Como abordar determinados assuntos em jogos? Existem tópicos que são difíceis de se abordar, porque você vai estar pisando em ovos, e mesmo um tópico como a guerra vai se tornar algo tão chato a ponto da matança insensibilizar o jogador.

Como escritor, sei como é ter que pensar num tema e a maneira de abordá-lo, ou você vai de maneira sensível, ou você vai direto ao ponto, mas nunca com excesso.

Dreaming Sarah, do brasileiro André Yin, saiu para PC em 2015, mas por uma razão ou outra passou batido por mim na época (talvez pelo fato de que eu sou meio desligado em relação a jogos de PC e 2015 foi quando eu comprei o PS3), porém em 2021, isso mudou graças a Ratalaika Games que cuidou do porte para os consoles, e finalmente tenho a oportunidade de jogá-lo.

Uma jornada em um mundo belo… E bizarro.

Dreaming Sarah

Sarah acorda repentinamente em um local desconhecido sem saber como foi parar lá. Aquele mundo é de sonhos ou é o mundo real? Cabe ao jogador guiar Sarah por aquele mundo e descobrir a verdade, indo da floresta, a uma mansão mal assombrada.

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Obviamente, conforme vamos ligando um pouco os pontos ao coletar os objetos pelo jogo, percebemos que algo não vai bem, e que algo terrível levou Sarah aquele mundo bizarro.

Jogue no seu ritmo, sem pressa

Dreaming Sarah

O jogo é um plataforma 2D com foco na exploração e resolução de alguns puzzles. Ele funciona de maneira semelhante a um Metroidvania, apesar de não ter necessariamente todos os elementos de um, mas basicamente você precisa coletar itens que vão dar a Sarah, as habilidades necessárias para ela poder avançar um pouco no jogo, tipo o Guarda Chuva faz com que ela plane ao pular, permitindo atravessar áreas que não davam sem ele, ou o Colar que a transforma em um peixe.

Porém o jogador não precisa ter pressa ou cautela, já que não há inimigos no jogo, e com exceção de pontos específicos do jogo, não há como ele morrer (e mesmo nesses pontos, a morte não é punitiva). Só que pra avançar no jogo, o jogador vai precisar pensar um pouco e fazer determinadas coisas, novamente, nada muito difícil, então até um completo burro em puzzles como eu consegue lidar de boa.

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O jogo não é longo, eu levei cerca de duas horas, isso porque coletei os extras para a Platina, mas sabendo o que fazer, a speedrun do jogo pode levar de 11 a 20 minutos. Tendo dito isso, uma pequena crítica a se fazer na versão de PS4 (e creio que talvez isso valha pra versão de Xbox One também), dois dos troféus do jogo estão invertidos, o troféu do Rio Card e o da bala do Revolver são dados no momento do item oposto.

Bizarramente agradável

Dreaming Sarah

Isso parece contraditório numa primeira lida, mas quando você vê a primeira tela do jogo, pensa que vai ter uma jogatina agradável… Isso dura até você sair pegar o elevador e sair na Dimensão do Olho e perceber que o jogo não vai ser fofinho o tempo todo.

Alguns dos cenários do jogo possuem essa vibe um tanto surreal, e outros são… Comuns, apesar de tudo. Mas todos são bem construídos com elementos distinguíveis. Alguns deles contém algumas referências que só faltou dizer que era pra ficar mais óbvio (A lua que parece ser um pequeno planeta de um certo príncipe).

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Os sprites podem não ter tantos detalhes, mas ainda assim é possível perceber a expressividade deles nas coisas que Sarah faz, porque eles são muitíssimo bem animados. Uma coisa que notei, em relação a versão de PC (ou ao menos as screenshots do guia de conquistas que está no steam), é que ao menos um dos cenários do jogo sofreu uma revisão na paleta de cores, e até mesmo um dos elementos relacionados a conquistas, mudou. Não sei se isso foi para a versão de consoles ou se houve uma revisão posterior no PC, mas a mudança aconteceu.

A trilha sonora, composta por Anthony Septim (e disponível no YouTube de graça) passa esse clima agradável, mas ao mesmo tempo puxando um pouco pro bizarro. Nada creepy demais, apenas o suficiente pro desconforto de saber que algo ali não está bem.

A Única conclusão possível: Jogue Dreaming Sarah

Dreaming Sarah

Dreaming Sarah é um jogo bem legal. Claro, o tema dele é um pouquinho pesado, mas ele é bem tranquilo de jogar, e vai ser uma experiência gostosa.

O jogo está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S | X e Nintendo Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 cedida pela produtora.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.