Antes de falar do jogo, uma história legal minha a respeito da QUByte, a produtora do jogo.

Eu fui um dos apoiadores do Catarse do jogo do 99 Vidas, lá no longínquo ano de 2015 (Cala a boca, Tony, ninguém pediu tua opinião). Porém, em algum momento entre o meu apoio e o lançamento do jogo, eu havia perdido o acesso ao e-mail da minha conta do catarse (que era um e-mail do yahoo).

Para evitar qualquer problema, obviamente eu troquei meu e-mail do Catarse, para o meu atual no Gmail.

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Porém, a data de lançamento do jogo em dezembro de 2016 veio e eu não recebi nada lá. Vi alguns amigos jogando, mas nada. Contatei o Evandro (do 99 Vidas) e ele me deu o toque. Entra em contato com os caras da QUByte que eles podem te ajudar. Isso era na véspera de Natal. Mandei e-mail, e com um pouco de paciência, NA FUCKING VÉSPERA DE NATAL, o cara me atendeu e mandou o código necessário para que eu jogasse.

Então, ainda que o jogo tenha o mesmo problema de Scott Pilgrim vs The World: The Game, de forçar você a grindar os personagens pra poder avançar. Não consigo ficar de todo zangado com o jogo.

De lá pra cá, a QUByte cresceu bastante, e passou “Dos caras que fizeram o jogo do 99 Vidas”, a uma das principais publishers de jogos brasileiros em consoles.

Isso não é um superlativo pra puxar o saco dos caras, porque eles publicaram bastante coisa mesmo, e um dos jogos mais recentes foi um beat’em up que tinha um pouco de familiar por conta da marca envolvida, a Red Nose, uma linha de roupas brasileira.

Desenvolvido originalmente pelo estúdio capixaba Mito Games, a QUByte cuidou do porte para PC e consoles do Beat’Em Up WarDogs: Red’s Return, lançado no fim de Abril para PC, PS4 e Xbox One e Switch.

Hora de encarar AS RUAS DA RAIVA!

WarDogs: Red's Return

Após uma praga catastrófica quase varrer o mundo, os remanescentes da humanidade se voltaram à engenharia genética para sobreviver. Irreconhecíveis, os humanos agora se esforçam para se recuperar nas poucas cidades que ainda existem.

Habitando a periferia de um paraíso tecnológico, os rejeitados de sua sociedade vivem sob o domínio das muitas gangues que controlam os subúrbios. Entre eles está Red, um jovem lutador voltando para casa depois de passar um ano afastado, encontrando-a imersa em conflito. Depois de reencontrar velhos amigos, ele precisa descobrir quem é o responsável por esse caos e acabar com seus planos antes que seja tarde demais.

O jogo não te dá exatamente essa descrição, você só aparece voltando ao bar da Cindy após ter feito uma besteira e aí começamos a porradaria. O jogo é conciso e direto ao ponto, mas é bom saber que tem um mínimo de lore por trás.

Porrada, acertos e erros

WarDogs: Red's Return

WarDogs é um Beat’Em Up no estilo 2D, você basicamente precisa bater em tudo que se mexe.

Temos um botão pra soco, um pra chute, e algumas técnicas que podem ser usadas com um botão, ou uma combinação de dois botões (L1 + quadrado, triângulo ou círculo). As técnicas de um botão usualmente tem um tempo de cooldown, herança do jogo ter sido originalmente lançado para celulares.

Já as técnicas que utilizam o R1 usam a barra de fúria, que vai sendo enchida conforme batemos nos inimigos, apanhamos ou coletamos itens que enchem a fúria. As técnicas utilizam um, dois ou três terços da barra e variam, uma aumenta a sua força por um período de tempo, outra dá uma regeneração de energia e a última é uma técnica boa pra limpar a tela… Até a sexta fase, onde o modo Berserker é adquirido e a técnica das três barras se torna o Berserker Mode, onde os inimigos ficam mais lentos e você pode usar as outras técnicas da barra de fúria mais vezes, ideal para chefes, onde você pode arrancar um bom dano.

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O jogo não é muito difícil. De fato, dá pra você conseguir o troféu de platina em pouco mais de duas horas. A versão do Steam possui um pouco mais de conquistas em relação a versão de PS4, mas não são necessariamente mais trabalhosos.

Algumas das coisas que posso criticar no jogo, são a detecção de colisão que em alguns pontos do jogo é falha (os próprios desenvolvedores admitem isso) e pode levar inimigos a te encurralarem e arrancarem um naco de vida com facilidade. E outro problema, é o excesso de câmeras lentas dramáticas no jogo.

Tipo, alguns combos ao finalizar, o jogo dá um zoom em câmera lenta no momento. O que seria uma coisa esteticamente legal ao finalizar uma onda de inimigos… Só que isso acontece com uma frequência que irrita MUITO.

O jogo possui um modo extra de missões e um modo Horda, que em teoria deveriam estender a vida do jogo, e na versão de PC tem sua utilidade, já que uma das conquistas do jogo requer que se compre todas as roupas (essa conquista não existe nas versões de PS4 e Xbox One), mas nas versões de console não é tão necessário assim (a não ser que você tenha TOC e queira todas as roupas possíveis do jogo).

Existe um sistema de customização do jogo através de chips de implante que você compra na loja e ganha após terminar uma fase ou missão. Os chips são divididos em graus de raridade e quanto mais raro, melhores eles serão e tornarão a sua jogatina mais fácil.

Gráficos e sons

WarDogs: Red's Return

A apresentação do WarDogs: Red’s Return (em especifico, algumas cutscenes) na estética de quadrinhos, ficou muito boa, ainda que ela em geral apareça relativamente pouco no jogo, já que a maior parte das cenas é apresentada com os retratos (no mesmo traço) e diálogos, como numa visual novel.

Os modelos do jogo, bem… Poderiam ser melhores. Eles são passáveis, melhores que por exemplo o jogo de Tormenta. Os cenários são um tanto genéricos, cidade atrás de cidade. O design de inimigos é criativo, assim como o dos bosses, mesmo que os modelos sejam medianos.

A trilha sonora é o ponto fraco do jogo. Não tem músicas ruins, porém elas não empolgam o suficiente.

Pesando prós e contras, recomendado

WarDogs: Red's Return

No fim das contas, WarDogs: Red’s Return é um bom jogo. Sim, tem sua cota de problemas, mas não chega a ser um jogo ruim, principalmente considerando que é o primeiro projeto fora da área de Advergames do pessoal da Mito Games, e considerando a quantidade de problemas que beat’em up’s 3D com jogabilidade 2D podem ter. E mais, é uma platina relativamente fácil de se conseguir.

WarDogs: Red’s Return está disponível para Android, iOS, PC, Playstation 4, Xbox One (E PS5 e Xbox Series via retro) e Nintendo Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia digital de PlayStation 4 cedida pela QUByte.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.