Vídeo games sempre foram um hobby caro, então o acesso a eles era bem difícil. Em minha época (olha a idade) os consoles de cartuchos não eram acessíveis, logo um console de disco era inviável ao bolso do meu pai. E por conta disso, ele se apertava financeiramente em prol da paixão pela entretenimento eletrônico.

Não dava pra deixar de se chatear quando ele vendia um para ter outro, só que era a forma que menos judiava do bolso dele naquela época.

E porque estou dizendo isso? Bem, a razão é que eu queria contextualizar como o Sega Saturn veio parar em minha casa, lá nos anos 90. Diferente do PlayStation e o Super Nintendo que foram adquiridos por crediário, o Saturn foi foi na base de uma troca.

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O engraçado é que o console veio por meio da minha vó, que só o havia comprado porque minha tia queria muito um vídeo game durante um tempo em que morou conosco. Meu irmão e eu meio que impedíamos ela de jogar, então isso resultou na compra do console, que não era o PlayStation que ela queria. Depois de algum tempo minha vó decidiu que minha tia passava muito tempo jogando, assim minha mãe fez uma troca com ela pelo console, assim conseguindo o vídeo game.

Com o SEGA SATURN em casa, foi o momento em que decidimos conhecer o que ele tinha além do Daytona USA e Virtua Fighter 2. Não tínhamos internet para consultarmos sua biblioteca, logo a ida as locadoras se deram inicio.

O que me leva a outro ponto interessante, pois muito dos games que jogamos naquela época são tidos como ruins. Eu particularmente gostava de uns e outros nem tanto, mas até os ruins me marcaram, e essa descoberta de títulos em família garantiu boas lembranças que irei compartilhar com vocês.

As noites jogando D!

Uma das lembranças que guardo com carinho foi a noite dedicado a jogatina do game D, famoso titulo criado por Kenji Eno. Eis uma informação que nem sonhava em um dia ter a respeito do titulo, mas retomemos o fio da meada.

Com uma família constituída de amantes do gênero horror, nos reuníamos após a janta para assistir meu pai jogando o titulo. E o engraçado é que o game em si não era lá muito bonito, sabíamos que Resident Evil nesse aspecto estava anos luz a frente, mas não nos importávamos.

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Minha mãe se divertia xingando meu pai a cada puzzle que ele errava e culminava na morte de Laura, protagonista do game. O trecho com a armadura atacando causou muitos gritos, enquanto o puzzle do relógio fez meu pai ferver a cabeça. E eu olhava aquilo tudo e sentia uma alegria genuína.

Pensava comigo mesmo que um dia iria querer vivenciar algo próximo do que tinha naquele exato momento.

The Mansion of the Hidden Souls

Por outro lado, sempre gostei muito de jogos diferenciados, indo na contramão do que meu pai e irmão gostavam, assim, quando alugaram pela primeira vez The Mansion of the Hidden Souls todos eles odiaram, mas eu não.

Enxerguei no titulo um desafio que queria encarar, então munido de um velho dicionário de inglês português do meu pai eu encarei um fim de semana todo morrendo e reiniciando no jogo. E só podia jogar quando eles não queriam, porque segundo meu irmão na época: “Cara, você só gosta de coisas que ninguém gosta.”

É, ninguém deu a mínima, mas no fim das contas eu consegui finalizar o jogo durante um domingo em que todos estavam ocupados.

Virtual Fighter 2 Remix

Não dá pra deixar de apontar um dos títulos que mais jogamos e que acompanhava o console. Jogávamos tanto que realmente havíamos pegado o jeito com vários personagens, logo o Dural não dava tão trabalho para ser derrotado. O engraçado é que jogando hoje percebo que é um game mais técnico do que os demais do seu tempo.

Os combates contra minha mãe sempre fora os mais divertidos, por conta do famoso “cachorro louco” no controle, onde ela usava a barra da camiseta nos polegares e pressionava vários botões e direções ao mesmo tempo.

O engraçado é que comprei recentemente a versão de Xbox 360 para rejogar no Xbox One, e o meu filho ficou fascinado pelas cores dos personagens. Fiquei todo bobo com ele jogando um game que conheço desde a infância.

Shinning The Holy Ark

Eu fiquei apaixonado por esse game, principalmente por conta do visual dele que me lembrava bastante personagens feito de massinha. É um tipo de arte que sempre me atraiu desde muito pequeno.

Com personagens coloridos e inimigos caricatos, Shinning The Holy Ark só pecava por conta das dungeons enormes e fáceis de se perder. Nunca finalizei o game, mas gastei muitas horas com o titulo.

Grande parte delas preso em uma dungeon… É.

Powerslave

Powerslave foi um dos games que vira e mexe meu pai alugava para jogarmos, e quase finalizou se a memória não me falha. Só não zerou porque acabou vendendo o console por alguma razão que não recordo, provavelmente aperto financeiro, o que era recorrente nessa época.

É um game que marcou demais, tanto pela trilha sonora quanto por fugir do que era acostumado a ver naquela época.

É um DOOM no Egito, só que me dava menos medo do que Doom costumava me cas

CONGO: The Lost City of Zinj

Sega Saturn

Esse daqui eu particularmente gostei bastante mas não agradou o pessoal de casa. Eu era louco pelo filme, inclusive meu irmão foi uma das razões por gostar tanto do filme, pois ele havia conseguido assistir antes de mim e contou momentos chaves e fiquei doido.

Quando descobri o game fui louco pra jogar e gostei, pelo menos naquele tempo. Não fugia muito do Powerslave, exceto pela qualidade inferior se comparado, mas o titulo me convencia de que eu estava jogando parte de um filme que adorava.

DAYTONA USA

Sega Saturn

Daytona USA é provavelmente um dos games mais divertidos que joguei durante o tempo do console. Poucos games de corrida me agradavam genuinamente, mas esse daqui saltava aos olhos em tudo.

Desde a física, jogabilidade a sua trilha sonora que é soberba. Como não se empolgar com DAYTONAAAAAA!!

SHINOBI LEGIONS

Sega Saturn

OK, vou encerrar o texto com esse que foi uma das melhores experiências que eu tive com o Sega Saturn: Shinobi Legions.

Gastamos horas e parte da noite para fechar o game em uma primeira jogada e foi uma experiência espetacular. Lembro como se fosse ontem em pleno domingo meu acordando cedo, tomando café e voltando ao console para tentar avançar.

Conversávamos sobre formas e táticas para derrotar alguns dos bosses a medida que íamos avançando, enquanto minha mãe toda nervosa xingava a gente por contas das mortes consecutivas. O grito de alegria dela quando enfim derrotamos o boss final, seguido de um “FINALMENTE ADEMIR!!”.

Facilmente é uma das lembranças mais engraçadas e gostosa que tenho com o console.

CONCLUSÃO

Sega Saturn

Eu não saberia dizer qual seria minha reação ao jogar todos esses títulos de Sega Saturn nos dias de hoje, sei que na época realmente foi muito divertido, me proporcionou momentos únicos. Provavelmente alguns deles vá me desapontar por ter envelhecido mal, mas isso faz parte.

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A nostalgia é uma lamina de dois gumes, então sei que como uma lembrança é muito mais gostoso, uma vez que na pratica não reviveremos exatamente a mesma experiência, até porque estamos em uma constante mudança em todo o campo da vida, e com vídeo games não é diferente.

A passagem do console pela minha família garantiu boas lembranças, e não a toa possuo um site para falar sobre jogos com 10 anos de vida. Nada mais é como antes, mas as marcas ficaram e me fazem querer falar sobre a experiência que tive com cada console e respectivo jogo, hoje foi a vez do Sega Saturn.

“Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”

Author: Diogo Batista

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, é um eterno rabugento. Opta por investir seu tempo entre games, filmes, livros e sua família à perder tempo discutindo na internet.