My Hero Academia: All’s Justice | Análise

Eu comecei My Hero Academia: All’s Justice com expectativas controladas.  Não porque eu não goste da franquia, mas porque jogos baseados em anime quase sempre seguem uma fórmula muito clara: visual fiel, golpes exagerados, bastante fan service e um sistema de combate acessível. O que às vezes funciona muito bem. Às vezes parece reciclado.

As primeiras horas aqui são fortes. A apresentação é impactante, as lutas têm peso e o jogo faz questão de deixar claro que está trabalhando com o arco final da obra, algo que naturalmente carrega mais tensão.

Logo no começo você sente que ele quer ser grande. Cinemático. Dramático. E em vários momentos ele consegue. Mas conforme as horas passam, começam a aparecer as camadas menos polidas.

Será que no fim vale a pena? Vamos descobrir

Reprodução: Bandai Namco

Sistema de Combate – Bonito, acessível… e repetitivo

O combate é claramente pensado para ser acessível. Você aprende rápido, entende os padrões com facilidade e consegue fazer coisas visualmente impressionantes sem precisar dominar comandos extremamente técnicos. O que é muito positivo ai meu ver.

Existe gerenciamento de barra, habilidades especiais, suporte de equipe e momentos de virada que funcionam bem. As ativações de Plus Ultra são um espetáculo à parte. São animadas, exageradas e muito fiéis ao anime.

Posso dizer que o problema definitivamente não está no começo.

Depois de algumas horas, você percebe que o jogo trabalha muito em cima de estruturas repetidas. Combos básicos se repetem. Estratégias começam a ficar previsíveis. As lutas mais importantes são visualmente intensas, mas mecanicamente não se diferenciam tanto quanto deveriam.  Não é um sistema ruim, mas também não tem qualquer profundidade.

Ele funciona melhor como espetáculo do que como um desafio técnico.

Reprodução: Bandai Namco

O ritmo do combate

Existe um detalhe em My Hero Academia: All’s Justice que começou a me incomodar com o tempo:  o ritmo.

Algumas animações são longas demais. Certos golpes interrompem a fluidez da luta para exibir efeitos que são lindos nas primeiras vezes, mas cansativos depois da décima repetição. Chega uma hora que você fica meio saturado, porque o jogo quer ser cinematográfico o tempo todo. Só que cinema e fluidez de gameplay nem sempre andam lado a lado.

Há momentos em que você sente que está assistindo mais do que jogando. Em um jogo baseado em confrontos intensos, isso pode quebrar o envolvimento.

Reprodução: Bandai Namco

Quantidade não é tudo

O número de personagens em My Hero Academia: All’s Justice é grande. Muito grande. E isso ajuda bastante a manter o interesse. Testar estilos diferentes, experimentar variações de equipe e explorar personagens menos óbvios é uma das partes mais divertidas do jogo.

Mas aqui aparece outro problema comum em jogos de anime: quantidade não significa profundidade.

Muitos personagens acabam compartilhando estruturas parecidas de funcionamento. Mudam animações, mudam efeitos visuais, mas a base mecânica é muito próxima.

Isso não invalida a diversão, mas limita a longevidade competitiva.

Reprodução: Bandai Namco

Modo História e o conteúdo

O modo história de My Hero Academia: All’s Justice é claramente o coração do jogo.

Ele tenta recriar momentos importantes com peso dramático, e em vários trechos funciona muito bem. Algumas batalhas têm energia de clímax real. A trilha ajuda, a direção de câmera ajuda e a construção do confronto é eficiente.

Mas a organização deixa a desejar. Existem cortes abruptos. Algumas transições acontecem rápido demais. Certos confrontos começam quase sem preparação. E há picos de dificuldade que parecem surgir do nada. Sério, existem combates em que você quase não consegue muita coisa, porque a dificuldade está muito elevada.

Por outro lado o jogo oferece bastante conteúdo. Modos adicionais, desafios paralelos, batalhas extras. No papel, isso é excelente.

Na prática, parte desse conteúdo sofre com repetição. Missões seguem padrões semelhantes, objetivos se repetem e o incentivo para continuar depende mais do apego ao universo do que da variedade.

Você se vê jogando mais porque gosta dos personagens e não necessariamente porque a estrutura é inova de maneira divertida.

Reprodução: Bandai Namco

Cenário e localização

Visualmente My Hero Academia: All’s Justice, alterna entre momentos muito fortes e outros mais simples, onde podemos ver que os personagens são bem modelados. As expressões funcionam e os efeitos especiais são exagerados na medida certa.

Mas alguns cenários parecem vazios demais. Certas áreas passam sensação de pouca vida. E em momentos muito caóticos, a tela pode ficar visualmente poluída.

Nada que quebre completamente a experiência, mas também nada que impressione.  No entanto, se tem algo que impressiona é a falta de localização em português do jogo.

Aqui não tem muito o que discutir.

A ausência de localização em português é um erro. Estamos falando de uma franquia extremamente popular no Brasil. Ignorar esse público em um lançamento desse porte é algo que incomoda.

Não é impeditivo para jogar, mas é um ponto negativo claro.

Reprodução: Bandai Namco

Vale a Pena?

Depois de um tempo considerável com My Hero Academia: All’s Justice  a sensação que fica é que ele entrega um belo espetáculo visual, como momentos empolgantes que respeita o material original, mas sem evoluir a formula de jogos de anime de área.

Existe base para algo mais profundo. Existe potencial para um sistema mais refinado. Existe espaço para um ritmo melhor ajustado, mas ele não vai muito além.

Mesmo assim eu me diverti. Principalmente quando parei de esperar algo revolucionário e aceitei o jogo pelo que ele é: uma celebração jogável do arco final de My Hero Academia.

Se você é fã da franquia, com certeza vale a pena o titulo..

Você vai reconhecer momentos, vai gostar das ativações especiais, vai curtir montar equipes e reviver confrontos importantes.

Se você procura um jogo de luta extremamente técnico, competitivo e profundo, talvez ele não seja o ideal.

Ele não redefine o gênero, mas também não é um fracasso. É um jogo que funciona melhor quando você já está emocionalmente envolvido naquele universo. E isso, dependendo do jogador, pode ser mais do que suficiente.

Nota: 7.5/10


Esta análise foi feita com uma cópia do jogo para Xbox Series S|X gentilmente cedida pela Bandai Namco. My Hero Academia: All’s Justice está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (via Steam).

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, é um eterno rabugento. Opta por investir seu tempo entre games, filmes, livros e sua família à perder tempo discutindo na internet.