Eu gosto de jogos 8-bit como qualquer um de nós, porém, uma coisa que eu queria que fosse mais regra e menos exceção nos indies, são jogos que abraçassem mais a estética dos 16 bits. Sei que tem um número considerável, mas pra cada Kaze and the Wild Masks, temos 10 Panzer Paladin.

O que quero dizer com isso? Bem, a quantidade de jogos em 8 bit na indústria indie ainda é bem grande.

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E vou confessar aqui, apesar de ter um apreço genuíno, eu nunca fui muito interessado na série Legend of Zelda, tanto que só zerei o primeiro jogo. Num emulador de NES pro PSP. E eu já vi tanto randomizer de A Link to the Past que eu não consigo ver o jogo mais na minha frente.

Porque eu to falando sobre Zelda? Bem, a primeira vista, o jogo de hoje pode render comparações ao clássico do SNES, mas será que Trigger Witch é somente isso?

Confira conosco.

Glória ao Balisticismo!

Estamos no papel de Colette, uma aprendiz de bruxa (no começo do jogo) que leva jeito com armas de fogo.

No mundo de Evertonia, a magia acabou se tornando obsoleta e as armas de fogo, trazidas por um misterioso portal, são a regra. Porém, após sua formatura na Stock, a academia de Balística do reino, um homem misterioso aparece e a vida de Colette fica de pernas para o ar, já que este homem com um bigode peculiar não tem planos muito agradáveis para Evertonia.

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O ponto fraco de Trigger Witch é a sua história. Não que ela seja ruim, mas sim porque pelo pouco que o jogo nos oferece, muito mais poderia ter sido contado, o potencial era enorme.

Por outro lado, o plot twist do trecho final me deixou rolando de rir, e isso era tipo quase uma da manhã. Não vou contar aqui pra não estragar a surpresa, mas quem me segue no twitter ou viu algumas das minhas speedruns deve ter visto, mas enfim.

O mundo de Evertonia poderia ter sido mais explorado, mas não foi, o que é uma pena.

Tiroteio, exploração e caos

Trigger Witch

Ao invés de começar pelos pontos positivos sobre a jogabilidade, falarei de alguns pontos negativos.

O jogo tem um softlock em potencial logo no começo do jogo (quando a arma acerta a cabeça da protagonista), que ainda não foi patcheado. A única maneira de evitar isso é não smashar o botão pra avançar o texto nesse pequeno intervalo (como todo speedrunner faria). E caso o softlock aconteça, aí é fechar o jogo e reiniciar.

E em algumas salas, por alguma razão, é possível fazer com que a sala não carregue, e a única solução pra isso é voltar ao menu principal do jogo e recarregar o save mais recente. Não perde muito tempo, mas aguardamos patches aí para corrigir esses dois pequenos pormenores.

O jogo ele é de um gênero… Que eu não sou lá muito fã, o Twin Stick Shooter, que basicamente você mira com um analógico e se move com o outro. A princípio, só uma arma está disponível, mas com o tempo você consegue um arsenal que deixaria o protagonista de DOOM orgulhoso. Cada arma funciona de maneira diferente, como o esperado e cabe a você usar com sabedoria.

Evertonia é um mundo aberto e você pode explorá-lo a vontade em busca de maneiras de melhorar sua arma. Para melhorar, você precisa encontrar peças de upgrade em certos baús pelo mundo afora e gastá-las na loja de upgrades, além do dinheiro para os upgrades em si. O dinheiro pode ser obtido em alguns baús pelo mundo, ou simplesmente matando inimigos e coletando.

As dungeons do jogo são similares as de ALTTP em certas estruturas, você precisa de chaves para abrir certas portas, enquanto que em outros setores, é necessário matar todos os inimigos e por fim, tem algumas portas que só abrem se resolvermos algum “puzzle”. Os puzzles em si não são muito complicados, não afetando muito a fluidez da jogatina (a não ser que você seja burro, como este que vos fala).

Em alguns pontos de determinadas dungeons, o jogo mudará o estilo, de Dual stick shooter pra shoot’em up (com uma das etapas sendo basicamente uma homenagem a sequência “final” de Metal Slug 3), o que dá um pouco de variedade (e faz com que eu pareça menos idiota no processo) ao jogo.

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O jogo não possui itens de cura deixados por inimigos, você se recupera basicamente usando uma poção, que enche sua vida inteira, e pode ser recarregada conforme se mata inimigos. A princípio, você possui apenas uma poção, mas esse número é aumentado durante a jogatina (uma você ganha com o progresso da história e a outra se compra no casino).

As batalhas contra chefes são mais ou menos o que você esperaria de um jogo como esse, veja como funciona o chefe e aja de acordo, sendo que em alguns casos, você só pode atacar em determinado momento, quando se abre o ponto fraco dele.

Em termos de duração, dependendo da dificuldade, e se você sabe ou não as direções (e se quer fazer 100% ou não), o jogo pode levar de 4 a 8 horas para ser concluído, com algum tempinho a mais aí se você quiser fazer a platina. Não é um trabalho complicado, mas admito que tive que olhar online pra pegar alguns dos coletáveis pra platina.

Caos colorido

Trigger Witch

A trilha sonora de Trigger Witch é bem competente. As músicas passam bem o clima de aventura e ação pedidos. E os samples de voz são bem “16-bits”, se é que isso é algo.

Graficamente, o jogo lembra bem o já supracitado A Link to the Past, mas com sprites um pouquinho maiores (ou é só o efeito de jogar numa TV de 43 polegadas). Os inimigos e NPC’s possuem bons designs em geral, apesar dos retratos dos diálogos ficaram um cadinho deslocados.

Os cenários do jogos são bastante variados, e em alguns casos, possuem bons efeitos climáticos. E o jogo é sangrento. Quando você mata os inimigos, voa sangue e tripas, mas se você for sensível (ou quiser um dos troféus), pode mudar isso trocando do modo Gore para o modo Piñata, onde os inimigos mortos estouram deixando docinhos, feito uma piñata.

É uma adição boba, e a não ser que você tenha um senso de humor pastelão, não vai ser algo utilizado. Mas não reclamo, porque achei hilário.

Jogue Trigger Witch

Trigger Witch

Se você tem um console, a palavra final é: se possível, jogue Trigger Witch. O jogo tem uns pequenos defeitos que precisam ser consertados, mas no geral é um dos melhores jogos (dos lançados esse ano) que joguei em 2021: Ação na medida certa, frenético, com a dificuldade acessível e muito divertido.

Trigger Witch está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 que foi gentilmente cedida pela produtora.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.