Minha criatividade para títulos de review está acabando. Porque cazzo, esse aqui ficou bem ruim. Mas vai assim mesmo. Enfim, eu sou um filho da mãe. Não, sério, eu tenho um arquivo.txt com os jogos que preciso fazer review e tem uns títulos que nem comecei a jogar. E a fila de títulos terminados pra fazer review tá enorme. E tanto eu quanto o Diogo estamos correndo atrás de outros jogos.

O fato é que talvez eu queira deixar muita coisa pronta pra tirar uma folga de reviews Isso é cansativo, jogar até o final, escrever o texto, capturar as imagens, pensar num título pro review. Mas ei, pelo menos faço isso porque quero levar recomendações e não recomendações ao público.

Títulos que passam batidos pela maioria dos sites tradicionais, podem ter uma chance aqui. Afinal, onde mais você leria análises de jogos como HORSE RACING 2016, Hentai vs Evil ou Lizard Lady vs The Cats? Ou mesmo de Sakura Succubus 2?

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Falando de Sakura Succubus, a Gamuzumi, publisher das versões de console do mesmo, começou publicando jogos que são mais inclinados ao gênero ecchi (nada de errado com isso, eu os saúdo inclusive), com Sakura Succubus (1, 2 e 3), Legends of Talia: Arcadia e Beach Bounce Remastered (esse somente no Nintendo Switch).

Porém, nem só de lewd vive o homem (ata, falou o cara eternamente horny), então eis que a Gamuzumi publicou Sable’s Grimoire, da desenvolvedora Zetsubou Games, que não é um título originalmente eroge (ok, Legends of Talia não é também, mas aquele lá ainda tem foco no ecchi). E se você se pergunta porque essa análise demorou bastante… Eu não contei que meu backlog de reviews está imenso?

Bem vindo a Academia de Magia Amadronia, quase uma Hogwarts

Piadas a parte, é impossível não fazer um pequeno paralelo entre Amadronia e Hogwarts, pelo menos no quesito função, mas dá pra fazer outros paralelos com Harry Potter, falarei mais adiante.

O fato é que são duas escolas de magia. Enfim, você é Sable, um humano normal que pela falta do que fazer, ficou obcecado em aprender magia. Nisso, ele acaba por querer se tornar um renomado pesquisador de magia, e para atingir seu sonho, resolve entrar para Amadronia, um dos mais renomados institutos de magia do mundo.

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Só que ao chegar lá, em seu primeiro dia, ele descobre que sua vida será tudo, menos normal. Ele é um dos poucos humanos que frequenta a academia, cuja maioria são de seres meio-humanos ou humanoides (como elfos). E essas pessoas tem problemas tão humanos quanto os de Sable.

Será que Sable vai conseguir alcançar seu sonho de ser um pesquisador mágico? Será que ele vai sobreviver de fato? Só depende de você.

O caso é que Sable já chega ao colégio em desvantagem, já que os seres que usualmente frequentam a escola (elfos, pixies, dentre outros) são mais aptos a magia naturalmente, então ele precisará ser inventivo. E sendo um humano no meio de seres naturalmente mágicos, haverá preconceito, tal qual acontecia em Hogwarts.

O casting de Sable’s Grimoire é diverso, em termos de personalidades, mas usualmente seguem tropes já conhecidas a quem joga visual novels ou já consumiu alguma mídia oriental, sejam mangás, animes e até mesmo jogos.

Temos a típica tsundere (apesar dela não partir pra agressão como a trope sugere), a menina energética amigável, a glutona, a tímida e por aí vamos. Infelizmente dentre as rotas, não tem um romance com a professora Succubus. Por favor, Eris, visite meus sonhos e sente na minha cara…

Eu disse isso em voz alta? Oh bem, lá se vão as duas leitoras mulheres do site e qualquer chance que eu tenho de arrumar uma namorada.

Bem, vida que segue. Enfim, por outro lado Sable, boa parte do tempo é um protagonista normal… Exceto nos momentos em que ele é irritante por ser pragmático. Mas ao mesmo tempo que ele é pragmático, ele é um tremendo pamonha e essa combinação me irritou bastante.

Algumas coisas funcionam, outras, nem tanto

Sable’s Grimoire é uma visual novel, então basicamente tudo o que você faz é ler um texto, e em alguns momentos chave, tomar uma decisão que pode mudar o rumo da trama. Porém, ao contrário das novels que eu costumo jogar pra fazer análise, Sable’s Grimoire tem dezesseis finais diferentes, e para ajudar os jogadores a não ficarem perdidos ou alcançarem finais indesejados, o jogo coloca a sua disposição, um mapa com as rotas…

Bom, um mapa que eu gostaria que funcionasse porque tanto ele, quanto a galeria com as CG’s do jogo não funcionaram, já que coisas que teoricamente eu deveria ter desbloqueado e caminhos pré-feitos não apareciam após eu carregar um save pra continuar o jogo. E isso é meio que uma pena, porque poderia me ajudar a economizar tempo pra fazer outras rotas.

Além desse mapa, existem dois filtros, um de conteúdo maduro (coisas mais pesadas, e no caso, uma das rotas) e um para escolhas que levem aos finais ruins. Isso é uma coisa legal de se adicionar, tanto pra ajudar os jogadores mais novatos, quanto no caso, os mais sensíveis.

A narrativa do jogo mostra que muitas coisas não são o preto no branco que parecem ser, e existe uma razão para a professora Succubus ser apática com relação ao próprio trabalho, dentre outras coisas e personagens que parecem afáveis na verdade são babacas do caralho… Sim, estou falando de você, diretor Ein. Do meio pro fim da jogatina eu queria socar ele… Embora se eu fizesse isso só quebraria minha TV e ela me custou 1600 reais…

Esteticamente agradável

O trabalho no departamento visual do jogo é fantástico. Começando pela interface de usuário que é muitíssimo bem feita. E os cenários, apesar de estáticos, estão possivelmente dentre os melhores numa visual novel ocidental que já vi.

O que deixa um pouco pra baixo são os sprites, que talvez por ficarem num meio termo entre a arte mangá e o estilo comics, se destacam no cenário. E apesar disso, as CG’s são bem bacanas. Ao menos as que eu passei por elas, já que não tive como passar por todas as rotas.

As músicas do jogo são agradabilíssimas de se ouvir, não são memoráveis do tipo que ficam na sua cabeça, mas do tipo que você ouve e fala: É, é uma boa música.

Alerta: Isso não é um romance

Primeiramente, se você vai jogar Sable’s Grimoire achando que vai ser um romance, prepare-se pra se decepcionar. Ainda que algumas das rotas dêem a entender que há a possibilidade de romance (As rotas da Lisha e da Drakkan levam a duas continuações que saíram pra PC), o tom do jogo não é esse. Você vai conhecer as personagens, embarcar nos seus dramas, e em alguns casos, a coisa fica pesada (A rota da Jorou envolve cicatrizes mentais). O fato é que Sable’s Grimoire é uma leitura um pouco mais madura que a média dos jogos da Gamuzumi e uma boa novel em si.

Então é, se você tiver a oportunidade (e for fã de Visual Novels), jogue Sable’s Grimoire.

O jogo está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X e Nintendo Switch, além da versão original de PC.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Gamuzumi.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.