Sabem o texto do meme de fim de ano sobre que jogos jogamos no ano? Eu to escrevendo o meu de 2021 desde Janeiro.

Sim, não estou brincando, eu tenho anotado cada jogo que termino, ou ao menos chego perto de terminar *um caso em específico num bloco de notas e já estou na marca de 157 jogos. Grandes, pequenos, jogo, termino e anoto.

A verdade é que o parágrafo acima foi só encheção de linguiça porque eu não tinha uma maneira de introduzir o jogo deste review. Mas enfim. Uma coisa que eu gosto, em termos de roteiro, como escritor, é a maneira que um autor faz um universo compartilhado entre suas obras.

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Pegando aqui como exemplo, existe um livro chamado “Guardians”, da autora brasileira Luciane Rangel. Esse livro em si, conta uma história e tal, mas em outro livro da mesma autora, chamado “Tenshi“, “Guardians” não passa de uma história de um livro mesmo. Ou pegando o livro “Fios de Prata” do Raphael Draccon, que a princípio é uma história isolada, e boa parte dele é, mas você pode conectar ele ao “Coletor de Espíritos”, que se passa no mesmo universo.

Em jogos isso as vezes também rola de acontecer (como os jogos da Remedy), mas nem é claro ou bem executado.

Um exemplo de produtora que faz um universo próprio em suas Visual Novels é o Dharker Studios, que consegue conectar suas obras de maneira coesa. A trilogia de Beach Bounce (PC/Switch) se passa no mesmo universo que Negligee e outras obras deles, com personagens em comum aparecendo entre as diversas obras.

E ainda que Beach Bounce em sua versão de consoles tenha ficado apenas no Switch, outro jogo do mesmo universo, chegou ao PS4 e PS5 (além do Switch), sendo esse jogo “Dating Life: Miley x Emily”, publicado novamente (assim como Beach Bounce), pela Gamuzumi.

Será que ele vale a pena o valor cobrado?

Polares opostos se encontrando por acaso

Você está no papel de Miley, uma conselheira escolar (cuja primeira aparição foi na prequel de Negligee) que é uma pessoa extremamente avessa a tecnologia e para a maioria das pessoas, é considerada alguém invisível. Após mais um dia frustrante, ela recebe uma notificação de um aplicativo de encontros, e devido a vários enganos por parte dela mesma (como preencher o espaço de nome como Miles, dentre outras coisas), acaba marcando um encontro com uma mulher.

Essa mulher, é Emily, a dona da Negligee (loja de roupas íntimas onde se passa o jogo homônimo), uma pessoa que é o total oposto de Miley. Miley tem sérios problemas de confiança, não tem tanto traquejo social quanto gostaria e como dito no parágrafo anterior, não é muito boa com tecnologia.

Emily por outro lado, é bastante expansiva e carismática, além de confiante. Mas, enganos a parte, as duas decidem levar esse encontro para saber no que vai dar.

Uma comédia romântica curta

Dating Life Miley x Emily

Obviamente não vou explicar pela milésima vez como funciona uma visual novel, você faz escolhas, lê textos, blá, blá, blá. Enfim, com isso fora do caminho, é uma visual novel curta, talvez você consiga fazer todos os finais em umas duas horas, se pular os textos repetidos.

E a história, é bem mais contida que por exemplo Sakura Succubus 2. Ela funciona no mundinho dela, mas se pega por alguém que não conhece de onde vem esses personagens, não sei se seria tão atrativo.

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Não é culpa da publisher, mas talvez na hora de fazer o jogo, não quisessem associar o nome com o de Negligee. Só especulo as razões.

E obviamente, apesar de quase ir lá e mencionar coisas aqui e acolá, as versões de console do jogo são o que chamaríamos de All-Ages (já que o conteúdo sexual explícito foi removido por razões óbvias.)

Gráficos e Sons: Agradáveis

Dating Life Miley x Emily

Admito que eu tive que rejogar a novel pra poder julgar melhor a trilha sonora, pois no meu playthroughs, eu estava jogando com metade da minha atenção em outra coisa, e sem o headset. Mas a trilha sonora é decente. Nenhuma música é memorável, mas elas cumprem bem seu papel pros momentos exigidos.

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E.. Eu gosto da arte do Dharker Studios. Apesar de que dependendo do jogo, eles variam. Aqui são agradáveis. Os cenários igualmente, cumprem seu papel e são bonitos. Só acho que exageraram um pouco no vapor no banho da Miley em uma das CG’s.

Difícil recomendar

Dating Life Miley x Emily

Vou ser realmente honesto. Não sei se recomendaria Dating Life: Miley x Emily se você não conhece um pouco do background das personagens.

Talvez numa promoção. Se você conhece (através de Negligee e de sua prequel), talvez queira dar uma olhada pra conhecer mais sobre as duas. É um romance yuri curto e uma platina fácil.

O jogo está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e obviamente, PC. Esta análise foi escrita com uma cópia cedida pela Gamuzumi.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Gamuzumi.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.