Eu sou um fã declarado de Shoot’ Em Up’s devo ter dito isso, uma, duas ou dez vezes. Porém, minha situação com o gênero no PlayStation 4 não é das melhores porque os jogos do gênero no console estão divididos em três categorias: Ou não são lançados na PSN aqui do Brasil (como muitos jogos que tem na PSN americana, mas não na nossa), ou são muito caros (já viram o preço de Ketsui? Eu não vou pagar 180 reais num shooter), ou usualmente não tem algo que me agrade. O fato é que fora um ou dois jogos, não possuo tanto entretenimento assim do gênero.

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Uma das coisas mais legais dos anos 80 e 90, eram os filmes do gênero Buddy Cop, onde dois policiais que eram o oposto se juntavam e eram um bom misto de comédia e ação. Inspirado por esses filmes, a Fobti Interactive lançou em 2016, o shooter horizontal Donuts’ N’ Justice nos PC’s, e agora, em junho de 2021, através da Ratalaika Games, o jogo ganha um lançamento nos consoles. Será que o jogo vale o seu investimento?

Hora de Limpar as Ruas… DA RAIVA! Não, pera

Donuts' N' Justice

Você escolhe entre Mike Riggs e Nick Gordon, dois policiais que utilizam ternos saídos de Miami Vice e precisam limpar a cidade dos malfeitores.

Bandidos furrecas, ninjas, samurais, punks, sósias do Azaghal estarão em seu caminho, então pegue sua arma, confie em seu treinamento e entregue a JUSTIÇA AMERICANA para manter a cidade.

Obviamente, o roteiro é basicamente inspirado naqueles filmes de policiais, e a única cutscene real do jogo é a do final. Porém, para esse jogo é o mínimo necessário para agir como alguém em São Cosme e Damião e distribuir balas pra todo lado.

Faltou balanceamento na hora de determinar a dificuldade

Donuts' N' Justice

Muitos paradoxos envolvem a jogabilidade de Donuts’ N’ Justice. Por um lado, a estrutura dele lembra um pouco a de certos endless runners, quanto mais longe você for, mais coisas desbloqueia, mas com um pequeno twist: Os inimigos, ao serem mortos podem liberar itens aleatórios, sejam Donuts para recuperar sua energia, coletes a prova de balas, caixas de granadas, power-up’s, armas, dinheiro e emblemas.

O dinheiro é usado para comprar chapéus, que podem ser cosméticos ou terem efeitos práticos, como o do Batman, que permite que um pequeno morcego lhe acompanhe, morcego esse que atira nos inimigos, lhe auxiliando.

Os emblemas desbloqueiam novas armas a cada x emblemas coletados. Só que essas armas são dadas pelas caixas deixadas pelos inimigos e são aleatórias. Algumas armas ajudam, mas não há nenhum incentivo real para você coletá-las.

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Eu falei de paradoxos dois parágrafos acima, pois lembra que eu falei dos endless runners de celular? Pois Donuts’ N’ Justice é tudo, menos runners de celular.

Ele é um shooter horizontal com cinco estágios, no qual você deve ir até o fim da fase (uma barra indica seu progresso) e você tem uma quantidade de life pra chegar ao seu objetivo. Só que o jogo é desbalanceado como shooter.

Muitas vezes, o padrão de inimigos e balas parece errático demais e você tem que se preocupar em desviar das balas, matar os inimigos, não matar civis inocentes. Não culpo quem decidir jogar na dificuldade fácil. O jogo ainda vai pegar no seu pé, mas pelo menos os inimigos causarão menos dano.

E novamente, paradoxos, as fases são difíceis pelos inimigos erráticos e coisas caóticas, mas os chefes… São facílimos. Eles possuem basicamente dois padrões de movimento e ataque bastante previsíveis e podem ser abatidos sem problemas. O jogo possui um fator replay ao ter um modo de boss rush e obviamente os chapéus e armas a serem desbloqueados, mas não há um incentivo qualquer para você fazer isso.

O jogo se utiliza de três botões, um botão atira para a direita e outro para esquerda, e um botão arremessa a granada (para o lado em que o jogador fez o último disparo), que pode ser útil em algumas circunstâncias.

Trilha sonora boa, mas eu estou me cansando desse tipo de pixel art

Donuts' N' Justice

Corro o risco de ser odiado pela comunidade de desenvolvedores independentes, mas é algo que preciso tirar do peito.

Esse tipo de pixel-art minimalista está começando a me cansar. Talvez seja o fato de que eu tenho jogado vários jogos com gráficos assim, mas é algo que tem se acumulado ao longo do tempo.

Não me levem a mal, não estou fazendo a crítica pra colocar pra baixo ou algo do tipo, sei o quão é árduo o ciclo de desenvolvimento de um jogo, mesmo eu tendo só trabalhado com Visual Novels e não ter me preocupado com a criação de assets próprios. Eu só queria ver sprites mais detalhados serem a regra e não a exceção na indústria.

Dito isso, os cenários de Donuts’ N’ Justice são belíssimos. Sim, são poucos, basicamente o centro da cidade, Chinatown, o metrô, o porto e uma nave alienígena (Donuts’ N’ Justice poderia ser um brilhante Beat’Em Up com esses cenários, fica a dica, Donuts’ N’ Rage, me chama aí, Sr. Ratalaika).

São poucos, mas são muito bonitos e ricos em detalhes. O trabalho nos sprites, entretanto… Eles são distinguíveis, ainda que minimalistas. Os protagonistas parecem saídos de Miami Vice, e os inimigos são levemente diferenciáveis.

A trilha sonora do jogo é bem legal. As músicas são empolgantes e passam o tom certo da jogatina, ainda que curta. Recomendo darem uma escutada na trilha do jogo, certamente o melhor quesito do jogo.

Entre erros e acertos, é apenas ok.

Donuts' N' Justice

Donuts’ N’ Justice não é ruim. Mas, se você é fã de shooters, certamente tem muitas outras opções melhores no mercado.

O cerne de um bom jogo está lá, porém ele tropeça no balanceamento da dificuldade. Se você encontrar em uma boa promoção, talvez valha a pena. Ele não é caro, só há alternativas melhores.

Donuts’ N’ Justice está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5 (Crossbuy), Xbox One, Xbox Series (Com smart delivery) e Nintendo Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 gentilmente cedida pela Ratalaika Games.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.