A pergunta do título de hoje é uma que foi feita por inúmeros jornalistas, pseudo jornalistas, jogadores ao redor do mundo, youtubers, gente que não joga videogame, gente que compra jogo pra tirar fotinha pro Instagram e depois reclama que Dark Souls não tem modo easy porque acessibilidade.

Esse mesmo povo que não falou um “UI” sobre acessibilidade quando a Nintendo lançou o Wii, um console com controles de movimento… Tampouco sobre o Kinetic, onde o corpo do jogador é o controle, mas quando Dark Souls ou algum outro jogo é difícil demais, “ai ai ai, temos que falar sobre acessibilidade.”

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Olha, eu sou tão a favor do modo easy quanto qualquer outro, mas não vou ficar choramingando e reclamando quando um jogo que quero jogar não o tem. Esse ano em termos de jogos foi bem duro comigo. Vocês sabem as inúmeras bombas que joguei, que incluem Lizard Lady vs. The Cats, Horse Racing 2016 e Lady in a Leotard with a Gun, dentre outros.

Dos três jogos citados, ao menos Lizard Lady e sua prequel, são jogáveis, ainda que não sejam necessariamente bons jogos. Porém Horse Racing 2016, é outra coisa. Aquele jogo tem controles medonhos, gráficos horríveis e certamente foi o pior jogo que joguei esse ano.

Ele, assim como dois outros jogos da minha lista de terminados de 2021, foi produzido por uma desenvolvedora Indiana chamada YFT (Yash Future Tech), que quem conhece jogos ruins de PS4/PC, sabe da qualidade deles.

Dito isto, no dia do meu aniversário desse ano (ó a desgraça), eles lançaram um jogo chamado Space Explore (não é nem Space Explorer) no PS4. E amigos, agora vocês lerão a análise do jogo porque eu esperei a promoção de fim de ano da PSN pra me dar de presente.

Space Explore
Reprodução / Créditos: Yash Future Tech

Seja um Astronauta, se ser um astronauta fosse um trabalho tedioso.

O jogo não possui uma história em si, mas basicamente você é um astronauta em uma jornada pra estação espacial, ajuda na manutenção, fazer exercícios de treinamento e voltar para a órbita.

Na teoria parece normal, mas na prática… Bem, vai acabar antes de começar. Eu não estou com o menor saco pra inventar uma história engraçadinha, então vou juntar essa seção com a jogabilidade.

Posso dizer com propriedade que de 30 a 40% do seu tempo de jogatina com esse pedaço de software, você não vai precisar fazer nada, apertar botões e coisas do tipo. Não estou brincando, o jogo possui quatro missões. Em uma delas, a da decolagem, NÃO É NECESSÁRIO PRESSIONAR BOTÃO ALGUM.

O foguete decola sozinho e irá sozinho até a estação espacial, tudo o que você consegue fazer é movimentar a câmera em partes, porque ela estará em pontos fixos e alternará sozinha. E na ultima missão, a primeira parte dela, é automática a volta pra Terra, e você só precisa controlar o pouso.

Não sei se é possível falhar, mas preferi fazer com cautela porque senão… Fazer de novo a parte automática, eu morreria de tédio.

Importante lembrar aqui que o botão de pausa não faz ABSOLUTAMENTE NADA no jogo. Para pausar (wait for it), você precisa apertar o botão círculo do Dual Shock.

Reprodução / Créditos: Yash Future Tech

A segunda e terceira missões

Na segunda missão de Space Explore, é onde assumimos o controle do nosso astronauta invisível em primeira pessoa (se você girou a câmera na primeira missão, verá que não tem ninguém no foguete), e é como se eu estivesse nadando em gravidade zero. E o controle é lento e desajeitado, tudo o que é necessário fazer, é ir até onde o outro astronauta está, pegar um tubo de pasta de dente (e aqui, talvez pela primeira e única vez no jogo com exceção de menus, apertamos o botão X do controle), entrar na bunda do seu companheiro de estação (opcional) já que ele não possui colisão alguma e voltar ao ponto inicial da fase. E é isso.

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Aliás, importante lembrar que basicamente os objetos/paredes do jogo renderizam conforme você se aproxima deles, então tem hora que vai parecer que ao longe há uma abertura para o espaço, mas não, é só a parede que ainda não renderizou. PROGRAMAÇÃO 10/10.

A terceira missão é possivelmente a parte mais difícil do jogo… Se você não souber pra onde está indo, lógico. Você precisa fazer a manutenção de rotina na estação, o que significa, que você precisa ir em pontos específicos do cenário. Aqui temos botões para subir e descer, que é praticamente o máximo de gameplay que encontrar no dia. Você tem uma quantia de combustível pra fazer a jornada e em um ponto em específico você recarrega.

E é claro, que numa decisão de design tipicamente YFT, você não pode se mover e subir ao mesmo tempo, ou você voa pra frente, ou sobe. E é claro, que o processo todo é tedioso a beça. Como o resto do jogo.

Enfim, acabei de chegar a conclusão de que eu passei mais tempo ESCREVENDO sobre esse aborto da natureza em forma de jogo, do que jogando ele, e isso é tudo o que você precisa saber.

Space Explore
Reprodução / Créditos: Yash Future Tech

Esquecível no audiovisual

Querem ouvir uma piada? Na descrição de Space Explore na PSN, diz que o jogo tem “Modelos e texturas de alta qualidade”. Essa é a piada.

Sério, nada passa mais longe da verdade do que isso. Temos aí modelos básicos, cenários básicos e ruins, recortes do Google Earth/Maps em alguns trechos, texturas que carregam quando você está próximo, causando glitches visuais (citei lá em cima).

Um jogo com gráficos como os de Space Explore não seria aceitável no PlayStation 2 (de fato, tem jogos indianos do PS2 que tem gráficos melhores que esse jogo. E sim, existem jogos indianos no PS2), quanto mais no PS4.

Já que falamos de gráficos, na tela título você vê que algumas das letras estão em fontes diferentes, certamente porque a fonte utilizada não dava suporte as letras em específico. E isso fica mais evidente quando se coloca o jogo em português, já que a fonte utilizada não dá suporte a acentos. E não sei o que diabos significa Мастер Аудио, mas é isso que aparece na aba de Master Áudio.

Pegando o gancho de áudio… O áudio desse jogo é horroroso. Porque provavelmente as falas foram feitas usando o text to speech do Windows em línguas diferentes. Em português temos duas vozes, uma em português brasileiro e a outra em português de Portugal. E durante a decolagem, as vezes elas se entrelaçam, não dando pra entender nada.

Reprodução / Créditos: Yash Future Tech

Não faça como eu, evite

Só comprei esta porcaria porque estava com 90% de desconto. 5,39 que poderiam ter sido gastos em alguma coisa que me trouxesse alegria. Mas não, aqui temos um jogo mal feito e pior de tudo, tedioso. Você passa boa parte do seu tempo fazendo absolutamente nada, quase não joga e vai ser meia hora da vida que não vai voltar.

Evite a todo custo.

Space Explore está disponível para PlayStation 4, PC e PlayStation VR, porque SIM, A VERSÃO DE VR É UM JOGO SEPARADO.


Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 que eu tive o desprazer de comprar.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.