Elden Ring: Nightreign | Os Lordes da Noite te esperam
Uma evolução ousada da fórmula Souls que mistura roguelike, cooperação e estratégia de maneira surpreendente
Com Elden Ring: Nightreign, a From Software amplia seu universo sombrio com uma abordagem ousada e diferente do que os fãs da franquia estão acostumados. Neste spin-off standalone, saímos do tradicional foco solo e somos lançados em uma experiência cooperativa PvE intensa, que mistura elementos de roguelike, battle royale e RPG de ação tática. O resultado é uma caçada desafiadora, imprevisível e altamente estratégica, especialmente quando se joga em equipe.
Estrutura e Objetivo
O objetivo central de cada partida é sobreviver por dois ciclos de dia e noite em um mapa aberto e, ao final, enfrentar o Night Lord, o chefe principal da “caçada”. O mapa é povoado por inimigos comuns e mini-bosses que, ao serem derrotados, recompensam os jogadores com souls, buffs temporários e itens especiais, sendo possível escolher apenas um benefício por chefe vencido. Isso exige decisões cuidadosas a cada combate.

A dinâmica de progressão é cíclica: ao fim da caçada (com sucesso ou fracasso), tudo é reiniciado. Os personagens retornam ao nível 1, sem equipamentos ou buffs, mantendo apenas uma relíquia permanente por run, que garante bônus iniciais na próxima tentativa, um clássico recurso roguelike.
O mapa se comporta como um battle royale: ele vai se fechando com o tempo, forçando os jogadores a se moverem constantemente. Permanecer fora da zona segura resulta em perda de vida gradual. A cada noite, um boss intermediário surge e deve ser vencido para reabrir o mapa. Após duas noites, uma gosma transporta o grupo para a batalha final contra o Night Lord.
A Diversidade das Classes: Coração Tático do Jogo

Um dos maiores destaques de Nightreign é o sistema de classes. Ao início de cada partida, o jogador escolhe entre sete (ou oito, contando com uma classe secreta) classes jogáveis, cada uma com seu próprio conjunto de habilidades, armas iniciais e funções táticas distintas:
- Selvagem: Um guerreiro focado em combate corpo-a-corpo pesado. Inicia com uma espada grande e escudo. Sua habilidade primária é um gancho versátil, que pode atrair inimigos pequenos ou levá-lo rapidamente até inimigos maiores. Fora de combate, o gancho serve como um “dash” direcional. Sua habilidade suprema é uma explosão canalizada através de um mecanismo em seu braço, com alto dano direto e, se carregada, atinge também uma área maior, causando cerca de 20% mais dano.
- Guardião: Outro guerreiro melee, mas com papel mais defensivo. Começa com uma alabarda e escudo, ideal para manter postura firme enquanto ataca com estocadas. Sua habilidade principal é o Redemoinho, um golpe giratório que levanta inimigos ao seu redor, sua versão carregada aumenta a área de efeito, mas não o dano. Sua ultimate é um diferencial estratégico: além de causar dano em área, revive instantaneamente todos os aliados caídos dentro de seu alcance.
- Olho-de-Ferro: Arqueiro de longo alcance, eficaz e direto. Possui ataques únicos, um de alvo único e outro com disparo de três flechas em área. Sua habilidade primária marca um inimigo, aumentando o dano recebido por todas as fontes em 10% e permitindo um estado de stagger se a marca for quebrada com dano suficiente. Sua ultimate é um disparo pesado e carregado, que atravessa o campo causando grande dano e afetando inimigos ao redor da trajetória. Armas com atributos elementais são extremamente eficazes com essa classe, dada a segurança e facilidade de aplicar debuffs à distância.
- Duquesa: Classe ágil e voltada à evasão, utiliza armas leves e se destaca pela mobilidade. Sua habilidade ativa replica parte do dano causado por ela ou aliados em inimigos próximos. Sua ultimate cria um manto de invisibilidade temporário para o grupo, embora ataques aleatórios ainda possam acertá-los. A Duquesa é ideal para jogadores que preferem agilidade e controle de campo.
- Corsário: Um verdadeiro colosso em campo. Com inspiração clara em Havel, sua mecânica gira em torno da resistência: quanto mais ataques recebe, maior se torna sua aura branca, visível ao redor do personagem. Quando ativada, essa aura facilita a quebra da postura inimiga. Sua ultimate invoca um totem de pedra que causa dano em área no impacto e funciona como plataforma estratégica, permite ataques aéreos, reposicionamento de magos ou arqueiros, e ainda concede aumento de força a todos os aliados próximos.
- Reclusa: A classe mágica do jogo, voltada para quem gosta de domínio complexo de habilidades. A cada três magias lançadas, o jogador absorve os elementos utilizados e pode conjurar magias mais poderosas dependendo da combinação (três de fogo, três arcanas, ou mistas). Sua ultimate transforma inimigos atingidos em fontes de regeneração: ao atacá-los, aliados recuperam vida e mana. Claramente inspirada no Invoker de Dota, essa classe exige prática e memória.
- Executor: Samurai sombrio que começa com uma katana já imbuída com dano de sangramento. Sua habilidade ativa troca sua arma por uma Katana Amaldiçoada, com um moveset exclusivo e habilidades especiais, como um parry em estilo Sekiro. Após uma série de parrys bem-sucedidos, é possível liberar um corte com dash devastador. Sua ultimate transforma o personagem em um lobisomem gigante, restaurando completamente a vida e aumentando o HP máximo, nesta forma, o jogador tem acesso a ataques de garra e um ataque final de altíssimo dano, encerrando a transformação.
Há ainda uma classe secreta no jogo, desbloqueável, que não será detalhada aqui para evitar spoilers, mas que oferece uma nova camada de profundidade para jogadores mais dedicados.
Dificuldade, Cooperação e Design

Como esperado de qualquer título associado à From Software, a dificuldade é elevada. No entanto, em Nightreign, a maior ameaça muitas vezes não são os inimigos, e sim outros jogadores. Isso se deve à ausência de um sistema robusto de comunicação. Jogar com desconhecidos depende exclusivamente da marcação no mapa, o que torna a coordenação desafiadora e, em alguns casos, frustrante. Por outro lado, jogar com amigos, especialmente com uso de chat de voz, transforma a experiência. A sinergia entre as classes brilha quando há cooperação genuína.
Pude testar o jogo ao lado de um amigo já experiente, que mesmo sendo o “peso morto da party” (com muito carinho, claro), tornou tudo mais divertido e acessível além de me ensinar muitas coisas sobre o jogo, pois já tinha tido uma experiência anterior com o jogo. A curva de aprendizado é presente, mas recompensadora.

Trilha Sonora e Performance
A trilha sonora é digna da série Souls: épica, sombria e carregada de tensão. Bosses herdados de jogos anteriores fazem participações especiais, um agrado extra para os fãs de longa data. O jogo roda com uma performance OK no PlayStation 5 base, sem problemas de matchmaking, algumas quedas de FPS durante as lutas mais intensas e em momentos durante o mapa são perceptíveis no console base, porém não existem no PS5 Pro. A ausência de cross-play é uma limitação sentida, mas a base de jogadores no PS5 e PC é grande o suficiente para manter a fluidez das partidas.

Conclusão
Elden Ring: Nightreign é uma reinterpretação ousada da fórmula Souls. Ao incorporar elementos cooperativos, roguelike e mecânicas táticas de classes, a From Software entrega uma experiência densa, dinâmica e cheia de possibilidades. Ainda que a ausência de comunicação in-game torne a experiência com jogadores aleatórios mais difícil, ela também oferece momentos imprevisíveis e únicos, o que é, de certa forma, parte da graça.
É um jogo que recompensa o planejamento, a sinergia e o domínio da classe escolhida. Uma proposta diferenciada dentro do universo Souls, e que acerta mais do que erra.














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