Shard Squad | Uma pequena tropa que transforma o caos em diversão

Os bullet heavens vivem um momento curioso. Depois da explosão provocada por Vampire Survivors, surgiram dezenas de jogos seguindo a mesma estrutura. Alguns tentam mudar a fórmula adicionando novos sistemas, enquanto outros apenas trocam a ambientação. Poucos, porém, conseguem encontrar uma identidade própria.

Foi exatamente essa sensação que tive com Shard Squad.

À primeira vista ele parece seguir a cartilha do gênero. Você entra em uma fase, derrota hordas de inimigos, sobe de nível e escolhe melhorias. Tudo parece familiar. Bastaram algumas partidas, no entanto, para perceber que o verdadeiro diferencial não estava nas hordas de inimigos, mas em quem lutava ao meu lado.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Mais do que um personagem, um esquadrão

Em Shard Squad, o personagem principal é apenas uma peça de algo maior. Conforme a partida avança, novas criaturas passam a integrar o grupo e começam a atacar automaticamente. Ao subir de nível, elas também podem ser fortalecidas, aumentando o dano e tornando o esquadrão cada vez mais eficiente.

Depois de algumas partidas percebi que já não escolhia melhorias pensando apenas em causar mais dano. Passei a observar quais criaturas funcionavam melhor juntas e quais combinações faziam mais sentido para aquele momento da partida. Sem perceber, eu já não estava evoluindo um personagem, mas montando uma equipe.

É justamente aí que Shard Squad encontra sua identidade. A ideia pode parecer simples quando explicada, mas muda completamente a forma como encaramos cada partida.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

O tipo de progressão que faz você jogar “só mais uma”

Quando a partida termina, o jogo nos leva para uma área que funciona como um pequeno hub. É ali que podemos comprar itens, alterar atributos através dos itens e escolher qual criatura será utilizada como protagonista na próxima tentativa.

O curioso é que eu quase nunca voltava para esse espaço apenas para iniciar outra fase. Sempre existia alguma coisa para fazer antes: trocar de personagem, testar um item diferente ou experimentar uma nova composição para o esquadrão.

Foi justamente nesse momento que perdi a noção do tempo. Uma partida naturalmente levava à outra e, quando percebia, já estava iniciando mais uma tentativa apenas para ver como determinada combinação funcionaria.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Pixel art bonito é fácil. Difícil é fazê-lo funcionar.

Antes mesmo da primeira fase terminar, o pixel art já havia chamado minha atenção. Os personagens possuem bastante personalidade, as animações são bem trabalhadas e os cenários ajudam a construir uma identidade visual bastante agradável.

Mas o que realmente me impressionou apareceu alguns minutos depois.

Quando a tela começou a ser tomada por centenas de inimigos, ataques, efeitos visuais e personagens aliados, tudo continuou perfeitamente legível. Em nenhum momento tive dificuldade para localizar meu personagem ou entender o que estava acontecendo ao meu redor.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas esse costuma ser um dos maiores desafios dos bullet heavens. Muitos deles sacrificam a clareza para transformar a tela em um espetáculo visual. Shard Squad consegue entregar as duas coisas ao mesmo tempo.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Uma trilha que acompanha o ritmo

A trilha sonora segue a mesma filosofia do restante do jogo. Ela não tenta chamar atenção o tempo inteiro, mas acompanha muito bem o ritmo das partidas e ajuda a manter aquela sensação constante de progresso.

É o tipo de música que talvez você nem perceba conscientemente durante os primeiros minutos, mas cuja ausência faria falta. Quando o esquadrão cresce, os inimigos aumentam e a ação fica mais intensa, ela continua funcionando como parte da experiência.

No fim, tudo contribui para aquela sensação bastante conhecida de quem gosta do gênero: “só mais uma partida”.

A campanha conta com oito fases. Olhando apenas para esse número, pode parecer pouco. Durante a jogatina, porém, essa impressão desaparece rapidamente. Cada personagem desbloqueado muda a forma como enfrentamos uma fase já conhecida. Os itens alteram atributos importantes e diferentes composições de equipe fazem com que uma estratégia eficiente em uma partida deixe de funcionar na seguinte.

No fim das contas, percebi que voltava aos mesmos cenários não porque precisava, mas porque queria experimentar outra combinação de criaturas.

Créditos: The Root Studios/ Nuntius Games

Considerações finais

Não acredito que Shard Squad tenha a pretensão de reinventar os bullet heavens. Também não acho que precise fazer isso.

O jogo escolhe trabalhar muito bem uma única ideia: transformar a evolução do personagem na construção de um esquadrão. Todo o restante parece ter sido pensado para fortalecer essa proposta, seja através da progressão entre partidas, do excelente trabalho de pixel art ou da forma como mantém a ação legível mesmo nos momentos mais caóticos.

Quando terminei minha sessão de jogo, percebi que a vontade de continuar não vinha de uma mecânica revolucionária ou de uma novidade nunca vista antes. Ela vinha da curiosidade de testar outra criatura, montar outro esquadrão e descobrir até onde aquela nova combinação conseguiria chegar.

Para um bullet heaven, dificilmente existe um elogio maior do que esse.

Nota: 9/10


Shard Squad está disponível para PC via Steam e Nintendo Switch e o jogo foi analisado com uma cópia digital de Nintendo Switch gentilmente cedida pela Nuntius Games.

Diogo é criador do Arquivos do Woo, um site dedicado a videogames, memória gamer e revisitar jogos além do hype. Escrevendo sobre jogos há mais de 15 anos.