Donald Duck: Goin’ Quackers – Pato Donald Pato da Vida | Análise Retrô

A Disney sempre teve bons jogos baseados em suas propriedades intelectuais. Desde o NES com seu DuckTales e tantas outras nos anos seguintes, principalmente os que foram criados pelas mãos da CAPCOM ou da SEGA, é possível dizer que tudo que era propriedade do Walt Disney era bem cuidado no que se trata de games. Quero dizer, nem sempre. Jogos como Pocahontas e Bela e a Fera foram sofríveis, mas deixemos esses como pontos fora da curva, pelo menos nessa época.

No final do século 20, os jogos da Disney estavam adentrando o mundo 3D. Mickey Speedway USA era uma espécie de Mario Kart feito por ninguém mais, ninguém menos que a própria Rare, para o Nintendo 64. Toy Story 2 também deu as caras nessa época para todos os consoles da época e foi muito bem recebido. Mas e esse jogo do Donald? Quem viveu a época das revistas de games naquele período com certeza viu MUITAS propagandas desse game; Donald com cara de enfezado, com o título do jogo com aqueles caracteres impossíveis de se ler, ainda mais se seu conhecimento de inglês era limitado. “”Qu@c!kers”? Que diabo é isso?

Bem, explicando o título: “Going Quackers” é um trocadilho com “Going crackers”, ou seja, ficar louco. O Quack você já sabe, eu espero. E eu já adianto que o que mais me DÓI é que esse jogo saiu com dublagem em português na versão de PC e não traduziram o título como “Pato da Vida”. É uma tristeza enorme dentro de mim.

Reprodução: Disney / Ubisoft

Crash Bandipato

A Ubisoft Casablanca (estúdio com base em Marrocos, vejam só vocês) foi bem SAFADINHA ao fazer esse game. Logo de início você percebe que o jogo te coloca num hub com alguns teletransportes, cada um te levando pra uma fase. Ao entrar na primeira, você vê que o caminho é um corredor pra frente e a câmera fica atrás do nosso amigo pato. O que será que isso te lembra? Um certo marsupial laranja, correto?

Então, meus amigos, Donald Duck Goin’ Quackers é literalmente um clone de Crash Bandicoot. Um clone mais fácil, eu diria. Algumas fases são nessa progressão vertical, enquanto outras são em scroll lateral. Diferente de Crash, Donald não precisa pegar todas as frutas da fase. Aqui os itens equivalentes às frutas são estrelinhas, mas elas só servem pra te dar mais vidas. Juntou 100, ganhou uma vidinha a mais.

Já os coletáveis da vez são os brinquedos dos seus sobrinhos (Huguinho, Zezinho e Luizinho, para quem esqueceu). Existem três por fase e eles só aparecem após ativar um livrinho que aparece no caminho. Daí você tem alguns segundos pra encontrar o brinquedo e coletar. Nunca é muito difícil, mas é legal essa mudança de paradigma onde os coletáveis aparecem com limite de tempo.

Além disso, toda fase tem uma peça de quebra-cabeça. Ao juntas os quatro de cada mundo, você libera a fase do chefe pra poder ir pro próximo.

Não bastasse isso, ainda tem uma fasezinha extra onde você corre em direção a tela, fugindo de algum inimigo que vem por trás destruindo tudo. Sim, mais uma vez, igual aos jogos do Crash.

Donald Duck Goin' Quackers
Reprodução: Disney / Ubisoft

Dificuldade e duração

Donald Duck Goin’ Quackers é um jogo CURTO. Eu zerei ele em menos de 3 horas, e isso porque eu me dei ao trabalho de pegar todos os coletáveis. Demorei mais uma horinha pra refazer todas as fases no Time Trial, à fim de desbloquear as roupas extras pro Donald (das quais eu nem cheguei a usar muito porque não tinha mais o que fazer no jogo).

A sua dificuldade é bem mais simples se comparada à dureza de um Crash da época do PS1. O jogo não chega a ser simplório, feito totalmente pra crianças abobadas; ele apresenta uma dificuldade legal, mas para os que já manjam de videogames, o gameplay pode ser encarado como um Subway Surfers desses que tem no celular. Tente passar das fases sem soltar o analógico pra frente e vai ver que o fluxo de gameplay fica bem gostoso e aceitável.

Já os time trials exigem que você jogue quase que de forma perfeita em cada fase. Esse desafio à mais dá uma pequena (mesmo) longevidade a um jogo que possui apenas 20 fases (desconsiderando os quatro chefes).

Donald Duck Goin' Quackers
Reprodução: Disney / Ubisoft

Veredito

A Ubisoft entregou um joguinho bem divertido do Pato Donald nos anos 2000. Donald Duck Goin’ Quackers é sim um clone simplificado de Crash, mas feito com muito talento.

Não tenho como não recomendar um jogo de plataforma como esse: simples, com desafio na medida, que pode agradar tanto os adultos quanto seus filhos, que carecem de jogos do gênero feito pra eles. Se você se interessa pela história dos games e quer algo que você com certeza vai tentar zerar e fazer 100% ao invés de só jogar alguns minutos, esse pode ser um ótimo candidato. Inclusive ele é perfeito pra lives no YouTube.

Nota 7,0/10


Donald Duck: Goin’ Quackers foi lançado para PC, Nintendo 64, Dreamcast (versão analisada). Além disso, existem versões distintas para PS1, GameBoy Advance, PS2 e Gamecube.

Donald Duck Goin' Quackers
Reprodução: Disney / Ubisoft