Invaders X | Análise

Invaders X é um jogo brasileiro indie inspirado em Space Invaders (Taito, 1978), mas com ideias um pouco mais modernas.

É uma proposta legal e pouco explorada no mercado de indies hoje em dia. Em uma era em que a maioria dos jogos independentes foca em experiências sociais para jogar no Discord ou fazer stream, na esperança de virar um sucesso monstruoso entre os jovens, aqui temos algo que lembra muito os jogos indies da época do Xbox Live Arcade.

Invaders X pega o clássico da Taito e o traz para a era atual, com gráficos em 3D e alguns conceitos mais modernos, como um sistema de progressão.

Créditos: Ideias 5D

Jogabilidade

O game não difere muito do Space Invaders original: temos uma espécie de tanque que anda na horizontal na parte de baixo da tela, enquanto inimigos descem do topo. Seu objetivo é destruir todos eles antes que consigam chegar até você.

Temos um modo de progressão tradicional e um modo roguelike, em que todo o seu progresso é perdido ao fim da partida. É uma adição interessante para quem gosta de buscar pontuações cada vez maiores e aumentar o fator replay.

Há também a possibilidade de escolher diversos personagens diferentes, que vão sendo desbloqueados ao longo do jogo, cada um com características próprias.

Após cada fase, é possível gastar seus pontos em upgrades para o tanque, o que traz um viés muito mais interessante ao jogo do que simplesmente avançar destruindo todos os inimigos da fase.

Não apenas melhorias como velocidade, poder de fogo e escudo podem ser adquiridas, mas também é possível customizar esteticamente seu tanque, mudando a pintura e trocando sua estampa, aqui chamada de “tatuagem” por algum motivo.

Créditos: Ideias 5D

Apresentação

O jogo conta com uma apresentação visual bacana, com uma estética futurista. Temos até uma introdução narrada com texto subindo ao estilo Star Wars, além de alguns diálogos entre os personagens.

Posso estar errado, mas me parece haver um uso considerável de IA na parte visual do jogo, tanto nas artes dos personagens quanto nas vozes. Entendo que um projeto de escopo menor recorra a esse tipo de recurso, mas seria interessante que, futuramente, esse conteúdo fosse substituído por artes e vozes originais.

Também encontrei alguns bugs visuais. Ao jogar com FPS ilimitado em um monitor de 155 Hz, por exemplo, o planeta Terra na tela de seleção de fases apresentava alguns jitters. Felizmente, nada que afete o gameplay em si.

Além disso, o cenário das fases, ainda que repetitivo, é muito bem produzido, com bastante detalhe nos carrinhos ao fundo, que inclusive reagem à destruição causada durante as partidas. Porém, em alguns momentos, o fundo acaba se misturando visualmente com os tiros. Uma opção para desfocar levemente o background seria bem-vinda, ajudando o gameplay a permanecer como foco principal.

Créditos: Ideias 5D

Conclusão

Invaders X é um jogo promissor, que lembra bastante os títulos indies de outrora, lá por volta de 2010. É uma proposta simples e que, felizmente, concentra seus esforços onde mais importa: o gameplay, que já é bastante divertido.

Os menus, apesar de ainda parecerem um pouco inacabados, são bem feitos. Uma maior variedade nas fontes utilizadas seria interessante, assim como reduzir um pouco a escala geral da interface, já que tudo parece grande demais, independentemente da resolução utilizada.

As opções de configuração já estão bem completas, com ajustes de resolução, limite de FPS e diversas outras configurações que provavelmente vêm do próprio setup da Unity, engine utilizada no desenvolvimento de Invaders X.

Caso tenha oportunidade, dê uma moral para esse desenvolvedor brasileiro. Há bastante potencial não só para o futuro de Invaders X, mas também para os próximos projetos do estúdio.

Créditos: Ideias 5D

Invaders X está disponível para PC via Steam. Esta análise foi feita com base na versão beta, utilizando uma cópia cedida gentilmente pelo desenvolvedor.