Já aconteceu com vocês de por acaso escreverem algo e no fim das contas essa coisa acabar acontecendo?

Recentemente (não tão recentemente assim, mas enfim) na minha análise de Sable’s Grimoire, comentei que era uma pena não ter uma rota com a Eris, a professora Succubus. Em agosto, saiu o update 1.08 (na versão de PC), adicionando uma rota com a Eris. Não sabemos quando esse update vai chegar aos consoles, mas espero que em breve, quero poder ter uma desculpa pra voltar lá.

Mas, não foi a primeira vez que eu acabei escrevendo algo que se tornou realidade. Entre 2010 e 2011, escrevi uma série de cinco artigos, com continuações de franquias retrô que eu gostaria que fizessem, cada artigo tinha três jogos, e meio que fórmulas que eu gostaria que fossem usadas pra fazer os mesmos.

LEIAM – Review – Majyuuou (Super Nintendo)

Daqueles artigos, Streets of Rage, Wonder Boy, Donkey Kong Country, Shinobi, Strider e Alex Kidd, de alguma forma, se tornaram realidade.

Enfim, dito isso, o jogo de hoje faz parte do grupo nostálgico de Visual Novels que joguei na época em que meu canal tinha foco nisso. Apesar de eu não ter feito vídeo dele (porque a versão que eu tinha era a adulta), mas estava entre as que joguei. O jogo também faz parte da lista negra de jogos da Twitch, que não são permitidos nem as versões all-ages.

Porque o Twitch é mesmo um lugar consistente com regras, onde um jogo sem sexo como Sakura Beach é banido, mas jogos com sexo como GTA V, The Last of Us 2 e The Witcher 3 não tem problema algum.

Mas, sem mais delongas, vamos logo para a análise de Sakura Swim Club.

Encontrando na natação algo para me importar

Sakura Swim Club

Antes de comentar sobre o roteiro do jogo, um disclaimer, que o jogo foi vítima de uma das políticas aleatórias sobre jogos com conteúdo adulto do steam.

Porque originalmente, o jogo se passa no ensino médio, porém a steam começou a ameaçar qualquer jogo com temática de anime e conteúdo ecchi (ou Hentai) que se passasse em uma escola, então para contornar isso, um patch foi lançado, substituindo todas as referências sobre escola por universidade.

O que fez com que um bocado de diálogos do jogo perdesse parte do sentido e deixou a escrita um tanto imbecil em partes. Enfim, para todos os efeitos, vou me referir ao roteiro do jogo na forma original, e não como “universidade”. Faça-me o favor, viu, Steam.

Você está no papel de Kaede, o filho de um cara bastante conhecido, mas sua relação com a família não é das melhores. Não por falta de amor, você sabe que seu pai e sua mãe o amam, porém tem o fato de que todos na sua família são bem sucedidos de alguma maneira e com todo o sucesso da sua família, as expectativas em cima de você são muitas, a ponto de você simplesmente não querer isso.

Você só faz o mínimo necessário pra passar de ano na escola, e tentando achar algo que desperte a fagulha do sucesso em você, seu pai vive o transferindo de escola.

LEIAM – Sable’s Grimoire | Drama e Feitiçaria na Academia de Magia

Nessa nova escola, você está preparado para mais um período de apatia, só que um de seus professores (certamente influenciado por seu pai) meio que o força a entrar em um clube, qualquer clube, menos o de natação, porque esse não tem uma boa reputação por algum motivo.

Claro, como qualquer um na situação que dizem pra não fazer algo, você vai lá e faz, indo para o clube de natação e conhecendo as duas únicas pessoas lá: Hiromi, a menina calma que sempre mantém a compostura apesar de tudo, e Mieko, que é meio que o oposto, sendo um tanto afobada e estourada.

E entre confusões e panty shots, começa a sua vida no clube de natação, que meio que dá um sentido a sua vida na escola. Conforme você melhora como nadador, melhor conhece suas companheiras de clube e um pouco de seus problemas.

Sakura Swim Club traz a típica narrativa de comédia com um toque de ecchi, já familiar a quem joga as visual novels da Winged Cloud. Não é nada grandioso, épico ou fantástico, é uma história escolar simples e divertida. Claro, a história tem um pouquinho de drama, como os problemas pessoais que as personagens (e o próprio protagonista) carregam, deixando tudo menos “só comédia e hentão”.

As personagens são arquétipos básicos de visual novels, com a Hiromi sendo a garota “cool”, sempre calma e centrada, enquanto Mieko é a típica tsundere (mas ela não agride ninguém, como é comum na trope). Já o nosso protagonista, Kaede, é o garoto com pai bem sucedido que se sente sufocado pelas expectativas da família.

Wanaca Strikes Again, ah, a música é legal e o jogo tem dublagem

Sakura Swim Club

Eu não consigo me cansar do traço da Wanaca. Sei lá, mas, eles possuem um charme único.

As moças obviamente são curvilíneas e atraentes. Os cenários utilizados são competentes, apesar de que tem aquela de que… Cenário de colégio em Visual Novel, não é difícil ficar decente. Mas por outro lado, a variedade de cenários de colégio que eu já vi… Mas estou desviando do assunto.

As CG’s do jogo (aqui me refiro a versão de consoles) são bem menos provocantes que as de Sakura Succubus por exemplo, claro, ainda vendem o produto de “meninas atraentes provocando”, mas considerando a mencionada novel das Succubus, é algo pra toda família.

LEIAM – Legends of Talia: Arcadia | Um rápido conto de fantasia

O jogo possui composições de qualidade, músicas que cumprem bem a sua função nos momentos, mas o que chama a atenção, é o fato de que o jogo possui dublagem em japonês.

Ele é um dos poucos títulos da Winged Cloud que conta com dublagem, junto com Sakura Fantasy, Sakura Angels, Sakura Nova (que espero que seja lançado pra consoles, é uma das minhas novels favoritas da Winged Cloud) e Pyrite Heart (que tinha dublagem em inglês).

As duas dubladoras são contraste total, enquanto Kanzaki Kanari (a voz da Hiromi) é uma seiyuu experiente, com (na época do lançamento de Sakura Swim Club) mais de quinze anos de experiência, já Ogawa Komachi (a voz da Mieko), é uma dubladora iniciante, com o único outro trabalho na época, tendo sido outro jogo da Winged Cloud, Sakura Fantasy. Independente disso, as duas cumprem muito bem seu papel, com as nuances necessárias pras personalidades das meninas.

Sua básica comédia ecchi

Sakura Swim Club é mais uma novel típica da Winged Cloud, que mistura comédia e Ecchi. É sólida, agrada se você quer algo simples. Se você procura roteiros revolucionários ou emocionantes, desculpe, não vai encontrar aqui. Mas se você curte simplicidade, comédia e um pouco de ecchi, jogue Sakura Swim Club, você vai curtir.

O jogo está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5 e Nintendo Switch, além da versão original de PC.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Gamuzumi.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.