Muitas vezes, ao jogar ou ao menos ver muitos jogos de uma pessoa/produtora, você já percebe detalhes em comum. Tipo Beat’Em up’s da Capcom no SNES terem limite de 3 inimigos por vez, os jogos do Makoto Uchida terem forte influencia de Hollywood ou os jogos do Dennis Ferreira serem uma absoluta catástrofe.

Dentre jogos com elementos em comum, eu poderia citar os jogos do Juliano Lima, desenvolvedor brasileiro.

Ainda que muitas vezes sejam de gêneros diferentes, você vai encontrar elementos em comum, que mesmo não sabendo que são feitos pela mesma pessoa, você vai ter certeza desse fato. E um de seus mais recentes jogos, Barry the Bunny, finalmente chegou aos consoles.

Será que ele vale a pena?

O coelho construtor versus a Gangue do Macacão

Barry é um coelho que por alguma razão, constrói pontes, para ajudar outros a voltarem para casa.

Só que seu trabalho é atrapalhado pela Empresa do Macacão (como o jogo tem idioma em português, uso os termos de lá), um bando de animais que usam roupas e são 16 vezes maiores que você, e o trabalho deles é destruir pontes.

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Cabe a Barry agora reconstruir as pontes, salvar os coelhinhos e deter a Empresa/Gangue do Macacão, só que seu trabalho será longo.

Obviamente, assim como os outros jogos do Juliano, o roteiro é só a desculpa para você jogar o jogo, e isso basta em um jogo no estilo arcade. Prefiro muitas vezes isso do que aquele jogo que não diz nada.

Platformer cheio de gimmicks

Barry the Bunny é um side-scroller básico. Vá do ponto A ao ponto B evitando obstáculos. A princípio, o jogo começa simples, mas conforme se avança, novas coisas vão sendo adicionadas, deixando o jogo mais desafiante, desde plataformas que caem, a caixas que lembram muito os caixotes de Nitro e TNT da série Crash Bandicoot.

Porém o desafio não é necessariamente difícil. Lógico, umas fases posteriormente serão mais desafiantes, essa é a ideia de progressão, mas nada que te faça jogar o controle na parede.

O maior ponto de dificuldade é a boss battle final, mas ainda assim, algumas tentativas, saltos precisos e um bocadinho de sorte ajudam a superar.

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O jogo possui 96 fases e 4 chefões, as fases são do ponto A ao B, e existem obstáculos e inimigos a serem superados.  Os inimigos podem ser derrotados com machadinhos que você coleta durante as fases.

Além disso, você pode coletar 3 troncos de madeira em cada fase para construir as pontes. Não é necessário pra terminar o jogo, mas constitui de um bom desafio extra e desbloqueia o melhor final do jogo.

Após cada 24 fases, você enfrenta um chefe… Que não é exatamente num combate, basicamente você precisa passar por um percurso de obstáculos até chegar num ponto onde o chefe irá cair na lava (bem no estilo Super Mario Bros), e progressivamente eles ficam mais desafiantes.

Uma das melhores sacadas do jogo é não apresentar a barra de vida do personagem, pelo menos não da maneira convencional.

Conforme o personagem está mais vestido (com capacete, colete de proteção e óculos escuros), mais pontos de vida ele tem, e a maneira de recuperá-los, pode ser com os itens de cura encontrados nas fases, ou coletando cenouras o suficiente para ganhar um hit point extra. E é aí que tá a única diferença na escolha de dificuldade do jogo.

No fácil, a cada 25 cenouras, um ponto de vida, já no normal é um pouco mais, fora isso, não há mudança nenhuma em relação a dificuldade.

O jogo não é tão longo assim, pelo menos meu playthrough, salvando os 96 coelhinhos levou cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos, ou pelo menos foi esse o tamanho do meu vod.

Um jogo fofinho e gostoso de ouvir

Barry the Bunny

Graficamente, Barry the Bunny usa a mesma estrutura e estilo dos outros jogos do Juliano, que são os quatro mundos/mapas distintos e os sprites, que mesmo pequenos, tem personalidade e um certo charme. E os bosses possuem sprites enormes, dando uma sensação de perigo as batalhas contra eles.

Os cenários e elementos do jogo sem bem coesos, apesar de alguns mapas tecnicamente não fazerem tanto sentido, mas esse sou só eu tentando esticar um pouco o texto sendo incoerente.

A musicas podem não ser aquelas que vão ficar na sua cabeça, mas são gostosinhas e cumprem o papel de embalar a sua jornada.

Recomendado? Sim.

Barry the Bunny

Se recomendo Barry the Bunny? Sim, é um jogo curto, sólido com poucos defeitos (as vezes a colisão em algumas plataformas é questionável) e divertido. O jogo está disponível para Playstation 4, Playstation 5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series e PC.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Ratalaika Games.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.