Nos anos 90, era muito comum termos jogos com a temática das cavernas, influenciados pelo fenômeno que foi Jurassic Park, e o certo fascínio por uma época distante. Tivemos Toki (Juju), Joe & Mac, Prehistorik Man, Congo’s Caper, Chuck Rock, Radical Rex, e poderíamos ficar aqui durante um bom tempo citando os jogos jurássicos.

Mas, com o tempo, obviamente a indústria dos jogos mudou, e temas que antes eram comuns, desapareceram. Se temos jogos com essa temática hoje, eles não são mais aqueles jogos cartunizados, mas coisas um pouco mais “maduras” (isso é subjetivo) como Ark: Survival Evolved.

LEIAM – Resident Evil Village | Impressões das sombras

A desenvolvedora e publisher espanhola Jandusoft, através do Kickstarter, produziu Caveman Warriors, jogo que pretende pegar aquele público que tem saudade de um jogo das cavernas, mas com um toque mais moderno.

Será que o resultado foi bom?

Homens (e mulheres) das cavernas AO RESGATE!

Basicamente, você não joga com um personagem, mas com um grupo de personagens. Seus filhos foram sequestrados por um alienígena, por alguma razão. E você precisa passar por diversos cenários, alguns que certamente vão te surpreender, e os twists do jogo não param, mesmo o roteiro, execução e apresentação sendo super simplistas.

A narrativa de Caveman Warriors é bem direta ao ponto, com cada uma das fases sendo apresentada em uma sucessão rápida de quadrinhos. Você não precisa de muito mais incentivos do que seus próprios filhos sendo sequestrados… Liam Neeson que o diga.

Joe & Mac encontra Trine…

Caveman Warriors

Essa é a melhor maneira de definir as oito fases iniciais que compõem Caveman Warriors. Você tem uma seleção de quatro personagens, e pode alternar entre eles a todo instante.

Basicamente, o jogo funciona como um side-scroller, bem ao estilo de Joe & Mac, mas com o twist de Trine, que em determinados momentos das fases, o personagem X será necessário, porque tem uma habilidade que só ele consegue utilizar.

Você tem um ataque curto, pulo, pulo mais alto (pode ser utilizando o direcional pra cima + pulo, ou um botão próprio), e técnicas especiais diferentes pra cada um dos 4 personagens. Os personagens não são só reskin de outros com habilidades diferentes, mas coisas como velocidade e tipo de ataque, também diferem de um pra outro.

Durante o jogo, você vai estar sempre trocando de personagens (inclusive tem um troféu para trocar de personagem 100 vezes em uma fase), embora 70/80% da fase possa ser jogada com um personagem só.

LEIAM – Enquanto o grande incêndio não chega

Para aumentar o tempo de jogatina e incentivar o replay, existem em cada estágio, três pilhas a serem coletadas. Elas não são só um cosmético, pois elas serão necessárias para abrir os estágios extras, disponíveis após a viagem no tempo da quinta fase.

Essas fases extras possuem uma dificuldade maior que a normal e o posicionamento das pilhas difere da original.

O jogador tem uma barra de vida, e uma de estamina (para as técnicas especiais), que podem ser recuperadas com comida e itens especiais. Cuidado na hora de usar as técnicas especiais, pois elas gastam essa stamina e caso ela acabe, seu personagem ficará vulnerável a ataques inimigos.

Porém nem tudo são flores. A dificuldade do jogo não é muito balanceada, e em alguns pontos, as hitboxes são questionáveis (em especial na segunda fase). Os chefes sofrem do mesmo problema, enquanto que alguns vão garantir xingamentos, outros (chefe final incluso), depois que você descobre o padrão de ataque deles, fica facílimo derrotar o mesmo.

Limpo visualmente, sonoramente aceitável

Caveman Warriors

Admito que comprei Caveman Warriors por causa do visual dele. Apesar das animações não clicarem comigo, eu gostei da maioria dos designs (alguns só estão lá).

Os sprites são chamativos, e algumas das referências vão tirar um sorriso da sua cara… Ou fazer o jogador se perguntar: “Como ninguém viu isso?”.

E qualquer jogo que permita que você bata numa versão nazista do He-Man (Intitulada Hi-Tler, pelo Kapan) ganha pontos positivos comigo. Os cenários são igualmente bonitos, apesar de só chamarem a atenção numa primeira jogatina.

O departamento auditivo do jogo é decente. Não tem nada realmente chamativo, mas não são melodias memoráveis. Ou eu joguei tanta coisa que esqueci das músicas. Nah, são esquecíveis mesmo.

Até hoje ainda lembro da musiquinha que toca em Milo’s Quest, mas não das músicas de Caveman Warriors.

Numa promoção, vale a pena

Caveman Warriors

Honestamente, se quer um jogo de dinossauro nos sistemas atuais, você pode gastar 5 dólares (26,90 na PSN Brasileira) na versão de PS4 de Joe & Mac, porte do Arcade, inclusive mais barato que as emulações da Arcade Archives.

Enfim, o fato é que Caveman Warriors é decente, mas não vale o preço cheio. Se tiver curiosidade, aguarde uma promoção.

O jogo está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch e a análise foi feita com base na versão de PS4.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.