dar um item após ser fundido.

As armas também podem ser fundidas com itens obtidos no jogo. Isso lembra uma árvore de habilidades, onde cada nova arma exige materiais e a anterior como base.

Elas se dividem em Espadas, Lanças e Machados, com tipos diferentes de combos. Isso oferece mais variedade que o sistema limitado do original.

Reprodução: SEGA / Atlus

Mudanças do Remake (e não “Remaster”)

Claramente a Atlus escolheu dar o nome de Remastered para o título pois sabe que jogos que são classificados assim têm uma saída muito grande, porém, a realidade é que essa versão de Raidou foi feita do zero.

Temos sim algumas coisas da versão antiga sendo utilizadas, como algumas animações, que foram renderizadas novamente, mas usando os mesmos assets da versão original. Além disso, provavelmente alguns modelos dos demônios são reutilizados de jogos recentes, como de Persona 5.

As principais mudanças incluem:

  • Dublagem completa em inglês e japonês (é possível remover as vozes para deixar o jogo como no original);
  • Autosave e possibilidade de salvar manualmente;
  • Cenários totalmente em 3D (antes eram pré-renderizados);
  • Combate reformulado com possibilidade de travar a mira, dois demônios simultâneos e mais profundidade;
  • Troca automática de demônios e objetivos marcados no mapa;
  • Falando em mapa: agora temos um minimapa no canto, acabando com problemas de orientação causados pelos ângulos de câmera fixos;
  • Viagem rápida por bondinho instantânea para locais específicos;
  • Mais de 120 demônios (ao invés dos 70 do jogo original) e opção de ter duplicatas na equipe.
  • Novos modos de dificuldade, sendo quatro disponíveis desde o começo e a mais difícil — “Detective Legend” — liberada após zerar o jogo uma vez.

Estilo de arte

O estilo de arte do jogo original lembrava muito os filmes mudos do início do século XX, com tons de sépia e a falta de dublagem. Houve um certo criticismo por parte de alguns fãs de longa data em relação às escolhas feitas para esse Remake, onde se usou mais cores vivas nas interfaces. 

Particularmente, eu não tenho afeição ou apego pelo game original para achar ruim o fato de terem usado um verde-limão para destacar uma informação na tela aqui e ali.

De modo geral, o jogo inteiro ainda se inspira muito na estética dos anos 1920/1930. Desde a escolha das fontes quanto os menus, todos complementam o visual da história.

Inclusive, esse é um dos jogos modernos que mais traz à vida a arte de Kazuma Kaneko. Normalmente presente nos jogos de Persona somente através do design dos demônios, aqui os personagens humanos também têm arte feita por ele, assim como na série principal Shin Megami Tensei.

Todos são muito bem animados e os designs dos personagens são bonitos, mesmo sendo contidos, já que a ideia era capturar o visual mais básico e sério das pessoas daquela época.

Reprodução: SEGA / Atlus
Reprodução: SEGA / Atlus

 

Trilha sonora

Também é necessário dar destaque a trilha de Shoji Meguro em RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army, que apesar de ser a mesma do jogo original, ainda é ótima. Ela lembra muito seus trabalhos da época, como em Persona 4 e Digital Devil Saga, e mesmo que o jogo tenha um tom totalmente diferente, as músicas casam muito bem com a narrativa, com elementos de jazz e rock.

As músicas são em geral as mesmas do original, mas estão com qualidade superior. Em alguns momentos, são usados novos arranjos, como até mesmo uma versão da música de batalha do primeiro Devil Summoner e o tema de batalha da Naomi do Devil Summoner: Soul Hackers, ambos para Sega Saturn.

Esses remixes são do álbum Devil Summoner: Hyper Rearrange Collection, que não foram feitas para o jogo em si, mas também são feitas pelo Shoji Meguro.

 

Pontos negativos

Apesar da qualidade geral, alguns problemas persistem. A navegação pode ser confusa no início. Algumas ruas não estão bem indicadas no submenu e nem sempre os objetivos estão marcados.

Menus durante as batalhas ainda são lentos. O direcional é usado para mover o personagem na exploração, mas poderia servir para atalhos.

Existem dois menus de pausa redundantes, o que atrapalha a fluidez. A habilidade de “Investigação” ainda precisa ser ativada manualmente, mesmo com demônio correto em campo, diferentemente de todas as outras habilidades do jogo.

A descrição de alguns Case Files (as missões paralelas) são óbvias demais, meio que dando a solução do caso de forma rápida ao invés de dar dicas que valorizem o quesito “detetive” do jogo.

Outro ponto negativo é a ausência de idioma português. É um caso estranho, pois todos os lançamentos recentes da SEGA, como Like a Dragon e Persona 3 Reload tiveram seus diálogos traduzidos, pelo menos em texto.

Desnecessário dizer que a barreira linguística é impeditiva para que mais pessoas joguem coisas que não sejam só Fortnite e Valorant. Portanto, o investimento valeria a pena para que a SEGA e a Atlus trouxessem fãs novos para seus jogos.

Sei que a minha geração aprendeu a jogar em inglês na marra, mas nós não tínhamos muita opção, né: era jogar em outra língua ou ir pra rua ver a grama crescer. As pessoas de hoje têm mais opções, e se as empresas não se igualarem em termos de acessibilidade em relação às outras, seus produtos vão continuar vendendo menos em mercados que não falam inglês.

São pormenores que não causam tanto problema, ainda mais depois que o jogador se adapta a eles, mas que poderiam ter sido ajustados durante os testes antes do lançamento.

Veredito

RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army moderniza um clássico do PS2 com novos sistemas, visuais e combate profundo. Mesmo com pequenos problemas e ajustes que poderiam ter sido refinados antes do lançamento, o jogo entrega uma experiência sólida, envolvente e respeitosa com o material original.

A narrativa continua envolvente, o sistema de batalha é ágil e estratégico, e a ambientação faz jus à proposta estilizada dos anos 30. É um daqueles remakes que acerta ao manter o espírito do original, ao mesmo tempo em que corrige várias de suas limitações técnicas.

Quem jogou o título original encontrará muitas melhorias. Já os novatos poderão experimentar uma das histórias mais peculiares e interessantes do universo Megaten, com mecânicas modernas e mais agradáveis ao gosto dos recém-chegados na série da Atlus.

Com uma duração que vai de 24 até umas 55 horas, dependendo do quanto você deseja completar além da missão principal, RAIDOU traz de volta um jogo do PlayStation 2 da melhor forma possível, com mudanças que melhoraram a fórmula e abrem caminho para um possível terceiro jogo no futuro.

Nota: 8,0/10

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Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela SEGA. RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army está disponível para Xbox Series S|X, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch 2 e PC. 

 

Reprodução: SEGA / Atlus

 

 

 

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