Street Racer Collection | Coletânea de clássicos de corrida retrô — Análise

Street Racer é um jogo que muita gente via sua caixinha pelas prateleiras das locadoras nos anos 90. Seu logotipo lembrava muito o de Street Fighter II, o que parece ser bem proposital, tentando dar destaque ao mote do jogo: uma espécie de Mario Kart, mas com leve combate, ao estilo Road Rash.

Em 2025, no finalzinho do ano, a QUByte — que já nos trouxe a coletânea de Top Gear — deu um tratamento similar à série de corrida feita pela Vivid e publicada pela Ubisoft na época para diversos consoles, sendo eles: Super Nintendo, Mega Drive, GameBoy, Saturn, Playstation e MS-DOS.

Vamos ver se essa coletânea vale a pena a seguir.

Do que se trata Street Racer?

O game é basicamente um Mario Kart. Temos diversos personagens coloridos e estilizados, que podem atacar para os lados como em Road Rash.

A versão de Super Nintendo usa a tecnologia do Mode 7 do console, enquanto que no Mega Drive e Game Boy, usa-se scaling, como em jogos tradicionais como Top Gear. Isso faz com que todas as versões do jogo sejam bem diferentes umas das outras, diferentemente do Top Gear 2, por exemplo, que apesar de algumas discrepâncias gráficas e sonoras, era basicamente o mesmo jogo em todas as plataformas.

Modos Extras

Além das corridas tradicionais, ainda temos alguns minigames:

  • Soccer: Basicamente Rocket League 16-Bits. Você anda com seu carrinho e tenta fazer a bola entrar no gol. Divertido, porém confuso.

  • Rumble: Basicamente o Battle do Mario Kart e funciona muito bem até mesmo na versão do Mega Drive.

    Reprodução: QuByte

Comparativo de Versões

VersãoTecnologiaVisualO que o Horo Joga acha?
Super NintendoMode 7Rotação clássicaBem difícil. IA agressiva; exige domínio na marra.
Mega DriveScalingSprites tradicionaisA melhor jogabilidade. Mais divertida e responsiva.
MS-DOSAlta ResoluçãoO mais bonitoTecnicamente superior e prazeroso de ver na tela.
Game BoyScalingPortátil e limitadoEncheção de linguiça. Só para preencher o vácuo.

Jogabilidade e Trilha Sonora

O game é bem mais difícil que Super Mario Kart, e não à toa ele vem por default na dificuldade Easy. A versão de SNES por algum motivo é bem mais complicada que a de Mega e Game Boy, de forma que chegar em primeiro vai ser bem difícil até que o jogador pegue o jeito do game.

As músicas de cada versão são diferentes e fazem bem seu papel de ilustrar sonoramente a bagunça das corridas, porém não são marcantes de forma alguma.

Dica: Se quer beleza, vá de MS-DOS. Se quer diversão e resposta rápida, vá de Mega Drive. Mas sério: fique longe da versão de Game Boy.

Reprodução: QuByte

A coletânea de Street Racer, ou quase…

O “quase” do texto acima se refere ao óbvio elefante na sala: a QUByte não colocou todas as versões de Street Racer nesse lançamento. Me parece estranho, mas eles simplesmente ignoraram que o game tinha uma versão de PlayStation e Sega Saturn, que apesar de bem parecidas entre si, são diferentes das outras que estão na coletânea.

Não sei se seria por questão de licenciamento, mas é uma bola fora que não faz muito sentido: por que sua empresa lançaria uma coletânea de um game ligeiramente desconhecido se não for pra fazer dela o pacote definitivo do jogo?

Evolução da QUByte

A apresentação está responsiva e bonita. Nota-se que a empresa evoluiu muito suas interfaces desde Top Racer Collection. Aqui temos menus menos estáticos, além de extras como manuais e pequenas trivias.

Também é possível trocar a paleta de cores da versão de GameBoy, algo que raramente se vê nessas coletâneas quando elas contêm jogos do portátil.

Reprodução: QuByte

Outra novidade é a adição de troféus, que devem ser obtido jogando todas as versões do game presente na coletânea, mesmo a do GameBoy, sendo assim um prato cheio para os que gostam de ir atrás de Platinas.

O manual do Mega Drive é o da TecToy em português, sendo o ÚNICO dessa versão na coletânea. Para nós brasileiros é legal, mas a gringaiada deve sentir falta do original em inglês.

Reprodução: QuByte

Críticas negativas…

A forma de escolher o jogo é problemática. Em vez de usarem as caixas dos jogos, temos um menu MINÚSCULO no centro da tela com SIGLAS que representam os consoles (provavelmente por questões de licença).

O resultado é isso aqui:

Reprodução: QuByte

Sinceramente, não sei como esse menu passou no teste de QA. Afinal, alguém realmente consegue saber de cara o que significa “NP8″, “N16” e “S16”? Eu mesmo me confundi abrindo o “S16” porque associei o S a Super Nintendo e não a Sega. Esses eufemismos são péssimos… e se o nome dos consoles aparecem nas caixas, mesmo na versão de PlayStation, qual o problema de citá-los nominalmente?

Não obstante, ao lado, o logotipo gigante muda de cor, como se o jogador soubesse diferenciar as versões só pela cor do logo. É uma falha de design que espero que corrijam em futuros updates, já que a QuByte costuma ouvir a comunidade.

Outra parada que deixou muita gente meio chateada e que é um assunto muito divisivo hoje em dia é o claro uso de IA para a capa da arte da coletânea.
Obviamente que ela foi inspirada na arte original do jogo, mas a imagem foi passada por uma IA para que fosse recriada com qualidade melhorada. Ainda que o resultado tenha ficado bacana, acho que o uso de IA para esse tipo de coisa deveria ser limitado à ajudar um artista – pago – a ter inspiração para desenhar sua propria versão moderna da capa.

Sei que é um tema duro mas falta empatia com quem trabalha com arte, e isso deveria ter sido colocado de forma mais aberta pela empresa, por mais que seja um jogo de menor alcance.


Veredito

Street Racer Collection é um lançamento interessante da brasileira QUByte. A evolução da emulação e da interface em relação ao lançamento anterior é gritante. Senti bastante falta das versões de Saturn e PS1, que fariam o pacote ser perfeito. Porém, as versões de Mega, SNES e DOS fazem valer o pacote.

Prós:

  • Versões de SNES, MEGA e DOS bem diferentes e divertidas;

  • Modo multiplayer local presente;

  • Interface ágil e responsiva;

  • Extras legais (manuais).

Contras:

  • Menu principal confuso e pouco claro;

  • Falta das versões de PS1 e Saturn.

Nota: 7.0/10

Reprodução: QuByte

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