Introdução

O gênero de Beat ‘Em Up, ou “briga de rua” como se fala na INTERNET e provavelmente em algum bairro de São Paulo, foi muito popular nos anos 90.

Seus maiores sucessos são lembrados até hoje, como Final Fight e Streets of Rage, porém por anos esse tipo de game foi esquecido.

Na era do PlayStation 3 e Xbox 360, houve uma pequena tentativa de trazer de volta o gênero, com Scott Pilgrim vs. The World e Castle Crashers, ambos de 2010, fazendo um relativo sucesso naquele começo do boom de jogos indies ou de menor orçamento.

Agora na geração atual, tivemos o quarto game da série Streets of Rage, feito fora da Sega, mas que reviveu o interesse do público no gênero mais uma vez.

Assim, outros estúdios resolveram se aventurar ne estilo de game, como a LEAP Game Studios.

Eles são uma desenvolvedora peruana que já fez alguns advergames e outros jogos menores para mobile, como Slipe and Rise, mas Tunche é o primeiro game de maior orçamento e lançado para consoles da empresa.

Tunche

Briga de mato

Tunche é um jogo de briga de rua tem uma ideia interessante, que é misturar os elementos do gênero já citado com características de roguelike.

Isso significa que o jogador não vai avançar muito de início, morrendo várias vezes até conseguir fazer uma run boa.

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Eu não sou muito fã desse tipo de repetitividade, mas o gameplay de Tunche entrega um certo prazer de socar os inimigos que compensa, mesmo que durante uma jogatina rápida sem pretensões de chegar até o final.

Pense no game como uma espécie de Hades, roguelike isométrico de 2018, mas com gameplay de Streets of Rage, onde cada jogada nova apresenta fases diferentes.

Tunche

Visual florestal

O game possui um estilo gráfico similar a cartoons modernos, com personagens 2D sem contorno e animados de forma fluida, similar a jogos como Guacamelee e Child of Light.

Os cenários parecem pintados com aquarela, e a paleta de cores de tudo parece muito bem pensada, onde mesmo a HUD com sua barra de vida não parece destoar do estilo proposto por todo jogo.

Isso parece um detalhe pequeno, mas é incrível como muitos jogos, até mesmo de grande escala, pecam ao criar combinações muito feias entre elementos informativos na tela e o jogo em si.

História amazônica

O jogo se passa na floresta amazônica, onde os cinco personagens estão em busca do espírito da floresta, Tunche, cada um por razões diferentes.

Os personagens, tanto os jogáveis quanto os inimigos, são inspirados no folclore peruano, e por isso, algumas dessas lendas podem parecer similares a coisas que conhecemos no nosso país.

O game também com a participação especial de Hat kid, protagonista do game A Hat in Time, e que também precisara desvendar todos os segredos da selva e Tunche.

Tunche

Conclusão

Tunche possui quatro regiões, cada uma com dez fases cada, e levando em consideração o elemento roguelike de aleatoriedade, é possível que o jogador invista muito tempo tentando passar das primeiras.

É perfeitamente normal morrer muitas vezes e voltar do começo do jogo, e isso talvez possa causar estranheza em jogadores que buscam um jogo de beat ‘em up mais comum.

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Porém, o jogo não te castiga muito, deixando que você mantenha itens pegos nas runs anteriores, como as armas. A única coisa que não fica são as orbes, que são upgrades temporários de status e que devem ser conseguidos novamente sempre que você morre.

Todos os personagens são bem diferentes de jogar, oferecendo uma variedade ainda maior para o jogo. O modo de coop local também está presente, deixando tudo ainda mais divertido.

Existem alguns bugs, como personagens inimigos ficarem presos fora da tela, te forçando a usar magia à distância para matá-los e destravar a tela, mas fora isso, o jogo é muito legal de jogar e é notável como a LEAP Game Studio colocou muito amor na hora de produzi-lo.

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Tunche está disponível para PlayStation, Xbox, Switch e PC. Essa análise foi feita com uma cópia digital de Xbox One gentilmente cedida pela LEAP Game Studio .

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.