Diversão: O que te traz diversão quando se está jogando um jogo? Quando a gameplay te agrada, sendo afiada e precisa? Quando a história te prende? Quando (em caso de jogos adultos) os atos deixam você…

Enfim, sabe como é. Diversão em jogos é uma parada completamente subjetiva.

As vezes, um jogo te traz diversão não pelos motivos que o desenvolvedor deseja, mas pelas razões completamente opostas.

O absurdo de um enredo, bugs que deixam divertido e mecânicas que não saem exatamente como planejadas. E claro, às vezes, quando um jogo explode, muita gente tenta copiar. Lembra que Harry Potter fez isso DUAS VEZES? Uma copiando GTA e uma copiando Gears of War? Pois é.

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E embarcando no massivo sucesso de Elder Scrolls V: Skyrim (assim como seu antecessor surfou nas ondas de Oblivion), a produtora Crescent Moon Games lançou para Android e iOS (depois chegando no PC e Ouya), Ravensword: Shadowlands, sucessor de Ravensword: The Fallen King, de 2009. E agora, em abril de 2021, esse jogo, lançado em 2013 chega as outras plataformas do mercado?

Será que ele vale MESMO a pena?

A história era tão tediosa que eu esqueci

Ravensword

Após a queda de Ravengard, o mundo mergulhou no caos. O Reino de Tyreas estava sozinho contra uma maré de elfos negros invasores. A Ravensword estava perdida e a época sombria começou. Como descendente de uma antiga linhagem de reis, somente você tem o poder de manejar a Ravensword novamente e restaurar o que foi perdido.”

Honestamente… Eu copiei e colei da descrição do jogo, porque a narrativa do jogo é tão ruim que eu devo ter perdido algumas células cerebrais no caminho. É tudo tão desinteressante e mal jogado na sua cara que tudo o que você pode dizer é “o que faço pra terminar esse diálogo logo?”.

O jogo também entrega personagens completamente insípidos. Tudo bem, eu caguei pros personagens de Skyrim porque mal dediquei uma hora da minha vida àquele jogo (ou talvez eu tenha uma hora no steam e não lembre), mas sei que muita gente se afeiçoa a alguns personagens do arrasa quarteirões da Bethesda.

Tem algum jogo aqui? Possivelmente, mas tem muitos bugs antes de eu encontrar

Ravensword

Primeiramente, uma coisa. Eu não consegui terminar o jogo por duas razões. A primeira, é que por alguma razão, toda vez que eu jogava o mesmo por algum tempo, meu PS4 DESLIGAVA no meio da jogatina.

Não sei se isso é um problema do meu PS4 (O Tony chegou a comentar que pode ser), mas depois de parar e analisar o resto das coisas (como minhas jogatinas prolongadas de Biomutant), uma coisa ficou clara: Meu PS4 SÓ DESLIGOU com Ravensword. A segunda razão explicarei mais adiante no review.

Comecemos o jogo pelo começo: O jogo tem um criador de personagens… Que é pavoroso. Não importa que opções você pegar, seu personagem sairá mais feio que bater na mãe com um tamanco infectado por tétano.

Não sei se é possível um tamanco pegar tétano, mas é assim que é. A princípio seguimos um caminho linear até termos um “mundo aberto” com missões a se fazer, mas francamente… Jogando em console você só vai fazer as missões necessárias para conseguir os troféus da platina, pois não há nenhum incentivo para tal.

Há um sistema de moralidade, roube itens e você será visto como um bandido e irá pra cadeia ser pego (há um troféu pra isso), mas fora isso, não influencia em nada. O jogador pode ignorar as sidequest’s e seguir com a história principal que é um porre.

O jogo tem um sistema de upgrades que surpreendentemente funciona e é possivelmente a melhor parte do jogo, você pode aumentar seus status a cada nível, tanto de coisas tangíveis como força, vitalidade, resistência, magia, quanto coisas mais fora da curva, como velocidade a pé, altura dos saltos, e outros detalhes que realmente influenciam no jogo.

Porém, como posso dizer… O jogo foi pessimamente programado. Pra começo de conversa, a segunda razão pela qual eu não terminei o jogo, foi que eu estava em uma das missões da história, para seguir.

Porém um dos itens que eu deveria coletar para essa missão NÃO SPAWNOU, recarreguei e nada, saí do jogo, voltei e nada. O item simplesmente não apareceu, me impossibilitando de avançar no jogo.

Só que esse não foi só um pequeno problema, ele foi basicamente a gota d’água para eu abandonar Ravensword.

Porque… Por onde começo? O combate do jogo. Eu costumo reclamar que em Skyrim, os inimigos tem uma física de queijo, porque seus golpes não tem peso lá. Pois aqui é muito pior, não importa o tipo de arma que você tenha, cada ataque parece levar uma eternidade pra chegar no inimigo. Nem adianta pensar em armas a distância, elas são tão inúteis quanto as armas corpo a corpo.

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Muitas vezes, alguns inimigos vão te dar um certo trabalho, mas é mais culpa da programação do jogo do que sua. E já que estamos aqui, vamos falar da colisão do jogo… Que é um cocô, como esperado de jogo mal programado na Unity. Em alguns momentos, o jogador não vai conseguir subir diretamente todos os degraus de uma escada. E em alguns pontos, mesmo superfícies inclinadas vão causar o mesmo tipo de problema.

Por outro lado, montanhas parecem ser uma sugestão, já que com um pouquinho de esforço é possível escalá-las com pulos bem calculados (pfft) e do topo do cenário, pular para o vazio infinito, que não é tão infinito já que em algum momento o jogador morre.

Voltando ao meu último ponto sobre o combate, é possível lutar enquanto se está montado num cavalo, e dentre todas as formas de combate, é possivelmente a mais estável.

O que não quer dizer muita coisa, já que o combate é horrível, com ou sem magia. Que existe no jogo, mas fora a magia de golpe físico, outras são para momentos específicos do jogo.

Minha mãe do céu, como isso é feio

Ravensword

Eu não sou nenhuma putinha de gráficos, mas Jesus Cristo de Cascatinha, esse jogo é pavoroso de feio. Sim, é um jogo de 2013, mas data de lançamento não é desculpa para termos modelos que parecem que foram esculpidos pelo Ricky Berwick. Os cenários são simplistas e poderiam ser aceitáveis, se não fosse a quantidade de bugs no resto do jogo.

A trilha sonora é tão memorável quanto os NPC’s sem rosto que aparecem no anime de Nagatoro (assista porque é mó daora), e a dublagem…

Lembra quando falei que escalaram o elenco mais desinteressado do mundo em Black Legend, uns meses atrás? Pois é, Ravensword tem uma dublagem que faz Black Legend ser digno de premio de dublagem, porque se lá era ruim, aqui é umas 28 vezes pior.

Não recomendo

Olha, se não tivesse sido o bug que me impediu de avançar, e as vezes em que o meu PS4 desligou sozinho, eu recomendaria esse jogo em uma promoção, porque ele provoca risadas pelos motivos errados, mas dadas as circunstâncias, não recomendo Ravensword: Shadowlands.

Porque eu estava me divertindo legitimamente com os absurdos do jogo. Mecânicas ruins, gráficos feios, a maior parte dos glitches, eu estava adorando tudo isso, mas infelizmente o jogo me traiu, então não recomendo.

Ravensword: Shadowlands está disponível pra Android, iOS, PC, Ouya, PS4, Xbox One e Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela produtora do jogo.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.