Honestamente, o review desse jogo deveria ter saído muito antes da data que você está lendo, mas não o fiz por pura preguiça.

Tá certo que no mês de outubro, boa parte foi gasta na preparação pra Brazilians Against Time e tudo mais (inclusive, batemos o recorde de doações na maratona). Não só isso, mas o fato de eu estar sem um microfone, me desmotivou a streamar de maneira feroz. Então, se você não me vê streamando, é porque não o tenho feito mesmo.

Mas enfim, dito isso, como eu posso começar o texto?

Não sei, honestamente, mas bem, saíram os indicados para o The Game Awards, e como esperado de uma premiação que é basicamente a indústria de jogos masturbando-se a si mesma, muitas das categorias tiveram indicados bosta.

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Pra ter uma ideia, Lost Judgement não teve uma indicação sequer, e FIFA 22 concorre a melhor jogo esportivo.

Entretanto, não vamos falar de tristezas hoje, já que você não está aqui pra ler eu reclamando de uma premiação que só serve pra galera ver trailers de jogos meia boca dos anos seguintes, e sim pra ler a análise de um jogo que provavelmente passou batido pelo seu radar.

Ultra Age

Uma conspiração digna de Vince Russo

Num futuro distante, onde o ecossistema é destruído e os recursos são escassos devido ao colapso de um gerador de poder fundido, Age, um jovem membro da organização “Orbit” recebe a ordem de fazer uma pesquisa de campo em um local.

Porém, lá, ele é atacado por outro membro da organização, e decide investigar. Avançando, ele acaba indo parar num esquema de conspiração que pode colocar o futuro do planeta em cheque.

A história não é das mais originais, eu sei, e o desenvolvimento dela, se quer saber minha opinião, é bem previsível. Especialmente se você olhar que os troféus relacionados a história não estão escondidos (como costuma acontecer).

Mas, honestamente, você não vai querer jogar Ultra Age por causa da história, acredite em mim.

Ultra Age

Você vai morrer… E muito.

Lembro que há muito tempo atrás, fiz uma piada sobre os jogos que caem no meu colo pra analisar, acabam sendo Souls-likes. E apesar do título desse review, o jogo não tem NADA a ver com Dark Souls e cia. Foi só um clickbait pra chamar a sua atenção.

Mas enfim, a existência em si de Ultra Age é meio que um retrato da diferença entre os desenvolvedores indie ocidentais e orientais, enquanto que no ocidente, muito é colocado em jogos 2D, devido a recursos limitados e tudo mais, e por vezes focados em narrativa, ou usando fórmulas já consagradas por outros (lembro de quando saíam 78 Metroidvanias por semana, e hoje em dia a moda é o roguelike e roguelite). No oriente, muitas vezes, além do 2D, o 3D é constante em jogos independentes.

Os estúdios coreanos Visual Dart e Next Stage trouxeram um hack’n slash bem na veia de Devil May Cry, mas com suas particularidades próprias, ainda que pareçam ter influência de certos jogos survivor (explico mais adiante).

Tecnicamente você só tem uma arma de ataque, a espada, porém, você pode, com o avançar do jogo, trocar de lâmina e isso é crucial na estratégia dos combates, porque existem quatro tipos de lâminas, e elas são mais efetivas contra determinados tipos de inimigo (uma lâmina funciona melhor com inimigos robóticos, outra com animais, etc). Você possui combos diferentes com cada uma delas, e pode fazer upgrades numa árvore de habilidades, como já é comum nos jogos de hoje em dia.

Advindo de jogos do estilo Survivor (e acho que em alguns outros tipos), existe o fato de que as lâminas quebram com o uso (mas sem problemas, você coleta múltiplas lâminas durante a jogatina), e quando elas estão prestes a serem quebradas, é possível dar um golpe devastador com elas.

O jogador pode fazer uso de uma espécie de Grappling Hook pra puxar os inimigos, ir até eles ou ir de um ponto a outro da tela usando pontos em específico.

A parte mais complicada pro jogador é a questão da recuperação de energia, porque ela utiliza uma barra que é enchida conforme se mata os inimigos, e não há itens de cura em específico no jogo. Tampouco os save points (usados pra upgrades) recuperam a energia, que adiciona um pouco na dificuldade do jogo.

E sim, o jogo é difícil. Mesmo inimigos comuns podem dar um bocado de trabalho, se o jogador estiver com a vida baixa e eles estiverem em grupo. Por outro lado, conseguir passar por uma situação difícil dá uma sensação de conquista, daí a minha comparação com Dark Souls no título do review. O primeiro boss real, eu apanhei bastante, mas depois que vi como ele ataca, minha luta contra ele acabou não sendo tão difícil quanto parecia.

Um pouco repetitivo graficamente

Os gráficos de Ultra Age não são exatamente o topo do PS4, diria que eles lembram um pouco Devil May Cry 4, mas não é esse o problema que temos aqui. E sim o fato de que os inimigos acabam ficando muito na mesmice, assim como os cenários.

Muitas fábricas, muitos inimigos robotizados, acabam deixando o jogo com um ar mais repetitivo do que ele é de fato. Por outro lado, essa aqui não é uma produção AAA, onde os desenvolvedores podem abusar de recursos financeiros pra garantir variedade. Os modelos de personagens em si são ok. Mas novamente, o jogo poderia ser mais, se fosse um estúdio maior.

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A primeira coisa que me espantou com Ultra Age, é que apesar de ser um jogo coreano… Ele não possui dublagem nesse idioma em específico, ele conta apenas com dublagens em inglês e japonês. E como eu sou um weeaboo do caralho, não escutei a dublagem americana. Não foi muito profissional, admito, mas eu não estava com paciência pra isso.

A dublagem japonesa é satisfatória. Não é necessariamente superior, ou coisa do tipo, ela funciona bem. E podemos colocar a trilha sonora no mesmo balaio. Ou talvez eu não lembre tanto porque eu joguei o jogo em outubro, e estamos no meio de novembro. Mas o fato é que a trilha não incomoda, mas não vai fazer você sair do seu caminho para ouvi-la.

Uma joia bruta

Talvez com melhor polimento, um roteiro mais interessante e menos cenários repetitivos, Ultra Age poderia ser considerado o Devil May Cry dos indies. Mas, apesar desses pesares, é um bom jogo. Numa promoção, talvez você possa considerar a compra.

Ultra Age está disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch, com uma versão para PC a caminho.


Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela DANGEN Entertainment.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.