Fim de ano, época de festas, comida, visita de primos chatos, gente me chamando de gordo, etc, etc. Mas então, esse fim de ano pra mim tá sendo bem diferente do de 2020, onde fui dado como morto porque estava sem internet. Hoje eu me sinto morto porque meu microfone morreu.

Enfim, vou confessar aqui… Eu parei de vez de assistir a WWE, Jesus amado, o produto tá horrível. As histórias são ruins, talentos promissores são usados como bucha de canhão pro Roman Reigns e você não sabe se seu lutador favorito vai ser demitido ou não.

COMO CARALHOS ELES FODERAM COM O KEITH LEE? Enfim, agora eu assisto a AEW, e minha reclamação é que PUTA MERDA, O RAMPAGE É MEIA NOITE! Malditos Daylight Savings.

Vou ser honesto, cada vez que eu analiso uma visual novel, ou mesmo jogo uma, eu acabo me sentindo frustrado por não conseguir criar uma visual novel comercial. Talvez porque eu não tenha fundos pra fazer uma. E não saiba programar tão bem. E… Acho que deu pra perceber o tom.

Em junho desse ano, a desenvolvedora Starlight Tree Games e a Winged Cloud lançaram “Would you like to run an Idol Café?” no Steam, e agora, em novembro, o jogo chega aos consoles, através da Gamuzumi.

Confira nossa análise.

Would you Like
Créditos: Gamuzumi

Hora de recomeçar

Você está no papel de Naoya Yokoyama, um garoto normal… Que nem sempre foi normal. No ensino médio, ele teve a sua fase delinquente, pintando o cabelo de loiro, bebendo e caindo na porrada com gangues, sendo ele mesmo um motoqueiro.

Porém, no último ano, ele colocou a vida nos trilhos, mas era tarde demais para entrar na universidade, devido a quantidade de aulas perdidas. Ele decide colocar a sua educação em hiato e se muda juntamente com sua amiga de infância, Ichigo.

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Enquanto Ichigo atende a universidade, Naoya arranja um emprego em um café local, para contribuir com as despesas de casa.

Lá, ele conhecerá duas das funcionárias, Mayuki e Kuu, cada uma com sua personalidade e problemas diferentes. E com a convivência surge a amizade, e talvez algo mais.

A verdade é que ao contrário de “Sakura Succubus”, onde apesar dos quatro jogos contarem uma história inteira, cada um pode ser aproveitado inicialmente, pois tem início, meio e fim, “Would you like to run an idol café?” é em boa parte, dependente de sua continuação.

A estrutura ainda tem começo, meio e fim (de fato, existem 4 rotas), mas a história termina num gancho onde não devia (ao menos na opinião deste que vos fala). Porém, por outro lado, o jogo usa seu tempo de duração pra nos apresentar as três pretendentes, Ichigo, Mayuki e Kuu.

Ichigo é a óbvia menina pululante e que está sempre de bom humor. É excelente cozinheira, mas por outro lado, ela não é a pessoa mais organizada do mundo e tem uma dificuldade imensa de esconder que é apaixonada pelo Naoya.

Mayuki é a tsundere residente. Ela é inteligente e centrada, e como manda a trope, tem um pavio curto e é bem insegura. E apesar de ser a estudante inteligente de pavio curto, ela tem um lado mais doce, já que muitas vezes pega comida do café para alimentar os gatos de rua.

Kuu é uma garota que pra todos os efeitos, é considerada esquisita. Ela tem toda uma coisa espiritual, prevê o futuro usando uma bola de cristal, ou cartas de tarô e falta um bocado de senso comum nela talvez. Porém, ela é uma amiga leal e por baixo daquela aura de apatia, tem uma menina que é tão doce quanto Mayuki.

A Ayane, dona do Seaside Café, tinha tudo pra ser uma Ara-ara, mas a participação dela na novel é limitada e o protagonista deixou claro que não é chegado em Milfs. O que é uma pena, mas divago.

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Créditos: Gamuzumi

Os finais da novel, apesar de três deles deixarem claro que um relacionamento vai começar, deixam claro que é só um setup pra segunda parte da novel (que saiu em setembro pra PC) e provavelmente vai sair em alguma data futura nos consoles.

O jogo no geral tem seus momentos, mas talvez o momento mais engraçado é quando ele quebra a quarta parede, mencionando o patch que habilita as cenas adultas da novel. (O patch é pra versão de PC).

A versão de consoles funciona muito bem sem as cenas adultas, e você não sente que teve o conteúdo cortado. Você no máximo percebe que o desenvolvimento dos pontos em específico onde essas cenas estão, vão levar a uma cena adulta. E honestamente, aplaudo os desenvolvedores por isso.

Créditos: Gamuzumi

Os cenários são muito bonitos… E a música da tela título é alta.

Os sprites foram feitos pela artista NaSO4 (leitura Nasoyon), que em seu currículo tem as novels Wolf Tails (já lançada pra PC) e “Let’s Seduce the Heroine” (em desenvolvimento).

O estilo de arte dela ( porque sim, ao contrário do que os iluminados pregam, mulheres também desenham arte adulta.) pode parecer incomum a princípio, mas você se acostuma rápido, porque ela desenha bem.

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Os cenários desse jogo são muito bonitos. Cenário de visual novel é uma coisa importante, porque é cara, e aqui vemos que esforços não foram poupados pro trabalho ficar bem feito.

As músicas do jogo são de autoria de Zack Parrish (Valdis Story, Sakura Fantasy), e a coisa que vai te pegar de surpresa… É que a música da tela título é alta. Não sei se isso foi erro na hora de fazer o jogo, ou algo do tipo, mas Jesus cristo… É mais alto que o resto do jogo. No geral, entretanto, as músicas embalam bem a jornada. Nada excepcionais, mas extremamente funcionais.

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Créditos: Gamuzumi

Conclusão

Se você espera uma novel de comédia, cheia do Ecchi que caracteriza os trabalhos da Winged Cloud, vai ficar decepcionado. Não que não haja comédia em Would you like to run an Idol café?, porque tem. Só que o ecchi aqui, é bem leve, não fica mais que o necessário e nem explora tropes típicas pra agradar aquele sujeito horny.

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No fim das contas, é uma história sobre o começo de uma guinada na vida. Sobre a chance de se redimir por erros do passado e ter esperança.

Falando assim, parece até que é uma mensagem profunda, mas não. Ainda é uma história leve e agradável, só que parece incompleta (por causa do final). Recomendo, com ressalvas.

Would you like to run an Idol café? está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Playstation 5, além da versão original de PC.


Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Gamuzumi.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.