Nintendo Switch vale a pena? Minha experiência depois de dois anos com o console

Faz aproximadamente dois anos que comprei o meu Nintendo Switch e, nesse período, adquiri cerca de 21 jogos físicos para o console. Foi justamente isso que me motivou a escrever este texto, no qual quero compartilhar com vocês alguns dos benefícios de ter um console da Nintendo em casa.

Claro, não vou entrar no mérito de preços ou discutir o custo dos jogos — até porque não faltam críticas acerca desse assunto por aí.

A ideia aqui é outra. Quero dividir com vocês a minha visão como usuário desse console híbrido. Afinal, acredito que tenho algo a acrescentar para quem ainda cogita comprar um Switch, seja na versão Lite ou OLED. E, apesar das diferenças entre os modelos, a biblioteca de jogos é a mesma — e é aí que mora um dos seus maiores pontos fortes.

O Nintendo Switch atualmente conta com pouco mais de 4 mil títulos em sua biblioteca, então podemos dizer que falta de jogos definitivamente não é um problema.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

Arquivo pessoal

Quando comprei meu Nintendo Switch

O meu Nintendo Switch é um OLED, e eu o comprei usado de um redator aqui do site, o Juliano. Só o console saiu por cerca de R$ 2.352 na época, com pagamento parcelado, acompanhado de um grip e um controle que foram incluídos no valor.

Levando em consideração que esses acessórios não acompanham o console originalmente, acabou sendo um bom negócio — até porque o preço de um Switch OLED em 2023 girava na casa dos R$ 2.800.

O console chegou sem nenhum jogo. Mas, como o Juliano é muito parceiro, ele deixou a conta dele conectada, e o Tony, que também escreve aqui, emprestou a dele. Com isso, tive acesso a uma boa variedade de jogos exclusivos do console logo de cara.

Agora, sendo bem honesto, se eu não tivesse esse acesso às contas dos amigos, provavelmente teria passado um bom tempo investindo em jogos free-to-play, como Pokémon Unite, Fall Guys e outros títulos disponíveis na Nintendo eShop.

Talvez não fosse o cenário ideal — e provavelmente eu não ficaria muito satisfeito no começo —, mas ainda assim tentaria extrair alguma diversão dessa situação.

Foi a partir daí que passei a me inteirar melhor sobre a biblioteca do Nintendo Switch. Antes de ter o console, muita coisa simplesmente passa batida. Você ignora notícias, não acompanha lançamentos e acaba absorvendo apenas aquele boca a boca — geralmente focado nos problemas. Na prática, a experiência é bem diferente.

Reprodução: Nintendo

Eu posso jogar quando vou ao banheiro

Uma coisa que eu vi muito — principalmente em comunidades de Xbox e PlayStation que frequentei por um tempo — é que o Switch é um console perfeito para usar no banheiro. E, mesmo sendo dito muitas vezes com certo deboche, eles não estavam errados.

Começar um jogo na sala e continuar no banheiro é, sem dúvida, uma das coisas mais legais que o console permite.

Não foi uma ou duas vezes — foram centenas — que simplesmente tirei o console do dock e levei comigo. A primeira vez que derrotei um guardião em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, por exemplo, foi no banheiro… e foi incrível.

Claro, não é exatamente a prática mais higiênica do mundo, mas também não vamos fingir que isso não acontece.

Hoje, eu acabo jogando muito mais no modo portátil, principalmente por conta da tela OLED, do que na televisão. E, por melhor que seja jogar na TV, existe uma diferença enorme entre estar deitado, confortável, e sentado na sala.

Nesse ponto, o Nintendo Switch se tornou minha principal escolha para jogar — o que acabou deixando até o meu Xbox Series S um pouco de lado.

Arquivo pessoal

Uma ótima biblioteca

Não é incomum encontrar pessoas que fazem críticas aos jogos da Nintendo, principalmente tentando infantilizá-los, como se isso fosse um grande problema. Uso como exemplo Mario Odyssey, quando foi lançado em 2017. Ele foi muito bem avaliado pela crítica, mas, dentro das bolhas de outras plataformas, era possível ver diversas críticas negativas. E, sendo bem franco com vocês, eu mesmo acabei comprando essas opiniões sem nunca ter jogado o título.

Ora, o que poderia haver de mais em um jogo do Mario?

Reconheço que fui moleque. Porque, assim que comecei a jogar Mario Odyssey com meu filho, tive uma das jornadas mais belas e divertidas dos últimos anos. Não se tratava apenas de um jogo com gráficos bonitos — a experiência como um todo é extremamente prazerosa. Existe um equilíbrio entre gameplay, trilha sonora e direção de arte que faz do título algo marcante, mesmo depois de concluído.

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Mesmo após terminar o jogo, meu filho ainda volta para Mario Odyssey. E isso é algo raro hoje em dia. Pouquíssimos jogos conseguem fazer você querer retornar depois de terminar.

E sabe por quê?

Porque muitos deles não são pensados para isso. São experiências rápidas, feitas para você consumir e seguir em frente.

Por mais que possa soar como algo “nintendista” — e eu não me considero um —, os jogos exclusivos da Nintendo são pensados para serem memoráveis. São jogos que você quer revisitar. Quer mostrar para alguém.

Eu mesmo ainda nem finalizei The Legend of Zelda: Breath of the Wild e, mesmo assim, já falei dele diversas vezes com meu primo, que também tem um Nintendo Switch. Esse tipo de experiência tive com pouquíssimos jogos. Pensando agora, enquanto escrevo, me vêm à mente: Metal Gear Solid, Spec Ops: The Line e God of War.

Comprar um Nintendo Switch é, em certa medida, ter a certeza de que os seus exclusivos vão te proporcionar muitas boas horas de jogatina. Em dois anos, posso dizer que não me decepcionei até o presente momento. Ele me rendeu desde partidas divertidas de Mario Party com colegas de trabalho até momentos de puro nervosismo em Metroid Dread — maldito robô assustador.

O Switch Lite do meu filho – Arquivo pessoal

Vale a pena — mesmo com os problemas

Um dos maiores problemas é o preço que a empresa cobra pelo serviço, o que acaba tornando-o inacessível para muita gente. Ainda assim, se você está disposto a investir em um console, saiba que estará muito bem servido de jogos. Seus exclusivos são de ótima qualidade, e ainda existem os títulos third-party, além de uma vasta quantidade de jogos indie que também merecem destaque.

Você não vai ficar sem opções do que jogar — isso é fato.

E, caso bata aquela nostalgia pelos clássicos da Nintendo, o Switch conta com um serviço chamado Nintendo Switch Online. Eu, por exemplo, tenho acesso a ele porque participo de um plano família, o que acaba tornando o pagamento anual bem mais acessível.

Dentro desse plano, você tem acesso a uma biblioteca de jogos clássicos por meio de emuladores de Super Nintendo, Nintendo 64, Nintendinho, Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance.

E, sendo bem honesto, eu quase não uso o serviço.

Mesmo assim, ele continua fazendo sentido para mim.

Dividido entre várias pessoas, o valor fica interessante — e, no meu caso, ele acabou tendo uma função muito específica: apresentar esses jogos clássicos para o meu filho.

Poderia fazer isso no PC? Sem dúvida.

Mas não seria a mesma coisa.

Hoje, ele tem um Nintendo Switch Lite só para ele, e ver ele jogando Donkey Kong Country sempre que pode tem um peso diferente. Existe algo em ter esse “ecossistema Nintendo” concentrado em um único lugar que é extremamente prático — e, de certa forma, até especial.

Claro, isso não significa que a Nintendo esteja acima de críticas. Longe disso. Sempre vamos bater na tecla do valores que ela cobra e problemas de localização, mas pelo menos nesse segundo item ela tem dado avanços.

Recente aquisição – Arquivo pessoal

Você não precisa acompanhar o hype

Ter um Nintendo Switch significa que você não poderá ter tudo na hora, os valores dos jogos são altos, mas existem milhares de grupos de descontos que facilitam em muito a nossa vida.

Por outro lado, as redes sociais nos bombardeiam o tempo todo que precisamos ter os mais novos lançamentos, e eu entendo que você pode se sentir condicionado a fazer dividas em prol disso, mas porque fazer isso? É tão importante assim estar jogando o mesmo jogo em lançamento que os demais estão jogando?

Quando escolho algo para jogar, eu sempre dou preferencia por algo que tenha passado o hype, e isso me gera benefícios, porque vou pagar menos por isso e claramente vou aproveitar muito mais.

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Isso não vale apenas para o Nintendo Switch, mas, se você pretende ter um, saiba que ter autocontrole e estar disposto a aproveitar o que já está na sua biblioteca faz toda a diferença. É isso que vai te permitir economizar dinheiro e, ao mesmo tempo, aproveitar muito mais o console.

Eu não cheguei a 21 jogos físicos comprando tudo no lançamento. Muito pelo contrário. Fui pegando depois do hype, aproveitando promoções e, em alguns casos, até boas ofertas de jogos digitais.

É aí que está o pulo do gato.

Se você tem vontade de comprar um Nintendo Switch — qualquer modelo —, eu realmente recomendo. Mesmo com um sucessor já no horizonte, esse primeiro console ainda tem muita lenha para queimar.

E, no fim das contas, talvez o maior valor do Switch não esteja apenas nos jogos que ele oferece — mas na forma como ele te convida a jogar.

 

Diogo é criador do Arquivos do Woo, um site dedicado a videogames, memória gamer e revisitar jogos além do hype. Escrevendo sobre jogos há mais de 15 anos.