Chronicles of Tal’Dun: The Remainder | É a verdade que você busca?

Chronicles of Tal'Dun

Uma concepção errada que muita gente tem, é que todas as visual novels são iguais e só tem de putaria. O fato é que mesmo entre os jogos que podem se categorizar como visual novels, existem diversas variantes, como Date Sims, que se valem de status e tudo mais.

Não somente isso, mas assim como animes, e jogos normais, as visual novels se dividem em vários gêneros, como Otome (onde a protagonista, usualmente mulher, está rodeada de caras bonitos e precisa fazer uma escolha de rota), Nukige (onde a história usualmente não tem tanta importância, já que o foco dela é MUITO, MAS MUITO sexo), Nakige (cujo objetivo é basicamente arrancar lágrimas do jogador, apostando em um drama imenso) e muitos outros, fazendo com que o gênero seja tão variado quanto o próprio mercado.

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Claro que nem toda visual novel vai ser pra todo mundo, porque é essa a natureza do mundo, em tudo, nada é pra todo mundo, existem nichos que gostam de determinadas coisas e o mesmo vale pra Visual Novels, é claro que vão existir momentos em que a pessoa sai da zona de conforto pra jogar algo diferente e em nesses momentos, você pode encontrar o lixo do lixo, ou algo genuinamente bom, mesmo não sendo o que tipicamente você joga. Em qual categoria Chronicles of Tal’Dun: The Remainder, lançamento do Square Weasel Studio se encontra?

Confira na nossa análise.

Reprodução: Square Weasel Studio

Em um mundo de Fantasia sombria, você está em busca de respostas

O jogo conta a história de dois feiticeiros, Vyn e Ilar, que se encontram presos em uma torre decadente, e a única chance de salvação se encontra em um difícil ritual… Ou ao menos é o que Ilar lhe diz. A questão é: Você não se lembra de nada, e a história de Ilar faz cada vez menos sentido, quando o ritual se aproxima.

Será que Ilar esconde informações para-lhe proteger da amarga verdade? Ou você está sendo enganado por alguma razão nefasta.

O mundo de The Remainder é extremamente bem construído, mas apesar da pegada estar na fantasia sombria, ele não tenta bancar o edgy, mesmo com a morte estando a espreita em cada decisão que você faz. Em seus múltiplos finais, conseguimos mais e mais informações, para quem sabe em algum ponto, quebrar esse ciclo vicioso que se mantém a cada tentativa.

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A novel não é como a maioria, onde um final ruim só te mostra onde você errou, cada final ruim, cada morte é uma etapa de aprendizado, não apenas para não errar, mas para chegar ao final verdadeiro do jogo, escondido em meio a um caminho difícil.

Cada passo que você dá, descobre mais sobre aquele mundo sufocante, e mais sobre Ilar. Seria Ilar um camarada, amante ou algo completamente diferente? Tente ler nas entrelinhas do que Ilar lhe diz, e busque por pistas ao seu arredor, para planejar o próximo passo.

A narrativa do jogo é bastante carregada, não sendo o tipo de novel que você joga de maneira leviana, mas sim que exige que você esteja imerso naquele mundinho, o que não é difícil, e irei explicar a razão em breve.

Chronicles of Tal'Dun
Reprodução: Square Weasel Studio

O clima atmosférico é o que vende o jogo

Uma vez eu expliquei em algum review meu de visual novel, tendo experiência, tanto programando visual novels, quanto jogando diversas, e escrevendo três livros (4 se considerarmos um que nunca publiquei porque não possui revisão alguma), mas ao contrário de jogos AAA, animes, cartoons, seriados e filmes.

Visual novels são produtos usualmente estáticos, com algumas exceções (certas novels com mais orçamento possuem sprites utilizando a tecnologia Live2D, a mesma que VTubers utilizam, e usualmente algumas novels eróticas possuem certas pequenas animações em cenas de sexo), então trilha sonora e sonoplastia são ESSENCIAIS para dar ao leitor, o clima que o autor quer passar.

Não adianta nada, por exemplo, ter uma cena mega dramática num hospital, onde um personagem descobre que tem câncer, a trilha sonora parecer ter saído de um circo ou parque de diversões. Você precisa ter a trilha ideal e a sonoplastia ideal para passar o clima que a cena pede. Mesmo que você não tenha um compositor, e vá usar músicas Royalty Free, encontrar a musica ideal pra cena ainda é uma prioridade.

E nesse quesito, a equipe do Square Weasel Studio está de parabéns. Eu diria que entre 70 e 75% da atmosfera sufocante do jogo, se encontra na parte sonora do mesmo, sejam as músicas, ou simplesmente a sonoplastia que ajuda imensamente na imersão do jogo.

Graficamente, conta com ilustrações lindíssimas, em tons monocromáticos, que apesar de não serem vistosos num sentido de cores, contribuem com o clima do jogo, novamente chegando no ponto sobre Visual Novel ser uma mídia que precisa criar o clima com base na união de imagens estáticas, e sonoplastia.

Aliás, a apresentação de “The Remainder” não se dá como a maioria das visual novels, que apresenta a cena com a caixa de texto na parte de baixo na tela, mas com a caixa no topo direito da tela, que apesar de não ser único (existem outras novels que fazem isso), é incomum, mas não necessariamente ruim.

Só que o tom monocromático das ilustrações, juntamente com a narrativa carregada, tornam as coisas um pouquinho mais difíceis do que deveriam.

Chronicles of Tal'Dun
Reprodução: Square Weasel Studio

Conclusão

Chronicles of Tal’Dun: The Remainder não é para todos, o que novamente, é absolutamente normal. Porém, se você gosta de visual novels, recomendo que dê uma experimentada no jogo, você pode jogar o primeiro ato do jogo de graça, caso queira conhecer o mundo e os personagens, digo que vai ser uma parada bem diferente do que está acostumado, e sair da zona de conforto pode levar a uma experiência gratificante.

O jogo está disponível somente para os PC’s.


Esta análise foi feita no PC com uma cópia digital do game gentilmente cedida pela Square Weasel Studio.

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.

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