Vou ser bem honesto, eu nem sei como começar a falar sobre essa análise. Quem lê minha análise sabe, que nos primeiros dois parágrafos, eu sempre abro com alguma bobagem ou contando minha relação com o jogo ou algo relacionado (como no texto da Ninja Gaiden Master Collection, que contei sobre como parte de minha vida acabou cruzando com a série), mas aqui, eu não tenho nada.

Não joguei os jogos anteriores do criador de Heal, Jesse Makkonen (No caso, Distraint e Distraint 2), então não tenho bagagem pra comparar com os mesmos.

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Usualmente é o que acontece quando falo sobre diversos jogos, mas enfim. Uma coisa que eu gosto quando jogo um jogo, é se mesmo que ele não tenha variantes (vai sempre se comportar da mesma maneira, independente de quantas vezes eu vá jogá-lo), ele vai me divertir o suficiente para um dia eu queira voltar ele, seja um dia, um mês ou um ano depois de tê-lo terminado.

Não me importa que a experiência não mude, se ele me divertir ao ponto de que eu queira voltar a ele depois, vai valer a pena.

Heal estava disponível para PC desde o ano passado, e graças a Ratalaika Games, chegou aos consoles em abril deste ano.

Será que ele vale a pena o seu investimento?

Envelhecimento, demência e… Esqueci

A narrativa de Heal é uma experiência fragmentada, não é dado ao jogador muitos detalhes. Tudo o que se sabe, é que o personagem, já idoso, sofre de demência e procura lembrar de coisas do seu passado, com a ajuda de puzzles.

Agora vou ser completamente honesto aqui, e ir meio que na contramão de muita gente. Mas, apesar de ser fã de jogos com foco em narrativa (quando bem feita, ou malfeita, mas propositalmente exagerada), já programei visual novels e consigo viajar de boa na narrativa de jogos point’n click (desde que eu não precise utilizar o touchpad do notebook), eu detesto esses jogos ultra conceituais fragmentados ou inexistentes.

Um exemplo disso é o “The Witness”, que muita gente elogiou e pipipi popopó, eu joguei, zerei e achei um completo porre.

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Não foi pela falta de ação ou mesmo os puzzles que em sua maioria, eram legais. Até mesmo os cenários daquele jogo são bem bonitos. Mas o jogo é totalmente sem graça. O mais divertido do jogo é fazer o puzzle que leva ao easter egg, e tudo que ganhei daquilo é um vídeo que sugere que os puzzles do jogo foram resultado da bebedeira do game designer.

Pra você ver o quanto Heal não tem uma narrativa, eu usei os dois últimos parágrafos pra falar mal de The Witness. Isso é o máximo que você me verá falar sobre aquele jogo… Exceto no texto de meme do fim de ano. Minha lista já tem 112 jogos no momento em que escrevo essa análise.

Puzzles criativos, mas que só fazem sentido pro personagem

Heal

A primeira coisa que fica clara, é que Heal foi feito pra ser jogado com um mouse. Porque absolutamente tudo depende do ponteiro que você controla, desde a movimentação do velho, até as ações dele pra ativar e resolver os quebra-cabeças.

Os quebra-cabeças do jogo são simples, criativos e exigem um pouco de análise e massa cinzenta (o que significa que eu terminei o jogo tropeçando em todas as soluções devido a minha burrice) para serem resolvidos.

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O problema é que como o jogo não oferece nenhuma narrativa compreensível a primeira vista, nenhum daqueles puzzles vai fazer sentido pra mim, somente para o protagonista do jogo.

Tá, eu to clicando aqui e fazendo uma ligação, mas pra quê? Não sei. O jogo tem uma curta duração, levando cerca de uma hora para ser concluído. E a não ser dois troféus específicos que são necessários para a platina e podem ser feitos depois de terminar o jogo, não há razão alguma para retornar ao jogo após sua conclusão.

Um feio bonito, mas depressivo

Heal

Os gráficos de Heal possuem uma paleta de cores meio depressiva, não sendo lá muito animadora. E em termos de cenários e animações, o jogo é bonito, mas o protagonista… Não. Talvez seja eu julgando gente velha? Possível, não nego nem confirmo. Mas, novamente, o visual deprimente do jogo torna a jogatina cansativa.

A parte sonora do jogo é mais atmosférica do que tudo, as poucas músicas são até decentes e utilizadas bem, não tenho lá muitas reclamações, mas não é algo que você vai necessariamente parar pra ouvir…

Pelo preço que é, não vale a pena

Heal

Heal tem puzzles decentes e gráficos relativamente bonitos, mas considerando a questão de tempo jogado x dinheiro gasto, não recomendo a compra. A experiência é, por falta de melhor palavra, cansativa.

Sei que não sou o único que tem essa opinião porque mesmo pessoas que curtiram a série Distraint ficaram desapontadas com este jogo.

E lembra que falei da questão de valor replay? Deixo para citar aqui, Pretty Girls Klondlike Solitaire, jogo de paciência que acabo sempre voltando pra ele porque é divertido e viciante. Heal não tem nada disso.

Heal: Console Edition está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Ratalaika Games.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.