Análise
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Tony Santos
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The Spirit of the Samurai – Um Metroidvania Stop-Motion | Análise
The Spirit of the Samurai é um jogo que cheguei sem saber nada sobre. Temos uma cutscene de abertura em 3D com muito charme, que supera muito a expectativa com um jogo de menor orçamento.
O visual inspirado em filmes antigos de samurai, a estética artesanal em stop-motion e as cutscenes cinematográficas chamam atenção de cara. Após uma introdução até que longa, vemos que o game é em perspectiva 2D, sendo um jogo ao estilo metroidvania com temática samurai que usa da técnica stop-motion (como “Fuga das Galinhas”) para contar sua história.
Mas beleza não é tudo. Apesar da narrativa bem conduzida e da trilha sonora envolvente, o jogo carrega escolhas mecânicas que afetam a fluidez da jogabilidade mas que tem um valor criativo e uma experiência bastante peculiares.

História
A narrativa é contada por Kitsune, um espírito raposa, que nos apresenta Takeshi — um samurai encarregado de proteger sua vila após uma invasão demoníaca liderada por um general Oni. A história combina mitologia japonesa com toques de terror sobrenatural, sempre focando na jornada pessoal de Takeshi… e no amor dele por seu gato, Chisai.
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Além de Takeshi, o jogador também controla Chisai e um Kodama (espírito da floresta) em trechos específicos. Essas mudanças de personagem ajudam a quebrar a linearidade, mas às vezes tiram o foco da campanha principal por tempo demais.
As cutscenes são totalmente dubladas em inglês e muito bem produzidas. É notável o esforço de uma equipe pequena em entregar uma história coesa e visualmente marcante, mesmo com elenco e escopo reduzidos.

Gameplay
O gameplay é onde o jogo brilha e tropeça ao mesmo tempo.
A parte boa: o combate é personalizável. Conforme você sobe de nível, pode montar seus próprios combos, definindo sequências de ataques com base nos atributos escolhidos. Isso traz variedade e incentiva a experimentação.
A parte ruim: o sistema de progressão é mal explicado. Os altares permitem trocar itens por incenso e melhorar atributos, mas o jogo não te mostra claramente o que cada ponto afeta. Pior: se você errar, não tem como redistribuir. O sistema parece inacabado, como se houvesse ideias de crafting que não foram implementadas totalmente.
Outro detalhe é a barra de stamina, que desgasta mesmo quando você não está em combate. Ou seja, se você tentar correr por muito tempo, seu personagem cansa e isso acontece MUITO RÁPIDO. E pior, dá pra burlar esse sistema de corrida simplesmente pulando pra frente. Então, o que o jogador médio vai fazer por intuição? Ficar pulando igual um coelho o jogo inteiro. LOL.
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Além disso, a coleta de itens exige apertar o botão manualmente o tempo todo — mesmo depois de limpar uma área. Isso torna a experiência cansativa e quebra o ritmo da ação.
E tem mais: a câmera atrapalha em alguns trechos, as plataformas têm hitboxes estranhas, e algumas animações demoram a responder aos comandos. Tudo isso provavelmente é consequência direta da escolha ousada de usar stop-motion como base.

Pontos Negativos
Sistema de progressão confuso e mal explicado
Interface genérica e menus pouco intuitivos
Animações atrapalham o ritmo em combate e plataforma
Checagem de colisão (hitbox) problemática
Checkpoints forçam você a rever cutscenes se morrer
Muitos itens com funções repetidas e sem uso claro
Pouco foco no personagem principal em parte da campanha
Veredito
The Spirit of the Samurai é um daqueles jogos que, mesmo cheio de falhas técnicas, merece ser jogado. A coragem de apostar em uma estética artesanal, somada à ambientação e trilha sonora impecáveis, tornam a experiência única.
É um título imperfeito, mas inesquecível. Uma espécie de Frango Robô japonês com sangue, honra e yokais. Se você curte jogos experimentais e consegue perdoar sistemas quebrados por uma boa história e visuais criativos, pode ir sem medo.
Se não tiver paciência com falta de polimento, talvez essa não seja sua praia.
Nota final: 6,5 / 10
The Way of the Samurai está disponível no PC (Steam). Esta análise foi feita com uma cópia gentilmente cedida pela produtora.














