The Great Ace Attorney: Chronicles | Análise

The Great Ace Attorney: Chronicles | Análise

23/12/2021 2 Por Tony Santos

Introdução

A série Ace Attorney foi um sucesso inesperado no ocidente. No Japão, os jogadores estão acostumados desde sempre com jogos do gênero visual novel, onde a história se desenrola basicamente por conversas.

Lançado inicialmente no GBA em 2001 e depois mundialmente no Nintendo DS em 2005, o primeiro Ace Attorney trouxa a história do advogado recém-formado Phoenix Wright — ou Souka Naruhodo, no original japonês –, que resolvia pelo menos quatro casos distintos por jogo, através de investigações pelos cenários dos crimes e depois com o interrogatório ao réu, durante os julgamentos.

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O sucesso inesperado que falei acima foi porque a série foi a primeira a trazer o gênero VN para o mainstream, de forma que o personagem principal se tornou um dos mais famosos da empresa Capcom atualmente, aparecendo até mesmo em Marvel vs Capcom 3.

E é com esse background que chegamos aos jogos da saga “Great Ace Attorney“, que foram lançados inicialmente apenas no 3DS e celulares em 2017, mas que agora em 2021 chegaram ao resto do mundo numa compilação bem legal que será abordada abaixo.

The Great Ace Attorney

Reprodução/ Créditos: Capcom

Advogados do Passado

Diferentemente dos jogos anteriores, The Great Ace Attorney se passa no fim do século XIX, durante o final da Era Meiji. O personagem principal, Ryunosuke Naruhodo, é um ancestral distante do nosso protagonista de sempre, Phoenix Wright.

Sendo histórias protagonizadas por personagens claramente japoneses, não houve necessidade de adaptar o nome dos personagens ou de criar uma mudança desnecessária de ambientação, como ocorre nos primeiros games.

Ainda assim, um personagem importante da história teve seu nome alterado: Sherlock Holmes — sim, ele mesmo — tem seu nome comicamente mudado para Herlock Sholmes.

Essa mudança foi supostamente feita para evitar conflitos com a família do criador do personagem mas não afeta em nada a história.

The Great Ace Attorney

Reprodução/ Créditos: Capcom

Apresentação visual

O jogo melhora alguns aspectos já aprimorados nos games anteriores. Os modelos 2D dos primeiros games já haviam sido deixados de lado em Dual Destinies, o quinto game da série. Assim, os modelos 3D feitos para aquele game foram usados como base aqui também, mas usando uma paleta de cores mais morna, para refletir o estilo e a época em que o novo jogo se passa.

Além disso, por ser uma versão melhorada de um jogo feito originalmente para 3DS, temos gráficos mais limpos e bem definidos, que ficam bem bonitos em TVs grandes ou monitores de alta resolução.

As caixas de texto também estão bem estilizadas, contando com fontes até melhores do que as usadas nos ports para iOS/Android de outros games da série.

The Great Ace Attorney

Reprodução/ Créditos: Capcom

Gameplay

O loop de jogabilidade ainda consiste em ver uma prévia do crime, fazer a investigação e depois analisar as testemunhas e o réu no tribunal.

Para a TGAA, foram introduzidas duas novas mecânicas: Dance of Dedution e Summation Examinations.

Na primeira, o personagem Herlock Sholmes analisa o crime através de deduções meio falhas e cabe a você ter uma conclusão mais aceitável, com base no que ele achou que estava certo.

Já a segunda ocorre durante o julgamento, onde o júri (e não o juiz sozinho) decide se o réu é ou não culpado. Caso eles decidam incriminar seu cliente, cabe ao jogador mudar a opinião da maioria, para que o julgamento continue.

Isso é feito ao pressionar os jurados, para achar contradições nos seus discursos ou entre dois deles ao mesmo tempo.

É um pouco complicado ao explicar, mas o game introduz essas mecânicas de forma simples e vai evoluindo ao longo da história dos dois games.

Reprodução/ Créditos: Capcom

Músicas

A trilha sonora é composta por Yasumasa Kitagawa, que havia trabalhado no game Professor Layton vs Phoenix Wright: Ace Attorney.

Sua ideia para a trilha foi criar algo similar a jogos mais antigos e por isso, deixou de lado composições com muitos instrumentos e optou por limitar-se a temas mais simples e marcantes.

Num geral, esse aspecto atende muito bem ao game, e a versão HD se sustenta muito bem com as composições criadas para a versão de 3DS.

The Great Ace Attorney

Reprodução/ Créditos: Capcom

Localização

O time de localização do jogo já trabalha há anos juntamente com a Capcom do Japão. Por isso, foi possível ajustar algumas coisas no próprio código do jogo, ao invés de uma tradução mais crua que contasse somente com textos em inglês e sprites modificados.

Um exemplo disso é a adição de legendas nas evidências, que aparecem sempre que alguma imagem não está em inglês. Afinal, não faria sentido que documentos do Japão estivessem em outra língua, senão o japonês.

Por isso, foi até mais fácil para outras localizações editarem o game, pois não houve necessidade de mexer e redesenhar tantos sprites ou modelos 3D, apenas trocar o texto dessas legendas.

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Sobre o texto do jogo em si, nada foi muito alterado, pois a própria história já fala sobre um contraste cultural entre a cultura oriental e a Inglaterra do século XIX.

Uma outra coisa legal foi a ideia da equipe de tradução de fazer com que os personagens japoneses conversassem em japonês entre si, mas quando estão entre os estrangeiros eles falam inglês.

Isso fica subitamente perceptível com o uso de honoríficos, como -san e -chan. Esses são usados entre os personagens principais, mas quando estão em público, o tratamento muda para “mister” ou “miss”. Muito interessante a escolha, pois mostra a ideia sem deixar explícito.

Reprodução/ Créditos: Capcom

Coletânea

The Great Ace Attorney: Chronicles junta dois games em um: Adventures (2015) e Resolve (2017), mas que como já dito acima, foram lançados em inglês mundialmente somente nessa coletânea de 2021.

Assim, temos dez capítulos (ou episódios) no total, sendo cinco para cada game individual, rendendo pelo menos umas 60 horas de jogo, isso se a pessoa correr muito com a história.

The Great Ace Attorney: Chronicles é uma duologia do melhor já produzido para a série. Ainda que não tenha os personagens clássicos que conhecemos nos primeiros jogos, ainda existe ali todo o carisma dos primeiros jogos, visto que temos o diretor dos games originais, Shu Takumi, de volta ao comando da série.

The Great Ace Attorney

Reprodução/ Créditos: Capcom

Conclusão

É perfeitamente possível usar esse game como uma entrada para Ace Attorney, pois ele não se amarra em eventos anteriores, já que se trata de uma prequel.

Caso queira conhecer mais sobre os games, recomendo também pegar a trilogia original, também disponíveis nas mesmas plataformas que The Great Ace Attorney: Chronicles. Todos valem muito a pena.


Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Capcom Brasil.