My Night Job no Nintendo Switch | Uma segunda rodada com cheiro de fita VHS
Lá em 2016, quando joguei My Night Job no PC pela primeira vez, escrevi com empolgação sobre o charme de um jogo que parecia saído direto de uma madrugada qualquer da TV aberta — daquelas em que a gente esbarrava num filme trash de monstros e se sentia em casa. Pois bem, quase dez anos depois, resolvi atender o chamado da Webcore mais uma vez. Só que agora com o Switch nas mãos. E quer saber? O turno continua o mesmo… mas a sensação mudou.

Voltar à mansão: igual, mas diferente
O jogo continua sendo o mesmo caos de antes: uma mansão infestada de criaturas bizarras, dezenas de civis esperando socorro, mais de 60 armas improvisadas (de serrotes a lampiões) e aquele eterno dilema entre correr pra resgatar alguém ou defender uma sala prestes a virar entulho.
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A dinâmica é a mesma: escolha suas rotas, tome decisões rápidas e tente manter a mansão de pé enquanto o helicóptero não para de gritar no topo. Tudo isso com aquela pixel art que exala carisma e referências aos clássicos dos anos 80. A vibe, felizmente, segue intacta.

A portabilidade muda tudo
Se tem algo que o Switch faz bem é tornar certos jogos ainda mais gostosos de revisitar. No PC, My Night Job pedia uma sentada dedicada, um tempo separado. Já no portátil da Nintendo, ele encaixa como luva entre um compromisso e outro. Sessões curtas, pontuação rápida, aquele impulso de “vai mais uma”.
Foi curioso perceber como a proposta arcade do jogo funciona melhor quando você pode jogá-lo em qualquer lugar. Ele sempre teve cara de fliperama — só estava preso num gabinete grande demais.

Os tropeços continuam lá (infelizmente)
Em 2016 eu não apontei os problemas de colisão e a repetição natural do mapa único, mas nessa versão do Switch percebemos que isso não foi resolvido. Ainda existem momentos em que você jura que acertou um inimigo e toma dano mesmo assim. E como o jogo continua sem modos extras ou multiplayer, o loop começa a mostrar desgaste mais rápido — ainda mais quando se joga em pequenas sessões ao longo do dia.
Não é um problema se você sabe o que está buscando. Mas é importante avisar: My Night Job nunca foi sobre variedade. Ele é sobre repetir o caos, tentando fazer melhor a cada rodada. E nisso, ele segue firme.

Uma nova perspectiva sobre o velho turno
Rejogar My Night Job agora, em outro contexto, me fez ver o quanto ele é fiel à proposta desde o início. Ele nunca prometeu ser algo além de uma homenagem bagunçada e carinhosa aos filmes de terror classe B e aos jogos arcade dos anos 90. E ele entrega isso com gosto.
A versão do Switch não reinventa nada — mas oferece um palco melhor pra esse espetáculo absurdo acontecer. A facilidade de ligar e jogar muda a experiência de forma sutil, mas significativa. O jogo envelheceu bem, com a consciência de que não precisava crescer, só caber melhor no nosso cotidiano.

No fim das contas…
Se você gosta de jogos rápidos, com pontuação, ação frenética e monstros grotescos tropeçando pelos corredores, My Night Job ainda é uma ótima pedida. Ainda mais se for fã daquela estética exagerada, meio gore, meio pastelão, que a gente aprendeu a amar com filmes como A Morte do Demônio ou Re-Animator.
Pra mim, essa segunda jornada reforça o que eu já sentia em 2016: que esse indie brasileiro tem coração, tem alma e sabe muito bem qual é a sua proposta. E mesmo com suas falhas, ele consegue entregar diversão honesta e cheia de identidade.
My Night Job no Switch não é uma revolução — mas é uma adaptação certeira. E pra quem curtiu o turno anterior, vale sim vestir o uniforme de novo e encarar mais uma noite de trabalho. O jogo está disponível na loja do Nintendo Switch por 39 reais!
Nota: 7,0/10
My Night Job está disponível para PlayStation 5, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC, e essa análise foi feita com uma chave digital de Nintendo Switch gentilmente cedida pela distribuidora do jogo.














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