Eu sempre tenho minhas reservas quanto a jogos indie. Pode parecer um tanto arrogante, mas muitas vezes um jogo indie que tenta capturar “o espírito dos jogos antigos”, ele acaba por apenas pegar parte da ideia e não o espírito do que fez o jogo clássico ser lembrado até hoje. O “Pixel Devil & the Broken Cartridge”, que analisei ano passado cai nessa categoria.

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Foi um jogo que tentou referenciar Mega Man, Darkwing Duck, Duck Tales, Quack Shot e Battletoads, mas o design de fases ruim estragou a experiência, tornando ele um fardo de terminar (mas peguei o troféu de Platina ainda assim). Por isso, quando um jogo indie tenta imitar um clássico, eu penso duas vezes antes de querer jogá-lo, pois há a chance da decepção. Felizmente, Thunderflash não cai nesse caso.

Hora de entregar justiça aos terroristas

A organização terrorista Bloody Wolf roubou tecnologia do departamento de defesa dos EUA, e pretende fazer algo maligno do mal maléfico com isso (Não sei se destruir o mundo ou nos obrigar a assistir o Especial de Natal do Felipe Neto, ambas as alternativas seriam ruins), e é nosso trabalho, como soldados altamente treinados nas artes de Sylvester Stalone e Arnold Schwarzenegger (correr e atirar, causando explosões) entregar um pouco da justiça e democracia aqueles malditos terroristas, em especial, Prizrak e Bulldozer, os líderes da operação na Bloody Wolf.

Os melhores soldados para tal fim são o Sargento Rock (IT DOESN’T MATTER WHAT IS YOUR NAME!) e o Sargento Stan (que não é o do South Park). Com a missão estabelecida, cabe a eles ir ao fictício país de Kashmir e atravessar hordas de mercenários que certamente são treinados na arte de andar em linha reta rumo ao fogo cruzado (o mesmo treinamento que os inimigos da série Contra receberam).

Tiroteio a moda fliperama, sem invencionices

Thunderflash

Thunderflash possui três modos de jogo, o Arcade, que são as cinco fases do jogo, disponíveis em duas dificuldades, Normal e Hardcore. A única diferença palatável é que na dificuldade Hardcore, os inimigos causam mais dano.

Um aviso: Para ver o verdadeiro final, é necessário terminar o jogo em uma tacada só, então é recomendado que se dê game over duas vezes, assim o jogo lhe dará a opção de jogar com 20 créditos ao invés dos 10 (mas é possível terminar com 15).

Também há um modo Boss Rush, onde se enfrenta os chefes do jogo em sequência. Infelizmente não há incentivo algum para fazê-lo (ao contrário do Survival, que oferece um troféu atrelado a ele para a platina do jogo.) E o modo Survival, onde é necessário sobreviver a maior quantidade de inimigos possível, e nesse modo, os personagens possuem status diferentes dependendo da skin escolhida. É algo trivial, mas dá uma pequena variedade ao jogo.

O core do jogo, é basicamente um clone de Commando, clássico da Capcom da época de arcade. Você vai de baixo para cima na tela (e dependendo da área, da direita pra esquerda, esquerda pra direita e mesmo de cima pra baixo) e atira em tudo o que quer te matar.

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Você pode pegar armas diferentes e bombas pelo caminho, além de refis de energia e estrelas que dão pontos extras. Ao invés de ser hit kill, como muitos jogos, há uma barra de vida e os créditos que você tem, são as vidas. A princípio pode parecer difícil, mas com um pouco de prática, e sabendo onde estão os power ups, terminar o jogo passa a ser uma brisa.

Não há coisas como respawn de inimigos para lhe atrapalhar, e os chefes possuem padrões de ataque bastante previsíveis, com os combates contra eles se baseando em decorar esses padrões, e agir de acordo com eles.

Claro, em algumas partes do jogo, você vai ter um pouco mais de trabalho e existem algumas etapas que são basicamente autoscroller’s, mas nada muito significativo em termos de mudança na jogabilidade.

Apresentação simplista, mas efetiva

Thunderflash

A apresentação de Thunderflash em termos gráficos é simplista, mas no ponto. A parte jogável da tela simula a visão dos arcades de tiro vertical, e ao iniciar o jogo, há uma tela de boot simulando a famosa tela de boot dos jogos da CAPCOM, com a parada da RAM e tudo mais. Esses pequenos toques deixam o jogo mais charmoso na minha opinião.

Graficamente, o jogo é competente, seja na pixel art das cutscenes (o jogo possui basicamente duas, uma na introdução e uma no encerramento, ao terminar o jogo) ou nos sprites dos personagens e inimigos. Eles não são os mais detalhados do mundo, mas não são aquela coisa minimalista que alguns indies tentam passar como retrô.

A trilha sonora do jogo é decente, não vai te empolgar tanto, mas não decepciona. Mas fora o tema da tela título, nenhum dos outros temas vai ficar na sua cabeça, tenha isso em mente.

Conclusão: Recomendado

Thunderflash

Thunderflash não é o jogo mais original do mundo (de fato, ele é um clone de Commando/Mercs), mas ele foi feito com carinho e é um jogo bastante competente naquilo que se propõe.

Dá pra terminar em uma tarde, tem coop local e isso garante o fator replay dele. Então, se a oportunidade surgir, dê uma chance ao jogo. Não vai se arrepender.

Thunderflash está disponível para PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series e Nintendo Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Ratalaika Games.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.