Vou começar esse texto com uma reflexão sobre jogos nacionais. Geralmente, hoje em dia, quando se fala de jogo brasileiro, uma coisa que me chateia é que falam SEMPRE sobre os mesmos jogos, vai ter alguém falando sobre Chroma Squad, ou Lenda do Herói, ou algum jogo da JoyMasher, ou até mesmo aquela bosta do Mineirinho.

Sim, os jogos citados saíram daquele nicho e tiveram alguma exposição na mídia de jogos mais mainstream, seja porque o criador é um babaca escroto, ou a Saban ameaçou com processo, ou teve Youtubers envolvidos, ou o criador coloca pintos escondidos no cenário. Enfim. Falar sobre esses jogos seria fácil, mas não é essa a mentalidade aqui do Arquivos do Woo.

Aqui, a gente acredita que todo jogo pode ter seu espaço de review, independente do que ele é, seja ele um AAA, ou indie, um eroge, saído do Brasil ou da Rússia. Se a gente tem o jogo em mãos e pode escrever sobre ele, iremos fazê-lo. As vezes só demora um pouco mais por um motivo ou outro.

Por exemplo, a análise de hoje é de um jogo lançado há um tempinho, mas com tanto jogo na minha mão e eu passei parte do último mês relendo a série dos meio sangues de Rick Riordan (os 15 livros, englobando os 5 de Percy Jackson, os 5 dos Heróis do Olimpo, e os 5 das Provações de Apolo) simplesmente porque estava a fim (e porque faço isso uma vez por ano ao menos), a análise só saiu agora. Mas enfim, o jogo que falaremos hoje é Super Hiking League DX, que foi lançado recentemente para PC e Consoles.

Será que ele vale a pena seu investimento?

Hora de salvar o mundo (ou as montanhas) de um terraplanista liberal

Você está lá na sua, andando em sua lancha (que é como um carro), quando encontra um cara esquisito com um capuz (seria ele um fugido de Assassin’s Creed? Um comensal da morte? Um membro do Ministry of Darkness? Um idiota que resolveu sair com um lençol na cabeça?). Esse cara estava flutuando, e com a ajuda de um cristal, ele simplesmente faz com que uma ilha desapareça.

O estranho ser diz que aqueles cristais tem o poder de transformar qualquer construção, montanha ou ilha em um local plano e pretende fazer a mesma coisa com o resto do mundo.

Qual o motivo? Não sei, talvez ele seja um terraplanista ou não goste de montanhas. Antes que o encapuzado fique fora do seu alcance, você o segue por um portal produzido pelo cristal.

Agora, você deve recuperar os cristais antes que as sombras produzidas pelo encapuzado terraplanista os peguem.

Vamos escalar e duelar, mas principalmente escalar

Super Hiking League DX

Super Hiking League DX é a versão atualizada de Super Hiking League, lançado primariamente em fevereiro de 2020. Quais são as mudanças em relação ao original? Fases extras, novas paletas de cores para os trilheiros, novos controles de corda, IA mais balanceada na dificuldade fácil e a própria dificuldade fácil em si.

O jogo é bem simples, você deve subir a montanha antes de seu oponente. E só. Para isso, obviamente você tem que utilizar suas habilidades, seja pulando, atacando monstros (ou derrubando seu oponente) e claro, a maior atração do jogo, a corda, que funciona com uma física semelhante a de Bungee Jump.

Existem pontos onde você pode jogar a corda e com isso pegar impulso para cima, dependendo do tipo de controle de corda, com o automático, o jogo vai fazer os impulsos automaticamente, o Misto é um híbrido do Automático com o Avançado, e no avançado, você escolhe quando soltar a corda. Isso é essencial para pegar o máximo de impulso possível, especialmente em fases mais avançadas do jogo.

Parece um pouco complicado de explicar em palavras, mas jogando você vai entender exatamente o que eu quero dizer.

A princípio, a tela de jogo pode parecer meio complicada de se olhar porque independente de você estar jogando com um ou dois jogadores, a tela vai estar dividida com o seu ponto de vista, e o ponto de vista do seu oponente.

O jogo funciona de maneira simples, mas é viciante, e o ritmo frenético o torna ideal pra speedruns e partidas com amigos. Porém, a dificuldade progressiva do jogo pode gerar muitos xingamentos, seja com um pulo ou corda errado, ou com o filho da mãe do oponente te acertando quando você vai dar aquele pulo.

Mas ao mesmo tempo, a questão de dificuldade é subjetiva porque tem algumas montanhas posteriores que são mais fáceis que as que antecedem a eles… Ou talvez seja só eu após uma fase difícil, tendo melhorado meus reflexos. Prefiro pensar na primeira alternativa.

Existem diversas pequenas coisas em algumas montanhas, que as deixam mais desafiantes, como ambientes aquáticos, cordas onde se dependura, elevadores, pontos de corda que recarregam após alguns usos.

Porém, nem tudo são flores. Primeiro, temos os modos Versus e Corrida que são basicamente a mesma coisa, e isso não foi só eu falando. E mais importante, ao menos na versão de PS4 (se isso só acontece comigo, não sei) após eu terminar uma montanha no Time Trial, o jogo simplesmente crasha.

E voltando aos positivos, o jogo tem como desbloqueável o maior herói nacional, ícone dos jogos Brasileiros e lenda do entretenimento… Tcheco, com seu skate vindo diretamente de Skatemasta Tcheco. Sendo que essa não é o primeiro cameo de Tcheco em um jogo da QUByte, já que também há um cameo em Savage Halloween (jogo bacanudo que vocês deviam jogar), e como sabem, esses cameos significam apenas uma coisa…

Tcheco on AEW Confirmed. Não, pera. Terceiro jogo de Tcheco publicado pela QUByte confirmado. Você ouviu isso aqui primeiro. Não conte pra ninguém.

E além do personagem principal e do Tcheco, há outros personagens, incluindo aí um personagem muito semelhante ao protagonista de Super Pitfall (Que o criador de Super Hiking League fez uma romhack), porém eles só podem ser usados nos modos versus/corrida e time trials. 1

Eu quero pagar um pão com mortadela pro compositor

A parte gráfica de Super Hiking League DX é bastante competente, com sprites bonitos no estilo NES e bem coloridos. O mesmo pode ser falado a respeito dos cenários , coloridos e com diversos efeitos. Mas o destaque maior do departamento artístico do jogo é a trilha sonora do jogo.

As músicas em chiptune do jogo são do tipo chiclete, que grudam na sua cabeça. Como eu comentei uma vez, em stream, o maior elogio que posso fazer a um compositor é: “eu quero pagar um pão com mortadela pra ele.”

Chegue ao topo e garanta já o seu

Super Hiking League DX pode ser frustrante da metade pra frente, mas ainda assim, é um jogo feito pra divertir (especialmente no versus), e em console seria recomendação certeira se não fosse o crash nos time trials. Fora isso, pode comprar sem medo.

O jogo está disponível para PC, Playstation 4, Nintendo Switch e Xbox One e esta análise foi feita com uma cópia gentilmente cedida pela QUByte.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.