Garfield: Escape from Monday | Fugir da segunda-feira pode ser simples e divertido
Garfield nunca precisou de grandes aventuras para conquistar seu público. Na maior parte do tempo, basta uma lasanha, algumas horas de sono e bons motivos para reclamar da segunda-feira. Garfield: Escape from Monday entende bem essa simplicidade do personagem e a transforma em um jogo de plataforma igualmente direto, daqueles em que você começa a jogar e simplesmente vai avançando pelo cenário.
Talvez seja justamente aí que esteja seu principal acerto, pois Escape from Monday não tenta reinventar os jogos de plataforma e muito menos competir com os maiores representantes do gênero. Sua proposta é bem mais simples: entregar uma aventura divertida, colorida e acessível, principalmente para jogadores mais novos.
O resultado funciona muito bem, ainda que em alguns momentos fique a sensação de que Garfield poderia ter recebido uma aventura um pouco mais ambiciosa.

Fácil de jogar, mas sem cair na monotonia
O gameplay de Garfield: Escape from Monday não demora muito para mostrar suas cartas. Temos poucas ferramentas à disposição e os inimigos são resolvidos da maneira mais tradicional possível: pulando sobre suas cabeças ou chutando os inimigos. Não existem grandes sistemas de combate ou sequências que exijam muita precisão do jogador.
Isso poderia facilmente tornar a experiência repetitiva depois de algum tempo, mas o jogo encontra maneiras interessantes de evitar que isso aconteça. Uma delas está nos power-ups que Garfield encontra durante a aventura.
A roupa de peru, por exemplo, permite realizar um pulo duplo. Mais interessante do que simplesmente entregar uma habilidade nova é perceber como as próprias fases começam a mudar para aproveitar aquilo que acabamos de aprender. Depois de conseguir a roupa, começam a aparecer túneis de vento pelo cenário, criando novas possibilidades de movimentação e pequenas variações nos desafios.
É uma solução simples, mas funciona justamente porque o jogo não parece interessado em complicar aquilo que já funciona. Em vez de colocar dezenas de habilidades nas mãos do jogador, prefere apresentar poucas ideias e modificar gradualmente os cenários ao redor delas.

Um jogo pensado para não frustrar
As fases também não são particularmente complexas. Os caminhos são fáceis de compreender e dificilmente você ficará preso tentando descobrir para onde precisa ir. Ainda assim, existe uma diferença entre construir algo fácil e simplesmente criar fases sem graça. Escape from Monday consegue permanecer do lado certo dessa linha.
Tenho jogado boa parte da aventura com meu filho e foi justamente observando ele jogar que a proposta ficou ainda mais evidente para mim. Ele consegue avançar pelas fases sem grandes dificuldades e, principalmente, sem aquela frustração que poderia fazer uma criança simplesmente abandonar o controle depois de algumas tentativas.
Os chefes seguem exatamente a mesma filosofia. Eles estão ali, apresentam alguma dificuldade e cumprem seu papel dentro da progressão, mas não espere grandes confrontos. Na prática, parecem existir mais para marcar o encerramento de determinada etapa do que para realmente testar tudo aquilo que aprendemos até aquele momento.
Para quem procura desafio, certamente não será aqui que vai encontrá-lo. Mas também acho injusto olhar para essa facilidade como um problema sem considerar para quem o jogo foi feito. Principalmente porque, mesmo sendo fácil, eu também estava me divertindo.

Procurar lasanhas sem transformar isso em trabalho
Os colecionáveis ajudam bastante nisso. Obviamente estamos falando de Garfield, então são lasanhas que encontramos escondidas pelas fases. O que gostei foi justamente da maneira como elas foram posicionadas. O jogo não exige que você interrompa constantemente seu progresso para vasculhar cada centímetro do cenário procurando alguma passagem praticamente invisível.
Na maioria das vezes, basta prestar atenção. Girar um pouco mais a câmera pode revelar uma lasanha escondida em algum ponto estratégico. É aquela recompensa para quem resolveu olhar um pouco além do caminho principal, mas sem transformar a exploração em uma obrigação.
Isso ajuda bastante no ritmo porque Escape from Monday é um daqueles jogos em que você começa uma fase e simplesmente vai avançando. Você corre, pula, derrota alguns inimigos, percebe alguma coisa escondida, pega uma lasanha e continua.
Não existe aquela sensação de que precisamos parar constantemente para conferir se deixamos alguma coisa para trás.

Ainda bem que Garfield continua sendo Garfield
Existe sempre um problema possível quando um personagem conhecido vai parar em um jogo desse tipo. Você pode trocar aquele protagonista por qualquer outro mascote e perceber que praticamente nada mudaria. Felizmente, não senti isso aqui.
Escape from Monday é um jogo do Garfield sem sombra de dúvida. Seu humor característico está presente e gostei especialmente da maneira como os personagens vão sendo apresentados durante a aventura. Existe uma leveza nas situações e aquele tipo de humor que imediatamente associamos à série. E isso importa bastante.
Garfield não está aqui apenas porque colocaram seu modelo 3D no meio de um jogo de plataforma. As lasanhas, as situações, os personagens e principalmente o humor ajudam a construir essa identidade.
Pode não existir uma grande inovação no gameplay que só pudesse funcionar com Garfield, mas existe personalidade suficiente para que você nunca esqueça quem está controlando.

Bonito, colorido e muito agradável no Series S
Minha experiência foi inteiramente no Xbox Series S e, tecnicamente, fiquei bastante satisfeito. O jogo rodou incrivelmente bem durante todo o período em que joguei. Não encontrei quedas perceptíveis de FPS ou algum problema técnico que realmente prejudicasse a experiência. Visualmente também gostei bastante do resultado.
Os gráficos são bonitos, os cenários bastante coloridos e tudo é muito agradável de olhar. Não é um jogo tentando impressionar pela quantidade absurda de detalhes ou por algum feito técnico, mas sua direção visual combina perfeitamente com a proposta.
A trilha sonora segue pelo mesmo caminho. As músicas são agradáveis e acompanham bem essa sensação mais tranquila de simplesmente entrar em uma fase e continuar avançando.
No final, tudo conversa muito bem. Visual, música e dificuldade trabalham juntos para construir uma experiência bastante leve.

O problema é que Garfield poderia ter ido além
E talvez aqui esteja minha maior questão com Garfield: Escape from Monday. Tudo funciona.
O gameplay é gostoso, os poderes conseguem variar as fases, procurar lasanhas é divertido, o humor funciona, visualmente o jogo é agradável e minha experiência no Series S foi excelente. Mesmo assim, quando colocamos tudo isso junto, fica difícil apontar alguma coisa que realmente faça o jogo se destacar.
Escape from Monday sabe ser um jogo do Garfield e sabe ser divertido. Só acho que ele poderia ter sido um pouco mais ambicioso. Não estou falando em transformar Garfield em um plataforma extremamente difícil ou criar dezenas de mecânicas diferentes. Isso provavelmente destruiria justamente uma das maiores qualidades do jogo, que é sua acessibilidade.
Mas existe uma base muito boa aqui que poderia ter sido explorada um pouco mais. Poderíamos ter alguns desafios maiores, chefes mais elaborados ou situações que exigissem um domínio maior das habilidades adquiridas. Até porque o jogo consegue provar que suas ideias funcionam. Eu apenas gostaria que ele fizesse um pouco mais com elas.
Também acredito que poderia ter existido um trabalho de marketing maior em torno do lançamento. Garfield continua sendo um personagem extremamente conhecido e existe aqui uma experiência muito agradável, principalmente para famílias procurando algo que crianças consigam jogar sem grandes dificuldades.
É uma pena imaginar que um jogo tão simpático possa simplesmente passar despercebido.

Fugir da segunda-feira vale a pena?
Garfield: Escape from Monday não vai reinventar os jogos de plataforma e provavelmente nunca teve essa intenção. É uma aventura simples, divertida e extremamente acessível, que entende muito bem o público que deseja alcançar.
Para mim, uma das melhores maneiras de perceber isso foi vendo meu filho jogar. Ele consegue avançar, descobrir as mecânicas e enfrentar os desafios sem depender constantemente de alguém pegando o controle para passar por determinada parte. Existe dificuldade, mas dificilmente ela se transforma em frustração. Ao mesmo tempo, eu também consegui me divertir.
E talvez esse seja o maior mérito de Escape from Monday. Existe uma diferença considerável entre fazer um jogo fácil e fazer um jogo fácil que continua agradável para quem já tem muito mais experiência com videogames. Garfield consegue ficar no segundo grupo.
Gostaria de encontrar mais desafios? Sim. Gostaria que algumas ideias fossem levadas mais longe? Também. Mas nada disso muda o fato de que passei boas horas correndo pelos cenários, procurando lasanhas escondidas, experimentando os poderes e, principalmente, dividindo essa experiência com meu filho.
Às vezes, um jogo não precisa ser muito mais complicado do que isso.
Nota: 8,0/10
Garfield: Escape from Monday está disponível no Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela distribuidora.













