Need for Speed Carbon: Own-the-City | O melhor NFS do PSP — Análise Retrô
Após jogar o incrível — e falho — Need for Speed: Most Wanted no PC, eu prometi a mim que o próximo da série a jogar seria a sua sequência direta: Carbon.
Lançado em 2006 e com gráficos ligeiramente melhores e a volta à pegada noturna de NFSU, Carbon eliminava as travas de progressão que estragaram Most Wanted, transformando o jogo num sistema de domínio de área, onde você deve ganhar corridas e eventos nesses lugares para dominá-los. Boa pedida pra jogo, tudo certo. Mas aí eu fui lá e baixei o port de PSP. LOL.
A ideia era que eu queria dar um uso pro meu Vita, e como eu sempre jogo ele antes de dormir, um joguinho de corrida seria uma ótima pedida, principalmente em relação a jogos de RPG que exigem de mim uma dedicação que meu eu cansado de trabalhar não iria conseguir entregar às 10 PM.
Agora imagine que Need for Speed Carbon: Own the City (subtítulo exclusivo da versão portátil), é um jogo BEM DIFERENTE da versão principal. E talvez MELHOR? Vamos ver.

História: O Drama Familiar
Diferente da versão de console, aqui o buraco é mais embaixo. Você não é o cara do PS2, que venceu as corridas em Rockport no jogo anterior (Most Wanted); aqui você é o irmão do líder de uma gangue local que morre em um acidente misterioso causado por um carro desconhecido.
Você acorda no hospital, descobre que seu irmão já era e agora precisa montar uma nova equipe com os antigos parceiros e a ex-namorada dele. O objetivo? Ganhar reputação, dominar a cidade e descobrir quem foi o desgraçado que matou seu irmão. Para um spin-off de corrida, a história é surpreendentemente emocional e interessante.

Comparativo: Console vs. Portátil (Pensamentos do Horo Joga)
Não dá pra negar que são jogos bem diferentes com o mesmo nome. A cidade, o mapa, as corridas, os carros, as customizações, a direção e todo o resto são completamente diferentes um do outro, e isso porque não estamos incluindo as versões de Nintendo DS e Zeebo aqui (graças à Deus).
Segue abaixo uma pequena tabela resumindo umas pequenas diferenças:
| Característica | Versão Console (PS2/PC) | Versão PSP (Own the City) |
| História | Fugitivo da polícia e duelo em canyons | Vingança pela morte do irmão e guerra de gangues |
| Carros | 40-50 veículos | Cerca de 30 veículos (respeitável para o PSP) |
| Mundo Aberto | Disponível quase todo de início | Bloqueado por territórios (vai abrindo conforme você ganha) |
| Customização | Profunda (Autosculpt) | Básica (Dá pro gasto, mas não é um simulador de “Xuning”) |
| Duração | ~12 horas | ~15 horas (Sim, o portátil é mais longo!) |
O tal do Autosculpt é uma ferramenta da versão de console onde você pode modificar as dimensões das modificações de peças visuais do carro, como tamanho de aerofólio e tudo mais. No PSP, a customização é simples, no mesmo nível do NFSU.
Fora isso, infelizmente a versão de PSP não tem eventos de drift, e a verticalidade das pistas é quase nula, com poucos viadutos e até mesmo a notável ausência de atalhos nas corridas é algo a ser lembrado de forma negativa na versão portátil.

O Diferencial: O Sistema de Crew
O que realmente separa o OTC de outros jogos de corrida é o sistema de Crew (Equipe). Em cada corrida, você tem um parceiro que pode te ajudar de forma ativa ou passiva. Você tem uma barra para cada membro da equipe (no máximo 2), que vai carregando conforme você corre. Ao encher, você pode chamá-lo para causar o efeito baseado na sua habilidade, que são essas abaixo:
Funções na Pista (Roles)
Esses são os caras que estão com você no asfalto e que você ativa durante a prova:
Brawler: O “segurança da boate”. Ele foca em um oponente e vai pra cima para bater, jogar no muro ou forçar o cara a parar. É um por vez, mas ajuda muito a tirar aquele rival chato da frente.
Drafter: O cara do vácuo. Ele se posiciona na sua frente criando um túnel de vento (slipstream) para você ganhar velocidade extra. Estilo Fórmula 1, perfeito para retas.
Assassin: O terror da pista. Ele joga um tapete de pregos bem na frente do oponente alvo. Se o cara passar por cima, já era, fica pelo caminho.
Especialidades (Specialties)
Aqui são os bônus passivos que a sua equipe garante só de estarem com você:
Fixer: O cara dos contatos. Ele garante recompensas adicionais (grana e reputação) em todos os eventos que você participa. Se quer subir de nível rápido e encher o bolso, ele é essencial.
Mechanic: Aquele trato no motor. Melhora o desempenho geral do seu carro durante as corridas. É a vantagem técnica que você precisa quando o carro dos adversários começa a ficar rápido demais.
Esse sistema de Crew funciona bem, apesar da minha desconfiança inicial ao começar a jogar. É bem legal chamar um parceiro para usar o drafting (pegar vácuo) e ainda usar o Nitro ao mesmo tempo, praticamente duplicando a velocidade do seu carro. Já as skills de atacar os carros inimigos funcionam bem, ainda que a sensação de impacto dessas batidas não chegue nem perto de um Burnout.
Aliás, alguns eventos são focados em batidas, mas o feedback visual é nulo: você só vê uma barrinha em cima do carro adversário diminuir, e quando ele “morre”, o carro pisca e sai da pista. Parece algo feito às pressas e que não casa muito bem com o resto do design fluido do jogo todo.

Trilha Sonora: O “Suco” de EA dos Anos 2000
A trilha sonora é um mix de tudo que representava os anos 2000, indo de Rock a Hip-Hop e Eletrônico que a EA adorava fazer na época e que, por incrível que pareça, funciona muito bem para dar o clima de corrida clandestina. Temos músicas como ‘Joker & The Thief’ do Wolfmother, que já virou praticamente o hino da franquia, mas a variedade aqui é o que surpreende para um jogo de portátil.
Você tem desde o Stoner Rock pesado do Kyuss com ‘Hurricane’, passando pelo Grime britânico da Lady Sovereign em ‘Love Me Or Hate Me’, até Synth-pop de Gary Numan com ‘Are Friends Electric?’.
As músicas preenchem bem a parte sonora do game, garantindo que a música não seja apenas um barulho de fundo, mas parte fundamental da experiência.

O Lado Ruim da Pista
Nem tudo são flores. Se tem algo que irrita é a falta de variedade. Você vai ver as mesmas ruas e prédios o jogo inteiro. Isso sem falar que essas mesmas ruas são o exato MESMO MAPA do Most Wanted de consoles, com algumas adaptações e se passando à noite. Eles acharam mesmo que ninguém iria perceber.
Visualmente, não espere milagres, mas é um jogo bem bonito para o PSP, e em termos de jogos de corrida, ele fica atrás somente do Gran Turismo, que tem outro escopo e talvez não seja tão comparável. A sensação de velocidade em NFC:OTC é bem maior que no Gran Turismo de PSP, compensando assim os gráficos mais simples.
Algumas vezes a progressão fica travada por seu carro ser fraco pro evento, e como os upgrades não passam de um carro pro outro, a troca de carro envolve jogar corridas que foram deixadas pra trás ou rejogar eventos anteriores, somente para conseguir fundos para comprar os mesmos upgrades para seus carros novos.
É um grinding meio chatinho, mas não é algo tão devastador e também não vejo uma solução melhor do que simplesmente dar os mesmos upgrades que você já havia comprado para os outros carros — como em NFSU –, mas aí isso quebraria a progressão também, exigindo todo um rebalanceamento de dificuldade.
Já sobre o tal mundo aberto do jogo não é obrigatório; você pode — e deve! — dar pause e escolher o evento que queira jogar. A motivação de explorar as ruas sem ser em eventos, é para pegar caixas espalhadas pela cidade. São 30 delas, que liberam mais grana ou artworks do jogo. Caso não seja um complecionista, pode apenas ignorar e avançar para os eventos diretamente pelo menu.

Veredito
Need for Speed Carbon: Own the City é uma prova de que a EA sabia fazer portáteis de respeito antigamente. Ele consegue ser mais longo que o jogo de console e entrega um mundo aberto honesto no PSP/Vita. A estética é maravilhosa também, sendo até mesmo mais bonito que a versão de consoles, dada as devidas comparações de qualidade gráfica.
Prós:
História superior e mais emocionante que a do console;
Sistema de Crew com poderes é muito divertido;
Mais longo que a versão de PS2;
Performance lisa, sem engasgos.
Contras:
Cenários repetitivos e sem inspiração;
Grinding necessário para bater os últimos eventos
Nota: 7.5/10














