Eu sempre quis gostar de Adventures Point and Click. Sério. Inclusive antes mesmo de eu receber pra analisar o “Dude, where is my beer?” , eu tinha adquirido alguns jogos do gênero no Steam (inclusive no momento, entre uma coisa e outra, estou jogando Post Mortem), mas eu não sou a mais brilhante das pessoas e esse tipo de jogo parece exigir massa cinzenta do seu jogador.

E depois de um tempo, eu meio que parei de usar o PC como plataforma principal de jogo (com exceção de visual novels e jogos que meu notebook consegue rodar sem fazer a minha casa explodir).

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Bem, numa dessas muitas promoções da PSN, eu comecei a jogar a série Deponia, criada pelo pessoal do estúdio alemão Daedalus Entretainment, conhecida usualmente por seus point’n clicks, e terminei os quatro jogos da série. Falarei um pouco sobre cada um deles a seguir.

DEPONIA

Disponível para: PC/iOS/PS4/Xbox One/Switch
Versão Jogada: PlayStation 4

O primeiro Deponia nos traz Rufus, como o protagonista mais insuportável que eu já vi. Narcisista e egocêntrico, ele deseja sair do planeta lixo onde vive, Deponia, e morar na colônia/cidade flutuante que orbita o planeta, Elysium.

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Obviamente, ninguém leva suas tentativas de sair de Deponia a sério, porque usualmente elas não terminam muito bem, seja para Rufus… Ou todos ao seu redor, seja a sua ex-namorada Toni, ou os conhecidos em seu vilarejo.

Em uma das tentativas, ele acaba conhecendo (entenda como fazendo com que ela caia de uma nave de transporte) Goal, uma habitante de Elysium e nisso, começa a aventura de verdade.

O jogo

Honestamente, em termos de humor, Deponia acerta e erra na mesma proporção. Algumas das tiradas e sacadas do jogo são boas, e outras nem tanto. Mecanicamente falando, no PlayStation 4, ele é deveras básico, os puzzles não são tão complicados e o jogo é fácil de se terminar, e conquistar a platina.

Terminando sem pular os quebra-cabeças não lhe garante uma platina, pois existem algumas coisinhas extras a serem feitos. Ele é basicamente, o que se espera de um primeiro jogo de uma série: Não muito complicado, e experimenta bastante, tendo erros e acertos para serem definidos numa sequência.

Chaos on Deponia

Disponível para: PC/PS4/XONE/Switch
Versão jogada: PlayStation 4

No final do primeiro jogo, Goal e seu noivo Cletus estão retornando para Elysium, só que essa jornada é atrapalhada por Rufus, que em mais uma das suas tentativas de sair de Deponia (que pra chegar nessa tentativa, Rufus matou um passarinho e colocou fogo na casa de uma velha), atinge a nave deles e nisso, todos caem do céu (Incrivelmente a culpa não é do Rufus).

As circunstâncias levam a personalidade de Goal a ser dividida em três, e Rufus precisa convencer as três personalidades, que elas precisam se submeter a uma cirurgia para ser uma só. E enquanto isso, Rufus precisa ajudar a resistência de Deponia a evitar que o Organon (uma organização militar de Elysium) conclua os planos de destruir o planeta de vez.

O jogo

Chaos on Deponia é o meu favorito, sem sombra de dúvidas. Não só pela qualidade do roteiro, que melhorou absurdamente, mas também mecanicamente ele é mais agradável no PS4. Foram melhorias mínimas, mas que fizeram uma enorme diferença no fim das contas.

E o escopo e cenário do jogo foi imensamente ampliado, enquanto que basicamente o primeiro jogo se passa em Kuvaq e na Plataforma de Ascensão, aqui conhecemos mais sobre o Ferro Velho infinito que é Deponia.

Os puzzles estão melhores, e ainda será uma platina relativamente fácil. E um padrão começa a ser observado aqui: Toda vez que Rufus faz algo altruísta, ele acaba metendo os pés pelas mãos e se fode.

Goodbye, Deponia

Disponível para: PC/PS4/XONE/Switch
Plataforma jogada: PC

Por conta da política de censura da Sony, a Daedalus optou por remover Goodbye, Deponia (e Deponia: The Complete Journey) das lojas do PlayStation 4 nos EUA/Europa/Brasil, estando somente disponível na loja de Hong Kong. E como não tenho 12 dólares para um cartão da PSN de lá, tive que jogar a versão de PC, graças ao Chora_BR que me deu o jogo.

Rufus ainda vive em Deponia, o planeta Ferro Velho/Lixão e ainda quer ir para Elysium. Mas ainda assim, ele também quer deter o plano dos Organon de explodir Deponia. Para isso, ele vai contar com a ajuda de aliados imprescindíveis: Seu amigo Bozo (não, não é o palhaço), Goal e a pessoa com quem Rufus mais se importa: ELE MESMO.

Se um Rufus já causava estragos por onde passava, imagine três?

O Jogo

Deponia

Em termos de narrativa, Goodbye, Deponia é tão bom quanto seu antecessor, apesar de viajar bonito em algumas das partes. Mas pelo menos o humor se manteve o mesmo do antecessor.

Agora, pra ser honesto… Jogar no Notebook foi uma experiência inferior a jogar no PlayStation 4.

Talvez tudo se resuma a questão de usar o touchpad do Notebook e honestamente, fica horrível. Com um mouse deve ser mais confortável, usar o inventário rápido na rodinha do mouse.

Porque no PC é mais rápido, mas o touchpad deixa tudo tão sem graça.

Deponia Doomsday

Deponia

Disponível para: PC/PS4/XONE/Switch
Plataforma jogada: PlayStation 4

Deponia Doomsday é a sequência que não é muito sequência, mas é sequência. É um tanto difícil de explicar ele sem dar spoilers do resto da série, mas ele explica muitas das coisas que eram como garantido da série, como a razão de Toni ter terminado com Rufus, e como surgiu a personagem Lotti (A atendente da prefeitura de Kuvaq).

Mas bem, o plot de Deponia Doomsday envolve viagens no tempo, e Rufus novamente tendo que salvar não somente o mundo, mas o espaço-tempo e impedir que uma versão mais velha de si mesmo destrua Deponia, que os Fewlocks (uma paródia dos Morlocks) dominem Deponia e que um bigode cresça.

O jogo

Deponia

A versão de PS4 adicionou um botão pra acelerar o passo! (não sei se ele é existente no porte de Goodbye, Deponia) Infelizmente cortaram a opção de pular a transição de tela.

No geral, tantas risadas quanto Chaos in Deponia e muitos absurdos, incluindo óculos 4D, viagens no tempo e um troféu FILHO DA PUTA que exige todas as combinações diferentes de genes (243) que leva duas horas pra fazer e só não o fiz ainda porque to com preguiça danada.

No geral, dos três que joguei no PlayStation 4, é o segundo melhor. Como deu pra perceber, eu meio que fiquei sem muito o que falar, porque basicamente o que falei sobre cada jogo, foi mais sobre a experiência deles, e um pouco disso, logo, sigamos em frente.

A Jogabilidade

Deponia

A série Deponia, como devo ter explicado lá em cima, são adventures point and click, então basicamente você deve coletar itens, combinar itens, falar com as pessoas e resolver as situações de maneira completamente não convencional, como usar um algodão doce com iluminação fosforescente para seguir os passos, ou pegue um pano e cabelos de um esfregão, para no escuro, se disfarçar de outra pessoa.

Com exceção do primeiro jogo, cada jogo traz um gimmick diferente, no segundo jogo você tem a questão das três personalidades de Goal (Lady Goal, que reflete o lado refinado de Goal, Spunky Goal, que reflete o lado agressivo dela, e Baby Goal, que reflete o lado idealista da personagem). O terceiro jogo trouxe os Três Rufus, que tinham que fazer coisas específicas e trocar itens do inventario dentre si, e no quarto jogo tinhamos a questão dos portais no tempo, e apesar de não ser tão dinâmico quanto nos dois outros jogos, é uma variedade.

Nos momentos chave do jogo, quebra cabeças terão de ser resolvidos, e variam em complexidade e dificuldade. Eles podem ser simples, como montar um quebra-cabeças, enquanto que outros exigem um pouco mais de massa cerebral e em alguns casos, sorte na manipulação do inimigo. E caso você só queira curtir a história (ou fazer speedruns) os puzzles são em sua maioria, opcionais (e claro, eles são obrigatórios, caso queira fazer a platina dos jogos).

Gráficos

Deponia

Apesar do design de personagens não ser pra todo mundo, o trabalho de animação na série Deponia é muito bom.

Os cenários no primeiro jogo podem ser um bocado limitados por conta do escopo, mas eles vão evoluindo e honestamente, apesar de Chaos in Deponia ser o meu favorito, Deponia Doomsday e Goodbye, Deponia tem os melhores cenários em termos de variação. Apesar do mapa da ilha de Porta Fisco ser daora e termos pequenas visitas a outros pontos de Deponia são legais.

Apesar do estilo cartunesco, a animação em Deponia é boa (quase sempre) e as grandes Cutscenes provam que não são só spriteszinhos pequenos, mas um trabalho real ali da equipe. E mesmo não sendo lá a minha praia, o estilo de Deponia acabou meio que me contaminando.

Departamento Sonoro

Deponia

É no departamento sonoro que Deponia brilha. A trilha sonora, composta por Thomas Höhl e Finn Seliger é bem gostosa de se ouvir, com destaque aqui pros Jingles no começo de cada capítulo com umas rimas absurdas.

Outra música que curto bastante, além dos Jingles, é o hino dos Organon, que Rufus precisa cantar em um momento de Goodbye, Deponia. É basicamente o tema da tela título.

A dublagem em inglês do jogo é absurdamente boa, com destaque para a dupla Kerry Shale e Alix Wilton Regan, que dão voz aos protagonistas Rufus e Goal, com Kerry fazendo trabalho triplo (as vezes mais do que isso) com Cletus, Argus e as outras variações do Rufus… Exceto o Old Rufus (do prólogo de Doomsday Deponia), que foi dublado por David Hayter, numa óbvia referência ao Old Snake.

A série possui dublagens em Alemão (obviamente), espanhol e italiano, mas só ouvi um pouco da dublagem alemã e me parece ok… Mas a língua alemã me é muito alienígena de escutar, por isso não posso dar um parecer mais objetivo acerca do trabalho final.

Quanto a tradução, dos quatro jogos, apenas o primeiro possui tradução em português, mas o trabalho ficou tão aquém do desejado que eu não consegui aproveitar, tendo que voltar a colocar os textos em inglês.

Se curte point and clicks, jogue Deponia

Deponia

Se você curte adventures, dê uma chance a série Deponia, os jogos vez ou outra entram em promoção na PSN e no Steam, dando um alívio ao seu bolso.

São quatro jogos divertidos e que fazem você pensar fora da caixa, rir e xingar os desenvolvedores por causa daquele achievement das 241 combinações. QUEM ACHOU QUE AQUILO ERA UMA BOA IDEIA?

Enfim, a série Deponia está disponível para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, com a análise se baseando nas versões de PlayStation 4 e PC dos jogos.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.