Street Fighter – Um show de exageros e oportunidades desperdiçadas

Street Fighter – Um show de exageros e oportunidades desperdiçadas

Street Fighter ganhou um novo filme, que estreou recentemente nos cinemas e que pude assistir acompanhado do meu primo Igor, que fez questão de que eu escrevesse a respeito do filme e não me esquecesse de mencioná-lo no texto. Igor, está feito, pode descansar.

Voltando ao que interessa: Street Fighter se mostrou uma experiência ainda melhor do que eu esperava na telona. Mesmo com erros, o saldo final foi positivo, e atribuo isso ao fato de que o filme está longe de tentar levar a sério seu material original. Enquanto Street Fighter, de 1994, usava os videogames como papel higiênico e buscava oferecer uma experiência muito mais próxima de um filme de ação da época, este segue o caminho oposto.

Um show de exageros

Minha preocupação inicial era com os atores que interpretariam os personagens do jogo, mas, à medida que os trailers surgiam, fui deixando essa preocupação para trás. Assistindo ao filme, ficou evidente que os atores escolhidos pareciam ter entendido a proposta, e isso se refletiu em suas interpretações, que, em grande parte, são exageradas e cômicas. Eles estão sempre elevando o tom de voz e gritando uns com os outros nos momentos que exigem uma energia mais caótica.

Momentos como o da Chun-Li treinando embriagada com nunchakus ou o do Ken se deparando com o Guile em um corredor ilustram bem isso. Tudo acaba resultando em diálogos bem-humorados e piadas, sem muito espaço para a seriedade. Ainda assim, nos momentos em que a cena exige mais profundidade, os atores conseguem convencer, com exceção de Bison, interpretado por David Dastmalchian.

Não me entendam mal: eu adoro o ator David Dastmalchian. Ele costuma fazer um excelente trabalho nos filmes de que participa, mas o problema está no fato de que não consegue ser intimidador como o personagem exige. É notável que ele se esforça para entregar um vilão decente, mas o Bison dele está muito longe do que o personagem realmente precisa. É uma pena, para ser sincero.

No mais, as atuações são boas, e tudo funciona como uma grande festa baseada no videogame, com o pretexto de colocar todo mundo para cair na porrada sem perder a amizade.

Os problemas do filme

Eu vou abrir o meu coração e ser bem franco: eu não suporto o ator Eric André. Acho as atuações dele péssimas. Eu quase abandonei a série 2 Broke Girls quando ele surgiu em uma das temporadas, só para vocês terem uma noção de como os personagens dele me irritam. Não sei como continuam dando papéis para ele. Provavelmente, deve ter muitos amigos devendo favores.

Ele interpreta Don Sauvage, o apresentador do torneio de Street Fighter, mas acaba ganhando mais tempo de tela do que o Guile, que está incrível no filme. Sauvage ganha cerca de 15 minutos de tela e está sempre tentando interagir com os personagens principais, mas não agrega nada à trama. É só para dar tempo de tela a esse péssimo ator.

Outro problema do filme é que o torneio em si também é mal aproveitado. Ele acaba sendo algo secundário enquanto a trama principal se desenrola. Para tentar compensar isso, o filme coloca os personagens lutando entre si em outros momentos, mas você acaba sabendo do resultado de uma luta entre dois personagens e lamenta que, em vez de ter visto o confronto acontecer, precisou aguentar Eric André fazendo as mesmas caras e bocas de sempre.

Por outro lado, temos momentos em que músicas conhecidas são utilizadas para preencher algumas cenas. E não estou reclamando das músicas, pois elas realmente são boas. O problema é que as cenas embaladas por alguns clássicos parecem existir apenas para estender o tempo de duração do filme. Não têm função narrativa nem acrescentam algo à história. Simplesmente estão lá.

Conclusão

Street Fighter entrega uma adaptação divertida justamente porque abraça a galhofa, não tenta se levar a sério e conta com atores que conseguem entregar personagens carismáticos e divertidos, como Dan Hibiki, Guile entre outros.

Quando o filme termina, você sente que gostaria de ver muito mais desses personagens, mas o filme não soube administrar bem esse tempo, acabando por entregar algumas cenas soltas que não levam a lugar algum, como os 15 minutos de tela do Eric André.

Mesmo com esses problemas, no final, o saldo é muito positivo. Os personagens gritam o nome dos golpes, os combates são divertidos de assistir, o Ryu não fica regulando Hadouken e as magias são utilizadas sem medo de parecer bobo. É um show de fan service para o fã dos jogos. Eu fiquei muito feliz com a quantia absurda de referências feita aos jogos.

Só consigo pensar que, se o filme for um sucesso comercial, muito provavelmente teremos uma sequência na qual esses probleminhas poderão ser corrigidos, e isso me anima bastante. Quero ver mais do que esse novo universo cinematográfico baseado em um jogo tem a oferecer.

E, se você está receoso quanto ao filme, vá ao cinema dar essa moral, mas sem grandes expectativas. Não espere uma obra séria. Aliás, seria estranho esperar seriedade em um filme baseado em um jogo de luta.

Eu me diverti muito e espero que vocês também se divirtam quando forem assistir.

Diogo é criador do Arquivos do Woo, um site dedicado a videogames, memória gamer e revisitar jogos além do hype. Escrevendo sobre jogos há mais de 15 anos.